– “Tenho duas noticias boas”

– “Fala Amy!”

Meu celular toca.

–Amy?

–Yes, eu. To muito empolgada pra digita.

–Vixi! Dá até medo, fala ai, o que foi dessa vez?

–Primeiro lembra o filé de ontem de regata branca?

–Sei. O monte de músculos bronzeado. O que tem?

–Ontem na hora que estava entrando pra aula ele tava na porta da minha sala, e me chamou pra ir à inauguração do bar dele.

–Sim e qual o nome dele?

–Ah, num sei, mas isso não é importante por que ele vai estar lá.

–Ok então. Boa festa.

–Como assim boa festa? Você precisa de interação social, você vai comigo.

–Eu? Mas ele chamou você.

–E eu to chamando você, passo na sua casa às 20h.

–Se eu falar não você vai vim assim mesmo?

–O que você acha? É lógico.

–Ok, até mais tarde.

–Beijinhos.

...

–Kate!

–Já to saindo.

Eu saio pelo portão e o olhar de Amy me examina, ela veste um tubinho preto com detalhe de renda, enquanto eu estou com uma roupa bem mais confortável.

–Ah meu Deus! Você num tem vergonha de sai assim não?

–Não. Agora vamos?

Ela faz um gesto olhando pro céu e fala algumas palavras como se conversasse com Deus.

– Vamos e seja o que Deus quiser.

–Lembrando que a ideia foi sua. Onde é o tal bar?

–Ali seguindo a rua, disse que é o negocio novo.

–Ok, então lá vamos nós. – digo ao fechar o portão e colocar a chave no bolso.

Seguimos pelo caminho, ela se equilibrando no salto na rua de pedras, e eu com o meu tênis comportado rindo de seus truques de malabarismo. Fizemos o caminho que eu sempre faço pra ir trabalhar, e de repente ela fala chegamos. Eu olho e vejo o bar do Seu Arlindo, mas ao mesmo tempo não é, está todo reformado com uma visão de barzinho jovem e decoração moderna com garrafas e mesas mais altas tem até um pequeno palco.

–Espera. — paro segurando o braço dela. – É ai?

–É. Agora vamos que eu quero que a noite dure. – ela me puxa e eu sigo devagar. A cena me vem de novo à cabeça aqueles rapazes rindo de mim e o idiota do herdeiro falando que vendeu o bar. Eu não tava acreditando que eu tava ali comemorando o novo bar e amanhã iria ao enterro do Seu Arlindo.

Amy entra e sai cumprimentando varias pessoas eu apenas aceno com a cabeça. Paro assim que acho uma mesa vazia, ela senta apenas pra pedir um drinque e sai pra cumprimentar o resto da população, eu num sei como ela consegue conhece tanta gente.

De repente vejo o “filé” da Amy ao lado do dono do bar, e ai eu percebo que eles dois são os que riram de mim. Ontem na faculdade eu não vi porque estava sem lente ele ainda continua bonito, mas ficou bem menos pegável sabendo que ele é desprezível. Nossos olhares se cruzam por segundos e eu logo desvio, quando volto a olhar ele já está se afastando, veste um jeans azul e uma camiseta vermelha.

– Um refrigerante, por favor. – digo pro garçom ele me olha com desprezo, anota e sai. Amy finalmente senta.

–Nossa amiga isso tá fervendo.

–É – falo mexendo no celular.

–Amiga, animo. Daqui a pouco vai ter showzinho.

–Não vou ficar muito, já to avisando. Amanhã eu tenho que acordar cedo.

–Ok, mas fica pelo menos até o filé vim falar comigo.

–Não vai demorar muito, observando que ele tava te olhando enquanto você tava por ai falando oi pro bar inteiro.

–Ah meu Deus. Serio?

–É

O garçom chega com meu refrigerante que por sinal está quente, mas não digo nada porque ele já demorou um ano pra trazer. Amy pede outro drinque, e ele sorri acenando com a cabeça.

O tempo passa enquanto vejo Amy virar uma dezena de copos, ela ainda tá boa mais não por muito tempo. Estou com sede, resolvo ir ao bar dando uma chance pra vê se o carinha vai falar com ela logo e eu ai posso ir embora.

– Uma água gelada, por favor. – encosto no balcão.

Olho pro lado e dou de cara com uma cena de abuso consentido. O tal dono está agarrando uma moça de cabelos longos e roupa curta, ela claramente está gostando. Seu olhar encontra o meu e por alguns minutos ele ignora a moça que o beija incessantemente. Eu desvio o olhar e tento apressar o garçom que mal me olha. Finalmente ele atende meu pedido me entregando a água e eu saio rápido dali.

Vou em direção à mesa e tática deu certo, o “filé” está sentado ao lado de Amy com um sorriso sedutor e ela fazendo charme. De longe eu fiz um sinal pra ela, dizendo que ia embora ela da tchau com a mão e saio pela porta quase que correndo, e acabo esbarrando no tal dono do bar que me olha com desprezo eu o ignoro e sigo meu caminho. Eu não pretendia nunca mais volta ali, apesar de passar na frente todos os dias.

...

São 7 da manhã, faltei na escola hoje pra ir ao enterro do Seu Arlindo. Desde o velório até o enterro tiveram as mesmas pessoas por volta tinha por volta de dez pessoas, todas de preto e chorando. Eu era a única que não chorava desde que minha mãe morreu que não derramo uma lagrima sequer. Tinha duas coroas de flores, uma da associação de moradores do bairro e uma minha. Foi simples e lindo, as palavras do padre foram as únicas, mas sinceras.

...

À noite fui pra faculdade, e no intervalo a Amy pula no meu pescoço com um sorriso de orelha a orelha.

–Acho que você foi dormir feliz, pelo jeito.

–Não só fui dormir feliz como ele me ligou hoje marcando um encontro. –diz Amy cantando a ultima palavra e fazendo giro de bailarina no meio do pátio.

–Hum, e qual e o nome do filé da vez?

–Todos chamam ele de Jackson, mas eu chamo de Jack.

–Amy criando laços? É isso mesmo produção- falo olhando pro céu.

–Você sabe que eu não acredito nesse negocio de criar laço, ter uma relação, gostar de verdade. Acho que um dia eu posso experimentar, mas vai ter que ser o cara.

–É eu sei, já gravei seu discurso de “solteira sim sozinha nunca”.

Rimos e ela conta como ele é, e diz que sabe que ele é um canalha e galinha, mas não tá se importando com isso porque ele é só um momento.