Eu Tenho O Melhor Namorado Do Mundo
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Na cozinha de Billy, todos os ingredientes eram rigorosamente separados em pequenas porções. Hoje haveria lasanha, o prato dos deuses, algo bem fácil e gostoso de ser preparado. O rapaz não tinha muita perícia com culinária porém esforçava-se mais do que qualquer um. Um pequeno livro de receitas se apoiava em uma bancada e era seguido cegamente.
–Molho de tomate... Queijo... Massa...
Tudo parecia estar nos conformes, uma travessa generosa ia ao forno e por hora o serviço estava completo. Billy lavava os pratos enquanto pensava um pouco sobre seu dia.
–Ser atacado no primeiro dia de aula, ok! Ser tratado como indigente, ok!
Tornar-se alvo de brincadeiras maldosas, maus tratos e agressões não eram nem uma novidade para o jovem. Desde pequeno a história se repetia, e ele sempre lidou com isso se retraindo. Não queria brigar e muito menos ser malvado, mas algo em Billy parecia incitar os instintos mais brutos nos colegas.
Tristemente, ele se lembrava de outras situações constrangedoras. Quando tinha 14 anos, durante um passeio escolar, um grupo de valentões o amarrou em um poste e roubaram seus sapatos. Infelizmente, apesar do porte físico, algo em Billy transmitia uma aura de fragilidade.
Teddy fechava o caixa e preparava-se pra encerrar o serviço. A lua brilhava no céu e a escuridão tinha agora seu lugar. Sem muita pressa, o loiro caminhava para seu destino, hoje teria comida e companhia para festejar. Estava tão alegre que comprara a garrafa mais cara de bebida, que conseguiu encontrar na loja.
Chegando na casa de Billy, a porta estava destrancada e o dono da residência se encontrava pensativo em uma mesa. A cara parecia um pouco azeda, porém sem sinal de raiva, dor ou amargura. Era bem divertido, perfeito pra se tirar um sarro.
–Eai Estrela do Rock, parece que os seus seguranças abandonaram o serviço. Se eu fosse um fã igual aos de John Lennon, você estaria morto agora.
O rapaz de cabelo preto estava extremamente focado em suas reflexões. Passara horas e horas pensando em outras épocas, tempos amargos e infelizes. O som da voz de Teddy o tirou de seu transe, dando-o um susto tão grande que quase saia de suas meias.
–Acordou finalmente? Fico bem contente, comprei uma coisinha pra animar um pouco as coisas. O que tem pro rango?
Billy sorria para o amigo, ia até o forno e tirava sua travessa de lasanha. Cuidadosamente colocava o alimento em cima da mesa e posteriormente arranjava talheres e pratos. Fixava curiosamente os olhos na garrafa de Teddy, que parecia ser uma bebida alcóolica bem cara. Beber e ficar de porre, nada melhor para encerrar a noite.
O jantar prosseguiu basicamente, entre conversas e sorrisos, garfadas e goles. Cada lado apresentava um pouco de sua vida, experiências e histórias. Muitas risadas ecoavam pelo ambiente e tudo era felicidade.
Billy costuma ser um jovem tímido e introspectivo, toda via mudava drasticamente após uma taça de drink. Não ingeria tanto álcool quanto Teddy, talvez apenas uma dosagem pequena, porém era inúmera vezes maus suscetível. Seus nervos já relaxavam e ele aparentava ficar mais comunicativo.
Depois de muito comer e beber, a louça abandonava-se na pia, com a promessa de ser limpa outro dia. Agora os amigos iam até a sala e se deitavam em um edredom em frente da Tv. Assistiam alguma comédia sobre sexo, o que acabou tornando-se pauta da próxima conversa.
–Fala sério Estrela do Rock, diz ai quantas meninas você já ficou? Seu histórico deve ser surpreendente, talvez apenas Ozzy Osborne tenha vantagem.
–Quem dera fosse verdade, estive com poucas pessoas em toda minha vida, não me sinto muito confortável com muita gente, por isso sou mais discreto. E você Billy?
