Eu Queria Que Não Fosse Assim
18 Alec
Eu não tenho ideia do porque toda vez que eu chego perto da Mindle, ela está chorando ou magoada. Mas dessa vez foi diferente, vê-la chorando na praia e depois descobrir sobre sua mãe, de alguma forma, me deu esperança de que eu era capaz de mais do que apenas fazer merda, como sempre faço. Por isso eu não pude me controlar, usei a primeira chance que tive para beijá-la. Ela estava frágil e me pareceu errado no começo, mas não pude evitar quando fui correspondido. Não me importei com o fato de que ela estava comprometida com outro cara, se quisesse, teria me empurrado para longe, mas não foi isso o que aconteceu.
Uma onda fria vem ao nosso encontro e faz ela se afastar e rir. Parece tão feliz. Seguro-a pela cintura saindo da água, nos sentamos na areia lado a lado, ela deita a cabeça no meu ombro e respira fundo.
– Minha mãe estava certa.
– Sobre ?
– Sobre o mar levar os problemas embora.
– Ei! Por favor, também tenho algum crédito...
– Claro que tem – ela ri e respira fundo de novo.
...
Quando fomos embora, eu quis muito que tivéssemos ido no mesmo carro. Paramos na frente de sua casa. Ela vai até a porta, seus braços estão arrepiados pelo vendo frio que começa correr.
Ela abre a porta e vira para mim, se assusta quando vê que eu estava logo atrás, mas não se afasta, apenas encara meu rosto.
– Acho melhor você ir – ela diz, mexendo os dedos – por causa do bar...
Sinceramente eu queria um convite para entrar, mas fiquei feliz por não receber, porque era ela.
– Claro – digo com um enorme sorriso.
Me inclino para beijá-la, devagar, porque se ela quiser se afastar, vai ter tempo pra isso. Mas ela não se afasta, então dou um leve beijo em seus lábios.
– Tchau – digo.
– Tchau – ela responde.
...
Dei graças a Deus pelo sábado, porque eu não ia trabalhar hoje e nem ia ter aula. Jackson ia ficar totalmente responsável pelo bar. Acordei já era duas horas da tarde.
– Achei que tinha morrido – Jackson diz quando passo na frente da porta do seu quarto, ele e Amy estão juntos deitados na cama assistindo TV.
– Eu trabalho, Jack.
– E eu não ?
– Não nos últimos dias.
Ele resmunga e Amy ri.
– Boa tarde, Alec.
– Boa tarde, Amy.
Vou para a cozinha. Eu tinha demorado pra dormir noite passada porque ainda estava tendo a sensação de ter Mindle perto de mim. Agora, essa sensação voltou, e eu não vou esperar até segunda para vê-la de novo.
Volto para o quarto e me visto, depois pego as chaves da moto e vou para sua casa. Paro na frente, e vou até a porta. Do lado de dentro eu ouvia um aspirador de pó ligado e uma musica de fundo.
– ...Lovers dance when they’re feeling in love…- Mindle cantava junto com a musica – Spotlight shinning, it’s all about us. It’s all,all,all,all. Every heart in the room will melt. This is a feeling I’ve never felt, but…
Bato na porta algumas vezes até ela finalmente me ouvir. O barulho do aspirador para, mas a musica ainda continuar. Ela abre a porta, usa um short curto e uma camiseta larga escrito masculina, provavelmente do Felipe. Isso me irrita um pouco.
– Alec! – ela diz surpresa.
– Oi – digo sorrindo – queria te ver.
Ela sorri largamente.
– Estou limpando a casa – ela diz em tom de desculpa.
– Sem problema. Precisa de ajuda ?
O que eu estava fazendo ?
– Você? Limpando? – ela faz uma pausa – Essa eu quero ver.
Ele entra e eu a sigo. A casa simples tinha seu charme, e era a cara da Mindle.
– Pode começar começar tirando as coisa do lugar para eu limpar – ela diz.
Assim nos fazemos, limpamos a sala e a cozinha, ela disse que já tinha limpado o resto da casa. Tenho que assumir, nunca limpei nada na minha vida, ainda bem que Mindle só me mandou tirar e colocar as coisas do lugar, tudo bem que foi depois do meu fiasco com o aspirador de pó, mas tanto faz. Nunca precisei fazer isso mesmo.
