Eu Queria Que Não Fosse Assim
14 Alec
Eu não acreditava no que estava vendo. Aquela ruiva provavelmente era a mulher mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida, mas como a vida é uma bosta, ela saiu correndo para agarrar aquele filho de uma égua do namoradinho da Mindle. Quero dizer, o cara estava saindo com a Mindle, e de repente dá um carro para uma ruiva maravilhosa que apareceu do nada.
Eu sabia que tinha alguma coisa errada.
E por que esses paspalhos estão batendo palmas ? Até parece que nunca viram duas pessoas se agarrando. Quero dizer, era um abraço, mas foi um abraço longo demais para serem apenas amigos.
Felipe coloca o braço nos ombros da ruiva e lhe dá um beijo nos cabelos, exatamente como fez com Mindle. Depois olha para mim com um olhar venenoso e sorri. Saio pisando duro para a cozinha do bar, mas não demora muito para virem me chamar, Jack está em casa por causa do acidente, ou seja, estou sozinho.
Dentro do bar, a ruiva estava conversando e rindo, Felipe estava sentado ao seu lado, despreocupado, quando me vê, mais uma vez ele me lança aquele olhar venenoso e se levanta, indo até onde o DJ está. Ele pede alguma coisa e sai.
– Em homenagem ao casal da noite — o DJ diz.
Felipe volta a mesa e tira a ruiva para dançar, e a porcaria da musica Your Window Pain começa tocar. Ela olha para ele com olhos arregalados. Conheço esses olhos. Em seguida diz, e eu leio seus lábios:
– Você se lembra dessa musica!
Ele assente. Eu havia parado para olhá-los, nunca a tinha visto, mas a conhecia. A garota havia deitado a cabeça no ombro de Felipe, e eu contive ao impulso de, alguma forma, impedir que eles continuassem assim. Ele viu, e olhava para mim com uma enorme satisfação.
Deixa a Mindle saber o que você faz quando não está com ela.
A musica acaba e eles se afastam um do outro, voltando para a mesa.
– Vocês são lindos! — Amy grita — Mas eu tenho que ir, Jack precisa de mim.
Com isso ela se levanta e sai da mesa, passa por mim me ignorando totalmente.
Me aproximo da mesa. Porque eu sou um idiota e quero ouvir do que tanto riem.
– Precisam de mais algum coisa — pergunto.
– Não. Na verdade, já estamos de saída — Felipe diz se levantando — não é, meu anjo ?
Meu anjo?
A ruiva olha para ele, um pouco indecisa, depois assente, indo embora junto com ele, que joga uma nota em cima da mesa, claramente, num valor muito maior do que a bebida que beberam.
...
Eu não me importei que eram quase três da manhã, por isso bati na porta da casa de Mindle. Eu ia acabar com essa farra de tal de Felipe, e ia ser agora. Bato na porta várias vezes, até ver a luz lá dentro ser acesa, então a porta abre.
– Mas que, diabos, está fazendo aqui a essa hora ? — pergunto quando Felipe abre a porta usando pijamas.
– Eu deveria te perguntar isso — ele diz.
– Cadê a Mindle ?
– A Kate está dormindo.
– Preciso falar com ela.
– Não, não precisa.
Com isso ele bate a porta na minha cara. Bato na porta com força, fazendo um barulho alto.
– Mindle! — eu grito — Preciso falar com você!
Novamente a luz la dentro se acende.
– Felipe! — ouço sua voz — Ele vai acordar os vizinhos!
– Volta a dormir — ele responde — eu cuido disso.
Claro, a porcaria dessa porta não podia prender o som lá dentro. Novamente a porta se abre, e Mindle não está a minha frente.
– Escuta aqui, você vai dar meia volta e vai embora pra sua casa. Não quero saber o que tem pra falar. E se fizer escândalo de novo, eu te tiro daqui a força.
Ele fecha a porta na minha cara, de novo.
– Isso não vai ficar assim! — eu grito e volto pro carro.
...
Claro que eu tinha feito merda indo bater na porta de Mindle de madrugada. Eu estava bêbado. E estava de ressaca, por isso quando acordei, Jack já começou.
– A noite foi boa ontem, hein!
– Não, Jack.
Ele ri e eu tomo um remédio.
– Vai logo tomar banho, preciso de carona.
– Cadê a Amy pra te levar ?
– Ela já foi, disse que ia passar na Mindle.
Vou para o quarto me arrumar pra faculdade. Quando entramos no carro, Jack começa :
– Muita mancada do seu pai tirar seu dinheiro.
– Eu não preciso dele.
– Tem razão, mas você sabe, vai dar uma apertada agora...
– Jack, agora não.
– Ok, parei.
Nós chegamos na faculdade, e Jack não parava de falar. Dei graça a Deus quando ele desceu do carro e foi ficar agarrado com a Amy. Ela ainda me ignorava. Já estava na hora de entrar e nada da MIndle, eu tinha pensado em pedir desculpas pelo que eu disse no hospital e por ter batido na sua porta de madrugada, mas ela não apareceu. Em vez disso, outra pessoa apareceu. A ruiva estava lá. Ela chegou e não ouve ninguém que não parou para olhá-la.
– Amy! — ela acenou.
– Kate! — Amy a cumprimentou .
Ah não! Isso não pode ser verdade.
Kate entrou me ignorando como fazia todos os dias, mas dessa vez, eu não pude ignorá-la porque ela é a mulher mais linda que eu já vi em toda a minha vida.
Fiquei esperando, ansiosamente, até a hora do intervalo. Eu ia pedir desculpas, não podia ficar sem pedir depois de vê-la assim. Quando o intervalo bateu, quase corri para o refeitório, me sentei a mesa junto com Jack e Amy, esperando Mindle chegar, os caras do time também estavam aqui, mas não interessa. Quando ela chega, não há um cara aqui que não pare para olhar pra ela, quando ela se senta ao lado de Amy, e a ficha de todos caem, quase que ao mesmo tempo, ninguém consegue evitar a cara de palerma olhando para Mindle.
– Mindle — chamo, ela olha para mim como se nunca tivesse me visto — podemos conversar ?
Ela abre a boca para responder, mas nesse momento Felipe aparece ao seu lado.
– Não podem, não — ele diz calmo — vamos ?
Ela assente e se levanta, os dois saem do refeitório.
– Se ferrou! — um cara do time diz pra mim e ri.
– Vá se ferrar!
Levanto da mesa e jogo a bandeja intocada no lixo. Eu ia fazer merda de novo, mas não estava nem ai, por isso saí do refeitório e fui segui-los. Eles ainda não tinham saído da faculdade, estavam no estacionamento andando para o outro lado da rua onde havia uma cafeteria.
– Gostou do carro ? — ele perguntou enquanto andavam.
– Muito. E você não precisava ter me dado um carro novo.
– Precisava, você ainda andava com aquela lata velha que...
– Eu gostava! — ela dá um tapa no ombro dele e ele ri.
– Eu sei. Mas já deu o que tinha que dar, você precisava de um novo.
– Talvez, mas você já gastou tanto comigo...
– Hey — ele para e faz ela olhar para ele — eu prometi que cuidaria de você, lembra ? Pode fazer anos, mas eu nunca quebro uma promessa.
Ela assente e o abraça.
O que ? Eles se conheciam a anos?
Os dois entram no café e eu fico do lado de fora, digerindo a cena. Me preparo para voltar para faculdade, mas não antes de Mindle me ver.
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