Notas iniciais
Yara

Acompanhei os ensaios da banda durante muitos dias e palpitei em todos de forma a melhorar a performance do grupo. Estavamos em sincronia, eu conseguia me entender muito bem com eles e eles comigo, caso o que eu pensava fosse o contrário aqueles cinco eram muito bom atores, na verdade, já vi atuações de Richard e são péssimas, então prefiro pensar que ele está começando a gostar de mim.

A minha caixa de email não parava de ficar cheia, todos do Vlad, eu não os lia em meio a pressa, porém os meninos iam fazer um programa para 'homens' o que automaticamente me deixaria sozinha em casa. Sentei embaixo das cobertas, uma caneca de chocolate ao meu lado, eu editaria algumas fotos e mandaria noticias aos fãs clubes. Comecei a trabalhar.

"Sua irmã não parece bem" um email.

"Sério, Yara, estou preocupado com ela, se você puder me responder e me ajudar a lidar com ela ficarei grato"

"Sua irmã descobriu algo sobre o pai de vocês, acho bom me responder"

"Já que está me ignorando irei te contar tudo, não acho justo Yeva esconder isso de você..."

Logo um enorme texto que eu li do começo ao fim, fiquei assustada com o que eu lia, deixei o computador de lado, pude ouvir o barulho do grupo que chegava, eu não tinha percebido a hora passar, já era três da madrugada e eu ainda nem tinha enviado para as administradoras as fotos, enviei emails me desculpando e prometendo que no dia seguinte enviaria tudo para todas.

Desci para pegar mais chocolate, encontrei os meninos sentados ao balcão conversavam alegres, pareceram me zoar, mas eu estava tão atordoada com as novas noticias que era dificil me envolver com o que falavam.

– Ei, ruiva! Estamos falando com você, está nos ouvindo? — JT falou.

– Desculpa, eu estou meio... — suspirei — Desculpa.

Subi a escada e me tranquei no quarto, pude ouvi-los arrumando as camas para dormirem, comecei a edição das fotos, cochilei com o notebook no colo.

Acordei assustada, uma mensagem chegava, olhei, Vlad, ele me informava sobre o processo que minha tia tinha dado andamento. Larguei de lado e desci, os meninos bagunçavam e ao me verem sorriram e tentaram fazer brincadeiras que mesmo ao percebê-las eu não retribui, minha cabeça estava cheia.

– Está tudo bem, senhorita Budapeste? — Alexander sentou ao meu lado no balcão.

– Eu estou meio...

– Distraida — Richard falou me servindo chá — Foi algo sério?

– Um pouco — suspirei mais uma vez e comecei a contar para eles o que Vlad tinha me falado.

– Quer saber? — Joshua falava com seu sotaque que me fazia querer rir — Venha — ele me puxou e fez sinal para que os outros seguissem — Vamos levar essa mocinha para se divertir.

– O gringo tem razão — JT abriu a porta para sairmos.

Dirigiram até a cidade, pararam de fora de um prédio, subimos alguns andares. Richard abriu a porta e me deparei com uma sala de karaokê, há muito tempo que não entrava em uma daquelas, todos nos sentamos e começamos a cantar. As músicas eram variadas, algumas brasileiras, outras famosas do mundo pop outras do rock. Richard já tinha evoluído muito, logo estaria pronto para o show. Eu ficava feliz em vê-lo tão bem.

Depois de ficarmos tanto tempo cantando fomos a um restaurante onde várias meninas o reconheciam e pediam autógrafos.

– Acompanhar um artista solo é assim mesmo — Picasso falou — Todos o conhecem e nós ficamos de canto apenas assistindo.

– Mas por outro lado é bom — ele me olhou — Sabe, vocês podem respirar um pouco, deve ser horrível por o pé para fora e já ser perseguido por milhões de fãs.

– Mas tem umas que são boas demais — Alexander falou — Sério, são muito boas — ele fez gestou a frente do corpo que nos fez rir. — Mas então, mocinha, se sentindo melhor?

– Sim — falei espreguiçando — Sair assim foi muito bom.

