Notas iniciais
Yeva

Vladimir colocara uma camisa branca e um jeans, eu coloquei uma camisa verde e jeans, iamos juntos para o lançamento. Eu estava nervosa e isso ficou claro conforme eu tomava duas canecas de uma vez de café. O escritor ria de minha ansiedade, estavamos esperando apenas a ligação da empresária, meu chefe estaria lá também, era pela editora dele que faziamos o lançamento. Me perguntei se Richard estaria lá, eu queria vê-lo depois de tanto tempo seria bom conversar com ele novamente.

– Vou voltar sozinha — falei, ele me olhou recolhendo as várias canecas que estavam na sala — Tenho algo para resolver.

– Não posso ir com você? — neguei — Mas sabe qeu terá a comemoração com os envolvidos, não sabe? — confirmei.

– Depois de resolver tudo eu vou encontrá-los, a empresária já me passou o endereço e tudo o mais.

Ele deu de ombros.

A ligação, fomos para o carro. Vladimir estacionou de fora do local do lançamento, uma enorme livraria no centro, eu estava nervosa e tremia, tinha treinado minha assinatura durante dias desde que a produção ficara pronta, eu ainda não tinha visto o livro fisico, fiz questão de esperar até o dia do lançamento, queria que fosse uma surpresa.

Varios gritos femininos, eu tinha esquecido como Vladimir era quase como um astro adolescente, conviver com ele me fez esquecer de como era ser sua fã. Gritavam pelo nome, gritavam propostas, ele ria para todas.

– Um dia foi você ali no meio — ele falou rindo.

– Não, nunca foi — ele me olhou — Nunca fui em um sessão de autógrafos sua — dei de ombros — Eram sempre tão lotadas que me desanimavam, então — estavamos nos aproximando da mesa — Trouxe meus livros hoje — ele riu — Você os autografaria para sua grande fã?

– Claro — ele sorriu, gritos histéricos.

Ele sentou e pegou meus livros os assinou e me entregou, tiramos uma foto juntos e então foi aberto, fãs e mais fãs vinham até nós com livros na mão, não só a biografia.

Ficamos por muito tempo ali, na verdade eu fiquei muito tempo apenas vendo Vladimir assinar seus livros, as biografias ele passava para mim, mas eram minoria.

Mais gritos chegaram até nós, nos olhamos curiosos, seguranças afastavam as meninas e meninos, até um livro ser colocado na minha frente.

– Coloca assim "Com todo o amor do mundo, para meu grande fã, Richard" — eu o olhei, ele sorria para mim, retribui o sorriso e escrevi como ele pediu, depois Vladimir assinou apenas com um nome. — Peguem uma cadeira para mim — ele olhou a empresária que logo colocou uma cadeira ao meu lado — Ótimo, agora que venham os fãs.

E de repente o número de biografias aumentou na fila, o caixa da livraria quase não dava conta de atender a demanda. Fotos eram tiradas com todos nós, eram publicadas infinitas marcações eram feitas e com isso a noticia de Richard e Vladimir estarem juntos em um livraria se espalhava, mais e mais fãs chegavam. Atingimos a venda de 100 exemplares depois de duas horas da chegada de Richard e até o horário reserva feito tinhamos vendido quase duzentos livros.

– Eu já vou — falei para Vladimir depois de recolher minhas coisas e o meu exemplar do livro.

– Aonde ela vai? — Richard perguntou.

Não ouvi a resposta, já estava com a mochila nas costas e proximo a rua. Andei por muito tempo até o metrô, e ia passar a catraca.

– Eu te dou carona — Richard falou — Estou de carro.

– Tem certeza? — ele confirmou.

Fomos para seu carro, fazia tempo que não ficavamos apenas nós dois juntos, um silêncio tomou conta.

– Para onde estamos indo mesmo?

– Ah, claro — sorri — Para meu apartamento. — ele me olhou confuso — Apenas dirija.

Foi o que ele fez, parou de fora do prédio, minha tia já estava de fora, junto com o advogado que passaria a documentação para meu nome e junto dela meu primo, os dois estavam sempre juntos quando eu ia encontrá-la, acho que ela estava com medo de que eu fosse tentar pular em seu pescoço mais uma vez, algo que não aconteceria .

– Yeva, o que estamos fazendo aqui? — Richard perguntou encarando a mulher a nossa frente.

– Pegando o que é meu por direito, mesmo que isso tenha um custo.

Ele ainda estava confuso. Tirei um envelope de dentro da mochila, Richard me encarou, entreguei na mão da minha tia, o advogado me entregou a papelada e minha tia a chave.

– Seja feliz com essa desgraça — ela falou.

– Até mais, priminha — meu primo ia me cumprimentar, eu o ignorei, ele tentou forçar, encarou Richard e se afastou.

Cumprimentei o porteiro, peguei as escadas, as mesmas que eu minha irmã e meu pai brincavamos, as mesmas em que eu passei reto por Yara e Vladimir, essas lembranças já pareciam tão pequenas. Abri a porta do apartamento, estava bagunçado e sujo, fui até a varanda, tirei uma foto e mandei para Yara.

"Espero que esteja pronta para quando voltar".

Enviei.

Richard olhava o lugar.

– Tem certeza de que é o mesmo apartamento? — ele me encarou, apoiei as costas no parapeito e sorri para ele. — Desculpa te perguntar isso, mas como você conseguiu juntar tanto dinheiro em tão pouco tempo?

