Notas iniciais
Hello Pessoinhas, eis-me aqui presente, com uma one-shot que precisou de uma forte carga emocional para ser escrita, tradução, chorei e solucei bastante mas acabei, fala um pouco sobre a relação de irmãs entre Daphne e Astoria Greengrass(ela é a minha bebê, não posso fazer nada kkk, doi sempre muito escrever com ela …t.t vocês saberão). Eis como eu pensava que elas se davam.
P.S (revolta eterna ToT): Tia J.K foi muito cruel com a minha bebê, não me conformo com Cursed Child.
Enfim, espero que gostem!

"A dor de quem chora e sofre em silêncio é imensurável..."

Os olhos azulados de Daphne percorriam o relógio daquele corredor branco, imensamente branco, os ponteiros vagarosamente mexiam-se ante seus olhos, cada segundo passado, era uma tortura á loira que sentia seu rosto molhar cada vez mais, com as lagrimas que caiam velozes e sem que ela conseguisse conter, conterá tempo demais.

Theodore olhava-a a sua esposa com preocupação, apertando as suas mãos entre as suas, mas ela não prestava atenção, seu olhar não saia daquele relógio de parede, parecia uma auto-tortura que ela se fazia.

Seu olhar fora até Draco que estava sentado, olhando o vazio, sem realmente estar focando algo, estava assim havia horas, levantara-se repentinamente e Theodore já temia que ele fosse fazer alguma asneira.

Mas, naquele momento sairá o medibruxo que eles conheciam de cor, seu semblante era triste e pesado, ele só olhava para o Draco que começara a respirar mais apressadamente e dolorosamente, as lagrimas assomaram com força e por fim, fora o grito completo, o som era doloroso a qualquer ouvido que se aproximasse, não havia quem não se comovesse com a dor ali presente, ao que Theodore fora rapidamente perto dele, tentando controlá-lo e consolá-lo, falhando miseravelmente, já que chorava em conjunto com este,

Draco perdia a completa noção de que estava em St.Mungus e que tinha mais pacientes ali, o Mundo dele havia-se perdido, completamente, os presentes ali sabiam.

Não só para ele, pensara ainda num fio lucido de pensamento, Daphne , que via a reacção de Draco e depois, via o olhar do medibruxo em cima dela, como temendo que algo lhe acontecesse.

Daphne estava congelada no mesmo lugar, como espectadora de si própria, aquilo não podia estar a acontecer, lentamente sentira seus pés reclamarem de tanto tempo na mesma posição, dando um estímulo ao cérebro para mover, ao que seus pés guiaram-se para onde o medibruxo havia saído. Ele havia perguntado onde ela iria, mas ela não respondera, ela precisa ver.

E abrira de rompante a porta do medibruxo, que levava a uma sala particular onde estava somente ela, ante o ato, o homem tentara impedi-la mas fora impossível.

Ante seus olhos, Daphne via outro medibruxo cobrir com um lençol branco, o outrora bélico rosto de Astoria Greengrass Malfoy, aquilo não estava a acontecer, não podia.

Sua irmã ali, não podia ser.

Não soubera ao certo que sucedera a seguir, somente sabia que acordara na Mansão Greengrass que partilhava com Theodore e sua mãe no dia seguinte, este muito preocupado sob a sua cabeceira, alisando seus cabelos, falara-lhe algo mas ela não escutava, o semblante do moreno piorara, estava definitivamente preocupado com Daphne.

Depois que desmaiara no hospital, ela chorava entre pesadelos, sua esposa agora só chorava em silêncio, encarando o nada, mas ele tinha que falar, não tinha outro jeito.

—Daph…o funeral de Astoria é amanhã ás duas da tarde…

Ela voltara a direcção do olhar no seu, mas voltara a olhar o tecto, sem resposta ou reacção, falara para o filho de ambos, ficar perto de Scorpius e do filho dos Zabini, que a mãe estava a descansar, no seu íntimo, Theodore esperava que ela melhorasse, doía-lhe demais vê-la naquele estado.

