Eu Provocarei Você Feito Um Furacão
6 Long Beach with Valary
Notas iniciais
Vou agredecer primeiramente os reviews do capítulo 5 me fizeram rir muito. Fala Sério todo mundo amou as minhas meias né??? ahahha
Bom agora vamos ao que interessa, falar sobre o capítulo 6.
Na verdade ele não estava no meu planejamento de história, mããs... como eu escrevo primeiro no caderno, e depois passo pro PC, acabo sempre mudando uma coisinha ou outra. E dessa vez foi diferente, eu fui colocando umas coisinhas antes de acontecer o capítulo 7 (que aliás, vai estar muito bom), e dai saiu o capítulo 6 inteiro...heheh Ele é mais um Extra eu acho... porém acho que é bem importante. Se não for é pelo menos engraçado. (considerando que meu senso de humor é péssimo)....
Mas enfim gente é isso... acho que vão gostar.. ^^
Beijos
[Algumas semanas mais tarde]¨
Valary tinha me convidado pra ir à Long Beach pra comprar umas coisas e ver uns vestidos de casamento para uma amiga. Eu estava animada, quero dizer não tanto, era Valary Sanders né. Eu não sei por que ela achava que eu seria uma boa companhia para esse tipo de coisa, eu me vestia praticamente como um garoto, e tinha hábitos pouco femininos, não via motivo pra ela ter me chamado pra ir escolher roupas pra esse tipo de ocasião. Mas eu já estava um pouco cansada de Huntington Beach, apesar de ser a cidade dos meus sonhos, então acabei aceitando o convite, me certificando que o que ela queria era mesmo só a companhia.
Acordei naquela manhã com os raios de sol batendo no meu rosto. Tinha esquecido as cortinas abertas. Mas fiquei feliz, hoje começava oficialmente a Primavera.
Abri primeiro um olho só. Depois que aquele tinha acostumado com a claridade, abri o outro. Sentei-me na cama e me espreguicei. Olhei pro meu quarto, estava uma zona. Eu não tivera tempo nem de me coçar nas ultimas semanas, era a faculdade e os trabalhos, as aulas com o Syn que estavam sendo bem puxadas(e agora ele tinha aumentado para duas vezes por semana), nos finais de semana quando não saía com o Andrey, sempre arranjava alguma coisa pra fazer com algum amigo, colega, e enfim. Tinha saído algumas vezes com a Leana e Jhessy, estava muito próxima delas. Com tudo isso, não sobrara tempo de terminar de decorar meu quarto, muito menos organizá-lo.
Levantei de súbito, por que me conhecia bem, se eu ficasse me enrolando na cama não levantava nunca mais. Já me vesti, separei as roupas que iriam pra lavanderia, fiz uma trouxa com os lençóis e joguei-os no corredor...
Levei boa parte da manhã pra colocar aquela porcaria de quarto, que estava quase todo branco ainda, em ordem. Feito isso, pedi o carro da Jhess emprestado e fui à lavanderia.
Estava dirigindo quando meu telefone tocou. Era o Syn.
- Alô – atendi.
- Bom dia Fer! – desejou ele.
- Oi, bom dia Syn!
- Então, eu sei que você vai ficar de cara, mas na verdade eu não consegui te avisar antes, mas a gente vai ter que desmarcar a aula de hoje. – ele falou em tom de desculpas.
- Syn, que bom que ligou e tocou nesse assunto – Eu ri. – Eu também ia esquecer de te falar, a Val me chamou pra ir pra Long Beach e eu ia me esquecer de te falar. – contei.
- Então estamos quites. – Ele deu uma risadinha. – E então, como você está hoje?
- Estou bem e você?
- Melhor agora. – ele imitou uma voz sedutora.
- Syn pare com isso. – eu ri.
- Mas é serio, você tem a voz bonita, é bom ouvi-la de manhã. – gente eu odiava essas conversas e cantadas mal feitas. Não era nada Synyster Gates aquilo.
- Syn qual é o seu problema? – perguntei.
- Você. Meu problema é que não consigo parar de pensar em você. – ele disse, mas eu senti a voz dele falhar numa tentativa de não rir e eu porém, não agüentei.
- Cara, que porra é essa? – falei rindo.
- To zoando Fer, mas me conta aí, que você ta fazendo? – perguntou ele ainda rindo.
- To indo pra lavanderia levar umas roupas, depois vou voltar pra casa e me arrumar pra ir a Long Beach. – contei. – E você?
