Notas iniciais
Yara

Yeva não atendia ao celular, nem respondia as mensagens que eu mandava para ela durante a aula de Vlad, isso me deixou preocupada, minha tia tinha me ligado depois de tentar falar com minha irmã, disse-me que viria nos visitar, ela, meu tio, meu primo e minha prima, eu não gostei de ouvir aquilo, se vinham para cá vinham para ficar por um tempo.

Minha tia cuidou de mim e da eva quando ficamos órfãs já que meu irmão sumira do mapa, ela nunca cuidou de nós porque achava que deveria, ela se aproveitava do dinheiro do meu pai e da minha mãe que nos eram fornecidos, ela comprou a nova casa, mobilhou a casa e todo o resto com o dinheiro dos meus pais, por isso que assim que eu e Yeva fizemos 18 corremos atrás para sair da casa dela, como passamos na faculdade que queríamos e era em nossa antiga cidade resolvemos que ficaríamos no apartamento em que crescemos, usamos um pouco do dinheiro para pintura e mobilha e Yeva resolveu que trabalharia, fez isso por um tempo até descobrir que a Uma Recordação não era tão distante, eu continuo fazendo alguns trabalhos aos finais de semana e as vezes minha irmã vai comigo e com isso nos sustentamos.

A aula terminou e a Yeva ainda não tinha me retornado. Guardei meu material, as meninas foram para cima do professor como abutres em carniça, eu saí correndo nem mesmo esperei por ele. Era sexta e minha tia chegaria no outro dia logo cedo, aproveitei e passei em uma padaria, comprei bolos e pães. Corri para casa, não somos muito bagunceiras, mas nossos livros ficam na sala e nossos computadores ficam em qualquer lugar onde não caiam, aproveitei para varrer o apartamento, eu terminava de tirar o pó da estante quando Yeva chegou e me olhou assustada, quando dei a noticia ela correu com as coisas para nossos quartos, pegou um pano me ajudou.

Nossas toy-arts foram limpas com cuidado, meu Chewbacca ficou ao lado do Spock da minha gêmea, minha Millennium Falcon foi limpa e colocada no suporte corretamente enquanto a Al Batani da Yeva foi recolocada ao lado da minha Falcon que antes estava tombada. Alguns livros de leitura que tombaram quando minha irmã tirou os livros de Vlad foram arrumados, nos quartos limpamos as estantes e arrumamos os livros em seus devidos lugares. Na cozinha lavamos a louça que não era muita e guardamos, arrumamos os pães em seus devidos lugares, iriamos levantar sete horas para preparar o café.

Yeva estava um pouco fria nos últimos dias e eu queria saber o porquê, mas ela não parecia disposta a falar sobre isso, mas ontem ela chegou mais alegre do que o de costume, fiquei curiosa, mas também não perguntei, achei que seria invadir sua barreira de conforto.

Quando levantei ela já estava terminando de arrumar o café, a mesa já estava posta para o café da manhã, mas ela ainda estava de pijama.

– Pode ir se arrumar, eu assumo daqui — falei.

Ela agradeceu e com um bocejo foi para o quarto, colocou moletom e uma blusa, estava frio, mas eu sempre fui mais resistente a baixas temperaturas, então ainda usava uma camiseta leve, abri a porta que dava para a sacada um vento gélido soprou e tomou conta do apartamento, fechei a janela que balançava bastante.

A campainha tocou, eu e Yeva trocamos olhares nervosos, nossa relação com nossa tia nunca foi dos melhores, eu estava curiosa para saber como seria agora que eu e minha irmã estávamos um pouco afastadas se uma de nós iria pender para o lado da irmã de nossa mãe ou se continuaríamos unidas.

Bateram na porta, Yeva foi quem abriu, minha tia entrou a cumprimentando, logo minha prima, meu primo e meu tio, eles me viram próximo a cozinha, me cumprimentaram na mesma ordem, pedimos para deixarem as coisas no sofá, as duas carregavam bolsas enormes, meu primo cruzou os braços com o frio.

– Estão com fome? — perguntei, eles confirmaram — Acho ue já podemos tomar café então.