Daphne olhava o tecto, sem reacção alguma, simplesmente as lágrimas percorriam seu rosto, conforme as dolorosas memórias percorriam sua mente.

Ela lembrava-se com exactidão do primeiro dia que ambas tinham brigado, tinham pouco mais de cinco anos, a Astoria amava a boneca da Barbie que era bem famosa no mundo dos trouxas, que o pai de ambas tinha trazido durante um Congresso na França, achando bem a cara das duas, trazendo uma para cada, mas uma era morena e a outra loira, ela queria as duas e haviam brigado feio, na realidade era mais implicância que outra coisa, porque desejava somente implicar com a pequena Astoria, sempre tão protegida pelos pais desde pequena sem saber o porque, ela tinha muita inveja.

Mas, estranhamente, Astoria sempre recorria a ela quando queria acalmar-se de um pesadelo, ou de uma estranha crise que sempre lhe dava e cortava a respiração ou ficava imensamente fraca, durante a infância, naquela altura não sabia que era e fora ríspida com ela, apesar de acalma-la e tranquiliza-la, fora dura dizendo que ela não podia ser uma bebé e Astoria sempre levara a peito, tudo que ela dizia e levava bem a sério, tanto que com o tempo fora vindo cada vez menos e sendo mais independente. Coisa que ela não gostara, mesmo que dissesse isso, ela gostava de ter a irmã perto, mas nunca o dissera.

E quando em Hogwarts, ela fora claramente a Sonserina menos Sonserina que conhecia, dizia que ela não podia dar-se com todos os nascidos -trouxas, como se fossem iguais, ao que Astoria sempre virava-se com um sorriso para ela, dizendo que um dia iria entender que são sim iguais, somente vieram criar novas linhagens de feiticeiros, o que ela acreditava piamente nisso, sempre desacreditara em publico do que a irmã dizia, só para contrariar, mas no fundo começara a acreditar no que ela dizia e sabia reconhecer mesmo a contragosto, que a Granger era óptima em Magia, mesmo sendo nascida –trouxa, não que ela confessa-se a Astoria, na realidade nunca falavam muito, apesar de ter desejado falar mais.

Na idade já adulta, após a Guerra, a relação delas fora ainda mais distante, muito em culpa de ela ter arrastado Astoria contra sua vontade para fora da batalha de Hogwarts, resguardando-a daquele inferno, sua irmã queria ficar e lutar, mas Daphne fincara o pé e dissera que ela, doente como era, como iria defender alguém? E contra a vontade dela, dera-lhe um “desmaius” e ela acordara num esconderijo que os pais haviam arranjado e Astoria realmente revoltara-se contra ela naquela altura, mas ela achava que estava certa e voltaria a fazer o mesmo. Com o tempo, perdoara-a, mas nunca mais fora o mesmo, na realidade nunca tinha sido, já que ela nunca conseguira aproximar-se da irmã, mas preocupava-se.

Quando ela decidira namorar com Draco, pensava que tinha perdido completamente o juízo, mas nunca se pronunciara sobre o assunto, era a vida dela e suas escolhas, apesar dos pais terem relutado bastante, mas acabaram aceitando, fosse pela longa amizade com os Malfoy, fosse porque não desejavam que Astoria sofresse, afinal doente como estava, não sabia quanto tempo iria durar.

Fora no casamento dos dois, ela estava tão feliz e ele idem, via-se que era completas almas gémeas, sem duvida, como o Sol e a Lua, ela era o completo Sol que irradiava e iluminava a bela Lua, era uma boa metáfora para os dois sem duvida, já que quando Astoria sorria para ele, o Draco não conseguia evitar retribuir sorrindo abertamente, não ligando para o olhar em volta, ficara feliz por ela, mas nunca fora bem próxima na realidade, ela viera no seu casamento com Theodore quando convidara, seu sorriso e gentileza sempre ali presentes e desejando-lhe felicidades, ao que ela agradecera.

