Eu Sei Quando Você Mente
3 Tem alguém aí?
— Suspeito de matar a Paloma? — Miriam indagou. — Como assim?
— Não sei! — Larissa respondeu, chocada. — Só sei que tá o maior bafafá lá perto da delegacia. Prenderam ele enquanto ele saía pro almoço, mas o povo sabe de mais nada. Só que foi preso mesmo.
— Que horror... O próprio pai.
— Pois é, menina — Larissa refletiu. — E deve ter mais podre nessa história... Ano passado teve um rolê parecido aqui, de um pai fazendo isso. Matou ela porque tinha ciúmes do namorado dela, acredita?
As duas começaram a andar juntas em direção à saída do colégio.
— Acredito — Miriam respondeu indignada. Não era a primeira vez que ouvia esse tipo de história acontecer.
Miriam desceu do ônibus vazio e caminhou por umas três quadras antes de chegar em casa. Dessa vez a busca pela tranquilidade do seu pai tinha ido longe demais: decidiu alugar uma casa nova, grande e bonita, mas distante. Ficava em um bairro com loteamentos novos e as quadras eram grandes amontoados de gramados descontroladamente altos com casas bonitas, mas esporádicas. Devia ter no máximo três construções por quarteirão — e eles eram grandes.
O bairro era cortado por uma grande e comprida avenida, com tamanho desproporcional à pouca quantidade de carros e pessoas que circulavam por lá. No centro do canteiro largo, torres altas se enfileiravam por quilômetros a fio para carregar diversos cabos de energia da periferia da cidade, onde ficava a principal estação de energia, para o centro.
— Não, obrigada — recusou de uma senhora as cocadas que vendia. Precisa de um local melhor e com mais clientes, a garota pensou.
Chegou ao destino e apertou o controle para o portão da garagem abrir, já que o portão menor e principal dificilmente funcionava. Nenhum carro estava lá dentro, então dava a sensação de ainda mais vazio. Tudo naquela casa era espaçoso e desnecessariamente minimalista, até o jardim com um gramado largo e amplo que recebia apenas alguns recém plantados coqueiros.
— Boa tarde, meu amor — a mulher esguia esperava sentada na mesa e levantou-se quando viu a garota chegar. Caminhou até ela com dificuldade, quase sem forças e tomou-a num abraço delicado. — Como foi a aula?
Simplesmente não parecia a mesma pessoa que havia a agarrado dias antes.
— Foi normal — Miriam respondeu um pouco ríspida, mas depois se arrependeu. Deveria ter sido mais simpática, pois estava feliz que a mãe aparentemente estava em um dia de alta. Então decidiu fazer melhor: — E o seu dia, como foi?
— Ah, ok — respondeu singela. Soltou Miriam e voltou para seu assento. A mesa estava posta com apenas um prato. Ela apontou para que a filha se sentasse. — Cátia me ajudou a fazer o almoço hoje. Gosto de cozinhar para vocês. Quando seu pai voltar de viagem, vou fazer um jantar.
— Que legal! Podia fazer a comida favorita dele — a garota sugeriu soltando a mochila no chão enquanto se servia da carne de panela. Incentivando ações positivas e produtivas porque o médico recomendava sempre e em qualquer interação.
— Boa ideia — sua mãe respondeu contente. Admirava a filha enquanto comia.
Eram bons os dias de alta. Miriam podia até brincar com sua mente e fingir pra si mesma que estava tudo normal. Que a mãe nunca tinha enfrentado um câncer com um tratamento cruel e várias cirurgias que serviram de cereja do bolo para o seu estado mental delicado; e que não tinha crises dia sim, dia não. Podia ser só um almoço feito com carinho de mãe pra filha. Só um dia comum.
— Tá bom demais — Miriam elogiou a comida com sinceridade.
