Notas iniciais
Capítulo cute pra vcs :3

Nós ainda não havíamos saído de Recife e já eram dez horas da noite. Estávamos apenas 20 minutos dentro do táxi, sem nenhuma palavra. Eu estava aninhada ao Arthur, observando a janela. Ás vezes dava para ver o mar, outras eu via apenas prédios enormes, algumas casas, poucas pessoas. Mas o que mais me encantava era o mar. Eu estava o admirando quando Arthur falou, me surpreendendo:

--Como é lindo de noite.

-- O mar? Muito.

-- Eu nunca tinha o visto de noite.

Então eu falei, quase num sussurro:

-- E eu nunca tinha o visto.

Assim que disse isso, ele levantou meu rosto até o dele, me fazendo olhar seus olhos.

-- Você nunca viu o mar?

-- Já fui em umas “praias” em São Pedro da Aldeia quando eu tinha nove anos, mas eram todas lagoas na verdade.

Então ele fez uma coisa que me surpreendeu: Pediu ao motorista que nos deixa-se na praia mais próxima. Eu tentei contestar, mas ele insistiu.

Quando chegamos, ele fez alguma coisa como estalar os dedos na frente do motorista e falar que já tinha pagado. Então o motorista agradeceu e foi embora. Outra nota mental: perguntar o que ele fez (eu nunca tinha feito tantas notas mentais como naquela época).

Eu já estava na praia, o esperando, quando olhei pra trás e o vi, correndo em minha direção. Me dei conta do que ele ia fazer e comecei a correr também, na direção oposta. Eu não era mais rápida que ele, então ele me alcançou sem problemas, me pegando no colo e indo em direção à água. A camisa dele estava em algum lugar na praia, que por nossa sorte só havia uma mulher na praia lendo um livro distante de nós. Então ele entrou no mar comigo, eu me debatendo em seu colo.

Quando mergulhamos, depois de um tempo, o mar pareceu congelar e eu senti um grande arrepio. Pareceu que ele sentiu também, mas não foi comparado ao meu. Por mais que Poseidon fosse bondoso, também tinha suas artimanhas para afastar alguns semideuses de seu território.

Saímos de lá alguns minutos depois disso acontecer. Eu ainda estava com a minha calça jeans e minha blusa roxa enquanto ele estava só de bermuda. E molhado. Por Afrodite, como ele era lindo! E sua boca... Aiai... Não me aguentei e o beijei. Ele se surpreendeu no início, mas depois correspondeu. Paramos apenas quando nos faltou ar, mas continuamos com as testas grudadas. Então ele sussurrou, de olhos fechados:

--Eu te amo. Muito.

Eu poderia dizer qualquer coisa, mas escolhi a mais perfeita. Perfeita em nome dos velhos tempos:

--Eu sei. Idiota.

Então ele me olhou com uma cara digna de um filho de Hermes. Como se fosse aprontar algo. Então previ o que ele ia fazer novamente e comecei a correr, gritando. E novamente ele me alcançou, mas dessa vez ele me derrubou no chão, me fazendo cosquinhas. Muitas cosquinhas, me fazendo rolar na areia de tanto rir. Quando ele parou, me faltou ar. Arthur me observou um pouco preocupado, mas viu que eu melhorei logo depois. Percebi que estava toda suja de areia, então xinguei baixinho, mas deu pra ele ouvir e ainda zombar da minha cara:

--Você? Falando palavrão? É hoje que Zeus dança Rebolation.

Um trovão ribombou no céu.

--Cuidado com o que fala, ou seu avô pode te explodir.

Outro trovão. Nos encaramos e começamos a rir. Como eu sentira saudade daquela risada.

--Já vi que não é filha de Poseidon nem Zeus. Agora existem apenas uns dez deuses na nossa lista.

Depois de um tempo deitados, resolvemos entrar na água pra nos limparmos. Então fomos caminhar na praia, de mãos dadas. Às vezes a água batia em nossos pés, mas logo estávamos apenas na areia molhada. Nossas malas e a blusa dele estavam em algum lugar do outro lado da praia. Estávamos despreocupados de monstros, já que a maioria estava lutando com o maravilhoso e invencível Percy Jackson (palavras do próprio Arthur). Estava comentando como as estrelas estavam lindas, então ele falou:

--Aquela, logo ali, é uma constelação não tão antiga. Se chama A Caçadora, criada por Ártemis há alguns anos, cinco, se não me engano... Sua tenente mais antiga, Zoe Doce-Amarga, morreu em combate com seu pai, o titã Atlas. Em homenagem, ela a transformou em uma constelação.

--Tenente de que?

Indaguei, já que estranhei ele nunca ter me falado sobre isso.

--Tenente das caçadoras, Caçadoras de Ártemis. Rodam o mundo caçando ou ajudando onde os deuses precisam e está fora do alcance de semideuses. Juraram virgindade eterna à Ártemis e repudiam garotos. E são imortais.

--Imortais, legal. Porque você nunca me falou delas?

--Não achei interessante. Você nunca entraria, não é mesmo?

Ele perguntou com um tom de nervosismo, como se tivesse medo da resposta. Então e parei na frente dele e o olhei nos olhos.

-- Eu nunca vou te abandonar, Arthur. Sempre estarei com você. Eu te amo, de verdade. Como nunca amei ninguém. Não irei entrar para as caçadoras, por mais que a imortalidade seja legal.

Então nos beijamos. Nos separamos aos poucos, aos selinhos, quando ele perguntou:

--Pra sempre?

E, com o maior sorriso do mundo, eu respondi:

--Pra sempre.

Notas finais
Gostaram? Eu achei fofo :3
Gente, eu posso acrescentar o gênero e aqueles detalhes na sinopse (que nem eu falei nas notas iniciais do cap. 4)?
É pra dar um climinha de suspense a mais agora na história ^^