- Nada, to na sacada olhando o mar...
- Ah sério? – perguntei. Eu ainda não tinha conhecido a praia dos Estados Unidos. – Olhe que orgulho, Synyster Gates estava no seu momento, olhando o mar e lembrou-se de mim. – falei gargalhando.
- Depois eu que sou malicioso... – falou com a voz ressentida.
- Ó coitadinho do Syn, as pessoas chamam de maliciosa essa criança tão inocente... – debochei. Nós rimos.
- Bom então... Eu só liguei pra te avisar da aula. Eu ia conversar mais contigo, mas você está dirigindo então depois conversamos mais. – falou ele.
- Vai me ligar depois então? – perguntei sorrindo. Mas logo me arrependi, eu sabia que não podia dar abertura pra ele, por que sempre levava a sério demais as brincadeiras.
- Se você quiser, eu ligo mesmo. Sempre que quiser...
- Syn, eu estava brincando Ok? Não precisa ligar. – falei. Não estava afim de arranjar mais problemas com a Michelle.
- Agora que eu ligo. – se ele não contrariasse não era o Syn que eu conhecera.
- Beijos. – felei cortando.
- Beijos, até mais tarde, boa viagem. – desejou ele. Eu gostava, apesar de tudo, que ele era bem atencioso.
- Obrigada Syn. – Agradeci sorrindo.
- Tchau.
- Tchau. – Desliguei.
Quando eu terminei de falar com ele, eu já tinha chegado na lavanderia fazia algum tempo. Então desci, peguei as roupas e levei para as garotas tomarem conta.
Voltei observando a paisagem da cidade praiana. Fiquei comparando com as do Brasil. A diferença de limpeza e organização, a conservação das construções, tudo ali era melhor (menos a comida). Eu vivia feliz naquele lugar, parecia que ali, bem longe dos meus costumes, da minha família, eu finalmente tinha encontrado o meu lugar. Queria firmar minhas raízes naquele país, sei lá, arranjar um bom emprego, namorar, ter minha família, talvez com o Andrey, ou com outro cara, quem sabe com... Matt? Sorri pensando nisso. Mas era ridículo, eu tentava me convencer que era impossível, mas eu não conseguia evitar minha paixão por ele. Val tinha se tornado minha amiga de certa forma, e seria a maior sacanagem acabar com o relacionamento deles. E Matt, eu amava ele, e se era feliz com ela, eu não poderia querer separá-los. Porém, se ela o fizesse sofrer, pisasse na bola e eu ficasse sabendo, não ia deixar barato.
Cheguei me arrumei com uma roupa mais delicada, com uma calça jeans escura, uma blusa branca desenhada e sapatilhas. Me sentiria estranha numa loja de vestidos brancos, vestida toda de preto.
Fui pra casa da Val.
- Oi Matt! – Falei quando ele abriu a porta. Ele estava só de calça jeans.”Ó Meu Bom Deus, não me faça isso, vou ter um infarto “.Milagre, tinha colocado a calça social pra lavar. Tá, ele devia ter mais que uma, mas eu não me conformava que a Val deixava ele se vestir daquele jeito. – Tudo bom? – eu sorri.
- Tudo e você? – disse me dando o costumeiro beijo de bochechas.
- Bem também. Vai à Long Beach com a gente? – perguntei feliz, quando cogitei a possibilidade.
- Ah, não vai dar Fer. Hoje tem ensaio. Sabe a gente ta de férias, mas não dá pra ficar tanto tempo parado. Logo, logo já começam os shows aqui na Califórnia, temos que estar em forma. – ele riu me conduzindo do Hall para a sala.
- Entendo, que pena... Quero dizer, que bom que vocês não vão deixar os fãs na seca todo esse tempo né? – falei sorrindo. – Pelo menos os residentes dos Estados Unidos. – dei de ombros.
- Pra você esses que importam não é? Já que mora aqui. – Val chegou na sala. Nós rimos. – Ah desculpe, bom dia. – ela me deu uma bochechada também.
- Que isso Val, eu quero novo álbum. – disse eu olhando significativamente pro Matt.
Ele ia responder mas foi interrompido pela campainha. Zacky e Arin haviam chegado. Eles entraram rindo de alguma piada que fizeram com o Matt, e vieram nos cumprimentar.
