Notas iniciais
Acontecimento anterior ao do último capítulo que postei =) Yeva

Dias antes

Cheguei correndo na ONG, Paloma não estava lá e achei estranho, ela nunca faltava, queria recordar seu passado, Carla foi quem me encontrou, eu terminava de guardar minhas coisas e já me preparava para encontrar Richard que ainda não tinha saído do quarto.

– Os pais resolveram que ela vai criar um futuro e para isso não necessita do passado, mas disseram que ela deve vir aqui falar com você, só não disseram quando.

– Certo.

– Vá ao seu trabalho, ele está evoluindo bastante.

Sorri e me afastei, passei na cozinha e peguei o almoço do astro, subi as escadas, bati na porta já preparada para destrancá-la, mas fui surpreendida com Richard abrindo a porta e sorrindo para mim, sorri desajeitada e entrei, ele fechou a porta atrás de mim.

– Você pode sair da ONG? — perguntei, ele me olhou desconfiado.- Só me responde, sim ou não.

– Não.

– Ótimo, então sairá comigo hoje — falei rindo, ele parecia não entender — É uma surpresa para você, agora coma.

Ele se sentou na cama, tomou a bandeja da minha mão e começou a comer, eu fiquei em silêncio, era assim que passávamos o dia, ele comendo e eu assistindo. Ele terminou e deixou de lado, peguei e ia sair, era assim que estava sendo, desde que conversamos sobre os acidentes pelos quais passamos nunca mais tivemos alguma conversa.

– Volto com sua janta — falei saindo.

– Não, espere. — ele se levantou como que levando um susto. — Feche a porta — eu o fiz — Quero... — ele torceu a cabeça — Quero sua companhia, quero dizer, eu não gosto daqueles caras que costumam vir aqui para ver se tenho algum problema.

– Certo. — coloquei a bandeja de lado — E o que você quer?

– Não sei, conversar talvez — dei de ombro e me sentei na cadeira que fica ao canto — Tipo, ahm... — ele fez um olhar pensativo — você gosta de chocolate?

Eu devo ter feito uma careta porque ele ficou constrangido.

– Gosto — falei e balancei a cabeça — Acho que vou ter que te levar para sair mais cedo — falei e olhei o horário no celular — Posso ver no seu armário a melhor roupa para você?

Ele apontou para as gavetas, era o único armário que tinham ali. Olhei primeiro par ao rosto dele, estava de barba, nem sabia que ele tinha barba, as fotos artísticas fazia parecer que ele não tinha nem mesmo um fio.

– Faça a barba, sabe, cavanhaque, algo assim, nunca te viram de barba então duvido que na rua o reconheçam. — ele foi par ao banheiro, olhei as roupas nada muito extravagante, não era o que eu esperava encontrar, peguei um jeans, uma camisa azul clara — Vista isso.

Ele encarou a roupa e me olhou.

– Isso? — ele levantou a roupa com nojo — Sério mesmo?

– Sim — falei rindo — Eu nem sabia que você tinha alguma roupa clara, ah, tenho de falar com a Carla, se arrume e eu já volto.

Saí levando a bandeja, falei com minha supervisora, ela não gostou da ideia, mas insisti que isso seria bom para ele, todos podem sair quando estão acompanhados, mas com Richard era diferente, ele era famoso e sair de um lugar como aquele seria chamar muita atenção. Subi novamente abri a porta e me deparei com um Richard diferente, os olhos claros me fitavam por trás de um cabelo longo desengonçado, eu ri.

– Qual é a graça? — ele perguntou ofendido.

– Você assim, até parece alguém normal, mas esse cabelo está horrível. Vem cá — ele se aproximou, fiquei na ponta dos pés e prendi seu cabelo com um dos meus amarradores, a parte da frente do cabelo era menor e isso fazia com que ficasse solto, mas agora estava charmoso — Bem melhor.

– Você acha? — ele olhou o reflexo no meu celular que tomou da minha mão. — Então, onde vamos?

– Apenas me siga.

Foi o que ele fez, quando desceu a escada todos que passavam pela entrada se assustaram, e me olharam surpresos, saímos do lugar, ele sentiu o sol em seus olhos, eu tinha trocado de roupa, usava o vestido com o qual tinha ido a faculdade, estiquei meus óculos de sol para o astro que encarou o aviador e então o colocou.

– De ônibus? — ele me encarou.

– Eu pago sua passagem. — falei o puxando.

Ele ficou me encarando enquanto o ônibus avançava pelas ruas, jovens entravam no transporte e duas usavam camisetas com o rosto do astro estampado, Richard virava o rosto constrangido, mas como eu disse, ele estava irreconhecível, por alguns instantes isso pareceu incomodá-lo, mas então ele ficou feliz e me contou que nem se lembrava como era andar sem ser parado por uma multidão em sua maioria feminina, era bom, mas nem mesmo respirar fora de casa ele conseguia. Descemos, ele encarou a placa do lugar e me encarou, sorri para ele e então entramos, Richard se incomodou com o lugar, pedi uma sala só para nós. Peguei a chave e aos poucos subimos a escada, ele parava querendo ir embora então o puxei pelo braço, destranquei a porta da sala que tinha apenas um vidro bem no alto, eu não conseguia enxergar o que tinha dentro da sala. Depois que meu acompanhante entrou tranquei a porta, acendi a luz.

– O que você tem na cabeça? — ele me olhou ofendido com meu abuso.

– Achei que seria uma boa ideia — coloquei a chave no meu bolso, liguei a máquina — Vou começar.