— Seu cabelo tá tão lindo assim. Não canso de dizer — a mulher disse com uma voz encantada e orgulhosa. Miriam quase engasgou com a carne, mas tentou se recompor para não demonstrar o susto.
— Obrigada — respondeu.
A mulher não se alongou muito ali. Em poucos segundos se levantou e disse que iria pro quarto descansar. Depois de ajudá-la com alguns remédios e colocá-la para deitar, uma outra mulher apareceu na cozinha. Vestia apenas branco e cumprimentou Miriam.
— Cátia — a garota chamou depois de terminar seu prato. A mulher, que lavava um pouco da louça, virou-se para ela. — Não falou nada pro meu pai, né? Sobre o dia do cabelo.
Cátia demorou para responder. Respirou fundo e disse, insatisfeita:
— Ainda não. Ele ligou, mas só falou com ela. Ainda tou pensando se falo ou não.
— Deixa essa passar — Miriam suplicou -, por favor. A gente mudou de novo, cê sabe que ela fica mais irritada no começo e...
— Ela quase te machucou, Miriam.
— Foi um gatilho ruim. Eu devia ter feito outra abordagem. Lembra quando fui naquela festa e fiz uma maquiagem pesada? Ela reagiu quase igual. É difícil pra ela quando têm dificuldade de me reconhecer, é isso. Já aprendi. Não vou fazer de novo. Deixa passar, por favor.
— Não sei...
— É sério. Só não quero que ela seja internada de novo. Meu pai vai fazer se souber. Não precisa. Ela fica pior assim, cê sabe.
— Ok. Nessa eu estou mais com você.
— Se ela ficar bem até ele voltar de viagem, não precisa contar. Pode ser?
— Ok, combinado. Mas vou ficar de olho nela.
A conversa foi interrompida com um barulho vindo lá de fora. Miriam parou de falar, levantou-se e foi tranquila até o quintal.
— Esse portãozinho nunca abre quando a gente precisa — Cátia reclamou atrás de Miriam, depois tomou sua frente e foi até ele fechar. — E agora deu de abrir do nada.
— Chama um chaveiro — a garota sugeriu e voltou para dentro.
Pegou a mochila no chão da cozinha e subiu para o quarto. Ele ficava na parte da frente da casa e sua janela ampla tinha visão para a entrada. Se escorou no vidro para ver melhor e encarou o portão. Quando foi colocar a mochila sobre a cama, notou, no meio dela, um envelope cinza.
Estranhou, então buscou na sua calça o envelope de mais cedo, se questionando como ele poderia ter parado na sua cama assim de repente. Mas encontrou-o no fundo do bolso, atrás do seu celular.
Era outro. Rapidamente o alcançou e abriu. Exatamente igual. Papel preto fosco e escrita em branco envernizado. A não ser pelo conteúdo escrito.
"Vamos brincar de filhinha e papai?".
Desta vez, havia uma assinatura.
"De: Anônimo. Para: Paloma".
Mesmo sendo um acontecimento inusitado, um clique soou em sua mente e conectou a carta com a morte. Fez sentido. Então era isso. Mas por que havia uma réplica da carta de Paloma sobre sua cama? Por que esse Anônimo entregaria para ela? O que Miriam tem a ver com o segredo da Paloma? Com a sua morte?
Pela primeira vez, sentiu medo com essa história.
Virou-se de novo para a janela conferir se os portões de fora estavam fechados. Num supetão, saiu do quarto e verificou numa ronda rápida todos os cômodos da casa. Corredor, banheiros, quarto dos pais, sala de TV, sala de estar, copa, cozinha, quarto dos fundos onde Cátia morava, garagem, quintal. Tudo vazio. Então abriu o portão grande e foi até a rua. Olhou para os dois lados, mas não havia ninguém.
— Ouviu alguma coisa estranha agora há pouco? — Perguntou para Cátia na cozinha. Ela respondeu em negativa. — Teve correio hoje? Ou alguém veio em casa?
Cátia disse que não.