O loiro franzia o cenho e pensava, tinha uma listágem respeitável porém nem se importava com isso. Nunca ele encontrou alguém especial, que pudesse considerar como razão de sua existência, à qual amaria incondicionalmente.
–Eu? Talvez alguns a menos que você, sou bem bonito sabe? Mas como muito alho, isso espanta muitas candidatas.
Billy sorriu, adorava a companhia do novo vizinho e nunca se sentiu tão bem ao lado de alguém. Dentro dele algo o instigava a querer tocar o rosto de Teddy, senti-lo em seu corpo e abraça-lo loucamente. O rapaz jamais teria coragem para tanto, mas a bebida o fez ousar apenas um carinho na mão.
–De certo é bem bonito mesmo, de certo é...
A mão quente e leve do menino de cabelos curtos, encontrava-se pousada carinhosamente sobre a do loiro, Teddy olhou apreensivo para o gesto, queria afastar-se rapidamente, porém algo o fazia permanecer. Talvez fossem as doses de álcool, talvez fosse o desespero por companhia. Não sabia ao certo o motivo, apenas sabia que achava uma boa beijar o seu colega.
Por vários minutos, ambos permaneceram em silêncio, seus dedos brincavam uns com os outros, nesse tímido entrelaçar. Nem um tomava coragem, e reivindicava o que queria, e nem se sentiam preparados para se isolarem.
Teddy estava descalço, deixara os sapatos de lado, para poder deitar-se sobre o edredom. Encostou o pé no de Billy e sentiu o corpo arder, todas as suas células se aqueceram e ele queria muito tocar no outro rapaz. Infelizmente nada foi feito, talvez por medo ou timidez, mas o resto da noite foi passado sem uma iniciativa de nem um lado.
Quatro horas mais tarde, madrugada dentro, uma pequena explosão se formou em um canto da cidade. Dentro de um bairro estritamente comercial, uma quadrilha se arriscava em um ousado plano de assalto. Várias bananas de dinamite, um detonador improvisado e uma loja sem monitoria de câmeras. O que mais desejar?
Sorrisos gananciosos, em meio à rápida movimentação no local. Vários itens valiosos lentamente subtraíam-se das prateleiras do comércio. Provavelmente os policiais chegariam em breve, porém a cena estaria limpa, sem o menor rastro dos criminosos, era um crime perfeito.
Pouca coisa no mundo assustaria aquela quadrilha, formada por 3 homens perigosos e bem armados. Os tiras não seriam problema, poderiam despistá-los em uma perseguição, o que realmente deixava os olhos do bando atentos, era a besta esverdeada.
Histórias desencontradas, narravam proezas feitas por um monstro loiro de pele verde, cuja força se meteu no caminho de dezenas de ladrões. Isto virava quase um tabu, pois poucos eram os corajosos de tentarem um assalto com tremenda besta à solta, menos ainda os sortudos que recolhiam o fruto de sua bravura.
Armado com a arma mais pesada que conseguiu no mercado negro, um dos bandidos, um sujeito corpulento e careca, de aspecto zangado e muito impaciente, formava tocaia. Tudo calmo e quieto. Quieto até demais.
Nada parecia importuna-los, depois de ajeitarem sua carga, os ladrões corriam para um caminhão do outro lado da rua. Poucos passos para fuga, muito dinheiro nas mãos, que perfeição. O vento noturno batia na face dos presentes e os congelava. Uma voz soou pela noite e deu uma ordem.
-Parem imediatamente, ou terei que detê-los pela força.
Assustados pela ameaça, todos viraram as cabeças para visualizar o responsável por tais palavras. Esperavam ver um monstro de dois metros de altura, de força descomunal, mas tudo que tinham na frente era um garoto razoavelmente forte, com roupa colada e um pano vermelho.