– Com o livro chegando próximo do fim a empresária liberou uma quantia para mim e Vladimir, disse que era coisa da vó Francisca. Era uma bela quantia, então, com o meu trabalho fui juntando desde o primeiro salário, Vladimir nunca quis que eu o ajudasse então me sobrou muito dinheiro, mais o que a Yara me mandava, de acordo coma própria mente dela eu estava passando por sérios problemas e ela queria me ajudar. — dei de ombros — Com isso consegui dar entrada no apartamento e pagar duas parcelas. Agradeço a vovó.

– Caramba — ele se jogou no sofá que subiu poeira.

– Agora, vamos — ele me olhou confuso, eu já estava a porta o esperando — Temos uma comemoração para ir agora.

Ele se levantou, tranquei a porta, no dia seguinte eu voltaria para dar uma limpada e já levaria algumas coisas.

No restaurante que escolheram para a comemoração todos já estavam ali. Tomamos nossos lugares, Vladimir nos olhava desconfiado.

Nos foi servido a entrada, a empresária se levantou, brindou a ótima venda do livro, o empresário fez o mesmo, depois de comer cada um foi para seu canto, Richard pediu para ficar conosco, não queria ter de ficar com os pais.

– Onde você foi com ele? — Vladimir perguntou.

Balancei a chave, ele olhou confuso.

– Não parece ser de um carro.

– Porque não é.

– E do que é, então?

– Meu apartamento — ele freou — O que foi?

– Você conseguiu? E foi sem mim? — eu o olhei — Me sinto ofendido agora.

– Desculpa, na verdade não era nem para ele ter ido comigo, eu ia te mostrar chegando em casa, digo, na sua casa.

– Que foi sua por todo esse tempo — ele sorriu — Fico feliz em saber que conseguiu de volta.

– Eu também — desci do carro — Amanhã vou lá limpar tudo e começar a levar as coisas, prometo que você nem vai perceber que eu estive aqui.

Ele me abraçou pelos ombros conforme entravamos.

– Só que temos um problema — eu o olhei confusa — Você já entrou e tenho que dizer que foi uma das melhores coisas nesses últimos meses — ele sorriu — Quer um café? Chamo de café da despedida.

– Boa. Só vou deixar minhas coisas no quarto e... — meu celular tocou.

– Como você conseguiu? — foi o grito da minha irmã, umas vozes de fundo — Aquela foto, é lá em casa, como?

– Comprei — falei calma — Andei juntando um dinheiro e consegui comprar, e tenho que te agradecer por isso, o que você me mandava me ajudou bastante.

– Então quer dizer que você vai morar sozinha?

– Exatamente.

– Estou tão feliz, terei a nossa casa e... — ela mexeu em algo — Tenho que mudar seu endereço, daqui alguns dias deve estar chegando algo para você lá.

– Algo?

– É, uma surpresa. — foi o grito de Alexander, eu o reconheceria.

– Onde você está?

– Na casa do Fernando, ele disse que queria ouvir o pedido do Alexander e... — a ligação caiu.

Desci e encontrei Richard sentado no sofá,ele já tinha uma caneca em mãos, Vladimir estava com os pés na mesa de centro e trocava de canais, eu me juntei a ele.

Contei meus planos, no dia seguinte iria até o apartamento limparia tudo e começaria a levar minhas coisas.

Fomos todos dormir depois de uma garrafa de vinho e mais café.

Levantei, coloquei café para passar, subi para meu quarto preparei a mochila com algumas roupas, eu pretendia já passar essa noite lá.

Vladimir já adoçava o café, a mesa já estava pronta, Richard desceu barulhento se juntou a nós.

– Vou com você — Vladimir falou — Te ajudei a sair vou te ajudar a entrar — ele sorriu — Me dê alguns minutos para me arrumar.

– Eu também vou — Richard falou — Vai ser bom fazer algo diferente.

Ficamos conversando até Vladimir voltar, ele nos deu carona até o apartamento, já tinhamos passado em um mercado compramos panos, vassouras e produtos de limpeza.

Assim que entramos abrimos todas as janelas, e portas. Limpei a varanda, enquanto Richard limpava as estantes da sala e Vladimir varria os quartos.

Ficamos limpando até o anoitecer, encomendamos comida para o almoço e para o jantar não foi diferente. Sentei no chão mesmo, os dois no sofá, improvisamos uma mesa de centro com um balde com a boca para baixo. Apoiamos a pizza ali, os copos pelo chão.

– Prefiro fazer cem shows em um dia a ter de fazer limpeza novamente — Richard falou se esticando.

– Te entendo — Vladimir falou largando a pizza.

– Dois fracos — falei rindo e recolhendo nossa sujeira.

– Vamos para casa? — Vladimir perguntou me olhando.

– Eu pensei em dormir aqui, e amanhã vou para faculdade — falei guardando o refrigerante.

– Tem certeza?

Confirmei.

– Então, até amanhã — ele me abraçou.

– Amanhã ainda estarei por aqui, agora são férias mesmo — Richard me abraçou — Se der para fazermos algo...

– Não vai dar — falei dando de ombros e me sentindo realmente chateada — Tenho trabalho — ele sorriu — Mas no próximo final de semana se der podemos fazer algo.

– Fica marcado. -ele sorriu. — E até amanhã, Yeva.

Ele piscou enquanto eu fechava a porta.

Poder dormir em minha casa novamente era muito bom, eu fiquei bem feliz. E não dormi, morri em minha cama meio empoeirada.