Eu Queria Ser Clichê

2 And like the night we camouflage denial.


Notas iniciais
Para Vé.

Eu queria que você fosse minha, mas acho que é algo impossível para mim. Então, como num sonho, encolho-me e limito-me apenas às palavras e à imaginação.

-x-

Então, nossos lábios se encontraram. Doces, suaves, curiosos... Tais como uma primeira experiência, uma primeira sensação. Se bem que, olhando por este lado, era a primeira experiência entre nós duas.

A princípio, estávamos um pouco incertas a respeito daquele bolo de sentimentos que se formava em nossas cabeças, portanto, a princípio, tudo não passou de lábios encostados e suas mãos a enlaçarem minha cintura.

Mas eu queria mais.

Eu queria ir além dos limites, queria explorar aquela caixa fechada que era Lena, queria desvendar-lhes os mais profundos segredos, queria experimentar as mais doces experiências e gostos, absorver sua alma e tê-la comigo até que virássemos o que chamam de nada.

Como nos bons filmes clichês, eu a desejava mais do que qualquer coisa.

E como se ela adivinhasse meus pensamentos, Lena entreabriu os lábios, me convidando a explorá-la – E eu o fiz, introduzi minha língua e subi com minha mão esquerda até a sua nuca, encurtando o, já curto, espaço entre nós. Sim, eu gosto de apelar.

Vasculhava cada espaço mísero, cada detalhe que pudesse me dar um sabor diferente – Eu fazia questão de acariciá-la para que se sentisse segura ao meu respeito. Tinha conhecimento da minha agressividade, principalmente com a Lena, logo, não queria assustá-la. Não queria fazê-la sentir-se pressionada, obrigada a fazer algo que não queria.

Como nos bons filmes clichês, eu a beijava com a alma.

E ela não ficava atrás, investindo num baile fogoso com as mãos em minhas costas – Ora apertando-as, ora acariciando-as, vagando com seus dedos e alcançando pontos com uma experiência que parecia não lhe pertencer. Aos poucos, sentia sua respiração quente e bufante perder o compasso. Isso, isso... Ela estava se rendendo a mim.

Puxei-a então até as grades do colégio, onde tive mais apoio para explorá-la mais profundamente – Cá entre nós, eu já não sabia mais o que estava fazendo, nem sabia como prosseguir dali em diante, apenas deixava que meus sentidos fossem incitados pelos de Lena, que fazia questão de me provocar com seu corpo de mulher colado perigosamente ao meu.

Como nos bons filmes clichês, estávamos perdendo o controle.

Porém, ela herdara uma força diferente de qualquer outra que eu já vi – E não falo da força física, falo da força do autocontrole, a força do juízo... Um tipo de força que eu não tenho nem nos meus momentos de possível lucidez.

Aos poucos ela foi cessando aos movimentos, e suas mãos retornaram à minha cintura – Eu não aceitei, choraminguei entre seus lábios e tentei apimentar o beijo um pouco mais – acariciando-lhe as coxas -, em vão, ela conseguiu se afastar e segurar meu rosto para que eu também me afastasse.

Como nos filmes, ela sorriu pra mim, com seus olhos a brilhar tão intensamente como um par de safiras.

- Yul... Vou te chamar assim. – Comentou, agora, enlaçando meus ombros. Ela poderia me chamar de qualquer coisa que ela quisesse... Até mesmo de vadia.

- Tudo bem. Contanto que seja apenas você. – E eu sorri de volta, colando nossas testas.

Silêncio. Um suave momento para recobrarmos nossas respirações.

Elena riu, com sua voz melodiosa. Ainda sim, ela conseguiu me arrancar uma suave curiosidade.

- O que?

- Ah, Yul... – Ela suspirou, deitando a cabeça entre meu ombro e pescoço, enquanto que sussurrara:

O amor é sempre clichê.

Fim?

Notas finais
Aguardo o aval de vocês, leitoras amadas.

Devo continuar?

Beijos e beijos!

Jullie Zoddy.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.