Notas iniciais
– Ótimo você chegou mais cedo — ele sorriu para mim, eu não entendia — Já falei com a Carla e ela te liberou, então hoje, você será minha.
Richard me abraçou pelos ombros e sorriu. Ele saía me puxando, um carro encostou de fora, fui empurrada para o carro ainda sem entender o que acontecia.
– Já sabe — o astro falou batendo no ombro do motorista que acenou.
– Você sabe que sequestro é crime, não é?
– Sei sim, por isso que isso não é sequestro — ele sorriu — Lembra o convite que eu te fiz? — eu o olhei tentando me lembrar, mas nada me passou a mente. Ele sorriu malicioso e apontou para o neon do lugar onde parávamos.
– Motel!? — eu o olhei e senti minhas bochechas corando — Além de ser sequestrada serei estuprada?
– Muitas garotas desejariam passar por isso, então não reclame de sua sorte.
– Ei! Ei! Ei!? — olhei por dentro, ele foi até o que me pareceu ser uma recepção, eu o segui encabulada, ele não soltava minha mão.
– Ahm... — ele começou uma atuação digna de Oscar que faria Di Caprio esperar mais algum tempo para ter seu prêmio — Eu e minha namorada — ele apertou minha mão o olhei, ele fingiu até ficar vermelho, mordi o lábio constrangida com a situação — estamos fazendo isso pela primeira vez e... e...
– Ah... claro — a atendente nos olhou, seus óculos meia-lua estava torto e na pontinha do nariz de batata que era amassado pelo apoio — Aqui está, segundo andar.
– Obr... Obrigado.
Ele saiu me puxando, eu o seguia tropeçando em meus pés e vez em outra nos dele, subimos um lance de escada, um corredor comprido, um casal saia do quarto rindo, apertei a mão de Richard em um gesto involuntário que o fez soltar um risinho na minha direção. Paramos de fora de um quarto, ele enfiou o cartão magnético, a luz ficou verde, ele abriu a porta e a segurou averta para eu entrar. Entrei com passos tão curtos que quando achei estar dentro fui empurrada pelo corpo do astro que me colocou ainda mais para dentro.
– Ah... esse o teto não abre, mas enfim, divirta-se. — ele se jogou na cama em forma de coração, pétalas de rosa voaram, observei pétalas espalhadas em todos os lugares — E ai, vai ficar parada?
– Eu nã... Eu não sei o que fazer.
– Eu sei, são muitas emoções por estar ao meu lado em um lugar desses... As outras eram mais saidinhas, mas tudo bem eu te guio e... — taquei minha mochila nele que gritou ao ser atingido.
– Cale a boca. — eu me aproximei da cama e olhei em volta, um banheiro ao fundo, a cama de coração começou a se mexer e observei o espelho no teto, eu via o topo da cabeça de Richard que girava junto a cama — Droga! — ele me olhou curioso — Achei que teria luzes piscando — ele riu.
Deu-me as costas novamente, observei o que ele fazia, algumas luzes ao redor da cama se acenderam, ele me olhou com satisfação no rosto, enquanto girava esticou a mão e quando passou pela cabeceira pegou um cardápio, bateu ao lado dele, me aproximei, ele desligou a rotação da cama.
– O que vai querer? — ele me olhou.
– Não sei, o que você indica?
– Acho que um vinho, o que me diz? — confirmei — Uma porção de provolone e... — ele passou o dedo pelo cardápio e o esticou para mim — Escolha algo.
– Não sei, achei que seria algo mais... Aqui. — apontei.
– Salmão ao molho? — ele me olhou e riu — Certo, algo mais?
– Beirute, amo beirute. — ele riu — Acho que eu não consigo comer tudo, não é?
– Não duvido de mais nada. — ele pegou um telefone e fez o pedido, para ele pediu a mesma coisa.
– Estou com fome — ele riu, era um rapaz simpático apesar de tudo, mas estar ali com ele ainda era constrangedor — Ah! Eu irei te ajudar a pagar isso e...
– Ei, esse passeio é meu, não vou gostar se você pagá-lo. Sério, não precisa.
A comida chegou, a colocamos na cama e começamos a comer, devoramos tudo, o vinho ficou de lado por um tempo e aos poucos tomávamos, eu nunca fui resistente ao álcool e não iria abusar ali, parei de tomar depois da segunda taça, enquanto ele ainda se deliciava. Richard foi até o banheiro e conferiu algo, me chamou, fui com ele, uma banheira grande, na água pétalas de três cores flutuavam. O astro ligou a hidro e o aquecedor, olhou para algumas velas, me olhou, eu não entendia o que ele queria dizer com aquele olhar.
Ele voltou para o quarto.
– Pedi algo para você, acharam estranho, mas falei que era um fetiche — ele deu de ombros — Eles trouxeram, fiquei surpreso. — ele me esticou algo — Eu não faço ideia de qual seja seu tamanho, então espero que sirva.
– Não o vi pedindo algo diferente.
– Quando fiz a reserva — ele riu — Por isso ela já sabia qual quarto era o meu... o nosso.
Olhei o que era e vi uma maiô, eu o encarei, ele deu de ombros e foi par ao banheiro, ele queria que eu vestisse aquilo. Eu não o fiz, ele voltou só de sunga, encarei-o constrangida, meu rosto pegava fogo.
– Por que não o vestiu? Acendi até as velas, vai seja rápida.
– Não vou entrar naquela coisa com você.
– Eu não disse que iria — ele deu de ombros — mas o convite está de pé caso queira.
