Eu, Vampira.
3 Capítulo 3
– Então… Como te chamas? — perguntei.
Ele era lindo, disso não há dúvidas, tinha os olhos pretos e não vermelhos, o seu cabelo era também preto, curto e com uma estrela satânica desenhada na parte de trás, vestia uma t-shirt preta muito justa, que faziam os músculos realçar, e uns jeans azuis escuros.
Ele parou e olhou para mim com um olhar misterioso.
– Talvez não deva dizer, mas faço-te a vontade. Chamo-me Dário. E tu?
– Sou a Cristina.
– E o que faz uma recém vampira sozinha?
– Eu na verdade não estava sozinha, mas quando acordei os meus amigos não estavam lá…
Ele continuou a examinar-me.
– És a miúda da televisão! — disse ele rindo.
– Desculpa? Não me lembro de ter aparecido na televisão!
– Foste dada como desaparecida ontem. Não sei qual o poder dos teus pais, mas conseguiste ter a policia inteira atras de ti. — Vendo a minha cara assustada ele tratou logo de me tranquilizar. — Não te preocupes! Eles não te vão conseguir encontrar.
– Não é isso… Eu tenho que me despedir deles.
– E dizer o quê? Que és uma vampira? E fazer o quê? Saltares-lhes em cima, e morder-lhes o pescoço?
– Eu nunca faria isso… Eles são os meus pais…
– Mas têm sangue que tu precisas… Tu alimentas-te de sangue e enquanto não tiveres auto — controlo não podes ter contacto com nenhum humano. Percebeste?
– E quando eu vou ter esse auto — controle?
- Eu posso-te ajudar! Mas primeiro precisas de forças.
Disto isto continuou a andar. Olhei á volta, não fazia a mínima ideia de onde estava, mas tinha a noção de estar bem longe de casa. Começámos a passar por campistas selvagens.
– Muito bem, diverte-te!
– Eu… eu não sei o que fazer. — Admiti.
– Apenas segue o teu instinto. — Ele percebeu o quão confusa e assustada eu estava pelo que veio ter comigo e abraçou-me por trás. — Confia em mim. — sussurrou.“ Ai meu deus! Ele é tão bom!” Pensei.- Cris? — Acordou-me. — Vais caçar hoje ou não?
Olhei para ele e depois para as tendas. “Bem, aqui vou eu!”.
Eu estava completamente baralhada, não sabia o que fazer, mas segui em frente.
– Olá? Está aqui alguém? — Chamei.
Saiu um rapaz da tenda e a fome apertou novamente. Ele olhou para nós os dois baralhado. Não aguentei muito mais e saltei para cima dele. Ele assustou-se e gritou. Não consegui arranjar uma posição confortável para me alimentar, pelo que tive de morder varias vezes e desperdicei muito sangue. Quando acabei, senti-me um pouco mais forte, olhei para o Dário que tentava conter o riso.
– Fiz algo errado? — Perguntei.
– Não digamos que foi interessante observar-te — disse soltando uma gargalhada.
– Dou-te um conselho: ataca por trás e morde na veia do pescoço.
Mal ele acaba de dizer isso, ouço um grito atrás do nós. Uma rapariga olha assustada para o rapaz e quando olhou para mim soltou outro grito e começo a pedir perdão e a suplicar para que eu não lhe fizesse nada.
– Não te deixes levar pela conversa. — sussurrou Dário. Apesar de não estarmos propriamente perto, conseguia ouvi-lo na perfeição. — Ela já sabe o que és. Não pode viver. — continuou.
Ele não me deixava muita escolha e ataquei-a. Desta vez fiz como ele aconselhou. Consegui beber mais e não desperdicei tanto sangue.- Hum, alguém teve rápidas melhorias na matéria.
– Sinto-me um monstro…
– É a lei da natureza. Somos os maiores predadores da terra, não podes mudar quem és…
– É… Suponho que tenhas razão.
– Como te sentes?
– Forte e satisfeita.
– Otimo, mais uns dias de alimentação e poderemos ver qual a tua capacidade!
– Capacidade?
- Sim todos temos uma, a minha é os sentimentos das pessoas, por isso sei tudo o que sentes. — “ Que conveniente…” pensei. — Mas há quem possa ler pensamentos, controlar os elementos, hipnotizar as pessoas, entre outras coisas.
– Isso é fixe! Que capacidade terei?
– Só o podemos saber quando fores forte o suficiente para a usar.
Olhei para ele, mas arrependi-me logo de seguida, ele é tão lindo… “ Pára… ele sabe o que estás a sentir”. Tentei mas não consegui e corei. Ele olhava para mim com muita atenção.
– Isto é engraçado! — Tocou-me com uma mão na cara e o meu coração batia cada vez mais depressa, parecendo uma bomba relógio. — Porque te deixo assim?
Olhei para ele. Ele estava a falar a sério?
– Er… Por razões obvias, acho.
– Por razões obvias? Ah! Já percebi… Achas-me bonito? E misterioso? Isso é porque ainda não vistes os outros vampiros, eles são três vezes mais belos do que eu, eles deslumbram qualquer uma e depois usam-na.
– Tu não me usarias pois não?
– Não te preocupes com isso. Agora acho melhor procurarmos os teus amigos!
Graças ao Dário encontramos o acampamento num instante.
– Cris! Onde tiveste? Estava tão… — Parou quando viu o Dário a meu lado. — Quem é?
– Este é o Dário. Ele orientou-me enquanto andava perdida.
– Uma humana? — Perguntou Dário olhando para mim. Conseguia ver a surpresa na sua cara. Ela ignorou-o, virou-se para mim e perguntou-me se já tinha caçado.
– Sim, passámos por uns campistas selvagens.
– Olha, lembras-te quando dizias que não querias ser nenhum monstro? Encontrei a solução! Vocês também podem alimentar-se de animais.
– Mas o efeito não é o mesmo. — Disse Dário. — O sangue humano dá-vos mais forças!
– Mas não precisamos de forças, mas sim de sobreviver. — contrapôs.
– Não percebes, a força activa as capacidades dos vampiros.
– As capacidades? — Perguntou agora Bruno vindo do nada.
– Sim, a minha é eu saber o que todos vocês sentem, mas há muitas outras.
– Isso é um máximo. — Disse o Ruben juntando-se á conversa.Olhei para ele, estava zangada com ele.
– Devo-te um pedido de desculpas.
– A sério? E dos grandes!
– Eu tinha sede, não consegui resistir… Não estou á espera que perdoes, mas sim que pelo menos compreendas.
Baixei o olhar e o Dário continuou a conversa.
– Como eu estava a dizer a força dá-vos capacidades. De certeza que querem abdicar disso?
– Alimentarem-se de humanos é repugnante! — Disse a Lua.
– Acho que devias dar a hipótese de escolha a cada um. — Disse Dário. Lua lançou-lhe um olhar raivoso.
– Que assim seja? Ruben?
– Eu… — Olhou para ambos. — Estou com a Lua.
– Sim eu também. — Disse a Ju.
– Eu ficarei ao lado deles, não me interessam capacidades nenhumas.
Depois olharam todos para mim. Tinha que tomar uma decisão!
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