Eu, Tu E O Passado

2 Uma pergunta de cada vez


Notas iniciais
Apresentação de: Rafa, Ana Rita, Jorge, Joana, René, Patrícia e Gui.

Quando Bryan avista a mãe e a irmã, corre para elas abraçando e levando Carlota ao colo.
— Manoo... — Carlota grita feliz abraçando-o.
— Estás tão grande, cresceste? — pergunta Bryan à irmã.
— Nãooo... — Emily olha sorridente para eles — ...estou igual. — diz Carlota entre risos.
— Não estás nada igual, estás pesada. — os três se riem — Deixas-me abraçar a mãe? — Carlota consente e Bryan pousa-a no chão.
Emily chega-se e abraça-o enchendo-o de beijos.
— Como é que estás, filho? Correu bem a viagem? Fizeste tudo o que tinhas a fazer em Londres, certo? — Emily pergunta entusiasmada.
— Uma pergunta de cada vez, mãe... — entre risos — Tinha tantas saudades vossas. — ele volta a abraçá-la.
— Vá, vamos embora daqui. Trouxeste tão pouca coisa, porquê? — pergunta surpresa.
— Vocês dizem que aqui em Portugal faz um calor danado, e como tinha tantas roupas quentes deixei-as. — Bryan diz enquanto pega no carrinho e os três caminham para a saída.
— Então...e que tal irmos comprar umas roupas no shopping aproveitamos e almoçamos por lá? — Emily diz olhando a Carlota no canto do olho aguardando a sua reação.
— No macdonald, mãe? — Carlota pergunta saltitando.
— Sim, mas só hoje! — sorridente.
— Boaaa!!! — ela grita feliz dando a mão à mãe.
Bryan sorri para Carlota.

No colégio, na aula de história da arte, o professor dá matéria sob o olhar atento de alguns alunos. Laura, no lugar da janela e encostada à mesma, está mais atenta a escrever no seu caderno. Enzo que senta na mesma carteira, vira-se para ela baixinho.
— Estás a perceber alguma coisa desta matéria? — diz espreitando o caderno.
— Hã? — Laura responde confusa tapando o caderno com a mão. — Disseste alguma coisa?
— Eh...sim... — estranhando a reação dela — Não estás atenta, pois não?
— Nem por isso... — Laura fecha o caderno puxando o livro de modo a escondê-lo.
— O que tanto escreves nesse caderno? — Enzo pergunta curioso.
— Queres mesmo saber? — este consente — Escrevo o quão tu és chato! — diz ela rindo-se.
Enzo também se ri para ela.
Na mesa por tráz deles, estão Cloé e Rafa (18 anos, cabelo descolorido, pele clara com sardas, piercing no lábio inferior, uma tatuagem no braço, aspeto bem único e diferenciado, um pouco descuidado da escola, gosta de skate mas o que adora mesmo fazer é tocar bateria) que conversam discretamente.
— Você ainda não me falou o porquê de ter faltado à aula da manhã. — diz Cloé com preocupação.
— Desculpa... — diz Rafa suspirando — ...não me apetece nada falar sobre isso. — enquanto rabisca o caderno.
— Foi alguma coisa com seu pai? Fala comigo môr, estou preocupada!
— Sim... — breve silêncio — Nós descutimos...
— Logo pela manhã?? — ela quase que grita.
O professor vira-se para eles reclamando.
— Podem estar atentos, por favor? Esta matéria é complicada.
— Perdão professor. — diz Cloé olhando para Rafa de seguida.
Alguém bate na porta, quando o professor abre, Ana Rita (17 anos, baixinha, querida e fofa, estudiosa, dedicada e provavelmente a mais inteligente da sala, é simpática, educada e introvertida mas adora estar e sair com amigos, uma rapariga adorável) entra e senta na sua carteira, ao lado de Mara, esta que está entre ela e Débora.
— Perdeste uma parte importante da matéria com essa ida à casa de banho, Ana... Pede os apontamentos às suas colegas.
— Vê por aqui. — diz Mara dando-lhe o seu caderno.
— Obrigada. — Ana agradece sorrindo.
— Demoraste na casa de banho, está tudo bem? — pergunta Débora que se chega a elas.
— Sim. — sorri — Na verdade fui atender uma chamada da minha mãe. Ela tem luz verde para fazer a inauguração do bar amanhã à noite.
— A sério? Finalmente! — diz Mara entusiasmada.
— Mas ela liga-te assim em plena aula? — pergunta Débora rindo-se.
— Estava tão entusiasmada que nem quis esperar. — responde Ana baixinho.
As três se riem.

