Notas iniciais
Mais um capítulo XD. Acho que esse ficou melhor que o 1º, espero que gostem. DEIXEM REVIEWS por favor.

- O que a gente faz com essas coisas agora? — falei com Mari.

- Que coisas? — ela disse.

- Nossas roupas, mochilas, tá tudo sujo de sangue, se a polícia pega a gente somos presas e morremos na prisão.

- Morremos vírgula, eu não matei ninguém, se a polícia pega essas coisa eles vão encontrar suas digitais nelas, não as minhas, desculpa, mas eu não posso ficar do seu lado Sophia.

Não disse mais nada, peguei as roupas, mochilas, tudo o que tinha sangue, a faca também e fui para minha casa.

Cheguei, dei um beijo no rosto da minha mãe e fui para meu quarto. Guardei tudo no meu armário, deitei, mas não consegui dormir. Será que vão achar o corpo do homem que EU matei? Será que vão descobrir que fui eu? Não tenho certeza de nada disso, mas sei que eu não vou me entregar, sei muito bem o que fiz e suas consequencias também, mas não vou jogar meu futuro muito menos minha vida no lixo por isso. Estou sozinha nessa, eu sei!

A Mari já disse que não está do meu lado. Nunca esperei isso dela, ela não precisava aceitar, eu só que queria que ela me desse força.

Quarta-feira, um dia depois de tudo, consegui dormir um pouco, mas continuo com um peso enorme na consciência, ainda mais porque não tenho ninguém para me apoiar.

07:00 a.m., liguei a TV, tava passando o 1º jornal, falando sobre um corpo encontrado com sinais de esfaqueamento; o até então desconhecido por mim começou a ser conhecido. \'\' José Luiz da Silva, 28 anos, encontrado morto com um ferimento possivelmente causado por uma faca\'\'. Só vi e ouvi isso, desliguei a TV e chorei, chorei muito. Senti nojo de mim, nojo do que tinha feito e não ter coragem de assumir minha culpa.

Desci até a cozinha.

- Bom dia Sophi.

- Bom dia mãe.

- Porque não foi à escola hoje?

- Não estou me sentindo bem.

- Viu aquela notícia horrível do rapaz encontrado esfaqueado, que mundo cruel! Mataram o coitado e ainda jogaram o corpo num terreno baldio.

- Mas já sabem quem foi? — perguntei tremendo.

- Não, mas encontraram um estilete no bolso dele, quem fez isso vai ser pego e vai morrer atrás das grades! Vou indo minha filha, melhoras, qualquer coisa me liga.

- Vai com Deus.

Como assim? Não acredito que eu peguei a faca mas esqueci o estilete, virei um alvo fácil agora, assisto filmes e séries policiais, pegar as minhas digitais naquele estilete vai ser mais fácil que tirar doce de criança. E minha mãe, está me julgando e querendo que eu seja presa sem mesmo saber que sou eu que matei aquele cara.

Queimei tudo que tinha sangue, mochilas, cadernos e o escambal.

Fiquei o dia todo pensando em o que fazer, decidi ir na escola, falar com a Mari, com o Pedro, retomar minha vida, para que não suspeitem de mim.

Fui na escola, a Mari neim olhou pra mim, cheguei e fui falar com Pedro:

- Oi!

- Oi Sophi, tá tudo bem? Te liguei ontem e sua mãe disse que você tava passando mal.

- É, acho que foi alguma coisa que eu comi, mas já estou melhor, vou entrar, to atrasada. A gente se vê.

Entrei no banheiro e novamente chorei. Não consegui ficar 2 minutos perto do meu namorado, não consegui o beijar nem ao menos olhar nos olhos dele, me senti o pior ser do mundo.

Foi tudo assim por 3 semanas, vivia chorando pelos cantos, quase ninguém falava mais sobre o crime e viva evitando o Pedro, minhas amigas e até mesmo a minha mãe. Cada dia que passava era como se fosse um alívio quando não falavam nada sobre o ocorrido, mas sentia que alguma hora iriam chegar até mim, ou pelo estilete ou, por mais que me doa, pela Mari. Acho que esse dia chegou!

- Bom, acho que vocês já sabem do assassinato que ocorreu aqui perto. — disse um policial que foi nos interrogar na escola.

- Mas, como vocês sabem que foi aqui perto? — perguntou um garoto da minha classe.

- Encontramos sangue do assassinado na rua aqui do lado. Queremos saber se você viram ou ficaram sabendo de algo relativo a isso.

A sala ficou em silêncio, ninguém disse nada, neim mesmo Mari, o que foi um alívio.

- No intervalo, Mari me procurou.

- Olha Sophia, já estão começando a juntar as peças do quebra cabeça, vão achar suas impressões digitais rapidinho no estilete, se me perguntarem alguma coisa eu conto TUDO!

- Conta é? Não esquece que não fui só eu quem peguei no estilete, você conta que eu também conto que você ajudou em tudo.

- Mas eu não te ajudei, eu só vi, eu não matei aquele cara.

- I daí? Pra quem matou um cara não vai ser neim um pouco difícil falar que você me ajudou, ai vai ser sua palavra contra a minha, se eu fosse você ficava bem caladinha.

Não teve outro jeito, ou eu falava assim com a Mari ou ela contava tudo. Claro que eu jamais a entregaria ou botaria a culpa nela de algo que ela não fez, não tenho sangue tão frio assim.

Se eu matei aquele cara foi apenas para salvar a minha vida, mas principalmente, a da Mari.