Eu Te Amo
2 Acidentalmente Apaixonada
Notas iniciais
A loira revirou-se na cama, tentava com muito custo fechar os olhos e ir dormir, balançava a cabeça bruscamente em cima do travesseiro, e então, socando a cama, contrariada, levantou-se, em uma respiração a procura da calma. A0ndou cautelosa na ponta dos pés até a sala.
Ela viu moreno dentado no sofá cama de banda, de costas para a entrada do quarto, talvez na tentativa de ignorá-la. Ela suspirou fundo aproximando-se dele, vencida pelas duras e fortes marteladas na consciência.
Enquanto ela se aproximava, as memórias, involuntárias, de um mês atrás, lhe invadiam a cada passada.
Ela cruzou os braços ao longo da sua lenta caminhada até o sofá-cama, passando a mão por cima do casaco rosa claro de malha que trajava. Sentido por baixo dele os hematomas arroxeados no seu braço.
Em um longo suspiro ela sentou em cima do centro de madeira, sem coragem e se aproximar.
Aquelas memórias, ela odiava pensar daquela maneira, mas a forma como ele a tratou quando estava com medo e assustada... Principalmente a forma que ele compreendeu os sentimentos dela... A cada toque agressivo que tinha recebido do estuprador, parecia até que tinha valido apena quando Fritz foi cuidar dela.
Ela balançou a cabeça com força, o que estava pensando? Aquele tinha sido um dos momentos mais assustadores da sua vida.
Ela passou as mãos por sua pernas magras cobertas pelo vestido floral laranja avermelhado, lembrando-se da sensação tenebrosa do agressor a tocando rude enquanto tentava imobilizar seus braços.
Ela voltou a sacudir a cabeça, passando a mão pela larga testa e descendo pelo rosto magro quadrado.
-Brenda? — Fritz perguntou com uma voz sonolenta. Ele se virou com dificuldade e com os olhos espremidos fitou-a sentada de frente para ele com os olhos marejados. -Tudo bem com você?
Ela acenou com a cabeça tentando forçar um sorriso entre uma rápida fungada.
-Sim, sim... Você deveria voltar a dormir. Desculpa se eu te acordei. — Ela fez menção em se levantar mas o moreno de cabelos altos e ombros largos já estava sentando com a mão na nuca olhando-a.
-Tudo bem, mesmo? — Ela tentou forçar um sorriso mais sincero acenando com a cabeça.
-Volte a dormir. — Ela se levantou e quando ia entrar no corredor para seu quarto ela se virou para o moreno. -Nada me deixaria mais feliz do que você vir morar comigo. — Aquelas poucas palavras mudaram completamente a expressão de cansaço e sonolência do moreno.
Ele curvou a boca em um sorriso no canto dos lábios, acenou com a cabeça e voltou a deitar-se no sofá-cama.
Ela voltou a se deitar na cama, Kitty estava muito bem deitada em seu travesseiro, Brenda só fez arquear as sobrancelhas e exalar com força.
-Parece que você está tendo um bom dia... Um dia bom que deveria ser meu.
Brenda ignorou a presença da gata enquanto se deitava suspirando na cama, dando pequenas quicadas sobre as molas do colchão novo.
Não conseguia pensar nele sem sentir um pouco de raiva, não queria parar de pensar nele porque isso lhe acalmava, não gostaria de se sentir tão bem em seus braços mas era realmente não maravilhoso, tão bom... Oh deus, por que ele precisava fazê-la sentir tão especial? Afinal, qual era o problema com ela?
So she said what's the problem, baby?
Então ela disse: Qual é o seu problema, baby?
What's the problem I don't know
Qual é o problema I não sei
Well, maybe I'm in love
Bem, eu talvez esteja apaixonado
Think about it every time
Penso sobre isso o tempo todo
I think about it...
I penso sobre isso...
Can't stop thinking 'bout it.
Não posso parar de ficar pensando sobre isso.
Quando ela acordou já era noite, e um cheiro de sopa invadia seu nariz, ela pressionou os olhos com as mãos coçando as pálpebras e em seguida espreguiçou-se esticando bem os braços.
Ela tirou o casaco rosa e o deixou em cima da cama, perto da sua gata dorminhoca. Foi até o espelho do closet, arrumou a alça do sutiã em baixo da do vestido e deu uma última olhada nos hematomas.
-Brenda? — Um grito abafado entrou no pequeno quarto, sobressaltando a loira.
-Já vou! — Gritou de volta. Saiu de dentro do pequeno cômodo colocando novamente o casaco.
O cheiro de sopa tinha se espalhado pela casa, ela passou a mão na barriga sobre a roupa, estava com fome.
-Está com fome? — A pergunta veio a calhar. Ela acenou com a cabeça com um suave sorriso nos largos lábios.
-Pensei que não soubesse fazer sopa. — O moreno riu.
-E não sei, mas atrás do sachês sempre tem como se faz. — O sorriso dela se intensificou.
Ele mexia a panela sorrindo e olhando-a.
Em questão de segundos os dois estavam sentados de frente para o outro com a panela de sopa no meio deles e pratos razoavelmente cheios de uma gosma alaranjada que Fritz insistia em chamar de sopa.
-Obrigado mesmo por deixar eu mudar para cá, você não sabe o que isso significa para mim. — Ele se aventurava no olhar momentaneamente calmo de Brenda.
-Não, não agradeça. — Ela estendeu a mão sobre a mesa como se pedisse para segurar a dele, quando as peles se tocaram e o calor de um contagiou o outro os dedos transaram-se. -Eu não quero que você vá embora.
Com a mesma sonoridade calma e tranqüilizadora que Fritz exalava ele disse um tom baixo.
-E eu não vou.
Era bom, era realmente bom escutar aquilo, ter aquela falsa sensação que nunca, jamais seria abandonada, que ele sempre estaria com ela, ele sempre a amaria... Ao contrário de tudo em sua vida, ao contrário de todos que nela passaram, ele ficaria e marcaria, com a estadia desse possível verdadeiro amor traria um pouco dos raios de esperança da luz sol que ela esquecera da sua existência.
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