O dia acabou tarde e começou muito cedo, a luz do sol bate em meu rosto porque eu me esqueci de fechar a janela ontem à noite. A noite de ontem é mais umas daquelas burradas que eu faço quando escuto a Amy falando que preciso sair, nunca mais.

O telefone toca e eu olho no visor, é Amy. Deixo tocar e vou pra cozinha fazer meu café da manhã, no mínimo ela queria falar de como sua noite foi linda e perfeita com o Jack fortão. Faço minha salada de frutas com granola, e leite condensado por que dieta é coisa da Amy. Stuart aparece pra me dar bom dia

–Bom dia Stuart! Como foi sua noite de folga? – ele mal me olha, lambe preguiçosamente a tigela de leite que coloquei. – Deve ter sido melhor que a minha.

Volto pro quarto e pego o celular, já tem vinte ligações da Amy resolvo atender uma porque começo a preocupar.

–BOM DIA AMIGA!! – ela grita no telefone e afasto-o pra não ficar surda.

–Bom dia.

–Nossa, que desanimo. Nem parece que a noite foi boa ontem.

–Porque não foi.

–O bofe não era bom?

–Que bofe Amy?

–O que você saiu pra encontrar ontem depois dos drinques, achei que alguém tinha te ligado você saiu correndo com as chaves do carro.

–Não, ninguém me ligou, peguei o carro e vim pra casa.

–Que pena, a noite foi ótima. O Alec, o amigo do Jack dono do bar, apareceu lá depois com uma menina e nós rimos demais.

Então é Alec o nome do cretino.

–Que bom amiga. Agora eu vou desliga porque a dor de cabeça daqueles drinques de ontem apareceu. Preciso dormir.

–Dormir? Para de ser velha, hoje é domingo vamos pra praia comigo?

–Praia? Você ficou louca, nunca mais eu vou pra praia com você.

–Por quê? Não entendo o que aconteceu de tão ruim ontem.

–Nada. Boa praia. Tchau

–Ok, stress de velho. Tchau e boa noite.

Sento da cama e tomo um analgésico e deito.

...

São seis da tarde, dormi o dia todo. Ligo a TV e coloco no Maravilhoso Mundo de Gambell , meu desenho favorito, Amy diz que é coisa de gente retardada. E lá se vão quatro horas assistindo desenho no Cartoon Network. Levanto com fome, tem chamadas da Amy no celular e uma mensagem me chamando pra praia, ainda bem que tava no silencioso.

De repente escuto um estrondo do lado de fora de casa, sai no portão de pijama e vejo dois carros. Troco de roupa e vou ver o que houve. Tem dois carros amassados e muitas pessoas em volta. Tendo entender a situação quando vejo Alec, o dono do bar mal educado, ele usa uma bermuda caqui e uma camisa branca. Eu vou lá falar com ele, minha mente diz repetidamente como sou burra.

–Alec? Você está bem?- ele se vira, vejo cansaço em seus olhos.

–O que você quer? – ele diz grosseiramente.

Então viro as costas e saio andando.

Sua burra, sua burra. Como você pode ser tão burra assim?

–Espera. — ele fala e eu viro e olho com raiva. –Você tem carro?

–Tenho.

–E está com ele?

–Estou Alec, vamos eu te dou uma carona. – saio andando na frente. Não acredito que estou oferecendo carona pro cretino, mas fazer o que tenho bom coração.

Entro no carro, e fico esperando ele entrar. Ele encara o carro com uma cara descontente. Meu carro era um clássico, minha mãe deixou pra mim de herança, as pessoas o acham horrível, pequeno e desnecessário, eu simplesmente o amo.

–Algum problema?

–Nenhum. — ele diz e entra no carro se encolhendo todo, mas ainda esbarra em mim.

Ele me explica o caminho, é um bairro chique ele mora em um prédio enorme. Ele sai do carro e anda em direção a portaria.

–De nada! – sem educação.

Ele abaixa no vidro com um sorriso sugestivo.

–O que você estava fazendo lá?

–Meu mundo não gira só e, torno de você. — reviro os olhos. Ele me irrita. – Estava indo ao mercado. -minto

–Mercado essa hora?- ele olha no pulso sem relógio. –Comprar o que?

–Nada que te interesse! – arranco com o carro e deixo-o lá traz com o sorriso bonito dele.

...

Saio correndo em direção ao bar do Alec, procuro Amy e ela é a única sentada acompanhada. Está com Jake.

–AMY!- eu grito ofegante batendo a mão na mesa, os dois se assustam.

–Que foi menina? – ela me lha de cima a baixo. – Se já o que for pra você não estar de moletom no meio da rua é importante. – eu estava com uma calça jeans, uma camiseta básica e uma sapatilha.

–Nossa é verdade, achei que fosse grudado nela aquilo. – fala Jake. Olho com raiva e se cala.

–Calem a boca os dois. – viro pra Amy, como se Jake não estivesse ali. – Felipe chegou da Itália e vai fazer um jantar pra mim hoje na casa dele.

–Vixi, conversa de homem, fui.

–Já vai tarde. – digo acenando e vejo que Alec me encara enquanto Jake chega do seu lado. – Então me empresta o carro?

–Claro, o chefe italiano vai fazer um jantar pra você, eu apoio qualquer coisa que te tire de casa mesmo que seja uma segunda-feira. Mas como é que eu vou embora depois?

Eu penso, eu sabia que não iria voltar tão cedo.

–Você pode dormir lá em casa, você tem seu quarto lá.

–Ta bom, vai lá. – ela me entrega as chaves e eu a abraço agradecendo.

– Só me promete que se o filé moreno ali for te acompanhar, por favor, manter as roupas dele dentro do seu quarto.

–Ok, prometo. Bom jantar!

–Obrigado. – sai e vou direto pro carro, dirijo até o endereço que ele me disse. É um apartamento, parece muito chique.

Passo pelo porteiro e pego o elevador ele mora na cobertura, pelo menos agora. Ele saiu daqui a três anos, foi estudar gastronomia na Itália, antes ele não tinha muita coisa, mas ele ganhou muito dinheiro lá então acredito que tenha comprado um apartamento aqui. Saio do elevador e só tem uma porta, aperto a campainha.

A porta abre e nela a um cara de cabelos escuros, dos olhos verdes e um sorriso perfeito. Ele alto e veste uma camisa com um avental branco amarrado na cintura, e um chapéu de chefe.

–Felipe. – digo sem reação, faz muito tempo desde que ele se foi.

–Kate. – ele diz sorrindo. – Esquentadinha!- ele me abraça apertado me tirando do chão, um abraço que eu esperava a muito tempo, um abraço sincero, um abraço de irmão.

–Ah para Felipe, ninguém me chama assim a anos.

–E eu não te vejo há anos, então acustume-se.

–Ok, então Wolverine.

– Meu Deus! Isso faz séculos. – ele tira o chapéu. – viu eu não tenho mais o cabelo daquele jeito.

–Na Itália pega mal?- provoco-o.

–Vamos entre que você vai experimentar a comida do Chefe Felipe Castle e vai perceber que foi por um bom motivo que aposentei as garras de Adamantium. – nos rimos e eu entro. O apartamento é enorme, olho pros dois lados e não consigo ver o final. A decoração não é muito a cara dele, não tem fotos, nem nada que lembrasse a pessoa que conheci mas talvez ele tivesse mudado.