Estava perto da hora do almoço, então Zac perguntou esfregando a barriga: — O que tem de bom pra comer?
- Arin, se cuide quando se mudar pra cá.. – falei. – Eu imagino que pela sua magreza, você não deve gastar muito com despesa de mercado, então, se o Zacky aparecer na sua casa vai acabar com a sua despensa, daí como você não tem energia estocada... Já viu né. – Nós rimos.
- Por que você acha que ele está passando uns tempos lá em casa? – o Zacky perguntou. – Pagamento antecipado. – disse rindo.
Ouvimos uma buzina, eu deduzi que fosse Johnny. Ele chegou fazendo barulho já descarregando seus equipamentos.
- Tá animado hoje hein? – Val falou ajudando-o com eles. – Ainda bem que vou passar o dia fora. – provocou ela.
- Por que essas piadinhas sempre são feitas comigo? – perguntou ele fingindo ficar emburrado.
- Por que você é sempre o mais empolgado, mesmo sendo o mais inútil de todos. – Matt desdenhou.
- Credo Matt! – falei séria indo abraçar o Joh. Sério, eu tinha pena dele. Era o menor (era menor até que eu), e tocava o instrumento que menos se destacava, por isso era alvo de chacota. – Inútil é você... Vive com probleminhas nos fios de seda vocais. – Eles riram. Matt veio e pegou o Johnny no colo e o jogou no puff de couro.
- Ele sabe que eu amo ele. Né seu pigmeu, alpinista de formigueiro? – eu ri. Ele veio e pegou meu rosto com as duas mãos.
- E você, sua pirralhinha protetora dos insetos – ele fechou a cara. Mas eu não conseguia parar de rir, ele estava com o rosto tão perto do meu... – quero ver quem vai ter fios de seda vocais quando eu fizer você gritar. – Eu não agüentei e comecei a gargalhar.
- Como você quer que eu interprete isso? – perguntei fingindo medo. Ele respirou fundo, deu um sorriso malicioso que só eu vi, porque os outros estavam ocupados olhando pra cara da Val.
- Não era pra você entender por esse lado. – ele olhou pra esposa que estava me encarando séria.
- Sério Val... A culpa não foi minha, olha só que ele diz... – falei ainda rindo, mas com as bochechas super vermelhas.
- Eu não falei nada demais, você que tem muita malicia nessa sua cabecinha. – ele disse indo abraçar Val que acabou rindo sem ter o que fazer. Era claro que não tinha feito na maldade, por que do contrário ele não teria feito na frente dela. Mas o olhar malicioso dele ascendeu uma chama lá no fundo, e eu sorri pra mim mesma.
Val terminou de pegar as mil coisas e colocar dentro do Dodge prata. Era a primeira vez que eu entrava no carro do Matt, mas sem o dono, uma pena. Para meu azar, o cheiro dele estava impregnado, eu ia a viagem inteira com a sensação de que ele estava ali.
Val deu a ré e saiu do estacionamento bem devagar, eu tinha quase certeza de que ela dirigia bem pouco e tinha muito medo. Não que ela fosse barbeira, mas era prudente demais, e já eu, era totalmente avoada no transito. No Brasil,os homens ficavam de cara com a maneira com que eu dirigia. Pelo menos uma coisa boa eu herdara da minha mãe. Ela era do tipo baixinha invocada, e botava muito homem no chinelo, principalmente em balizas.
Acenei pros garotos que assistiam com sorrisinhos maldosos a saída da Val. Ela acelerou e nós deixamos a rua.
Peguei o porta CDs dela no porta luvas e fiquei pasma olhando o monte de CDs de Lady Gaga, Britney Spears, Shakira, até um da Demi Lovato.
- Eu não acredito que você, modelo de uma marca de roupas de rock, esposa de um vocalista renomado, gosta de Demi Lovato. – Falei incrédula. Valary riu.
- Eu gosto. – bom pelo menos ela era autentica e não ficava inventando desculpas. – Na verdade eu prefiro rock, mas é que tem horas e enche o saco.
- Uma verdadeira roqueira nunca se cansa de ouvir rock n’ roll. – falei suspirando e olhando pra fora.
Entramos na rodovia. Até ali, com exceção da parte do CD, fomos em silencio.
Cruzamos o centro de Huntington Beach, entramos em uma parte com várias empresas, logo o cenário foi mudando até que chegamos em uma área um pouco mais verde. Eu adorava aquelas árvores pontudas que cresciam entre as montanhas de pedra e ervas daninhas, o Sol estava escaldante lá fora, eu conseguia ver até as miragens no asfalto.
