Eu Quase Namorei o Ídolo da Minha Irmã
14 A Viagem
Lá estava ela, nervosa, eu percebia pela forma com que levava a mão tantas vezes ao cabelo como que para tirá-lo do rosto mesmo quando não estava. Yara terminou de montar a mala e me olhou, eu estava encostada ao batente de sua porta, sorri levemente ela retribuiu em um sorriso desesperado. Ajudei a levar as duas malas até a sala do apartamento, ela checava o celular a todo instante, tinha mandado uma mensagem ao Vlad querendo saber se ele iria se despedir deles, mas, aparentemente, ele não respondia. Preparei algo para comermos e um chocolate quente para que ela relaxasse um pouco.
Yara se sentou a bancada e me encarou.
– Ele estava dando em cima de você — ela falou, eu a olhei tentando entender — Vlad — ela falou tomando o chocolate.
– Não fale besteira — falei tomando o meu.
– Não estou falando — ela sorriu tímida — e sinceramente eu acho que vocês dois combinam muito, sabe, são muito parecidos.
– Você acha? — ela confirmou, não pude esconder um riso.
Vladimir era meu ídolo e eu finalmente pude encontrá-lo e de repente estou trabalhando com ele, é tudo tão inesperado que ela falar que ele estava dando em cima de mim me deixou até que feliz, mas ainda que ele fosse lindo e encantador, eu realmente gosto do Richard, mesmo com seu jeito estrelinha carente, mas descontraído, é dele que eu gosto e da forma com que me sinto com ele duvido que vá mudar.
– Yeva... — olhei minha gêmea — Prometa que você não irá magoar o Richard — ela sorriu — Ele é um cara muito legal e gosta muito de você.
– Não se preocupe — sorri para ela — Eu também gosto muito dele.
Ela sorriu satisfeita, nossos celulares vibraram.
– Ele está chegando — falei — Já vamos descer?
Ela confirmou com um aceno.
Pegamos as malas e quase caindo descemos as escadas, ficamos na calçada, dois carros encostaram o primeiro reconheci como o de Richard, mas o segundo eu não conseguia ver de quem era.
– Vladimir veio?! — minha irmã parecia surpresa — Pensei que ele fosse ficar em casa, ele não respondeu nenhuma de minhas mensagens.
– Vá com ele — falei sorrindo — Será bom passarem esses últimos minutos juntos. Ela confirmou tímida.
Vladimir desceu do carro, minha irmã arrastava as duas malas até o carro dele, ele pegou as duas e colocou no porta-malas, me olhou e sorriu simpático, apenas acenei desajeitada para ele, Richard saia do carro, me olhou curioso, sorri para ele e corri até seu carro, acenei para minha irmã e bati a porta. Richard parecia cansado, não como nas horas anteriores, mas como se tivesse acabado de fazer um show ou algo parecido.
– Agradeço que tenha vindo comigo e não com o Vlad — ele falou, eu o olhei confusa — Eu achei que ele tivesse conseguido...
– Conseguido? — olhei para a rua e depois para ele.
– Te conquistar, sabe, ele é um conquistador — ele deitou em meu ombro me constrangendo — Você seria só mais uma das minhas que ele conseguiu capturar.
– Mais uma? — ele me olhou, tinha olhos de cão abandonado, não consegui resistir a lhe da rum abraço que pareceu assustá-lo, mas logo ele me envolveu nos braços fortes o que me fez usar seu peito de apoio. — Não fale besteiras. — ele me olhou — Eu não vou cair nas armadilhas dele, não se preocupe.
– Irei me preocupar. Vamos ficar muito tempo longe um do outro, sei que você terá algo com ele, será inevitável.
– O que você quer dizer com isso? — eu o olhei confusa.
– Ele é seu ídolo, isso já dá pontos extras a ele, agora vocês passarão dois anos juntos trabalhando sempre um com o outro até mesmo depois que eu voltar, então se você me largar para ficar com ele não será uma surpresa.
Ele ganhou um soquinho no ombro.
Já estavamos no aeroporto, Richard pegou suas malas, Vladimir ajudou minha irmã com as dela, se juntaram a nós e aos empresários de Richard que estavam em um terceiro carro que chegara anterior aos nossos. Caminhamos até a parte do check-in, despacharam as malas e fomos para uma lanchonete, um silêncio sombrio tomou conta de nós.
– Ahm... Yeva — olhei Vladimir — Você precisará de carona para voltar para casa? — confirmei, Richard e Yara nos observavam — Se quiser posso levá-la.
– Irei aceitar sua carona, obrigada. — ele arrumou os óculos que não estavam fora do lugar.
Richard explicava para minha irmã como era a casa para onde iam e como ela era afastada de tudo e que mesmo assim ela não deveria se preocupar porque tinham internet, então mesmo isolada ela ainda teria contato com o mundo. A preocupação de Richard quanto a eu me envolver com Vladimir não foi diferente da minha quanto a minha irmã e eles e devo dizer que a minha preocupação era ainda maior, porque eles ficariam sozinhos em uma casa no meio do nada, logo ficariam carentes e como matariam essa carência? Duvido que Richard tenha uma boneca inflável ou algo parecido, era óbvio que os dois se sentiriam atraídos e minha irmã é uma pessoa apaixonante, ela é inteligente, gosta das coisas que o astro gosta, ela ainda entende perfeitamente sobre música, foram feitos um para o outro sem contestações.