Na empresa, sede do Wood Bank, onde Duarte é CEO.
Duarte está no escritório com Jorge (50 anos, advogado de renome, homem de negócios, carismático, muito ligado à família mas aventureiro). Os dois debatem assuntos da empresa.
— Os Recursos Humanos já fizeram algumas seleções, falta fazer as entrevistas. Em breve teremos um novo Diretor Financeiro. — diz Jorge entusiasmado.
— Boa, já não era sem tempo. — diz Duarte atento aos documentos que tem pela frente — Algum com as características que pretendemos?
— Sim, uns dois ou três destacam-se. — responde Jorge.
— Eu estou cheio de trabalho, Jorge. Vais ter de ser tu a fazer as entrevistas porque além de Diretor Jurídico és o meu braço direito, e confio em ti. — diz Duarte olhando para ele, que consente.
— Claro, não te preocupes com isso. Como é que a tua família se tem adaptado à mudança?
— Bem. Tem sido fácil até porque já sabiam a língua, porque eu fiz questão que aprendessem a minha língua... — diz Duarte entre risos — ...a Carlota é que ainda tem dificuldade com algumas palavras.
— É normal. — Jorge ri-se.
Joana (jovem de 30 anos, secretária de Duarte, bonita, sedutora e provocadora mas muito profissional) entra depois de bater à porta.
— Doutor, os representantes já estão na sala de reuniões.
— Obrigado Joana. — eles se levantam — Vamos lá fechar esse negócio.
Joana ao sair sorri discretamente para Jorge, este também retribui sorriso discreto.

Na sala de aula, depois do toque, os alunos se levantam e vão saindo. No corredor, Enzo alcança Mara, Débora e Ana Rita juntando-se a elas.
— Bora ao shopping almoçar? — pergunta Enzo.
— Por mim... — diz Mara confirmando com a cabeça.
Ana Rita e Débora também aceitam.
— Enzo, tenho uma proposta irrecusável para vos fazer a ti e ao Xico. — diz Ana Rita sorridente.
— Qual proposta? — pergunta Enzo surpreso sob o olhar atento de Débora e Mara.
— A minha mãe perguntou se vocês querem ir tocar amanhã no bar.
— Qual bar? — ele pergunta arregalando os olhos.
— O bar da minha mãe tem luz verde para abrir amanhã! — diz Ana Rita — Querem ir tocar na inauguração?
— Estás a falar a sério? Óbvio que queremos! — ele responde entusiasmado.
— O Xico vai adorar. — diz Mara sorridente.
— Pois, é pena ele ainda estar em aula, queria contar ao mesmo tempo mas depois diz-lhe, Enzo. — diz Ana Rita.
— Sim eu digo. Então...em vez de sairmos hoje podemos sair só amanhã, temos de ensaiar e preparar uma apresentação. — diz Enzo radiante com a ideia.
— Olha eu acho muito bem, não estava mesmo com vontade nenhuma para sair. — diz Mara.
— Meninos, podemos ir comer? Estou cheia de fome. — diz Débora olhando para os três.
— Sim, eu também estou cheio de fome. — Enzo sorri.
Eles chegam ao estacionamento, Enzo destranca o seu carro e entra no lugar do condutor. Débora entra no lugar da frente, Mara e Ana Rita entram uma em cada porta nos lugares de trás.