Nos reunimos no balcão, eu e Yeva ficamos de pé apoiadas a pia, o café aquecia nossas mãos, minha irmã me olhava preocupada e eu não fazia diferente.

– E como vocês estão se sustentando? — minha tia começou com a agulhada.

– Eu trabalho nos finais de semana a noite — falei — Não está sendo um problema para nós.

– E eu consigo ajudá-la assim o dinheiro que conseguimos é maior — Yeva falou e sorriu de leve.

– Estão fazendo como seu pai — eu e Yeva não evitamos cerrar os olhos — Depois vão se tornar vagabundas completas assim como ele era.

– Tão vagabundo que já podia aposentar por tempo de trabalho — Yeva não se conteve — A senhora só veio aqui para falar mal de nosso pai? Se sim já vou pedir para que se retire de nossa casa.

Olhei minha irmã, não esperava que ela fosse ter tal reação, nem minha tia, o que mais nos chocou foi que ela não olhou par ao quarteto na bancada e sua voz fluiu como se tivesse oferecido mais um pedaço de bolo que por sinal foi o que eu fiz, peguei um pedaço do bolo.

– Ahm... — minha tia ficou sem jeito — Não, não foi para isso.

– Viemos para ver o show do Richard — Yeva os olhou e depois me olhou, eu não sabia daquele show, ele ainda estava no Canadá pelo que os sites diziam — Foi anunciado quinta — Yeva pegou o celular, eu fiz o mesmo verificamos e nos entreolhamos — Isso não é um máximo?

– Sinceramente? — Yeva voltou ao tom arrogante que se dirigia a nossa prima — Não.

– Ai! Eu esqueço que você gosta de coisas boring — Silvia me olhou — Você, não vai?

– Eu trabalho, não posso.

Ela pareceu ficar feliz com isso.

– Queríamos saber se podemos passar a noite aqui. — minha tia falou.

– Fazer o quê — comentei sem perceber, Yeva riu — Na sala tem um sofá-cama e acho que temos colchonete.

– Obrigada — minha tia estava cuidadosa.

Depois do café Yeva foi par ao quarto por alguns minutos parecia ter feito uma ligação, eu aguentava Silvia falando de Richard, não era por ser do Richard que eu estava fazendo careta, mas sim por ser a Silvia quem falava, ela rasgou três posteres meus quando eu morava na casa dela, roubou meu álbum, isso era o que chateava.

Lúcio olhava as Toy-art e ia tocar no Chewbacca.

– Não faça isso — Yeva gritou da porta do quarto.

– Achei que você gostava de Star Trek — ele falou a olhando.

– E gosto, mas esse Chewbacca é tão precioso quanto meu Spock, Yara ficaria furiosa se você o quebrasse.

– E como — falei me levantando — Vou ver se o trabalho dessa noite ainda está de pé, as vezes eles desmarcam sem me avisar. Você vai comigo? — perguntei para Yeva.

– Vou sim.

Fui para meu quarto telefonei para o dono do bar onde eu trabalhava, ele confirmou o show da noite, quando saí e virei para cozinha encontrei Lúcio intimidando Yeva em um canto da cozinha, ninguém os percebera. Os dois tinham tido um romancezinho quando crianças, ele não era nosso primo biológico, fora filho do primeiro casamento do nosso tio.

– Algum problema que eu possa ajudá-lo, Lúcio? — perguntei me colocando entre ele e minha irmã que me olhou aliviada.

– Não, está tudo bem. — ele fitou Yeva e se afastou.

– Obrigada — ela falou me abraçando.

– Não foi nada — eu a abracei — Ele ficou meio louco, você não acha? — ela confirmou.

O dia foi passando e vez e outra minha tia se desentendia com Yeva que já estava ficando de saco cheio. Para o almoço pedimos comida, eu e minha irmã estávamos desanimadas. Minha tia comentou mais algumas vezes sobre nosso pai o que aborrecia a mim e minha irmã que a respondia com grosseria. Prepararam para ir ao show, minha prima colocou um vestido e uma bolsa pequena de ombro, minha tia estava de social como se fosse a uma entrevista de emprego, meu tio usava jeans, meu primo estava com uma camisa larga.