Miriam passou os dedos pela carta, sobre a palavra "papai" e sentiu a textura do papel preto. Entender mais sobre aquilo se tornou ainda mais urgente.
Miriam sentiu a vantagem do novo cabelo pela primeira vez. O calor escaldante que fazia naquele meio de tarde estava insuportável. Até o vento estava abafado. Para piorar, o centro daquela cidade sofria com muita falta de árvores, praticamente não tinha nenhuma na frente dos comércios, mas sim apenas nas praças. Foi na da matriz que buscou abrigo do sol, logo ao lado do chafariz sem graça para se aproveitar da umidade da água. Só ia se recuperar do cansaço da caminhada, pois seu destino era logo ali naquela rua.
A única papelaria da cidade era singela, não muito grande, mas abarrotada de gôndolas compridas com muitos produtos. No fundo havia um balcão de atendimento. Antes de chegar lá, passou pelo corredor de papéis. Olhou todos com calma e encontrou dois pacotes de marcas diferentes que lembravam o papel preto da carta. Sorriu sozinha pela confirmação. Só faltava descobrir como investigar melhor.
Chegando nos fundos, tomou um leve susto. Atrás do balcão, distraído com a organização de algumas canetas, estava um garoto pálido, alto, magricela e de cabelo preto como carvão.
— Dário? — Miriam perguntou e o garoto notou sua presença. Ele também levou um certo susto de surpresa.
— Oi — respondeu, tímido. Para lidar com a situação desconcertante, seguiu o roteiro que deveria fazer sempre por ali: — Posso te ajudar?
— Você trabalha aqui? — Miriam não conseguiu deixar de perguntar.
— Sim — respondeu seco. Só depois percebeu que ela esperava uma resposta mais completa, então prosseguiu: — Meu pai é dono daqui e trabalho durante a tarde.
— Entendi. Então, sim, você pode me ajudar.
Ele olhou curioso para ela, já recuperado da surpresa. Se esforçou para parecer o mais natural possível. Miriam achou engraçado o comportamento dele. Nem parecia o mesmo garanhão todo confiante que tinha chamado ela pra sair do nada durante o intervalo, na frente de praticamente toda a escola.
— Vi que vocês têm esse tipo de papel — ela pediu retirando o cartão preto da bolsa e mostrando para ele. — Queria saber se vende bastante.
Quando botou os olhos no que a garota mostrava, Dário engoliu em seco e abriu levemente os olhos em espanto. Não respondeu, apenas mexeu no bolso da calça e retirou um igual. Mostrou para ela tomando cuidado para não deixar a parte da frente com a escrita à mostra.
— Igual a esse? — ele perguntou reverenciando seu cartão entre o dedo indicador e do meio. Era exatamente igual e com o mesmo tamanho.
— Então também recebeu um — Miriam refletiu, surpresa. — Têm algo escrito? Uma ameaça?
— Sim — ele foi econômico na resposta, mas não falou sobre detalhes.
A garota lembrou-se do cartão de Paloma sobre a cama. Até aquele momento, eram quatro. Miriam, Paloma, Sabrina e agora Dário. Mas podiam ser mais.
— Essa é mesmo a única papelaria da cidade? — perguntou intrigada.
— Grande, sim. Têm outras lojas de xerox por aí, mas com poucos produtos — explicou.
— Consegue ver no sistema quem comprou esse tipo de papel recentemente? — perguntou apontando para o computador ao lado dele. A máquina era antiga, com monitor de tubo amarelado.
— Eu tava fazendo isso um pouco antes de você chegar — Dário disse sorrindo pelo canto da boca. — Acho que estamos tentando chegar no mesmo lugar.
A garota sorriu de volta. Quando ele mudou a feição de cachorro perdido para um cara simpático, Miriam lembrou-se dos beijos que trocaram dias antes. Eram bons, apesar das lágrimas.
