Eu nem sabia o que estava acontecendo comigo. Tinha acabado de deixar Mindle em casa, mas não era isso o que eu queria, queria poder continuar junto dela. Caramba! Demorei horas pra dormir. Quando acordei no dia seguinte eu estava cansado, mas saber que eu a veria me dava ânimo.

Levantei da cama, tomei banho e sai de casa. Jack não dormiu por aqui, por isso tudo estava um silencio só. Monto na R1, e vou para a faculdade. Pareço um moleque bobão do ensino médio porque eu não paro de pensar nela. Não paro de pensar que tipo de roupa ela vai estar usando, ou se seu cabelo vai estar caindo nos ombros como eu gosto.

Parei a moto no estacionamento e fui até onde costumamos ficar, hoje o tempo que esperei por ela pareceu tão grande que Jack ria o tempo todo da minha impaciência. Quando Mindle chegou, quase corri até ela. Abracei-a forte e em seguida a beijei. Não houve uma pessoa que não parou pra olhar, mas eu não estava nem ai. Quando nos separamos ela me olhava com aqueles grandes olhos e sorria.

– Bom dia, Alec – finalmente conseguiu dizer.

– Bom dia.

Jogo o braço sobre seus ombros, e nós saímos andando de encontro com nossos amigos. Ainda faltava um tempinho para entrarmos, então apenas ficamos lá conversando enquanto eu brincava com seu cabelo solto.

Nos separamos para as aulas que pareceram grandes demais hoje. No intervalo, quase corri pra cantina, de novo.Mindle estava sentada de frente para Amy, então nem fui para a fila.

– Oi – digo me inclinando para beijá-la.

– Oi – ela sorri.

Me sento ao seu lado e seguro seu dedos pequenos no meio dos meus embaixo na mesa.

– Cadê o Jack ? – pergunto.

– Estava me fazendo essa pergunta – Amy diz.

Como Amy estava de costas para a porta, então ela não viu o que eu vi. Jack tinha acabado de entrar com um enorme buquê de rosas vermelhas, mas enorme mesmo, ele até teve que passar o buquê pela porta antes dele mesmo passar por ela. Atrás dele, todos os caras do time de rugby entraram sem camisa e com letras pintadas no peito.

Juro que alguma coisa muito estranha também estava acontecendo com Jack, e essa coisa se chamava Amy.

Tentei ficar o mais normal possível, para que Amy não percebesse. Mindle também fingiu não ver nada. Os caras do time de posicionaram de costas, por isso eu não vi o que estava escrito e Jack no meio deles com as flores. Alguém chegou e lhe entregou o microfone.

– Amy, olha pra trás – ele diz.

Todas as pessoas olhavam para Jack, a maioria dos caras ria, as mulheres suspiravam. Mindle apertou minha mão, encarando com os olhos brilhantes a cena.

Amy olhou para trás e viu Jack com o enorme buquê, ela colocou a mão no rosto abafando os sons que fazia, seus olhos se encheram de lágrimas.

– Eu sei que isso é meio obvio, mas... – ele olhou pra baixo, depois olhou diretamente pra ela sorrindo e disse – é só que é oficial – os caras começaram viram justo quando ele falou é oficial – eu amo você.

E era isso o que estava escrito ‘’É oficial, eu amo você’’. Amy começou chorar e se levantou correndo, Jack jogou as rosas no meio primeiro dos caras do rugby e pegou ela e a beijou.

Mindle estava toda emocionada do meu lado. Beijo seu rosto e ela sorri.

– Ela merece isso – ela diz.

– Eles merecem.

Digo, mas Mindle não tem como comprovar a parte sobre Jack, eu tinha. Jack me ajudava guardar meu segredo e isso era o suficiente para ele ser uma boa pessoa, eu sabia que sua vida não tinha sido fácil com seus pais também. Mas era uma boa pessoa.

– No que está pensando ? – Mindle pergunta do nada.

