Eu Também Quero!
1 Capítulo Único ~ Carinho
Notas iniciais
– Sabo-kun, aqui está a sua cartola. – Koala estendeu o chapéu azul para seu melhor amigo e companheiro.
– Obrigado. – O loiro agradeceu. — Sabia que tinha feito certo quando a deixei com você.
– Como se essa fosse a primeira vez. – Riu a morena, ao ver o amigo abaixando-se um pouco, como que fazendo uma curta reverência. Mas não era bem isso. E sabendo o que ele queria de verdade, pôs a cartola na cabeça de Sabo. Como sempre acontecia quando a devolvia para o rapaz.
Perto dos dois , Luffy apenas observava a cena com demasiado interesse e curiosidade. Não havia entendido porque tanto Sabo quanto a garota que tinha feições de um animalzinho, mas ele não se lembrava qual, pareciam ter ficado tão felizes com aquele último gesto, ao ponto de se encararem até agora sem dizerem uma palavra.
– OE, SABO!! – Gritou pelo irmão, sem se importar em cortar completamente o clima do casal.
O loiro deu um pulo de susto pelo modo como saiu de seu transe com a companheira.
– Acho melhor você ir ver o que ele quer. – Sugeriu Koala, contendo um suspiro pelo momento arruinado.
– Tá bem. – Sabo concordou. – Vai indo pro navio, eu já te alcanço.
A morena apenas assentiu de leve com a cabeça antes de rumar para o navio, deixando os dois irmão, então, a sós.
Porém, mal a jovem saiu do recinto, Sabo virou-se para Luffy soltando fogo, literalmente, pelas ventas. Se ele fosse tão esquentado quanto Ace (falando agora no sentido figurado), com certeza o moreninho já estaria com um galo na cabeça.
– O que foi? – Perguntou cruzando os braços, já de frente para o irmão.
– Por que aquela garota colocou a sua cartola em você? Você não podia colocar sozinho? E por que vocês ficaram se olhando depois? – Luffy era a curiosidade em pessoa.
– Primeiro: o nome dela é Koala. – Sabo fez questão de pontuar isso. – E segundo: eu poderia, mas ela é minha amiga e sempre faz isso por mim.
– Hmm... – Luffy pôs a mão no queixo, processando a informação. Concluiu que a explicação do maior fazia sentido. — Ok, mas eu ainda não entendi o porquê de vocês se encararem depois.
– Bom... Isso... É porque... – Sabo coçou a nuca, levemente encabulado.
Era o momento de contar a Luffy seus sentimentos para com a companheira? Ele ainda não os admitira nem para a própria Koala. Não, melhor esperar. Sendo assim, resolveu dar outro significado àquele gesto:
– É porque eu gosto quando a Koala me ajuda assim. É bom... eu me sinto cuidado, sabe? – Seu olhar se tornou terno. Porém, quando viu que Luffy não estava entendendo muito, encurtou a explicação. – Resumindo, é como se fosse um carinho.
– ... Carinho? – O moreninho repetiu, parecendo finalmente ter entendido. Porém, sua expressão repentinamente tornou-se enciumada, ao mesmo tempo que ele tocou em seu chapéu de palha. – Eh! Eu também quero esse carinho. Será que a sua amiga-
– Nem a pau, Juvenal!! – Sabo gritou ameaçadoramente para o irmão. Ele que nem sonhasse em pedir isso para Koala! Suspirou, para recuperar a calma, antes de explicar para Luffy: — Olha, isso só funciona como carinho porque a Koala é minha amiga e companheira, é importante para mim. Por isso, peça para alguém importante pra você fazer isso. Você tem duas garotas na sua tripulação, não tem?
Luffy assentiu, pensando alguns instantes sobre o que Sabo lhe falou. Alguém especial para ele? Bom, essa pessoa teria que ser muuuito especial, já que precisaria entregar seu chapéu para ela e ele nunca fez isso com ninguém. Somente com a... É claro! Lentamente, um enorme sorriso foi surgindo na face do moreninho. Tinha de ser ela, só podia ser ela!
– Oe, Luffy!! – Sabo gritou pelo irmão, sendo que ele repentinamente correra dali. – O que você vai fazer?! – Tinha de saber, ou seria o culpado pelas ações irresponsáveis de um idiota.
– Vou atrás da pessoa que quero para me fazer carinho!! – O outro respondeu sem sequer olhar para trás, como se tivesse dito a coisa mais normal do mundo.
