Criei então uma rotina. Acordo, corro, tomo banho, como, vejo televisão, janto, vou para o computador e durmo. A corrida de hoje foi maior, eu passei perto da estrada do acidente e decidi dar uma vista de olhos. No local ainda se encontravam destroços do acidente. Olhei á volta e tentei perceber para onde uma pessoa fugisse, se tivesse oportunidade.

Havia um enorme prado ao lado da estrada que pareceu-me um bom sitio de escapatória. Entrei nele e comecei á procura de alguma evidência de que eles estivessem vivos, já estava no meio do prado quando encontrei sangue. Por muito parvo que pareça, eu fiquei contente! Contente por encontrar sangue, por aquilo poder pertencer a eles.

Toda contente ligue ao meu pai.

– Estou? Pai, sou eu. Eu acho que sei onde eles foram! Eu estou no prado ao lado da estrada do acidente e encontrei sangue eles podem estar por aqui!

– Mas porque foste para aí? Olha vou ligar á policia para ela ir aí.

– Não! Pai, eles estiveram aqui todo este tempo e não encontraram nada… Venham vocês, tu e a mãe…

– Cristina eu estou de férias… Não posso trabalhar como policia…

– Por favor, pai!

– Ok, mas só te podemos ajudar a procurar. A partir do momento que tivermos a certeza do que encontramos, eu ligo á policia, entendido?

– Entendido! És o maior — Enquanto esperava por eles continuei á procura até que vi uma casinha de campo. Esperançosa fui até lá e espreitei. Conforme o fiz, o meu coração começou a bater mais depressa, eles estavam ali! Bati na janela e acenei, eles olharam para mim e o que aconteceu eu não consigo explicar. Quando me viram, as suas imagens começaram a parecer desfocadas, eles apareciam no outro canto da sala e não havia maneira de terem ido para lá tão rapidamente, depois eles saíram.

– Corre! — Gritou a Lua.

Ao inicio não percebi porque haveria de o fazer, mas quando vi as caras deles tive uma estranha sensação de perigo, e segui o conselho da Lua. Percebi que não valia a pena correr, eles iriam apanhar-me de qualquer maneira. Não sei como, mas parecia que se moviam á velocidade da luz.

Cai… Algo tinha ido contra mim! Olhei para ver o que tinha sido. Era o Ruben.

– Ruben? — A sua cara estava estranha, os seus olhos estavam vermelho- sangue e a sua pele estava pálida como nunca tinha visto e por muito assustador que parecesse, isto não era o pior. Os dentes dele eram tão afiados que sem duvida podiam cortar o que quer que fosse, sem qualquer esforço. Arregalou os olhos, abriu a boca e mordeu-me.

Comecei a gritar e a chamar a Lua, mas quem apareceu não foi ela mas o Bruno e a Ju. Eles tinham as mesmas características que tinha o Ruben.

“É o fim” — pensei. Fechei os olhos e esperei morrer pela mão (ou devo dizer boca?) dos meus amigos, quando algo os puxou para traz. Abri os meus olhos.

– Lua! Como? … Sabes que mais não interessa! Obrigada.

– Sempre ás ordens. — disse sorrindo. Olhei para ela, enquanto me examinava. Era a mesma lua de sempre! Nada de olhos vermelhos, nada de dentes afiados e nada de pele pálida!

– Oh não! É tarde de mais?

– Vou morrer? — perguntei alarmada.

– De certa forma… Vais transformar-te.

– Transformar-me? O que são eles?

– O que tu vais ser… Vampiros.

– Va… va… vampiros? Como? Lua, o que aconteceu?

–Eles deviam ter morrido no acidente… Bem eles estavam mortos e eu não conseguia sair dali, comecei a entrar em pânico e a gritar, até que uma criatura arranca o teto do carro e tira-nos de lá. Era uma criatura com aspecto humano, se o fosse, seria o humano mais belo que alguma vez vira. Mas o que ele fez depois assustou-me, ele mordeu o pescoço de cada um e quando se dirigiu a mim, eu não sei o que aconteceu, mas eu empurrei-o para longe de mim, não com as mãos, mas com magia! Não me sabia capas de tal coisa. Ele olhou para mim, sorriu e disse: “Estou a ver que não precisas de ajuda” depois foi se embora. Ou melhor desapareceu. Num instante estava ali e no outro já não estava. Fiquei com eles e levei-os para aquela casinha, as mudanças começaram a ser visíveis, e quando acordaram eu assustei-me. Eles tinham sede, e eu era um possível alimento. — olhou para mim. — Sabes é nojento, mas eles só se alimentam de sangue. Então quando passa alguém aqui perto eles alimentam-se. Tiveste sorte eu estar aqui, ou então já terias morrido.

– Eu não quero ser assim… Disseste que era a criatura mais bela que alguma vês tinhas visto, mas eles parecem tão assustadores.

– Eu tenho uma teoria, mas ainda não sou expert no assunto. Acho que com o tempo eles ficam assim, mas não percebi qual o factor que os fazem mudar…

Comecei a entrar em pânico ao lembrar-me de uma coisa.

– O meu pai… Ele vem aí, e a minha mãe também… — A minha voz estava estranha, como se estivesse dormente. Ela percebeu, sei disso pois os seus olhos ficaram alarmados.

– Temos que sair daqui! Anda. — Disse ela enquanto começou a correr. Tentei levantar-me, mas não consegui mexer-me.

– Her… Lua? Uma ajudinha?

– O que se passa?

– Não consigo mexer-me… Isso é normal?

– Não sei, suponho que sim. O veneno de um vampiro serve para paralisar uma vitima… Bruno? — Mal ela disse isso ele apareceu a seu lado. — Temos que ir embora. Preciso de ajuda. Achas que consegues levá-la?

Ele revirou os olhos.

– Duvidas da minha força?

– Não… Duvido da tua fome!

– Eu aguento-me. Nunca lhe faria mal.

– Pessoal? E despacharem-se? — adormeci.

Quando acordei estava deitada na floresta, numa espécie de acampamento. Estava de noite, mas eu conseguia ver com toda a clareza. Conseguia ouvir cavalos a correr, mas não via nenhum. Quis levantar-me, mas fi-lo num movimento tão rapido que me assustei. Depois, estava com fome. Não sabia onde eles estavam. Talvez me tivessem abandonado. Eu poderia ser um atraso. Corri para os procurar, mas eu era muito rápida e já estava a 2 km de distancia. Um cheiro passou-me pelo nariz e fez a minha barriga roncar, segui o cheiro e vi pessoas. “Ótimo” — pensei — “Pode ser que me dêem um pouco da sua comida” Quando cheguei perto deles, apercebi-me que não havia comida nenhuma e que eram eles que tinha tal cheiro. Assustada com o que pudesse acontecer, fugi dali, não me sabia em que direção estava a ir, só queria fugir, no entanto sabia que não podia resistir á tentação. No caminho encontrei um homem, não pensei e simplesmente ataquei-o. Fiquei surpresa por ele ser mais forte do que eu. Ele rosnou-me.

– Idiota. Não vez que também sou um vampiro?

Ainda na defensiva respondi:

– Eu só quero alimentar-me. Tenho tanta fome.

Ele aproximou-se.

– Ora, ora. Uma novata! Segue-me, eu ajudo-te. Segue-me.

Enquanto o seguia, percebi o que Lua queria dizer com a beldade destas criatura. Ele era capaz de por qualquer rapariga a seus pés. Eu própria já me sentia tentada.


Notas finais
reviews?