Notas iniciais
Desculpa a demora :/

Não consegui controlar minha felicidade e o abracei ali mesmo.

Só então percebi o que havia feito e me afastei. Foi quando ele me beijou.

Me veio a mesma sensação do nosso primeiro beijo, que aconteceu no nosso segundo dia de namoro, na sorveteria. Depois de um tempo, perguntei:

-- E as outras duas, porque você não falou nada?

-- Na primeira você estava um pouco animada, foi uns dias depois que eu mandei o e-mail, então fiquei só vendo você ali. – então ele fez uma pausa, como se lembrasse de algo desagradável – Na segunda, bem... Você estava dormindo, mas parecia um pouco... morta.

Então ele havia me visto. Outra anotação mental: entender como é essa mensagem de Íris que dá pra ver as pessoas do outro ‘lado’. Agora o mais importante: se preocupar por ele ter me visto quase morta.

Então eu me lembrei da carta. “Ele vai voltar” era mesmo sobre Arthur. Pensando nisso, olhei para ele e sorri, me lembrando de como ele era perfeito.

Sem perceber, já havíamos chegado na rodoviária. Compramos passagens para o Rio de Janeiro. De lá, seguiríamos para Recife, que era até onde o dinheiro dava. Fiquei espantada com a quantidade de dinheiro que ele tinha, mas achei melhor não discutir.

Enquanto esperávamos, pedi para que ele me explicasse sobre a M.I. (ele havia me dito que era assim que chamavam) e falasse mais sobre os deuses:

--A sua mãe falou que você é filha de um deus. Você pode ser filha de muitos deuses, como Zeus, Poseidon, Apolo, Hefesto, Ares, Dionísio e Hipnos. Você vai ser reclamada assim que chegar lá, provavelmente, ou na fogueira. A fogueira é um lugar onde a gente se reúne depois do jantar e canta, como em um acampamento. Acho que eu ainda não falei sobre a comida de lá, nem sobre como os copos se enchem sozinhos depois que você pede alguma bebida. Me lembro de uma vez que eu pedi Doritos líquido e deu certo. Também tem a fogueira, que a gente oferece a nossa comida para um deus e...

--Tá, muito obrigada, legal, agora respira viu?

Ele tinha essa mania de atropelar a gente com as palavras, não dando tempo nem de respirar. Se não o cortasse, ele falaria o resto da noite e perderíamos o ônibus. E pelo visto nós iremos passar muito tempo juntos, então daria para ele falar tudo. Então o ônibus chegou e embarcamos. Depois de alguns minutos eu já estava dormindo. Devo ter acordado apenas três vezes na viagem de cinco horas. Pelo visto Arthur não teve tanta sorte. Quando chegamos no Rio, ele falou algo sobre Hipnos, que pelo visto era um deus relacionado ao sono. Foi quando eu decidi que tinha que aprender muito mais sobre isso, já que seria a minha nova vida e eu não sabia praticamente nada.

Notas finais
Até hoje, espero eu :*