Eu Te Encontrarei em Algum Lugar
6 Vergonha
Durante a madrugada Gustav se acordou e pediu para me chamarem e ir até o quarto. Fui lá e ele estava com uma carinha de dar dó.
- Anna, obrigado.
- Não tem o que agradecer. Eu não iria ficar de braços cruzados e deixar aquele homem de bater.
- Tenho que agradecer sim. Você se colocou na minha frente para me proteger e se feriu, por minha causa. Ninguém nunca tinha feito algo tão nobre e bonito por mim.
- Então, agora eu fiz.
- Porque? Você não tem motivo nenhum para ter feito isso por mim.
Devido aos efeitos dos remédios ele estava começando a ficar sonolento e acho que dormiu.
Então falei baixinho:
- Porque eu te amo. Amo mais que tudo. Na verdade larguei tudo para arriscar e jogar com a sorte se iria te conhecer.
Pensei que ele não fosse me ouvir, mas...
- É verdade? — disse ele.
Olhei para ele, não consegui responder e saí correndo da sala, morrendo de vergonha. Quando cheguei ofegante na sala de espera, todo mundo ficou me olhando.
- Porque você vermelha desse jeito? -perguntou Georg.
Só olhei para eles e saí correndo. Nem desci de elevador, fui de escada mesmo. Na hora nem lembrei que ainda estava meio manca.
Peguei um taxi e cheguei em casa bem louca. Deuuus ele ouviu! Com que cara eu iria olhar para ele??
No outro dia acordei parecendo um zumbi. Na noite anterior não dormi nem 3 horas e nesse também pois fiquei no hospital. Fui trabalhar normalmente. Mais uma vez cheguei na casa de Anne mais machucada do que como eu entrei. HAHA.
Era 12:00 e então... :
triiiim triiim (tá, não era assim o toque do celular mas coloquei isso para representar só).
- Alô. Juliana?
- Sim, eu mesma. Quem fala? ( a voz era grave do outro lado da linha.)
- Georg. O Gustav me contou o que aconteceu aqui no hospital ontem. Ele não sabe que peguei teu número mas precisava te ligar e dizer que desde o acidente ele tem falado constantemente de ti. -disse Georg.
- Nossa. Sério? Não sei o que dizer.
- Sério mesmo. Olha, eu queria te conhecer. Saber quem é a garota que meu melhor amigo fala. Que tal tomar um café mais tarde?
- Sim. Bom, eu solto do trabalho as 17:00.
- Onde é? Posso te buscar?
- Pode. É na rua Beethovenstraße, número 20 (a rua existe mesmo mas o número é fictício).
- OK. Te vejo as 17:00. Tchau Juliana!
- Tchau Georg.
Como assim, ele fala de mim para o Georg? Fiquei chocada.
Impossível não esperar passar a tarde com ansiedade.
Anne chegou da escola e mais uma vez lá fui eu contar tudo.
- Ai Juh, estou te dizendo, vocês vão ficar juntos. ( Anne me chamava de Juh, de uma forma muito engraçada)
- Que isso menina! Como tu com essa idade vai entender? E além do mais, acho que nem faço o tipo dele... Eu nem sou loira, não uso vestidos curtos, não sou sensual.
- Pode não ser loira, não usar vestidos curtos mas tu que não acha que é sensual. Não está estampado na sua cara, você é sensual quando precisa e é natural. Não algo bitch.
- Anneeee!!!
- Mas é verdade! Agora vai ajeitar tuas coisas que daqui a pouco o lindo do Georg vem te buscar.
- Como assim, o lindo do Georg? Nem sabia que tu acha ele lindo.
- Está sabendo agora.
- Menina louca tu hein.
Saí do quarto da Anne e fui na minha dispensa arrumar minhas coisas e colocar uma make no rosto. Haha. Eu iria conhecer o Georg lindão e fofo. Awwwnn.
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