Ele me encarava, escolhi uma música, subi no palquinho e comecei a acompanhar a letra e a cantar, Richard ria da minha performance, a música acabou, eu o olhei, ele estava vermelho de tanto rir e tinha deixado de lado os óculos, sorri para ele.

– Sua vez — estiquei o microfone.

– Não, não vou cantar, você sabe que não posso.

– Nem eu posso e veja, cantei na frente de um astro do rock. — ele riu — Venha, só estamos nós dois aqui e ninguém sabe quem você é.

– Você me irrita. — ele praguejou.

– Ótimo — ele me olhou — Significa que vai se render mais rapidamente. — o puxei e empurrei para o palquinho — Alguma música especifica?

Ele negou.

Tomei a liberdade de escolher uma música e então reparei que tinha uma música que meu pai tinha composto, a escolhi, fui até o banco e assisti a cena, era engraçado, Richard conhecia todos os conceitos teóricos para se manter afinado, então, mesmo desafinando ele estava no ritmo e ficava agradável escutá-lo. Escutei-o e lembrei de meu pai cantando a música para mim e para Yara, ver Richard ali me lembrava meu pai, até o jeito marrento e a forma com que ele se movia desconfortável, meu pai preferia ficar por trás dos holofotes, acompanhava vários famosos que vinham a nossa cidade, naquele dia, em especial, ele recusara tocar no show do Richard, não sei porquê até hoje, mas eu acho que ele deveria ter aceitado, pelo menos se estivesse estaria ainda vivo e talvez minha mãe também, apertei minhas pernas que eu já tinha abraçado.

A música acabou, Richard me encarava e percebi que eu estava chorando, ele ia sair do palco.

– Não se atreva — falei quase gritando, ele se assustou — Vamos cantar juntos. — Peguei outro microfone e escolhi a música, o olhei, ele tentava entender o que eu pensava e então viu a música.

– Você não vai me fazer cantar isso.

– Vou — falei rindo — Um clássico.

– Desde quando Backstreet Boys é um clássico? — dei de ombros.

– Desde que eu disse que era — sorri para ele que revirou os olhos — Vamos, não será tão ruim e veja, ninguém aqui sabe quem você é, desencana um pouco e curte esse momento livre de fãs e paparazzis.

Começamos a cantar, eu gritava nos refrões e toda vez que eu fazia isso Richard me encarava e eu começava a rir o que fazia com que ele balançasse a cabeça desaprovando, mas não me fazia parar, eu coloquei mais duas músicas para cantarmos juntos, ele cansou e se jogou no sofá e ficou analisando a sala em que estávamos.

Quando parei, peguei o telefoninho que tinha ali e pedi algo para comermos, eu já estava com fome, pedi um suco para o astro e outro para mim, destranquei a porta para receber a comida, nos serviram saíram e fechei a porta a trancado.

– Eu observei — eu o olhei — isso aqui parece quarto de motel — eu engasguei com o pedaço de frango frito, ele me encarou, eu tossia — Você está vermelha — ele riu — Ta encabulada de estar com um super astro em um motel?

– Não sei — falei — Nunca estive em um motel, então não sei o que você quer dizer.

– Ah, não, sério? — ele riu — Caramba, preciso te levar a um — eu o encarei — Não para isso, eu já fui só para aproveitar as coisas, tipo a comida — ele apontou para a nossa porção de frango frito e batata — a banheira, as banheiras são ótimas.

– Não sei se quero fazer isso com você. — eu o olhei e voltei a comer.

– Você vai querer e vai se divertir — ele falou tomando o suco. — O que acha da próxima semana?

– Vou pensar no seu caso — ele sorriu — Vamos cantar mais?

Ele levantou.

Ficamos cantando a tarde inteira e parávamos para comer, fiquei feliz em saber que ele estava esquecendo que não podia cantar e se entregava ao karaokê como qualquer mortal faria.

– Você canta desde sempre? — perguntei, ele me olhou e riu.

– Não, aprendi a cantar, quando ainda era muito novo fui para uma escolhinha de musica e aprendi todas as técnicas. Diferente do que todos acham que minha mãe um dia descobriu que eu cantava bem.

– É o que diz nos perfis de suas fãs.

– Você prefere um astro que nasceu com o dom ou o que foi moldado?

– Depende, se moldou e funcionou e ele lutou por aquilo que gosta eu escolheria o moldado. — ele me olhou parecendo surpreso.

– E você?

– O quê?

– Observei nas vezes que ficou no meu quarto me irritando que estava sempre encarando um caderninho, escreve desde sempre?

– Escrevo, mas não tenho conseguido escrever nos últimos dias — ele me olhou esperando que eu falasse mais — Desde o primeiro dia que você saiu do quarto e estava cantando aquela música, eu fiquei mal, você deve se lembrar — ele confirmou — Então, desde aquele dia não consigo mais escrever.

– Bloqueio?

– Não sei, aconteceu a mesma coisa quando sofri o acidente e fui para a Uma Recordação, foi assim que conheci aquele lugar, mas eu acho que eu fico traumatizada e isso toma minha cabeça e eu não consigo mais escrever.

– Entendi.

Voltamos a cantar.

Quando anoiteceu deixei-o na ONG e fui para casa, cheguei, minha irmã estava desesperada arrumando as coisas.

– O que houve? — perguntei.

– Você tem celular para quê? — eu olhei a tela e vi as várias chamas e mensagens — A tia está vindo para cá.

Corri com ela e começamos a arrumar tudo.

Notas finais
Oi, desculpa a demora para postar =P Espero que estejam gostando.