A musica que ela cantava começou tocar de novo e ela cantava junto. Quando acabamos, nos jogamos no sofá lado a lado.
– Alec...Você é péssimo limpando – ela ri.
– Ei! Eu sou muito bom, ta.
– Não é, não.
– É assim ?
Ela continua rindo e eu começo fazer cócegas em sua barriga.
– Não! – ela grita rindo – Para... por favor! Por favor! ... Eu me rendo! ... Você não é ruim.
Paro com as cócegas e ela para de se contorcer.
– Você é mal!
Eu rio.
– Quer fazer alguma coisa hoje a noite ? – pergunto.
– Na verdade...Eu queria ficar em casa, essa semana foi bem cansativa.
– Ah sim.
– Quer...ficar ?
– Quero.
– Ótimo – ela diz animada se levantando – só vou tomar um banho, estou toda suada.
– Ok – digo me levantando também – eu vou pra casa fazer o mesmo, daqui a pouco eu volto.
– Ok.
Fui pra casa e tomei banho.
– Onde você vai ? – Jack pergunta.
– Vou na casa da Mindle.
Jack começa rir muito alto.
– Jack...Vá se ferrar.
Chego em frente a porta novamente e bato, ninguém ouve. Bato de novo mais forte.
– Pode entrar – ela grita lá de dentro.
Entro e me sento no sofá. Ela aparece algum tempo depois usando das suas calças antigas e uma camiseta cor de rosa justa, seu cabelo molhado pinga na camiseta e seus pés descalços mostram as unhas dos pés pintadas de vermelho, coisa que eu não tinha visto antes.
–Por que, diabos, eu vi isso ?
– Então, eu faço a pipoca e você escolhe o que vamos assistir.
– Ok. O que tem pra assistir ?
Ela indica a parte de baixo da estante da TV e eu vou até lá, quando abro a parte está lotada de filmes.
– Ual! – digo olhando para ela que exibe um sorriso satisfeito.
– Vou lá – ela diz sumindo para a cozinha.
Acabo escolhendo um clássico. O poderoso chefão. Quando me levanto para ir até a cozinha o cheiro da pipoca já começa se espalhar pela casa.
– Mindle – chamo.
Ela dá um pulo e bate a mão na panela quente.
– Caramba! – ela diz se curvando sobre a mão.
Largo o filme em cima da mesa e peso sua mão, abro a torneira e coloco em baixo da água fria.
– Você é um pouco desastrada – digo rindo.
– Sério ?! – ela diz sarcástica.
Eu rio e solto sua mão, o queimado foi pequeno.
– Obrigada.
– Por nada – ela pega o cabo da panela, e eu gentilmente tiro de sua mão – deixa isso comigo, por favor.
Ela acha graça e solta a panela, depois pega um balde pipoca e coloca na minha frente, despejo a pipoca dentro e coloco a panela na pia.
– O que vamos assistir ? – ela pergunta.
– O poderoso chefão.
– Boa escolha – ela pega o balde e me entrega – pode ir colocando o filme por favor? Vou passar alguma coisa nesse queimado.
– Posso sim.
Na sala, eu coloco o balde na mesinha de centro e o filme no DVD, Mindle chega bem na hora e se senta no sofá, me sento ao seu lado.
– Alec – ela diz quando o filme está começando – por que nunca me chama pelo meu primeiro nome ?
– Costume, eu acho. Por que ? Prefere que eu te chame de Kate ?
– Não, tudo bem – ela sorri – só curiosidade.
– Ok – sorrio.
Mindle parece não prestar atenção o filme, e olha no relógio o tempo todo. Quando o filem acaba, ela está impaciente.
– Vou indo – digo, sabendo que ela está impaciente porque estou aqui.
– Ok – ela diz.
Ela me leva até a porta.
– Vou bom, ficar aqui – digo.
– Gostei que ficou – ela sorri.
– Bom, tchau.
– Tchau.
Saio pela porta aberta, e quanto já estou perto da cerca ela grita:
– Alec?
– Sim.
– Você quer voltar amanhã?
Sorrio abertamente.
– Seria ótimo.
Ela sorri e eu vou embora.
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