Eu Te Amarei Para Sempre
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Mais um dia, mais uma manhã, mais uma vez eu levanto da cama apenas para mais um dia de tortura. Como se já não bastasse a minha merda de família e a diretora da minha escola que me odeia, eu descobri que amo a minha melhor amiga.
Isso mesmo, a minha melhor amiga.
Algum tempo atrás me peguei praticamente “babando” por ela, em um dia de trabalho escolar enquanto ela fazia uma apresentação.
Sim, eu sou bissexual, talvez até homossexual. Mas, sabe, não pensei que me apaixonaria pela minha melhor amiga. Nunca havia a visto como a vi naquele dia.
Ela estava linda, maravilhosa, perfeita, gostosa, todos os sinônimos de linda, possíveis.
Uma blusa do Kiss, calça jeans skinny e all star preto de cano médio.
Sim, eu e ela gostamos de rock. Mas ela estava tão linda, sei lá...
A blusa possuía um decote, que deixava seus seios tão belos. Aquela pele morena, o cabelo curtinho, curtinho, o sorriso mais branco do mundo. Ela era encantadora e eu nunca havia percebido.
Só vou à escola para vê-la vir correndo e pular me abraçando, dizendo que morreu de saudades de mim.
Sabe, eu queria poder dizer pra ela tudo o que sinto, mas o medo e a insegurança sempre me prendem as palavras.
Tenho receio de que ela fique com medo de mim, ou com raiva. Tenho muito medo, até porque, eu sei que se eu contar, nossa relação de amigas, na vida, nunca mais vai ser a mesma.
É duro ouvi-la falando do garoto que ela está apaixonada. Mas ela sabe, que se não der certo, eu estarei sempre aqui, para abraçá-la, e isso me deixa feliz.
Ela confia em mim. Isso é o melhor de tudo.
E cá estou eu, descendo do carro de minha mãe, e Naty já vem correndo lá da porta da escola, gritando meu nome e me abraçando dizendo que sentiu minha falta, que sente falta dos meus risos histéricos, e do meu “Bom dia Naty”.
Isso me deixa feliz.
Não quero perder nunca aquele sorriso lindo, aquele jeitinho maluco de ser, aquele jeito doido que ela balança a cabeça enquanto escuta Iron Maiden, nossas risadas juntas, suspensões na escola.
Não quero perder isso nunca.
Não quero perdê-la nunca.
Só de estar ao lado dela, a tortura da minha vida, já vale a pena.
Ao lado dela, tudo fica bem.
Pena que agora ela não sabe que estou ao lado dela. Talvez ela até saiba, mas não me vê, não pode me ver, não mais.
Aquele dia, na boate, ela bebeu muito, estávamos indo embora, mas um garoto sacou uma arma e ameaçou matar o amor da minha vida.
Não pensei em nada naquele momento, só em salvá-la.
Eu a amo e sei que devo deixá-la viver.
Pulei em sua frente, o tiro me atingiu.
Todos ficaram desorientados, e o atirador fugiu.
Naty se agachou ao meu lado, e mesmo bêbada brigou comigo.
Disse que eu era uma inconseqüente, que o tiro era pra ela e não pra mim.
Oh, como ela ficava linda com raiva.
Eu sorri, e ela parou de me xingar e me abraçou, não se importando com o sangue.
E eu morri assim, nos braços da minha amada, sorrindo com ela, como sempre acontecia.
E eu nunca a perderia.
Ass.: Uma garota que amou a Naty até a morte, e ainda a ama muito.
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