Os caras do time de rugby tinha se dispersado, Jack e Amy haviam saído da cantina juntos.

Estou pensando que eu não contei toda verdade pra você sobre meu pai, e sobre mim...sobre ser hereditário. Poderia ter contado.

– Em nós dois fora dessa faculdade – sorrio e ela sorri.

– Adoraria isso, mas não posso – ela suspira.

– Tudo bem – digo – com fome ?

– Na verdade, não.

– Nem eu. Vamos lá fora ?

Ela assente e se levanta, saímos de mãos dadas para o estacionamento, encosto no seu carro e ela me abraça, ficando apoiada em mim.

– Foi demais Jack fazer aquilo.

– Foi sim. Queria poder ter ajudado.

– Acho que isso é culpa minha – ela ri – tenho te mantido comigo por bastante tempo, não é!?

– Eu gosto assim.

– Eu também.

Ela fica em silencio e fecha os olhos.

– Cansada ?

– Muito.

– Que pena.

– Por que ?

– Queria que viesse ao bar comigo hoje a noite.

– Eu posso ir.

– Tudo bem se estiver cansada demais pra isso...

– Não, tudo bem, eu vou.

...

Passei correndo na casa da Mindle quando sai da faculdade porque eu já estava atrasado e tinha que ir pra casa tomar banho.

Jack, já estava no bar quando cheguei e as coisas estavam quase todas prontas pra abrirmos o bar.

– Por que demorou ? – ele pergunta.

– Fiquei preso com o Jorkins, ele começou fazer pergunta sobre o bar e o trabalho.

– Gordo infeliz.

– Muito. Ei, por que não me avisou sobre a surpresa pra Amy ?

– Você nunca estava em casa.

– Ok, mas eu poderia ter ajudado, sei lá, era só me ligar.

– Beleza, cara, obrigado, só não queria interferir... – ele sorri – no momento de vocês.

– Vá se ferrar, Jack.

Ele ri.

Abrimos o bar as sete horas, as pessoas começaram chegar logo em seguida. Amy chegou cerca de oito horas e foi direto para perto de Jack, os dois ficaram juntos no caixa, Amy não parava de falar um minuto e nem Jack, acho que era por isso que os dois se davam tão bem.

Nove e meia.

– Amy – me aproximo do caixa – cadê a Mindle ?

– Não sei, Alec. Ela já deve ta chegando. Tenta ligar pra ela.

– Estou tentando, mas ela não atende.

– Ah, tenho certeza que daqui a pouco ela chega.

Assinto. Eu já tinha ligado pelo menos três vezes no celular dela e nada.

– Alec – Finn me chama, me chama atrás do balcão das bebidas, ele é o barman que Jack achou em algum buraco por ai, mas admito, ele é bom – preciso de mais tequila...e vodka...e whisky.

– Meu Deus, Finn! Por que não falou antes ? – resmungo indo para o estoque.

Revirei o estoque procurando as bebidas, Jack arrumou isso aqui de um jeito tão confuso que eu demorei muito tempo para acha primeira.

– Adorei o bar – ouço uma voz feminina atrás de mim.

– Hm...Obrigado – eu não me lembrava dela – Quem é você ?

– Betanny, Alec – ela revira os olhos.

– Ok, Betanny. Essa área é restrita a funcionários.

– Ah, por favor – ela se aproxima de mim – pense em mim como sua funcionária particular.

Betanny não me dá tempo e já pula em cima de mim com sua boca na minha. Empurro-a para longe com força, quase a derrubando e Kate aparece no meu campo de visão. Sua boca está ligeiramente aberta e ela se apóia na estante das bebidas. Seus olhos começam acumular lágrimas e ela corre.

– Mindle!

Corro atrás dela, quando apareço no bar, Jack olha para mim tentando entender e Amy me fuzila. Mindle tinha acabado de sair pela porta por isso eu corri até ela. Ela estava correndo pela rua cheia de carros estacionados, seu carro estava longe por falta de vaga.