Havia algo velado naquela interação. Sentiam que não podiam se expressar muito sobre a carta, sobre como a receberam e o que tinha escrito nelas. Mas havia uma ciência mútua de que a experiência que tiveram foi a mesma: uma carta surpresa, ameaçadora, misteriosa e sem remetente. O suficiente para se entenderem e trabalharem juntos.
— E descobriu algo? — perguntou tentando olhar para o monitor, que estava quase totalmente virado para dentro do balcão. Ele fez sinal para que ela se acomodasse perto, então deu a volta pelo balcão de vidro e ficou do lado dele enquanto explicava:
— Então, no sistema só têm as compras em cartão — disse apontando para o programa na tela. Eram linhas e números em caixas e cédulas que lembravam uma planilha, mas com interface mais enxuta. Miriam não entendia nada do que o monitor mostrava, mas continuou acompanhando sua explicação: — As compras em dinheiro vivo são anotadas em comandas de papel pra gente dar baixa de saída de material no sistema, mas meu pai só faz isso no final do mês e não têm como saber quem fez a compra, não têm esse tipo de registro. Só no papel, antes de colocar no sistema.
O perfume de Dário era bom.
— Aqui no sistema, nos dois últimos meses — o garoto emo continuou -, só teve uma compra desse papel. É um Kraft Plus Black de 240 gramas. Mas foi só uma A5, é um tamanho bem pequeno, então não acho que tenha sido usado pra isso.
— Então é isso? Nenhuma pista? — Miriam ficou um pouco desapontada.
— Não — Dário tentou reanimá-la -, ainda dá pra conferir as comandas à mão. Tava fazendo isso quando você chegou.
Ele apontou para uma caixa do lado do teclado. Miriam se desanimou com a quantidade.
— Quanta coisa...
— Bom, era época das cartas do Anônimo na cidade, então muita gente veio comprar envelope, papel e cartões... E a maioria paga com quebradinhos. Mas é só conferir os produtos das notas, eles ficam escritos bem grande no topo. Aqui, olha, do lado direito são as que já conferi. Do esquerdo ainda não.
Quando Dário disse a palavra "Anônimo", mais um clique soou na mente de Miriam, mas decidiu deixá-lo em espera, por enquanto.
— Posso ajudar? — ela perguntou e recebeu uma afirmativa.
— Preciso saber quem é esse filho da puta — ele resmungou com ódio.
— Eu também — e ela realmente estava sedenta para descobrir quem era a pessoa que se achava no direito de ameaçá-la e, ainda por cima, supor que a condição de sua mãe teria um caráter de segredo, de algo que Miriam precisava esconder dos outros.
— Papel Kraft Plus Black 240 gramas — Dário relembrou e os dois começaram a verificar nota a nota. Foram dez minutos de concentração e foco nas folhas. O garoto era mais rápido porque estava mais familiarizado com aquela atividade, mas foi Miriam quem achou.
— Aqui! — declarou-se vitoriosa e leu na comanda: — Papel Kraft Plus Black 240 gramas. Comprado por Mário Cuspideiro. Quem é esse?
Sempre se surpreendia com os nomes e apelidos das pessoas do interior, mas aquele era ainda mais inusitado. E Dário não pareceu gostar do que ouviu.
— Se fosse comprar algo para cometer um leve crime — ele comentou, preocupado — e não quisesse deixar pistas, o que faria?
— Mandaria alguém sem suspeitas comprar por mim — respondeu já começando a entender onde o garoto queria chegar.
— Mário Cuspideiro é um mendigo aqui da cidade — ele concluiu.
Uma pista de verdade, mas com um caminho difícil.
— A gente consegue achar ele? — Miriam perguntou, determinada. — Daí ele conta quem mandou ele fazer isso.
— Bom, ele pode estar em qualquer lugar da cidade... É bem difícil estar sóbrio — respondeu reflexivo e buscando por alguma saída. — Mas sei de uns lugares que ele pode estar. É um maluco conhecido por aqui.