Luffy continuou a correr até chegar à vila da ilha onde estavam atracados e, coincidentemente, encontraram Sabo e Koala. O capitão olhava por todos os cantos, em todas as lojas (de roupas e de carnes), sabia que ela estaria por ali. E estava certo, pois freou mais forte que um carro de corrida ao finalmente ver a figura que tanto procurava, dentro de uma loja feminina e parecendo debater com o caixa.
Sem se importar com aquilo e sem esperar mais um segundo, escancarou a porta da loja, gritando por sua navegadora de cabelos alaranjados.
– NAMI!!
– Eh? Luffy? – A ruiva estranhou ver seu capitão ali, embora um sorrisinho permanecesse em sua face. Provavelmente isso tinha haver com as pouquíssimas notas que tirava de sua carteira e do pobre moço do caixa derrotado à sua frente. – O que está fazendo aqui? Temos algum problema? – O sorrisinho desapareceu e uma expressão ameaçadora surgiu no lugar: — Espero que você não tenha nos metido em encrencas de novo!
– Nami! – Porém, Luffy apenas ignorou as perguntas, tirando seu chapéu de palha e estendendo-o para a garota, com olhos de cachorrinho pidão. – Põe o meu chapéu em mim?
Dizer que Nami ficou confusa era pouco, ela estava completamente perdida, apenas olhando de seu capitão para o chapéu, e vice-versa.
– Desde quando você precisa que eu o coloque? – Perguntou, após segundos de silêncio, tentando entender o que o moreno pretendia. Sem sucesso.
– Eu não preciso, mas eu quero. – Ele aproximou ainda mais seu chapéu da navegadora, não a deixando outra escolha a não ser pegá-lo.
Mas ela também só fez mais isso, nenhum outro movimento.
– Por que isso agora? – E nem faria até entender o que o moreno queria com aquilo tudo.
O rosto de Luffy de repente perdeu o sorriso e os olhos de cachorrinho pidão, ficando sério. Coisa que sempre causou um arrepio na navegadora, e dessa vez não foi diferente.
– Porque eu também quero carinho. E precisa ser você, Nami. – Tendo dito isso, Luffy curvou um pouco as costas, apenas o suficiente para cobrir a diferença de altura entre ele e Nami (mais perceptível hoje já que ela estava sem salto).
A navegadora, novamente, olhou do capitão para o chapéu em suas mãos. Fez isso umas duas vezes, antes de se dar por vencida (além de abalada o suficiente pela declaração de Luffy) e colocar o objeto de palha sobre os cabelos negros do garoto.
Luffy não soube explicar o que sentiu quando seu tesouro voltou para o lugar dele graças às mãos, no momento, cuidadosas, da ruiva. Foi como tirar um peso das costas, ele teve a sensação de que não precisava mais se preocupar por inteiro, pois havia alguém que zelava por seu tesouro e por ele. Luffy se sentia cuidado, protegido... amado.
Realmente, aquele foi o melhor carinho que já recebera – dos muitos poucos que já recebera.
– Prontinho. – A fala de Nami o trouxe de volta para a realidade.
Meio divagante, ele endireitou as costas e pôs uma das mãos no chapéu de palha. Ainda dava para sentir um pouco do calor de Nami nele e o moreno sorriu ao constatar isso.
– Shishishishi. – Riu, abrindo seu característico sorriso. E simplesmente, repentinamente, idiotamente, retirou seu chapéu e pousou-os sobre os cabelos ruivos da navegadora! – Obrigado, Nami. – Agradeceu por fim, antes de retirar-se da loja, perguntando-se se Nami sentia o mesmo que ele quando lhe punha seu chapéu.
– Ano baka... – Foi a única coisa que a garota conseguiu pronunciar, chocada ao ver-se outra vez com o tesouro de seu capitão. Se ele iria tirá-lo para dar a ela novamente então porque lhe pediu que o colocasse nele? E que história fora aquela de carinho?!
– Erm... S-se-se me permite, se-nhorita. – Começou o moço do caixa, que a ruiva só se dera conta agora de que tinha visto toda aquela cena. Ele suava frio, mas tentava forçar um sorriso. – Vo-você e seu namorado formam um b-belo casal.
Pobre homem, ele apenas tentou elogiar Nami na esperança de que ela reconsiderasse levar tantas peças por aquele preço minúsculo. Mas a ruiva não gostou nada da insinuação dele. Para disfarçar o leve embaraço que sentiu com aquele comentário, ela sorriu maldosamente, pegando uma peça na enorme pilha de roupas.
– Hum... Acho que este vestido ainda está muito caro.
Realmente... pobre moço do caixa.
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