Risos de escárnio soavam dos bandidos, Asgardian não se abalou por isso. O semblante sério e estoico não se rompia. Ele deu um passo para frente, empunhando um cajado que sempre trazia consigo. Apontou o objeto, ameaçadoramente para a quadrilha.
-Não sabem o que estão fazendo, posso ser um pesadelo para vocês.
Inúmeras balas eram lançadas pelas armas de todos os bandidos, não tinham intenção de matar ninguém à princípio mas não hesitariam em fazer. Asgardian astutamente alçou voo e saiu do campo de dano das balas, os ladrões aproveitavam a brecha para subir em seu caminhão e tentar fugir.
-Eu avisei...
Apontando o cajado na direção do veículo, o menino de cabelos pretos pronunciava algumas palavras. Em cima de todas as cabeças, o céu parecia se zangar. Nuvens dançavam agressivamente pela escuridão e o princípio dos relâmpagos se formava. Fortes lufadas de vento abatiam o caminhão por diversos lados. Em determinado momento ele era virado de cabeça para baixo;
Os integrantes do veículo desmaiavam ao baterem suas cabeças contra o céu da cabine. Estariam desacordados tempo o bastante para o serviço policial local os encontrar. O serviço de Asgardian estava terminado, ao menos era o que parecia.
Como um touro, rasgando o chão com seus cascos, Hulkling arrastava os pés pelo asfalto. A cara marcava-se por uma tremenda raiva e cólera. Ele apontava o dedo assustadoramente na direção do garoto que se atrevia a se meter em seus assuntos de heróis.
-Quem você pensa que é, para invadir território alheio e achar que bota ordem nas coisas?
-Eu... Sinto muito, não queria irritar, apenas ajudar... –Asgardian respondia as inquisições de maneira embaraçada, sem saber direito como reagir.
-Ajudar? Esse ponto é meu e você tem que ir embora, mas antes vou te ensinar à respeitar o domínio dos outros.
Como um animal irracional, Hulkling investia contra o garoto em sua frente, não importava se o ferisse gravemente. Alguém precisaria pagar o pato por esta noite, onde ele não sabia como, sentiu-se terrivelmente inclinado à se relacionar com um homem.
Asgardian tentou escapar pelos ares, porém seu tornozelo fora detido pelas mãos poderosas do adversário. O pé do menino se torcia, e ele era arremessado contra uma parede de tijolos. O bastão jazia no chão, rolando para o lado.
Novamente Hulkling atacava, aquilo não bastaria para acalma-lo, o que fez com que Asgardian invocasse rajadas de vento para desacelerar o inimigo. Não queria lutar, por isso não tinha coragem de conjurar algo que ferisse alguém. Poderia facilmente se tornar um lutador formidável, mas preocupava-se apenas em escapar.
Hulkling sentiu a ventania tentar arremessa-lo para trás, mas isso não significava nada. Com um dobrar das poderosas pernas, ele saltou para a direção da figura de preto, chegando em distância curta o suficiente para soca-lo.
Cada investida de Hulkling, devia doer mil vezes mais que um dano normal. Asgardian corajosamente se mantinha de pé em cada golpe, procurando uma brecha para escapar, porém um soco em seu estômago o fez desacordar. Sentiu a consciência pesar e seus joelhos se dobrarem, a vista escurecia.
Após desferir várias sequencias de golpes em seu adversário, Hulkling parava quando este desmaiava. Seu espirito se encontrava mais leve, o rosto mais sereno e os nervos controlados. Olhava o resultado de suas ações, mas não tinha muito remorso, segurou o oponente vencido pelo pescoço e o arrastou para perto da luz.
–Essa não...
Os olhos de Teddy se arregalavam, nunca conseguia olhar nitidamente para Asgardian, apenas distinguia sua silhueta entre a noite. Olhando realmente bem para o rosto daquele herói, ele reconhecia perfeitamente os traços. Cabelos negros como ébano, pele branca e outros mais, deixavam claro que a identidade secreta do outro, era Billy Kaplan!
-Essa não, que foi que eu fiz?
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