- Val... Eu tava brincando, se você quiser pode colocar suas musicas, eu estou de carona. – falei com as mãos para cima.
- Não Fer, eu te convidei, quase te forcei a vir, não acho justo que fique escutando musicas que você não gosta né? — ela disse sorrindo.
- Não tem nenhum CD do Matt aqui? – perguntei abrindo novamente o porta luvas.
- Ele tirou ontem, mas talvez tenha esquecido algum dentro do aparelho. – ela apertou o botãozinho para ejetar o CD. Para minha surpresa era um disco do John Denver.
- Caraca – falei sorrindo. – Isso me lembra minha infância... Quando meu pai ainda era vivo, e ele escutava isso. – Falei recolocando o CD dentro do dispositivo e apertando “play”. Começou a tocar Country Roads. – Eu lembro que eu ficava perguntando pro meu pai como era os Estados Unidos, sempre fui aficionada por esse lugar. Sempre...
Memórias do meu tempo de criança vieram. Lembrei da minha mãe correndo que nem uma louca, me levando pra natação, depois correndo com o meu pai que estava muito doente. Lembrei de quando ele estava bem e todo o sábado nos acordava cantando Puff the Magic Dragon, e depois ia conosco até o centro e comprava presentes para nós.
Sem querer, deixei rolar uma lágrima dos meus olhos.
Val me observava com uma expressão estranha, não sabia se era surpresa, ou pena, mas era sensível o suficiente para ficar em silencio, pois sabia que era um momento meu.
Sempre me disseram que mulheres buscam em homens, algo parecido com seu pai. E naquele momento comecei a ligar os pontos. Com Val ali no meu lado, pensando em como Matt a amava, eu descobri porque ele me atraia tanto. Muitas coisas nele lembravam meu pai. O jeito de tratar a esposa, a paixão pela música, atencioso, inteligente. Até na fisionomia eles tinham algumas coisas em comum.
Meu pai tinha os olhos claros, era alto e forte. Quando sorria, dependendo da forma, apareciam covinhas, tinha o cabelo castanho, e de alguma forma lembrava Matthew. Agora eu sabia que até dos mesmos artistas ele gostavam. Comecei a cantarolar baixinho.
- Fer já te disseram que você tem a voz bonita? – Val perguntou, tentando me tirar do transe que me fazia sofrer.
Eu sorri. – Talvez. – falei limpando as lágrimas. – Mas nunca prestei atenção realmente, na minha voz.
Viajamos durante mais algum tempo então eu interrompi o silencio.
-Val, você pode parar no próximo posto de gasolina, ou qualquer lugar que tenha uma loja de conveniência? – pedi.
- Ok. – ela respondeu freando o carro, pois estávamos passando por um posto naquela hora e eu nem tinha reparado.
Desci do carro e Valary resolveu descer também. Tinham vários motoqueiros mal encarados ali, que ficaram mexendo com a gente. – E aí gatinhas, podemos dar uma volta no seu Dodge? – um deles, o mais gordo e barbudo, falou.
Eu entrei na loja e pedi um Marlboro. A garota olhou desconfiada para mim. Provavelmente achava que eu era menor de idade.
- Querida pode fazer o favor de me dar um Marlboro? – falei mais alto e em tom de deboche pra ver se ela entendia, que independente de eu ser ou não ser menor de idade, não ia fazer diferença,e eu não estava afim de ir no carro buscar minha identidade etc. e tal. A balconista me olhou séria, e pegou a carteira e me entregou. Eu paguei a ela, ascendi um cigarro no isqueiro que estava à disposição e ofereci um pra Val enquanto tragava.
- Obrigada, eu não fumo, na verdade, eu nem sabia que você fumava. – ela falou um pouco surpresa.
- Só fumo de vez em quando, normalmente quando estou estressada, ou algo meche muito forte com as minhas emoções, então só o cigarro pra me colocar no lugar de volta. – contei sorrindo. – Quanto falta pra chegarmos a Long Beach? – perguntei fazendo anéis com a fumaça.
- Talvez uma hora? – calculou dando de ombros.
- No seu pique né?- falei rindo. Ela fez uma cara confusa.