— Então vamos! — Miriam pediu ansiosa.
— Ei, calma — o garoto pediu -, eu só posso sair daqui depois de fechar, meu pai foi no médico e tou sozinho hoje. Antes de eu ir embora, tento achar o Mário. Sei de uns dois ou três lugares que ele fica.
Miriam respirou fundo e entendeu. Ia pedir para acompanhá-lo, mas ia demorar para o comércio fechar e precisava fazer a lição de casa.
— Ok. Me liga qualquer coisa — pediu encarecidamente.
— Vou ligar, sim — a pompa confiante do garoto que a chamou para sair antes estava de volta. Miriam confessou pra si mesma que o momento detetive entre os dois deixou ele ainda mais interessante. Foi sagaz e inteligente.
O celular de Miriam começou a tocar. Ela pulou da cadeira da escrivaninha para alcançá-lo com pressa na cabeceira da cama, onde carregava. Esperava ansiosa pela ligação de Dário, mas viu o nome de Larissa quando abriu a tela.
— Amiga — Larissa disse imediatamente após ser atendida -, liga a TV agora! É sobre a Paloma.
Miriam desceu as escadas correndo e preparou a TV na sala escura e colocou no canal da principal cidade da região. Assistiu atenta à reportagem, ainda com Larissa na linha. Conseguiu pegar apenas o final, mas foi o suficiente para entender o que estava acontecendo.
Finalmente havia vazado o motivo da prisão: o pai de Paloma teria desviado provas da cena do crime no intuito de atrapalhar as investigações. Suspeitavam também que ele teria adulterado várias coisas no quarto da filha. A mãe sentiu falta do diário e denunciou para outros policiais.
— Mas você perdeu uma parte macabra — Larissa atualizava Miriam do que havia perdido da reportagem: — Um dos médicos vazou as informações depois que o pai dela foi preso. Esse legista é primo da vizinha do meu cunhado, inclusive, nem lembrava que ele existia. Enfim. Não falaram o que era, mas tão dizendo que era algo que prova que, pelo jeito, o pai dela abusava dela. Tipo, sexualmente mesmo.
"Filhinha e papai", Miriam lembrou do cartão.
— Amiga? — Larissa tentou recobrar a atenção de Miriam, que estava em silêncio na linha.
— Oi — disse voltando à realidade.
— Maluco demais né?
— Sim — confirmou. — Doideira demais.
— E, caraca, o pai da Paloma é amigão do prefeito — Larissa continuou com suas conjecturas. — Mas acho que agora, no caso, era amigão dele, né? Quero ver só no que vai dar. Você não viu também, mas na reportagem o prefeito deu uma entrevista falando que o delegado já foi afastado do cargo imediatamente. O prefeito largou a mão dele total e agora jogou o cara pra galera. Não foi de leve a fala dele, não.
— Bode expiatório — Miriam concluiu.
— Como assim?
— Ele precisa culpar alguém e solucionar o caso o quanto antes pro povo da cidade não ficar assustado. A eleição é esse ano, né? Talvez tenha até mais coisas sobre a morte dela que não foram divulgadas. — Miriam sugeriu lembrando mais uma vez da carta sobre sua cama.
— Credo, como sabe disso? — Larissa perguntou intrigada.
— Vi igual numa série — se justificou.
A carta, pensou Miriam, a Paloma recebeu uma carta igual a minha e depois... foi assassinada. O pai, apesar de um criminoso hediondo, possivelmente não era o assassino e, nesse caso, também podia ser uma vítima dessa terceira pessoa: o remetente da carta. O Anônimo.
Agora precisava confirmar se a carta da cama era realmente igual à possível carta que a Paloma pode ter recebido antes de morrer. Se fosse isso, Miriam sabia que estaria marcada. E que poderia ser a próxima vítima do Anônimo.
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