– Acho que devemos fazer uma última coisa — JT falou — Sem o Richard, Joshua, você cuida do nosso astro? — o gringo confirmou — Ótimo, venham.

Fomos até um bar menor, algumas pessoas subiam a um palco e cantavam e tocavam, subimos, me jogaram para o vocal. Selecionei uma música de Richard todos eles tocaram, ao terminarmos eu estava um pouco emocionada, me fez lembrar do meu pai era aquela música que eu tocava com ele e agora eu sabia que na verdade ele não era meu pai de verdade, e que o meu pai biologico era o empresário. Aquilo me deixava confusa, ainda mais sabendo que minha irmã escondera por tanto tempo isso. Como ela estava lidando?

Parei de cantar, continha algumas lágrimas. Alexander foi quem percebeu que eu parara, ele me abraçou, apertei-lhe a blusa e chorei em seu ombro, ele me afastou um pouco, eu o olhei.

– Está melhor?

– Muito — eu limpei as lágrimas e só então percebi que os outros tinham nos deixado — Obrigada.

Sentamos a uma mesa, pedimos algumas bebidas e conversamos, ele me contava sobre os shows que já tinha feito e sobre os artistas com quem já tinha trabalhado, e eu contava da minha pobre experiencia no bar e como consequencia das várias brigas que eu vira serem armadas lá, mas que sempre acabavam do lado de fora, o que era bom porque eu não teria como fugir, apesar de quando necessário eu ser boa de briga.

– Sua irmã, por que ela não te contou sobre tudo isso? — ele perguntou virando uma caneca de cerveja.

– Acho que ela não quis atrapalhar meu trabalho, ela sabia que eu ficaria assim, mas eu preferiria saber dessas coisas por ela e não pelo Vlad.

– Mas por um lado, foi bom ele contar, assim podemos te ajudar — ele falou — JT e Picasso vão ao Brasil na próxima semana, acho que você poderia ir com eles.

– Não — ele me olhou surpreso — Não posso ir e deixar Richard para trás, quero dizer, se minha irmã não me contou deve ter tido uma boa razão para isso e caso fuja do seu controle ela virá até mim e prefiro que seja dessa forma — sorri e bebi do líquido gelado, o gosto ficando impregnado em minha garganta.

– Vamos? — ele olhou celular — Já devem estar nos esperando.

Ele pagou a conta e saímos

Todos já faziam bagunça no carro, entramos e a bagunça aumentou, Richard começou a levantar suas suspeitas sobre o que tinha acontecido entre nós, enquanto eu e Alexander apenas riamos ou os zoavamos quando era pertinente.

Chegando a casa liguei meu mp3 e aumentei seu volume, fui terminar de editar as fotos e montar os textos para as publicações. Quando terminei tudo a banda estava largada pela sala e dormia, tirei a foto e a enviei para Vlad, que não me respondeu, imaginei que ou dormia ou trabalhava ou ainda fazia os dois. Richard acordou sonolento e me olhou os observando, se levantou, encheu um balde com água, eu o ajudei, nos preparamos e jogamos sobre o grupo que correu atrás de nós dois. Saímos da casa, o solo gelado sobre nossos pés nos faziam dar pulinhos tentando ter o minimo de contato possível.

Picasso e Joshua agarraram Richard enquanto JT fazia cócegas e enchia a roupa do astro com o gelo do solo. Eu ficava rindo vendo-os o zoando que esqueci de Alexander, ele pulou em minhas costas, nós rolamos pelo chão gelado e riamos enquanto isso. Ele parou em cima de mim, eu ainda ria desesperadamente até ele me beijar, pude perceber que os outros se calaram, eu não os via e imaginei que nem Alexander até sermos atingidos por baldes com água que nos congelavam, pulamos nos distanciando e voltando a rir, corremos atrás do grupo, apertei um pulo nas costas de JT que rodou comigo rindo. Entramos todos, revezamos no banho e terminamos a noite deitados na sala de frente para lareira ouvindo o noticiário sobre o mundo.