Ele voltou para o banheiro, eu sentia o cheiro das velas acesas, peguei uma toalha pendurada no encosto de um sofá que ficava a um canto do quarto, enrolei em volta do meu corpo depois de me trocar, caminhei até o banheiro, respirei antes de entrar, assim que entrei o encontrei deitado na banheira com os olhos fechados e a cabeça apoiada em um travesseiro. Não sei se fiz barulho ou algo do gênero, mas Richard abriu um olho e sorriu de leve afastou o corpo para o canto.
– Não se preocupe — ele falou calmo — Não vou tentar nada, prometo.
Tirei a toalha e entrei na banheira.
– Você sabe que eu não queria tomar banho com você, não é?
– Eu... eu O QUÊ? — eu o olhei. Poderia realmente ser verdade, ele não fez o convite, nunca disse "Venha se banhar comigo, eu te ajudo a lavar as costas" ou "Yeva, seria um prazer dividir a banheiro com você". — Você é um idiota, sabia?
– É, acho que sei sim. — ele riu — Mas que fique claro, você é a pervertida que venho dividir a banheira comigo.
Entrei na água estava quente, as pétalas grudavam na pele me irritando. Richard aumentou a força da hidro, mergulhou parte do rosto e me olhou, encolhi-me constrangida, suas bochechas incharam, o olhei curiosa, ele sorriu levemente. O astro levantou o rosto e quando menos esperei fui atingida por um esguicho, eu o olhei, eu ainda estava com os óculos ficaram molhados, os tirei e deixei na pia, enchi minha boca com água e joguei nele que me olhou espantado com o pouco que eu o via, começou a apertar uma mão na outra e pequenos esguichos me atingiam, empurrei a palma e espirrei água nele, ficamos nesse jogo durante muito tempo até nos cansarmos, ficamos deitados rindo, nossos cabelos estavam molhados, deitei minha cabeça para trás.
– Isso é bom — falei.
– U-hum. — ele se arrumou, senti seus pés tocarem meu cotovelo — É divertido vir e ficar assim.
– Já fez isso quantas vezes?
– Essa é a primeira. — eu o olhei — Eu falei que já tinha feito isso para ter companhia, sempre quis fazê-lo.
– Mentiroso — eu o cutuquei com meu pé em suas costelas. Mais risos. — Está se divertindo?
– Muito.
Ficamos em silêncio por algum tempo. Ele se levantou, a água mexeu me obrigando a abrir os olhos. Ele me olhava com o cabelo escorrido pelo rosto, tínhamos dormido ali. Enrolou-se em uma toalha pegou a roupa sobre a pia e foi para o quarto, continuei deitada, mas logo me cansei, peguei a toalha e me enrolei, peguei meus óculos e os coloquei.
– Estou te levando suas roupas.
– Obrigada.
Ele entrou no banheiro e me encontrou de pé secando meu cabelo, percebi suas bochechas recebendo uma coloração rosada, eu ri. Richard colocou a roupa na pia e voltou para o quarto, me troquei e fui par ao quarto, o astro estava ao celular, peguei o meu e vi a mensagem da minha irmã a respondi e fui até meu acompanhante.
– Conseguiram um professor para me dar novas aulas de canto — ele sorriu — Com isso não poderei ir a ONG.
– Então, suas aulas vão começar, fico feliz em ouvir isso. Prometo que quando for dar o seu primeiro show de verdade irei assisti-lo.
– Eu não quero...
– O quê?
– Não quero parar de te ver, quero dizer, você foi quem mais e ajudou, não quero largá-la assim.
– Ei — eu cutuquei sua cabeça — não se preocupe comigo, eu ficarei bem, sempre fico.
– Posso fazer algo? — eu não entendi o que ele queria dizer, Richard se aproximou de mim, levou a mão até meu rosto, tirou meu cabelo molhado da frente.
Eu olhei para cima, ele é mais alto do que eu. Estava corado como no banheiro. Seu rosto se aproximou do meu, fiquei na ponta dos pés o que o fez rir e o mesmo para mim, com a mão livre ele retirou meus óculos e então me beijou, abracei seu pescoço. Ele se afastou um pouco.
– Eu estava esperando um tapa — eu o olhei e dei de ombros, deu um leve tapinha em seu rosto e o beijei novamente.
– Desculpe decepcioná-lo.
– Sexta-feira terei um jantar a negócios, posso levar acompanhante, aceita o convite?
– Sexta? — ele confirmou — Aceito.
– Ótimo. Agora, venha — ele me deitou na cama — Você tem de ver como as luzes no espelho ficam engraçadas.
Ficamos rodando quase que o resto da tarde e eu acabei caindo no sono, não sei se ele dormiu também, mas quando acordei ele usava o telefone, pedia algo para comermos.
– Desculpa se te acordei, mas fiquei com fome.
– Eu também estou — me sentei ao seu lado.
– Tomei a liberdade de pedir algo para você.
Nos entregaram um beirute e um sanduíche, comemos roubando pedaços um do outro, quando terminamos ele foi pagar enquanto eu conferia se minha irmã tinha me mandado algo. Fui até a recepção, Richard terminava de guardar a carteira, eu estava com a mochila nas costas. Fomos para o carro e o motorista me deixou na porta de casa, me despedi do astro do Rock e saí do seu carro, observei um carro parado a frente do nosso, olhei dentro sendo curiosa e pude identificar Vlad e Yara se beijando, senti uma pontada no peito, olhei para Richard acenei e subi as escadas correndo. E entrei no banho, nem ouvi quando minha irmã entrou, apenas sei que quando fui vê-la, eu ia contar sobre Richard, agora eu poderia fazê-lo, ela já dormia.
Não fiz diferente.
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