Nem ai ficaram mais próximas, ela sempre tinha essa barreira com a irmã sem entender o porque.

Quando ela ficara grávida, fora toda a uma alegria e animação, ela transpirava alegria pelos poros, sempre saltitante, ante a mãe de ambas, já que o pai delas morrera da mesma maldição que a irmã possuía, dias antes do seu casamento.

Era contagiante a felicidade, mas ela sempre observava de perto, mas nunca muito próxima.

Um toque, seguido de abertura na porta do seu quarto, despertara Daphne de seus pensamentos, vendo entrar pela porta, Pansy que tinha um semblante abatido e aproximava-se da sua cama, sem permissão sentara-se a puxara a loira para seus braços, ao que esta abraçara-se a ela, chorando imenso, mas chorando como se alma lhe fosse nisso, da porta onde a morena tinha entrado, estava Theodore em baixo, com Blaise perto dele.

Ambos saíram de perto delas, aparatando para a Mansão Malfoy, sabendo que alguém lá precisava de seu apoio, Daphne estava entregue a Pansy e sabiam que estaria bem, apesar da preocupação bem patente de Theodore.

Depois de chorar o que parecera uma eternidade, Daphne olhara para Pansy que estava com umas olheiras enormes, parecia ter os olhos inchados e seus olhos verdes recheados de preocupação.

—Daph…tenho algo para ti…chegou ontem em minha casa…

Daphne ouvia atentamente, conforme olhava na direcção da bolsa de Pansy que tirava de lá de dentro uma carta, meio amarelada, como se tivesse um tempo ali.

Vira ela estender-lhe a carta, ao que observara com atenção e seu coração falhara uma batida.

“ Para: Daphne Nott

De: Astoria Malfoy “

Com as mãos tremendo, pegara a carta que a Pansy tinha nas mãos, a morena tinha os olhos recheados de lágrimas que não caiam.

Daphne rompera o lacre de cera vermelha da carta, abrindo e vendo a elegante e fina letra de sua irmã, lágrimas caíram borrando a tinta mas não tornando ilegível, pelos vistos aquela carta tinha já alguns anos.

“ Escócia, 15 de Maio de 2005,

Minha amada irmã Daphne,

Deves de estar a estranhar esta carta receberes agora, mas tem um motivo especial para isso e espero que leias tudo até ao fim para entender.

Estou na Escócia já a um tempinho, as crises cessaram temporariamente, mas ambas sabemos que é uma questão de tempo, mas como deves saber de certeza, sempre gostaste de saber como estava e como estaria, mesmo quando pensavas que eu não sabia.

Draco estava preocupado com as crises, por isso trouxe-me aqui e cuida-me imensamente bem, sinto –me feliz e realizada como mulher, como bruxa e como casada, sempre quis escrever-te e dizer-te como queria que estivesses mais comigo, que estivesses reclamando do péssimo Cranachan*que o meu loiro faz, porque tu fazes um óptimo. Sei que és feliz por mim e sempre desejaste a minha felicidade.

Sabes, planeio ter filhos, falei com o Draco mas ele ainda recusa veemente á ideia, sei que tu também serias por simplesmente debilitar-me a saúde, mas sei que entenderias quando dissesse que precisava fazer isso por mim, por ele e por nós enquanto casal, o nosso amor tinha que ter um fruto para que Draco não esqueça jamais, o seu lado bom e o seu lado recheado de amor, sem contar que desejo imenso ser mãe, quero muito conhecer a verdadeira e absoluta extensão do amor, provavelmente dirias que sou muito romântica e sonhadora como sempre, mas no fim sei que me entenderias e apoiarias, mesmo contra vontade, porque tu és assim Daphne.