– Eu vou com vocês — ele falou se sentando ao balcão enquanto eu separava algo para comer durante os intervalos do show.

– E por que você vai conosco? — perguntei, ele me jogou um pacote de bolacha.

– Porque eu não quero ir ao show de uma babaca mimado.

– Ele não é um babaca mimado — Yeva surgiu de trás dele e me olhou — Tudo pronto? — confirmei — Certo, tia, nós estaremos de volta em torno da uma da madrugada, então só poderão entrar aqui depois desse horário.

– Nem um minuto mais cedo? — Silvia reclamou — O show deve acabar as onze, passaremos duas horas fazendo o quê?

– Não sei, tem pizarias, bares, restaurantes aqui por perto, acho que podem ficar matando hora.

Saíram reclamando. Eu, minha irmã e Lúcio saímos, pegamos o ônibus, olhei meu celular antes de ir fazer a passagem de som, enquanto Yeva ajudava os outros músicos, Lúcio a seguia para cima e para baixo, eu fiquei preocupada com ele tão próximo da minha irmã, mas como todos ali nos conheciam e gostavam de nós, então imaginei que ficaria tudo bem.

Fiz a maquiagem para combinar com aquela noite. Vlad tinha me mandado uma mensagem dizendo que estaria ali por perto e talvez passasse por lá e disse estar surpreso por eu não ir ao show do Richard.

Lúcio pegou uma mesa distante do palco, mas de onde eu estava eu via um roxo em seu olho e tentei imaginar de onde aquilo tinha vindo, pensei na Yeva, mas ela não era violenta a esse ponto, então imaginei alguém da banda ou do bar, mas nada disso parecia fazer sentido porque não ouvi nenhuma confusão.

Comecei a tocar, Yeva ajudava com o áudio e entregava água ou bebidas alcoólicas aos músicos, eu apenas bebia minha água.

– Aconteceu algo? — perguntei.

Ela me mostrou a marca no braço.

– Foi aquele idiota?

– Foi, mas acho que ele entendeu o recado de não me tocar.

– Foi você? — perguntei terminando uma garrafinha.

– Foi. — ela deu de ombros e sorriu.

Depois do show eu e Yeva seguimos juntas para casa e compramos algo para comermos chegando em casa, em frente ao prédio o trio com cara de sono já nos aguardava, minha tia armou um escândalo ao ver o filho roxo e disse que aquele era um lugar muito perigoso enquanto eu e Yeva nos deliciávamos com a pizza e arrumávamos a sala para que pudéssem dormir.

– Tranque a porta do seu quarto — falei para minha irmã que me olhou — não confio nele.

– Concordo, ele está estranho.

– Ainda bem que amanhã ele já vão embora.

– E a mãe delas, uma comédia, não ligava para a família e ficava com aquele vagabundo para cima e para baixo — ouvimos minha tia falando com o marido que ria e concordava — Aquelasinha era a ovelha negra, não fazia nada — minha mãe era música e como hobby escrevia, temos alguns exemplares dos livros dela e em parte ela foi a influência de minha irmã — Essas duas estão seguindo o caminho dos pais.

– E vamos continuar e inclusive estou pensando em te expulsar dessa casa assim como minha mãe teve o prazer de fazer — falei.

Ela se calou, pensou que não escutávamos sobre sua fofoca com o marido.

Minha prima contava que o show fora bom, mas Richard teve que se retirar mais cedo por problemas e as vezes parecia que ele estava cantando com playback, Yeva pareceu se preocupar com o que ouvia e para ela era estranho nunca se importou com isso mesmo com os artistas de quem gostava. Costumava dizer que playback era a forma mais preguiçosa para se conseguir dinheiro, já que você trabalhava sem trabalhar. Mas agora ela ouvia e checava o celular, observei que mandou uma mensagem que logo fora respondida, mas todos estávamos tão cansados que logo fomos dormir, eu e Yeva trancamos as portas dos quartos.

Desmaiei de tão cansada.

Notas finais
Estão gostando? Espero que sim =D