Não dormi nada. Quando o despertador tocou, levantei automaticamente e fui tomar banho. Embaixo dos meus olhos haviam manchas escuras que me entregavam, mas tanto faz. Demoro mais do que de costume na água gelada. Jack estava na cozinha quando saí.

– Já vai ?

– Vou. Vou tomar café com a Jules.

– Jules de novo ?

– É, ela pediu ajuda com umas coisas da faculdade.

– Ta bom, né.

Jack sabia que eu estava mentindo, mas eu não tava nem ai. Quando sai fui direto para o banco.

Lá dentro, Sr. Collins me esperava sentado a sua mesa.

– Alec — ele estendeu a mão me cumprimentando.

– Sr. Collins — cumprimentei.

– Vamos direto ao assunto — ele disse — sua conta. Seu dinheiro caiu pela metade, seu pai não deposita mais nada, agora você só tem os lucros do bar.

– Eu sei.

– Já que sabe, te aconselho a parar de esbanjar seu dinheiro e ir com mais calma, senão sua conta vai ficar no vermelho, logo, logo.

– Mais alguma coisa ?

– Seu pai disse que pelo menos sua faculdade ele continuará pagando.

– Ok.

Me levanto bruscamente e saio. Sinceramente, não sei como minha vida pode ter virado merda no nada. E a porcaria do banco ainda ficava do outro lado da cidade, por isso quando cheguei na faculdade o sinal estava quase pra bater. Entrei pelas portas que nem um raio ignorando Jack e Amy agarrados, os caras do rugby e o sorriso satisfeito de Kate.

– Bom dia, Alec — ela disse triunfante.

– Vá se ferrar, Mindle.

Passei pelas portas deixando-a boquiaberta para trás, ela sabia que eu não ia tratá-la bem, mas também não esperava isso. E que droga! Por que me incomodava tanto tratá-la assim?

– Alec! — ouvi sua voz me gritando, mas eu apenas ignorei.

Entrei na sala deixando-a pra trás de novo, não esperava que ela fosse entrar aqui, mas ela entrou.

– Não pode me tratar assim só porque eu sai com outro cara.

– Não seja prepotente, Mindle. Eu não to nem aí para com quem você passa a noite ou deixa de passar.

Um dos caras sentados do meu lado começa rir, mas não sei se foi por causa do que eu disse.

– Vai me dizer que mandou eu me ferrar por que estava com raiva de outra coisa?

Mindle não estava gritando como de costume, ao contrario, falava baixo. Por isso eu fiz questão de falar alto:

– Se não se importa. Essa aula não é pra você.

Ela me olhou furiosa e saiu batendo os pés.

– Acabou com ela sem nem xingar ? O que aconteceu com a gente ? — Jack faz cara de preocupado e eu rio — Como foi com a Jules?

– O meu pai cortou meu dinheiro de vez.

Digo sabendo que ele já tinha descartado sobre a Jules.

– Mas ainda tem os lucros do bar.

– Aham.

...

Quando o sinal do intervalo tocou, não tive a menor vontade de ir ai refeitório por causa da Mindle. Mas para minha sorte, ela veio até mim.

–Quem você pensa que é pra me chamar de puta ? — diz furiosa e ...magoada

– Jack deixou escapar o que você disse, seu cretino!
Eu queria matar o Jack, ele não devia ter falado isso, mesmo eu estando fulo com toda a situação.

– Do que eu deveria te chamar, então ?

Eu não tenho ideia de que merda eu tinha na cabeça quando eu disse isso. Mas vi Kate ficar furiosa em seguida.

– Você que beijou a primeira loira que apareceu na sua frente e eu que sou puta !? — ela grita sem se importar com as pessoas que olhavam — você que quis o que aconteceu!

– Já chega — eu disse, estava cansado demais pra brigar de novo.

Mindle, por sua vez, estava disposta a descontar tudo agora mesmo.

– Já chega? Você que acabou com tudo, e depois ainda quer ter o direito de escolher com quem eu saio! Você está fazendo ficar um péssimo clima com todo mundo sabia !?

–Mindle! Já chega! — dessa vez eu gritei — Não coloque a culpa em mim porque você também me enganou! Lembra? Sobre seu irmão ?

Mindle começou gritar uma resposta, mas as palavras se tornaram apenas ruídos. Minha cabeça estava explodindo, e dessa vez não era uma expressão. Tudo começou rodar e Mindle ainda gritava. Levei a mão aos olhos e me apoiei na parede.

Não sei o que aconteceu, mas eu senti alguém me mantendo de pé.

– Mas que droga! — Jack gritou — Amy, me dá a chave do carro!

– O que está acontecendo ?

– Cala a boca, Mindle! — Jack estava furioso.

– Jack! — Amy diz censurando-o.

Senti me puxarem para longe de onde eu estava.

– Você é pesado, droga!

Jack me arrastou pelos corredores até que um dos caras do rugby veio ajudá-lo, fui colocado no bando do passageiro do carro de Amy e Jack partiu. Quando chegamos ao hospital, me colocaram em uma maca e eu desmaiei

...

– Hey, cara — Jack disse quando me viu acordado.

– Hey.

– Você me assustou, assustou seus pais também.

– O que aconteceu ?
– Passou mal, estava discutindo com a Mindle – ele fez uma careta – daqui a pouco alguém aparece por aqui.

– Uhum.

Não demorou muito, alguns minutos depois Dr. Finnigan apareceu.

– Alec – ele me cumprimentou – você nos deu um baita susto! Mas enfim, Jack me contou que você tem passado por coisas difíceis ultimamente.

– É.

– Bom, você precisa ficar mais calmo. Não tem nada que eu possa fazer, nem você quanto a aneurisma, mas você pode evitar algumas coisas como o extress. Ok ?

– Ok.

– Ótimo! Você já vai receber alta.

Assinto. Dr. Finnigan sai e eu o ouço cumprimentar alguém do lado de fora, em seguida, Kate coloca a cabeça para dentro da porta. Seus olhos estão preocupados e seu cabelo um pouco bagunçado, mas ela parece não ligar.

– Oi – diz baixo.

– Oi.

– Posso ?

– Pode.

Ela entra e fica em pé perto dos pés da cama, as mãos estão juntas na frente do corpo.

– Você está bem ?

– Estou.

– Hm... O que aconteceu ? Jack não me contou. Na verdade ninguém me contou.

– Não sou eu quem vai te contar, Mindle.

– O que ? Por que não ?

– Porque eu não quero.

Mindle olhou pra magoada, minha palavras saíram secas, mas não porque eu queria magoá-la, mas porque isso era apenas meu, e ninguém mais precisava saber.

– Ok – ela disse por fim – é direito seu não querer mais confiar em mim.

– Mindle, não é...

– Tudo bem, Alec.

Então ela sai. Meia hora depois recebo alta.