– Mindle! Espera! – grito.

Mas ela corre mais rápido, eu também. Sou mais rápido. Quando alcanço seu braço, paro abruptamente, seu corpo gira e bate direto no meu peito.

– Não é nada disso o que está pensando.

– Eu não pensei, Alec – ela diz magoada e com as lágrimas escorrendo – eu vi!

– Mas você entendeu tudo errado.

– É, entendi mesmo. Não sei onde estava com a cabeça quando escutei suas mentiras, fui uma idiota, mais uma na sua lista – ela grita no meu rosto.

– Não é! Eu não menti pra você! Deixa eu te explicar...

– Eu não quero ouvir! – ela berra tentando se livrar do meu aperto.

– Não, você não vai sair daqui até ouvir a verdade!

– Me solta! Eu não quero ouvir!

Ela começa se debater.

– Mindle, me esc...

– Aí, palhaço! – ouço um cara gritar – Ela disse pra você soltar.

– Amigo, não se mete – digo – isso é entre nós. Mindle, para de se debater!

– Me solta! – ela grita de novo.

Sinto um punho no rosto e sou abrigado a soltar seu braço. Um cara me derruba no chão, de cara no asfalto e me imobiliza.

– Moça, você está bem ? – o outro cara, o que gritou, pergunta.

– Estou – ela soluça – obrigada!

– Mindle! Por favor! Eu preciso de contar a verdade.

Mas ela já estava andando em direção ao carro.

– Por favor! – grito, ela olha para mim com os olhos magoados.

O cara me solta assim que Mindle sai com o carro, dava pra ver que ele estava pronto para brigar, os dois estavam.

– Eu não vou brigar – digo.

– Mas ia machucar a moça, não é valentão ?! – diz o que me imobilizou.

– Eu não ia machucá-la, eu queria que ela soubesse que eu não a traí.

Minha palavras saíram tão derrotadas e doloridas que nenhum dos dois reagiu, apenas olharam para mim e depois um para o outro.

– Se não a traiu, por que não disse logo ?

– Eu não queria que ela pensasse nada errado, tinha que ser do jeito certo. Preciso pensar no que vou dizer pra não dizer merda.

Eu ainda olhava para onde o carro estava.

– Desculpa, cara – diz o gritão.

Dou de ombros e volto pro bar. Passo por Jack e Amy ignorando-os, e vou direto para o estoque. Betanny ainda está lá.

– Juro que se você não sair daqui agora, eu não vou ligar pro fato de você ser uma mulher.

Ela me olha e sai batendo os pés. Sento no chão. O jeito como ela me olhou, como os olhos borrados pela maquiagem, eu senti como se, realmente, a tivesse traindo, mas isso não aconteceu.

Aconteceu?

– O que, diabos, você fez? – Amy chega gritando.

Jack a segura pela cintura para que ela não me bata.

– Seu desgraçado, filho de uma cadela! – ela grita.

– Eu não a traí – digo com os olhos cheios de lágrimas, contendo para que não caiam.

Amy para de gritar e tentar se livrar de Jack.

– O que aconteceu ? – Jack pergunta.

– A puta da Betanny me beijou, Mindle chegou bem na hora.

– Acha que eu vou cair nessa ? – Amy grita.

– Eu não me importo com o que você pensa, Amy – digo – mas eu importo com a Mindle, eu não faria isso com ela.

– Ele tem razão, Amy. Não faria isso.

– Faria sim, seu cretino!

– Eu vou atrás dela – digo me levantando do chão.

– Nem perca seu tempo – Amy diz – ela não foi pra casa.

Amy sai do estoque levando Jack junto.

– Sinto muito, cara. Amanhã vocês se resolvem.

‘’Ela não foi pra casa...?’’ Claro que não. Ela tinha ido atrás do desgraçado do Felipe.

– Ah, desculpa – eu não vi quando Finn entrou — não sabia que estava aqui. Você estava demo...

Deixo ele falando sozinho e vou pra casa.