Eu Também Te Amo, Ma Belle
1 Eu te amo, Cissa.
Desde o momento em que Druella anunciou à sua família que estava grávida de sua terceira filha, Bellatrix começou a amá-la. E, quando Narcissa nasceu, encantou-se por seus olhos azuis e cabelos louros. Durante toda a infância, as duas irmãs foram grandes amigas, motivo de grande ciúme para Andromeda. Quando Narcissa estava triste, seja por ter brigado com alguma amiga, seja por ter discutido com sua mãe, Bellatrix sempre a confortava. Elas passavam o tempo que fosse preciso juntas, abraçadas; Bella brincando com o cabelo de Cissa, enquanto ela chorava no colo da irmã. Nos momentos de raiva de Bellatrix, a única quem conseguia acalmá-la era Narcissa, quando ninguém entendia como isso era possível.
Certo dia, em Hogwarts, as duas irmãs Black estavam passeando de mãos dadas pelo jardim da escola, calmamente, apreciando o clima agradável daquele final de tarde e o silêncio entre elas. Depois de um momento, Bellatrix arrancou uma das margaridas do jardim, olhou para o céu colorido pelos raios solares e virou-se para Narcissa:
– Venha, Cissa. Quero te mostrar uma coisa.
– Onde você vai?
– Me siga. Logo você verá com seus próprios olhos e o quão bonito é.
Sem protestos, a irmã caçula seguiu sua irmã mais velha. Elas seguiram pelos corredores do castelo até chegarem à torre de astronomia. Caminharam até a beirada da torre e, sorrindo, Bellatrix perguntou à irmã:
– Veja. Não é lindo?
Narcissa olhou para o horizonte; o sol estava se pondo, pouco a pouco, atrás do Lago Negro. O céu estava um tom forte de laranja, com alguns raios vermelhos e amarelos espalhados. Não havia uma nuvem sequer e era possível ouvir o canto dos pássaros no alto de uma árvore. As flores do jardim onde estavam até pouco tempo atrás eram ainda mais belas vistas de cima. Narcissa estava boquiaberta.
– E então? – pediu Bellatrix.
– É lindo. Como você nunca me mostrou isso antes?
– Bem... Eu geralmente venho até aqui para pensar, ou então, não pensar em nada. Quanto estou prestes a tomar uma decisão importante para mim.
Narcissa olhou para sua irmã e sorriu.
– Eu gosto de quando você está assim.
– Assim como?
– Desse jeito. Calma, pensativa, apreciando o silêncio. É um lado completamente diferente seu. E eu gosto. É como se houvesse uma outra pessoa dentro de seu peito.
Bellatrix sorriu levemente e mudou-se para mais perto da irmã, abraçando-a pela cintura. Elas passaram mais alguns minutos sem fazer quaisquer comentários, até que a morena virou-se para Cissa. Ela colocou a margarida em seu cabelo e ambas sorriram uma para a outra. Assim como Narcissa também virou-se de frente para sua irmã, seus olhares se encontraram; os olhos brilhando ainda mais com o sol. Bella lentamente aproximou seu rosto ao dela, fechando os olhos e, então, finalmente, tocou os lábios de sua irmã.
Com medo de qual seria a reação dela, Bella abriu a boca para beijá-la mais profundamente e surpreendeu-se quando sentiu-a fazer o mesmo. Suas línguas se encontraram e ela se beijaram lenta e apaixonadamente, em se preocupar com mais nada, apenas com o que estava acontecendo naquele momento. O que tanto foi desejado por Bellatrix e, secretamente, frequentemente Narcissa imaginava como seria, finalmente estava acontecendo. Elas se amavam, intensamente, desde antes do que conseguiram se lembrar. Pouco a pouco, o amor entre irmãos, entre amigos, transformou-se em uma paixão, diferente do que já haviam sentido.
Narcissa quebrou o beijo e olhou timidamente para os seus próprios calçados, tentando reprimir um sorriso. Bellatrix lambeu os lábios, que tão rapidamente ficaram secos. Ela pegou uma da mãos de sua irmã e, com a outra, ergueu seu queixo para olhá-la nos olhos. Uma flor, Narcissa, com uma flor ainda mais delicada em seus cabelos, uma margarida.* Elas se olharam novamente e Bella disse, profundamente:
– Eu te amo, Cissa.
Ela sorriu, abraçando-a apertado logo em seguida:
– Eu também te amo, ma Belle.
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