A baranga da Mindle chegou correndo no bar e bateu as duas mãos com força na mesa onde Amy e Jackson estavam. Quem ela pensa que é ? Me aproximo um pouco, pronto para expulsá-la quando ouço:

– Felipe chegou da Itália e vai fazer um jantar pra mim na casa dele – ela estava meio surtando.

Paraliso onde estou.

– Vixi, conversa de homem, fui – Jackson diz de levantando.

– Já vai tarde – ela responde acenando irritada, ela pega meu olhar quando Jackson chega ao meu lado.

– Claro, o chefe italiano vai fazer um jantar pra você, eu apoio qualquer coisa que te tire de casa mesmo que seja uma segunda-feira. Mas como vou...

Não ouvi o resto.

– Dá pra acreditar ? – Jackson diz – A Mindle tem um encontro! – ele solta uma gargalhada alta e eu acompanho, forçado.

– Deve ser como ela... – digo.

Jackson ri ainda mais, não me preocupo de acompanhá-lo porque Mindle está saindo do bar como um furacão segurando as chaves do carro de Amy, que se levanta e vem até Jackson, jogando-se em cima dele. Saio de perto dos dois, não preciso ver ninguém se pegando na minha frente quando tenho muita coisa pra fazer.

O cara tinha que ser muito louco para sair com a Mindle, quero dizer, ela é um dragão, e pro cara ter vindo da Itália... Sei lá, o cara no mínimo tem problema mental.

...

Tinha acabado de fechar o bar, Jackson saiu faz uma hora daqui com a Amy e disse que não ia pra casa. O infeliz esqueceu a carteira, tenho que levar pra ele antes de fechar aqui porque o idiota também esqueceu as chaves do bar. Só tem um problema, eu não sei onde eles estão. Pego o celular e ligo para Jackson.

– O que você quer ? – ele praticamente grita.

– Esqueceu suas coisas, idiota.

– Droga! – ele resmunga – Traz pra mim ?

– Onde você está ?

Por que eu ia fazer isso ? Porque eu sou retardado. Por isso.

– Não lembro o nome da rua, mas é só você vir duas para baixo da quinta avenida, 220.

Desligo o telefone e fecho o bar. Eu sou o cara mais idiota do mundo!

Dá um pouco de trabalho, mas consigo achar a casa onde Jackson está. Ela é pequena, mas é até bonitinha. Nada luxuoso, obviamente, mas o jardim bem cuidado da frente mostra que a pessoas que mora aqui é cuidadosa. Procuro por uma campainha, mas não acho nenhuma, então grito Jackson, que aparentemente não me ouve. Ouço um carro vindo pela rua, ele vem até a casa e para na entrada da garagem. Conheço esse carro.

Alguém desce do carro. Mindle me olha paralisada. Dá pra ver que está radiante, seja o que for que aconteceu. Ela dá alguns passos até onde eu estou e para de frente para mim.

– O que você está fazendo aqui ? – ela pergunta meio em choque.

– Jackson...

– Ah...

Mindle faz cara de nojo e se coloca ao meu lado, procurando a chave nos bolsos da calça. Ela não acha, então volta para o carro.

– A noite foi boa ? – pergunto para irritá-la.

– O que ?

– Com o espanhol...

– Italiano.

– Tanto faz.

– Não te interessa!

– Na verdade, quando você entrou que nem um furacão no meu bar, espantando os meu clientes, passou a interessar.

– Não te interessa! – ela repete – Desculpe – murmura.

– Então, aparentemente foi boa – ignoro suas desculpas.

Ela se afasta de mim batendo os pés, e eu não posso deixar de me divertir com a cena, logo depois ela volta do carro com as chaves da porta na mão. Agora ela está de costas para mim, procurando uma chave no meio de muitas outras. Me aproximo do seu corpo e pergunto em seu ouvido, sabendo o quanto isso a incomodará. Por diversão.

– Foi boa ? – pergunto novamente.

Ela se vira bruscamente para mim, e vai para trás.

– Não te... – ela engole seco.

Seu corpo está colado na porta, alguém do lado de dentro a abre e ela cai com tudo pra trás, cairia no chão se não fosse Jackson que estava atrás da porta, ele a segurou bem a tempo. Por reflexo eu havia me abaixado para segurá-la. Oi ? Tentei impedir que ela caísse?

Mindle repara que Jackson está usando apenas uma cueca e sai para dentro da casa ruborizada.

– O que foi isso ? – Jackson pergunta.

– Vai saber – jogo a carteira e as chaves em cima dele – tchau.

Viro de costas.

– Valeu, Alec! Você é o melhor, cara! – ele grita.

...

Estava sentado na frente da faculdade com Jackson, Amy e os cara do time de Rugby. Chegamos um pouco mais cedo hoje, ainda faltava vinte minutos para a primeira aula. Amy não parava de teclar no celular, o que estava deixando Jackson irritado.

– Larga essa porcaria – ele toma o celular de suas mãos.

– Jack! Me devolve! Estou esperando a Kate me responder!

– Não sei quem é Kate, nem quero saber, só quero que pare de mexer nessa porcaria – ele devolve o celular e ela o coloca no bolso de trás da calça jeans.

– Kate Mindle, Jack! – ela diz brava e começa sair de perto.

Jackson segura seu braço, mas não com força.

– Ok, desculpa!

Amy se derrete e volta a agarrá-lo.

– Que bosta! – um dos caras do time diz sobre Jackson e Amy.

Voltamos a conversar.

Dez minutos para a aula. Começamos nos mexer, para entrar no prédio, mas uma coisa chama minha atenção. Uma Triumph Thruxton preta para perto de nós, Kate desce na moto e tira o capacete da cabeça, seu cabelo está preso em um rabo de cavalo apertado, ela continua ela mesma. Mas o cara da moto não parece alguém que sairia com ela, não posso ver seu rosto por causa do capacete, mesmo assim, não acho que seria alguém que sairia com ela. Mindle conversa com o cara da moto, rindo e sorrindo o tempo todo, então ela se afasta com o capacete na mão. O cara da Triumph Thruxton vai embora.

– Caral... – Jackson é interrompido por um tapa de Amy – É uma Triumph Thruxton, Amy! – ele exclama – Desde quando sua amiga conhece alguém que tenha uma Triumph Thruxton ?

– É – digo – desde de quando ?

– Sempre conheceu... – ela diz, mas é interrompida.

– Oi – Kate diz sorridente para a amiga e ignorando todos nós.

– Era o Felipe ? – Amy diz alegre.

– Aham, fomos tomar café – ela diz baixo, mas posso ouvir.

– Ual! Ele mudou!

– Muito.

Felipe ? Quem, diabos, era Felipe ? Interessado na Mindle ? Algum doente, sem duvida.

Meu celular começa tocar assim que estou entrando no prédio.

– Alo ?

– ALEC! POR QUE DIABOS CEM MIL REAIS SUMIU DA MINHA CONTA? – meu pai grita.

– Bati no carro de um cara, precisava recompensá-lo.

Quanto drama.

Meu pai começar xingar do outro lado.

– Dessa vez, você passou dos limites!

Então ele desliga.