Eu Queria Que Não Fosse Assim
33 Kate
Quando ouvi aquela voz furiosa tive certeza que nada ficaria bem naquela noite. E foi exatamente o que aconteceu. Quando virei era uma mulher, um pouco mais velha que eu tinha o cabelo comprido loiro. Estava bem vestida e tinha um sotaque estranho. Ela encarava-o de uma forma furiosa, ele me olhou e então disse.
–Samantha essa é Kate. – ele falava com cautela, como se algo fosse explodir. – Kate essa é Samantha.-ele respira fundo.
–Samantha, quando você voltou?
–Hoje, cheguei na sua casa e fiquei sabendo que você tinha noivado ontem.
–Puta que pariu Alec, eu pensei que você ia me esperar. Você disse que eu era especial. Eu voltei pensando em você, em te encontrar e quando eu chego te encontro com uma vagabunda dessa e que ainda está noivo. – ela olha pra mim, dos pés a cabeça – Engravidou dele não é? Golpe da barriga é frequente por aqui?
–Não, não estou. Mas quem é você mesmo?
–Alem de tudo é desinformada, sou a mulher da vida dele. – olho pra Alec que olha atônito pra ela. –Diz pra ela Alec, conta que sua família planejou o nosso casamento, que teve que ser adiado por causa da minha bolsa em Harvard.
Ele não diz nada apesar de eu olhar pra ele esperando uma explicação.
–Olha vamos simplificar as coisas. Queridinha foi bom enquanto durou mas a brincadeira acabou, pegue sua roupa barata e sai de perto do meu Alec. – ela me empurra e abraça-o, que fica imóvel apenas me olhando com um olhar perdido.
Meus olhos ardem, não sei o que está acontecendo, um dia está tudo perfeito eu vou me casar com o homem que eu amo, e de repente uma mulher chega não sei de onde e diz que Alec é dela. Não sabia o que está sentindo, raiva por ele ficar mudo, humilhação por tudo que ela me disse, ou simplesmente nojo dos dois juntos.
Alec de repente caiu, ela se afastou assuntada e eu corri colocando a cabeça dele no meu colo.
–Alec? Por favor, não me deixa aqui. – suplicava baixo pra ele enquanto Jack liga pro medico dele, e Amy para o carro na frente do bar. Vou com ele o tempo inteiro até chegar no hospital, o enfermeiros me tiram de perto dele eu fico na sala de espera.
Jack é o primeiro a vê-lo depois que ele acorda. Quando ele sai, vou logo até o quarto para vê-lo. Mas Jack me para na porta.
–Jack me solta! Quero vê-lo.
–Kate, ele..- ele faz uma pausa, tem um olhar triste.- ele disse pra não te deixar entrar.
–Como assim? – pergunto, as lagrimas já escorrendo.
–Eu não posso dizer mais nada, ele sou me pediu pra não te deixar entrar.
–O que ele pensa que está fazendo? – começo a gritar.- Ele pensa que as coisas se resolvem assim, ele se excluindo.
–Fala baixo Kate.
–Baixo por quê? É pra ele ouvir o quão idiota ele é. Se ele quer se isolar, por de ficar a vontade Alec. Só não me procure, nunca mais. – os seguranças chegam me puxando. – Ouviu nunca mais! – termino de gritar e saio.
Passo pela recepção correndo, e Amy vem atrás de mim.
–Kate espera. – ela me puxa pra trás.
–Não quero falar nada Amy, só quero ficar sozinha.
–Não perguntei nada, você que tá se explicando. Vamos eu dirijo, por que você nesse estado bate no primeiro poste.
Ela não diz uma palavra até chegarmos em casa. Eu me deito no sofá e não me mexo. Ela troca de roupa, vai pra cozinha e volta com uma panela de brigadeiro.
– Quer? – ela oferece e eu pego uma colher. Ela olha pra frente, se eu não a conhece-se diria que ela estava bem, mas ela não estava. Ela estava me respeitando, só não queria me deixar sozinha.
–Estragou a sua surpresa. – disse.
–Jack não vai a lugar nenhum, tenho muito tempo. – eu sabia o que ela queria dizer, que Alec não teria tanto tempo. Que eu não teria tanto tempo, nós não duraríamos pra sempre.
–Por que ele tá fazendo isso Amy?
–Não sei. Só sei de uma coisa, vocês dois se amam, e não uma lambisgoia qualquer que vai atrapalhar isso.
–Mas o que você quer que eu faça? Ele não quer me ver, e tenho certeza que aquela uma está lá do lado dele.
–Não sei Kate. Só sei que você não pode ficar aqui esperando ele te ligar e convidar você pro casamento dos dois.
...
Fui no bar naquela noite mais Jack não estava lá. Liguei pra Amy.