Sem perceber bufei.
– Algo errado? — Yara me perguntou a olhei sentindo minhas bochechas vermelhas.
– Nad... Nada. — falei virando o rosto constrangida, ela riu.
– Sei... — ela falou com seu tom desafiador.
Provavelmente ela teria me questionado ainda mais se os empresários não tivessem nos interrompido e falado do horário do embarque, Yara ficou pálida como se tivesse levado um tiro. Ela me olhou, sorri acolhedora ou era o que deveria ter sido meu sorriso, nos levantamos, pagamos a conta e fomos até a fila para a sala de embarque, Vladimir e Yara conversavam em um canto e ela não parecia gostar do assunto, Richard entrelaçou nossos dedos, ficou para do a minha frente, eu o olhava com meu nariz quase tocando seu queixo.
– Desculpe por deixá-la dessa forma — ele falou com tom galanteador como se estivéssemos em um filme — Eu realmente queria ter passado mais tempo com você, mas sei que depois disso tudo nada será como é agora — onde ele aprendeu esse texto?
– O que você quer dizer com isso? — perguntei um pouco constrangida.
– Que teríamos dado certo — ele sorriu — Mas não posso te prometer nada sobre esse período que estaremos afastados e eu não quero machucá-la, então acho que seria melhor se...
– Eu já entendi, não precisava ter usado um texto tirado de um filme romântico isso é tão piegas que eu quase me enjoei.
– Quanta sensibilidade — ele falou rindo.
– Pois é. — sorri — Mas se você prefere que seja dessa forma — eu o beijei — Até a volta.
– Até.
Ele se despediu de Vladimir, minha irmã me abraçou fortemente, ela parecia prestes a chorar, eu queria saber por quê, mas ela não parecia disposta a me contar o porque que queria chorar, liguei ao que Vladimir deve ter dito a ela, se aquele cara foi capaz de fazer minha irmã chorar ele merecia um tapa na cara, ninguém faz Yara chorar a não ser os shows do Richard, eu ri sozinha enquanto os dois entravam na sala de embarque, Vladimir e eu ainda ficamos parados por alguns minutos até percebermos que ficar ali não adiantaria nada.
– Vamos? — ele perguntou com as mãos no bolso, ele era encantador, droga, por que ele era tão encantador? Respirei fundo para não cair nas pegadinhas de fã.
– Vamos — sorri para ele e fui guiada até o carro.
Sentei ao seu lado, ele ligou e então partimos, a noite estava esfriando, o céu encoberto, imaginei se minha irmã já estaria no avião e se ela estaria assustada, das vezes que viajamos de avião ela tentava dormir com medo da altura, não que eu fizesse diferente, sempre fui medrosa com relação a aviões, mas será que Yara tentaria ser forte perto de Richard? Acho que agora estou com ciúme dela indo com ele e por alguns segundos achei que foi uma péssima ideia de lançá-la junto do astro do Rock para uma casa isolada do mundo, inspirei.
– Algo errado? — Vladimir perguntou enquanto parava o carro semáforo.
– Não... — abracei as pernas sobre o banco — Só que em pensar na minha irmã com o Richard eu fico um pouco enciumada, você me entende, não é? — ele negou — Quer dizer que você não sente nada em saber que a Yara ficará sozinha com o Richard em um lugar afastado?
– Nadica de nada — ele falou e me olhou rapidamente e depois se voltou para a via — Sabe, sua irmã é atraente — eu o olhei — bonita e muito divertida, mas não sei se eu e ela teriamos dado certo.
– Ela gosta de você. — falei seca.
– Eu sei que gosta — mesmo desvalorizando os sentimentos da minha irmã, ele ainda era encantador — E isso é o que mais me machuca saber que eu não posso retribuir os sentimentos dela.
– Você a beijou — eu falei com a voz esganiçada — Vladimir, você a beijou. — ele me olhou quando falei seu nome, era como se ninguém o chamasse pelo nome inteiro e reparei que realmente, ninguém o chamava de Vladimir.
– Eu sei que a beijei, naquele momento me pareceu ser a coisa certa a se fazer — ele encostou o carro, estávamos de fora do meu prédio — Eu realmente achava que gostava dela quando a beijei, mas então... — ele me olhou — Então eu te conheci e foi como receber um tiro no peito, você entende — neguei — Como se você fosse a pessoa mais encantadora do mundo.
– Ahm... Eu acho que já está tarde e você está começando a delirar, boa-noite, Vladimir.
Saí do carro, bati a porta e só escutei a partida do carro depois que eu já estava subindo as escadas. Ele é louco, como pode dizer aquelas coisas quando passou tanto tempo com minha irmã e apenas me conheceu a menos de um dia atrás. Era óbvio que ele interpretava uma de suas personagens, ou a maioria dos rapazes galanteadores que ele havia criado, mas alguém tinha de avisá-lo que aquilo só é encantador em uma história fictícia e não na vida, isso não funciona, não comigo pelo menos.
Tomei um banho, coloquei meu pijama e me joguei na cama, no dia seguinte eu teria faculdade ia precisar estar bem descansada, mas ficar sozinha naquele apartamento era solitário, sentia falta do barulho da minha irmã antes de irmos dormir. Fechei os olhos e adormeci.
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