Eu Tenho O Melhor Namorado Do Mundo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nota final, eu havia prometido mais um capítulo da minha antiga fic, mas no decorrer do tempo tornou-se impossível continua-la. Infelizmente vou da-la como encerrada, mas nada impede que eu escreva outras histórias à partir daquela.
Beijos do Toshi.
A noite era calma, assustadora e estranhamente calmo. Um grupo de quatro bandidos invadiu sorrateiramente uma joalheria da cidade. Agora a quadrilha unia esforços para arrombar um carro estacionado nas redondezas. Com a astúcia felina, a chave mestra girou dentro da tranca, um pequeno ruído indicava que tudo deu certo. O alarme não soou.
O riso abafado e as sacolas repletas de preciosidades, uma noite digna de comemorar-se. Tudo estava dando certo, nada poderia estragar os planos dos criminosos. Quando a porta foi aberta para a entrada do primeiro homem, um barulho fez com que o coração de todos os presentes congelasse pelo medo. Um baque surdo no chão, o ruído inconfundível de um passo.
-Bela noite não? Que tal devolverem as coisas que furtaram e se entregarem pacificamente, evitando assim seus ossos quebrados?
Os olhos dos presentes quase saltaram as órbitas, uma criatura esverdeada e musculosa saia das sombras dos prédios e chegava cada vez mais perto. Primeiramente pensaram se tratar do conhecido Hulk, mas estranhamente à criatura mostrava sinais de civilidade e domínio mental. O verdadeiro Hulk já teria socado todos ali, dispensando apresentações, o cabelo do ser verde tinha o aspecto loiro, cuidadosamente despenteado em todas as direções, com toda certeza não era Hulk.
-Mas que diabos... Que diabos é você?
Mais próximo da claridade, o mostro tinha um aspecto muito jovial, usava um traje negro que se adaptava parcamente em seu corpo visivelmente poderoso. Sem piscar, três pares de armas foram apontados para a ameaça, que encarou de forma cética.
-Que indelicadeza minha, podem me chamar de Hulkling, e vou deter vocês!
Disparos de armas de fogo rompiam o ar, rápidos tiros quebravam a quietude da madrugada. Fugir era crucial, o barulho dos disparos certamente despertara a atenção para à redondeza.
Para desespero dos quatro rapazes, à criatura era resistente o bastante para sobreviver aos tiros, aparentando ter à pele intacta depois do alvejamento. Com as bocas abertas, gritos mudos foram sendo liberados, escapar agora seria um milagre.
O movimento de um dos braços de Hulkling, tornou-se um soco e atingiu um dos bandidos. O rapaz se chocou com mais 2 companheiros, todos sendo arremessados à metros de distância da coisa. Ele não mentira quando disse que haveria ossos quebrados.
Estalando os dedos das mãos, Hulkling se dirigiu aos caídos. Um riso de desdém e um olhar de “Eu avisei”, formavam à face do herói, que estava pronto para dar como encerrada as ações da noite.
-Um, dois, três... Ué, não eram quatro?
Aquela constatação foi dada tardiamente, o barulho de motor rompeu os ouvidos do herói mirim. As balas não arranharam o grandalhão musculoso de mais de 2 metros de altura, o mesmo não pode se dizer do carro em sua direção.
Acertado ferozmente pelo veículo, o gigante se viu atirado para longe. Não estava morto, mas certamente atordoado pelo impacto. Começou a acreditar que fracassaria em sua missão, conseguia ouvir a partida do carro e o cantar dos pneus pela rua, quando se virou pra ver, não acreditou em seus olhos.
Um relâmpago cortava os céus, descia ao chão e acertava-o. Uma pequena cratera se formava pela ação, à frente do veículo adentrava o buraco, impedindo-lhe a fuga. Hulkling se levantou e quando os olhos focaram melhor, viu um rapaz adiante de todos. Seu semblante e vestimentas lembravam vagamente à Thor, mas o martelo do Deus nórdico se ausentava, com certeza era uma outra pessoa.
Olhando melhor, não era um homem que se prostrou contra os bandidos, era um rapaz bem moço. Os cabelos negros e a roupa escura não se destacavam na noite, apenas um tecido vermelho envolta do busto do desconhecido, o diferenciava da paisagem noturna.
Tentando escapar do novo obstáculo, a quadrilha colocava-se a abrir as portas do carro. Para a infelicidade deles, Hulklíng se dirigiu até todos e amassou as laterais do automóvel, selando toda possibilidade de fuga.
Sirenes tornavam-se audíveis, de certo os policias estavam à caminho. O trabalho acabara, o gigante verde se virou ao seu repentino aliado e indagou respostas.
-Quem é você?