E por fim, deixei instruções precisas ao advogado da família Greengrass, que entregasse esta carta a Pansy Zabini, pois sei que nem Theodore, nem a mamãe e nem mais ninguém conseguirá chegar em ti melhor do Pansy, podia até ser eu, mas sei que não estarei ai quando leres.

Mas, aqui vai a minha mensagem para ti , minha querida irmã, eu sempre soube ,que me amavas imenso, que sempre te mantiveste afastada porque no teu inconsciente sabias que iria morrer e porque isso doer-te-ia demais e sei que está a doer, afastas-te para não sofrer apesar de sofreres á distancia, eu sempre soube, minha Daph...

Mas quero que chores tudo mas tudo mesmo, limpes esse teu belo rosto, arrumes o teu cabelo, vistas aquela roupa ridícula que comprei –te em Paris, toda colorida e vai á vida.

Quero cor e quero vida no meu funeral, estás responsável por ele, não deixes a Narcisa fazer o tradicional, porque não serei eu, Draco tenho certeza que te ajudará. E por favor, deita uma olhar ao meu menino, sei que não precisarei de confirmar a promessa, porque…

Nós sempre tivemos um forte laço de irmãs que mesmo a distancia ou a tua tentativa de evitar a dor, nunca foi quebrado.

Amo-te muito Daphne, sê feliz…

Astoria “

Daphne não aguentara mais, erguendo-se da cama, sob o olhar choroso e preocupado de Pansy, começara a atirar com tudo no chão, perfumes, cosméticos, fora destruir parte de suas roupas, sua amiga tentava pará-la mas até a magia desprendia instável da loira, ao que esta optara por chamar a mãe dela, que estava perto receando a reacção da filha com justiça, entrara e abraçara com força.

Pansy só olhava com a mão na boca, o completo sofrimento e desespero de Daphne que em anos que a conhecia nunca a vira assim.

No dia seguinte, no funeral, todo mundo estranhara a presença da irmã de Astoria que vestia um vestido roxo e rosa, com babados ridículos, seu cabelo enrolado num elegante coque, com o marido normal do lado.

Draco olhara para a roupa da cunhada e sabia perfeitamente do que era, tanto que aproximara-se dela, ficando todo o funeral, perto dela e de Theodore.

Daphne surpreendera-se quando vira Hermione Weasley, Harry Potter e outros heróis no funeral da irmã, realmente não contava, mas logo sua atenção fora voltada para o seu mundo interior.

Devagar e morosamente chegara ao fim, os dias passaram-se meio dormentes e sem rumo para Daphne, que voltara no cemitério, dias depois sozinha.

Olhava a campa e lápide da irmã, com a data de nascimento e morte, tocando a foto dela sorrindo.

—Como seguir em frente, eu não sei …você sempre…- As lagrimas afogavam a sua voz.- foi luz…como seguir sem …você? Como?

Atrás de si, passos apressados foram na sua direcção abraçando-lhe as pernas, ao que ela virara para a direcção do pequeno castanho que estava triste, com seus vibrantes olhos azuis em pranto.

—Mama?- Aquela voz a acordara da sua letargia, atrás dela, vinha Theodore e quem abraçava suas pernas, era seu filho Devon.

Lentamente, abaixara-se e pegara o seu pequeno no colo, abraçando com força.

—Porque estas triste, meu amor? Não ias na casa dos Zabini…?

—Pusque mama ta tliste…plefilo ficale com mama…mama feliz com eu perto…- Falara-lhe o pequeno , com seus erros normais da idade ao falar, na sua inocência e tristeza ao que Daphne beijara a fronte do pequeno e olhara para Theodore, lentamente afastara-se do cemitério, olhando uma última vez para trás, acreditando que aquela tinha sido uma forma de Astoria , pelo que tinha que seguir em frente.

Notas finais
* Cranachan é um doce tipico escocês.

3
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