No refeitório do colégio, que tem também o bar, os alunos fazem fila tanto para o bar como para o refeitório. O lugar também serve apenas para convívio e muitos lá estão apenas para meterem a conversa em dia.
Kevin, numa das mesas, almoça no bar. René (14 anos, ar e estilo rebelde, anda de gorros, bonés e sweaters, também anda se skate), com um tabuleiro, vem ter com ele e senta ao seu lado.
— Então brother, estás a gostar da escola e do ambiente? — pergunta René.
— Ya, é fixe. No início quando os meus pais disseram que vinha para um colégio, odiei. Porque pensei que fosse tipo aqueles colégios militares em que os rapazes ficavam num lado e raparigas no outro e com regras bue maradas e isso... Mas não, até estou gostar. — sorri.
— Em Londres andaste num desses colégios?
— Não, mas andei num onde se usava uniforme. Imaginas-me de uniforme? — pergunta Kevin entre risos.
— Não. — René se ri — Tens saudades de lá?
— Sim, sinto imensa falta dos meus amigos... Quem é aquela maluca? — Kevin pergunta olhando para a fila do bar.
Na fila do bar, está Bruna divertida com amigos, rindo e falando aos berros.
— Ah! É a Bruna, ela é assim mesmo, gosta de chamar atenção.
— Acreditas que desde que aqui estou nunca a vi na escola? Ou pelo menos nunca reparei. — diz Kevin ainda com os olhos nela.
— Pois, porque é impossível não teres visto... Mas não percas o teu tempo.
— Q-quem eu? Porque dizes isso?? — Kevin pergunta gaguejando.
— Porque ela é uma patricinha, gosta de ser o centro das atenções... Tem a mania, pronto. — diz René.
— Mas já alguma vez falaram? — pergunta Kevin disfarçando os olhares.
— Não. Não gosto muito de raparigas do tipo dela.
— Então mas se nunca falaste com ela podes estar a ter uma ideia diferente da pessoa que é.
— Cala-te que eles vêm aí!
Patrícia (13 anos, linda, meiga, simpática, amiga dos seus amigos, um ar angelical, melhor amiga de Bruna), Bruna e Gui (15 anos, ruivo, cara cheia de sardas, ciumento e de personalidade forte, anda de patins e seu estilo é à base de sweaters e calções), passam pela mesa de Kevin e René, que olhavam para eles. Gui, ao passar pelos dois, pára e encara-os.
— Perderam alguma coisa? — pergunta num tom rude.
— Estás a falar conosco? — Kevin responde com outra pergunta.
— Estão a ver aqui mais alguém?
— Sim, por acaso... — Kevin olha à sua volta — ...está aqui muita gente. — diz irónico.
René deixa escapar um riso. Gui fica furioso com a situação e pousa o tabuleiro se debruçando na mesa deles. Bruna, de longe vê e vem ter com eles.
— Gui, anda... — Bruna olha de relance para René — Olá René.
— Olá... — René retribui desviando os olhos.
— O que é que se passa? — pergunta ela trocando vários olhares com Kevin.
— Nada de importante. Vamos. — diz Gui.
Gui pega no tabuleiro, ele e Bruna vão-se embora.
— Ela disse o teu nome, disseste que nunca tinham falado. — diz Kevin a René.
— S-sim...devemos ter falado quê...uma ou duas vezes, mas nada de importante... — diz atrapalhado.
— Até me pareceu bastante simpática.
Kevin olha para a mesa onde está Bruna e depara-se com ela a olhar também e desviam os olhares.

No shopping, na secção de restauração, Emily, Carlota e Bryan comem hamburgueres do Mcdonald.
— Isto às vezes até sabe bem, confesso. — diz Emily entre risos.
— Eu podia comer todos os dias. — Carlota sorridente e feliz.
— Todos os dias, maninha? Ficavas tão gorda tipo uma bola de neve, gostavas? — diz Bryan divertido.
— Não ficava nada. — diz Carlota seguido de uma gargalhada.
Emily avista, Débora, Enzo, Mara e Ana Rita de longe e acena sorridente.
— Acenaste a quem? — pergunta Bryan olhando para trás.
— Passaram aí os meus alunos lá no colégio. — responde sorridente.
— Por falar em colégio mãe, como é que é? Achas que vou gostar? O Kevin tem me dito que até gosta daquilo.
— Sim, vais gostar. É um bom colégio, foi-nos recomendado. E apesar de ser um colégio, não parece em nada um colégio, os alunos até têm bastante liberdade, desde que cumpram os seus deveres. E está tudo tratado para começares segunda-feira, querido, é só ires às aulas. Olha vais ser da turma daqueles alunos que acenei.
— Mãe, quero mais batatas... — diz Carlota.
— Mais, querida? Até comeste as minhas...
— Vá lá... — ela implora — Prometo não voltar a deixar as minhas bonecas espalhadas pela sala.
— Não sei Carlota, isso não te faz nada bem. — diz Emily apreensiva.
— É só hoje mãe, não lhe vai fazer mal se for só hoje, não é Carlota? — pergunta-lhe Bryan sorridente.
— O problema é que depois o vosso pai é capaz de vos trazer cá outra vez amanhã ou depois... — diz Emily — ...vá, tudo bem. Mas vou dizer ao pai para não te deixar comer mais batatas fritas.
— Está bem... — diz Carlota sorridente.
— Eu vou lá buscar, pequena. — diz Bryan olhando para Carlota.
— Obrigado mano! — agradece enquanto come os pequenos bocados que vai encontrando.
Bryan levanta-se dirigindo-se à fila do McDonald e de repente, por distração de ambos, choca com Mara que se virava com o tabuleiro, este que não cai pelo rápido reflexo de Bryan ao segurá-lo.
— Ai, desculpa! — diz Bryan.
Seus olhares sobem lentamente até se encontrarem e permanecem assim, estáticos, apenas olhando nos olhos um do outro.

Notas finais
Ui, que clima desses dois. Não percas o próximo cap. :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.