O corpo do monstro verde encontrava-se tenso, não sabia se o jovem em sua frente era aliado ou inimigo. Apesar da ajuda na captura dos vilões, nada garantia que o próprio rapaz não cobiçasse as joias furtadas. Se entrassem em combate, seria um adversário difícil, certamente o garoto tinha habilidades ocultas e perigosas.
-Eu? Apenas... Uma pessoa que resolveu te dar uma mãozinha.
-como assim?
Quando se aproximou a mais um passo do anônimo, Hulkling se surpreendeu mais uma vez. Escapando do alcance de qualquer um, o garoto de vestes negras passava a voar pelo céu noturno, até desaparecer nas nuvens.
Estupefato pelo ocorrido, o jovem herói mal teve tempo de raciocinar. As viaturas estavam cada vez mais perto, tudo que pode fazer era correr entre os becos escuros das ruas, fugindo antes de ser avistado por mais alguém esta noite.
-Mas que foi isso?
A pergunta pairava no ar. Havia poucos meses que Hulkling chegara à cidade, apesar disso nunca escutou qualquer boato sobre algum herói que resolvera fazer bico pelo lugar. Resolveu que seria bom tentar proteger o pequeno povoado de seus eventuais perigos, e nunca ninguém manifestou auxílio em sua justiça solitária. Ninguém até agora.
Aos poucos a sombra do ser gigantesco morria, a coloração verdes e os músculos exagerados pareciam desaparecer do físico do protagonista. O processo de mutação tornou à enorme besta em um adolescente normal, os cabelos dourados ainda despenteados no topo de sua cabeça. Hulkling saia de cena e Teddy tomava vida.
-Ai, ai, ai e ai.
O golpe causado pelo veículo em velocidade deixava suas marcas sensíveis no corpo de Teddy. Alguns de seus músculos doíam levemente, uma coisa incômoda, porém suportável. Ele alongava-se para saber a extensão de seus danos. Felizmente eram poucos.
A lua estava em seu ápice, passava-se das duas da madrugada, amanhã o dia cobraria as horas de sono perdidas. O loiro colocou-se a andar para sua casa, sentindo-se realmente cansado de tudo aquilo. Banho e cama, era tudo que poderia querer no presente.
Quase se arrastava pelas ruas. O herói de momentos atrás, nada parecia com o rapaz preguiçoso e sonolento do agora. Quando chegou a sua pequena casa –Um sobrado antigo, em um bairro de classe média e de poucos cômodos- sua face se iluminou.
Nada é melhor do que o próprio lar, apesar de toda bagunça. Teddy passou sem nem ao menos dar um olhar para a louça suja na pia, ou a mesa e a sala desarrumada. A casa era pequena, fazendo com que tudo parecesse ainda mais caótico e sem circulação. Pouco importava.
Como se fosse o homem mais feliz do mundo, o loiro se jogou contra o colchão de sua cama e desabou. Chutou os sapatos de seus pés, atirando-os em qualquer canto do espaço. Não trocaria de roupa esta noite de novo, o pijama que cuidadosamente comprara para poder dormir, encontrava-se desprezado em qualquer canto do ambiente. Ser um herói cansa, e o pior é que não tem horário fixo.
Um último e pesado olhar para os lados, prendeu a atenção do rapaz na casa ao lado. A janela do quarto fornecia uma visão muito boa para o vizinho. Esta manhã uma pequena caminhonete estacionou na frente do imóvel, trazendo consigo alguns poucos móveis domésticos e caixas.
Provavelmente alguém estava se mudando para a vizinhança. Pela quantidade de coisas na bagagem, tudo indicava que provavelmente tratava-se de uma pessoa apenas. Uma pessoa de poucas posses e que agora se alojava em uma morada tão pequena quanto a de Teddy.
Uma visão solitária começou a incomodar o descanso do herói. Pouco menos de meio ano o rapaz resolvera se mudar para onde estava agora, e no decorrer de todos esses meses não fizera uma única amizade verdadeira. Lembrava-se de seu antigo lar e da felicidade de ter seu cerco repleto de risos, agora o vazio ecoava.
Pegou-se desejando que o novo vizinho fosse um menino, de sua idade. Meninas são legais, mas garotos sempre se dão bem entre si, e não haveria necessidade de explicar os comandos do vídeo-game para ele. Garotos sempre são compatíveis para se divertir.
Um riso baixo soou da boca de Teddy, provavelmente o novo morador do bairro era algum homem de quarenta anos de idade, que recentemente divorciou-se da esposa e precisava de algum lugar barato para poder se reorganizar. Dificilmente o desejo que mantinha, seria atendido, mas agora restava apenas o sonhar.
Fale com o autor