–Ta tudo bem? – ela atende com voz preucupada.
–Depende, o Jack tá com você?
–Não ele tá na casa dele. Por que?
–Por nada. – desligo.
–Kate? – Jack diz ao abrir a porta.
–Tá sozinho?
–To. Alec está na casa dos pais. Mas o que você faz aqui?
Eu passo pela porta e sento no sofá.
–Vim conversar, e acho bom você sentar pra me ouvir.
Ele se senta no outro sofá e me encara.
–Eu vim aqui pra te implorar pra me deixar ver o Alec.
–Mas ele não quer te ver, quer que eu faça o que?
–Se virá Jack. Chama ele, fala que tá morrendo, sei lá só dá um jeito de eu me encontrar com ele.
–Não posso fazer isso Kate.
–Pode. Pode sim por que você sabe o que eu sinto por ele não é pouco. E sabe que o amor não é uma coisa que pode se jogar fora. Você ama a Amy e faria qualquer coisa por ela então não me peça pra sentar e esperar a boa vontade do destino.
–Mas Kate como é que eu vou mentir pra ele. Eu não sei, ele me conhece mais que ninguém.
Eu fico em silencio apenas o encarando. Aquela era minha ultima jogada, se não desse certo eu estaria sem ideias.
–Seja o que Deus quiser. – ele pega o telefone eu disca o numero de Alec.
–Cara, por favor, me ajuda, Amy me trancou pro lado de fora só de cueca. Traz sua chave pra mim, por favor, rápido. – fica mais um minuto no telefone e desliga. – Ele vai me matar depois disso.
Corre lá pra dentro e volta com uma calça jeans, camiseta polo e as chaves da moto.
–Aonde você vai?
–e você acha que eu vou querer estar aqui quando ele chegar? Não sou louco o suficiente.
–Deixa a porta aberta.
...
Não demora muito Alec chega, eu ouço o barulho do elevador e corro pra porta.
–Jack? – ele grita. Eu apareço e ele logo se espanta. – o que você tá fazendo aqui? Cadê o Jack?
–Ele não está. Entra!
Ele entra e não diz uma palavra. Sento no sofá eu fico em pé.
– O que está acontecendo Alec?
–Kate, eu acabei de ter uma crise não posso ficar me estressando. Depois a gente conversa.
–Depois quando? Quando me ligar me chamando pro seu casamento com a Samantha.
–Não é assim Kate. É um pouco mais complicado do que você entende.
–Então me explica.
Ele não diz uma palavra.
–Ok, não quer me explicar. Diante disso eu não vejo outra solução. – tiro o anel que ele tinha me dado há dois dias e deixo sobre a mesa e me levanto. –Nada é complicado Alec, você que complica. –Saio com as lagrimas escorrendo. Antes de chegar na porta sinto uma mão em meu braço me puxando. Ele me beija apressado, como se fosse tudo que ele quisesse.
–Por favor, Kate não faz isso.
–Então me da um motivo pra não fazer Alec, por favor, me deixa ficar com você.
–Samantha é filha do grande sócio da empresa do meu pai. O que acontece é que se eu não me casar com ela meu pai vai ter que vender boa parte das ações dele. Eu não tenho escolha, ou me caso com ela. Ou você vai se casar com um pobre pé-rapado.
–E você acha que eu to ligando pra dinheiro? Alec que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Eu não to nem ai pro seu dinheiro, pra mim você pode vim só com a roupa do corpo que eu vou te amar do mesmo jeito.
Ele me beija de novo, e de novo e de novo. Quando vejo já estamos no sofá.
–Licença casal. – Jack diz entrando pela porta, rapidamente arrumo meu vestido enquanto ele e Amy entram dando risada.
–Acho que eu não vou morrer então- Jack diz.
Depois de todos rirmos muito, Jack perguntou.
–Mas e a sua família? Como seu pai vai ficar?
–Não sei. O advogado da empresa está do lado da família da Samantha. Não temos nenhum outro de confiança pra nos dizer o que fazer.
–Advogado? Mas por que?- eu pergunto.
–Por que isso faz parte do contrato. Mas todo contrato tem uma brecha, nós só precisamos de um advogado bom pra nos indicar. — diz Alec.
– Pois eu sou a solução dos seus problemas. – diz Amy e todos nos viramos pra ela. – Gente eu sei que não falo muito do meu pai, mas ele é advogado. Alias um dos melhores do país.
–Mas não adiantaria nada, não temos dinheiro pra pagar o que deve ser o honorário dele.
–Eu pago. — diz Jack.
–Eu ajudo.- digo. – Eu, mais o Felipe.
E meu pai não alguém fácil de convencer mais eu consigo um preço amigável.
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