- Que quer dizer? – perguntou virando um pouco o rosto num gesto desconfiado. Não respondi na hora, só sorri e caminhei até ela pegando as chaves que estavam em suas mãos. Passei pelos caras que ainda mexiam conosco, com uma cara nojenta, taquei o toco do meu cigarro ainda aceso na cara do barbudo e entrei na porta do motorista. Valary tinha aceitado numa boa o fato de eu resolver dirigir, então não precisei ficar esperando ela olhar toda a cena com cara de bunda.
- SUA PUTA LAZARENTA! – homem gritou quando o cigarro chamuscou a sua barba desgrenhada. Os outros montaram em suas motos e eu acelerei o carro, disparando pela estrada. Até que eles ligassem as motos e viessem atrás de nós, aquele carro que devia ter a mesma quantidade de cavalos que Matt tinha em litros de testosterona, já estaria muito longe. Afinal, Harleys não foram feitas para tão alta velocidade.
- Voce é mesmo imprevisível! – Valary falou rindo. – EU ADORO VELOCIDADE!
- Por que não falou antes? – falei alto por que os vidros do carro estavam abertos, então tínhamos que quase gritar para podermos superar a altura da vibração que dava.
A pista estava vazia, e eu adorava isso nas estradas americanas, são feitas para correr, lisas, mas aderentes, com boa visibilidade, e poucas curvas. Engatei a terceira marcha, e acelerei mais, o carro desenvolveu, chegando a 100, 110 milhas por hora.
Os motoqueiros tentavam alcançar, mas eu só aumentava a velocidade a cada vez que trocava de marcha. Valary se deliciava no banco do carona, porém notei que estava tensa e com os nós dos dedos brancos de tanto que apertava o “puta merda”, não me agüentei e comecei a rir da cara dela. – Relaxa Val, aposto que o Matt não corre assim. — falei acelerando ainda mais. Fechei os nossos vidros por que meu cabelo estava virando um ninho de rato.
- Não mesmo. – disse se soltando. – Mas é adrenalina pura.
- Que é isso, não tem nem graça. Legal é correr assim no meio de um monte de carros. – falei pegando mais um cigarro. – Pega na minha bolsa um isqueiro, por favor?
- Você vai dirigir nessa velocidade e ainda vai fumar? Tipo... Com uma mão só? – concordei com a cabeça, fazendo uma cara idiota como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
- Val olhe só pra pista, não tem um carro sequer, é dia, a pista está seca, não tem curvas, e esse carro é feito pra isso. – falei. — Qualquer coisa... – olhei pra ela com uma cara maligna. – Segura... – e apertei o botão “STOP”. O carro freou com tudo, nós demos um tranco, e os motoqueiros passaram por nós que nem idiotas. – tem freio ABS! – falei dando um sorriso largo.
- Você é completamente louca. – ela disse rindo.
Eu liguei o carro novamente, andei num ritmo mais razoável. Meu humor tinha melhorado, e eu até aceitei que Val colocasse Lady Gaga. Algumas músicas dela eu nem me importava de escutar, até curtia a batida de Poker Face.
Dali uns 5 minutos passamos por uma placa que dizia Long Beach -50 milhas.
- Se mantermos esse pique, chegaremos lá em meia hora. – falei pra Val que se empolgava dançando com os braços e o tronco, mordendo o lábio inferior.
Logo o povoamento de casas e comércios começou a aumentar, então eu comecei a ver as placas de cassinos, cara aquilo era moda ali.
A cidade fervilhava de gente nas ruas.
Val me indicou aonde ir. Estacionei em frente a uma loja grande de vestidos que tinha uma vitrine toda colorida. Se eu soubesse tinha colocado uma roupa menos “menininha fofa”. Não ia ser uma mancha preta no meio da loja, coisa nenhuma.
Fiquei apaixonada por um vestido curto preto com detalhezinhos em prata. – Que lindo! – exclamei.
- Por que tudo que é preto você acha lindo? – ela perguntou rindo.
- Cara, não sei, acho que eu vou acabar me casando com um negão. – nós rimos e entramos na loja.
Uma senhora baixinha de óculos veio nos atender.
- Oi, boa tarde. – Disse Valary sorrindo, tirando o óculos de sol. – Eu queria dar uma olhada nos vestidos de noiva. – A senhora enrugou a sobrancelha em uma careta confusa.
- Você não é Valary Dibenedetto? Ou Michelle? – ela perguntou sorrindo.
- Valary Sanders. – Val corrigiu. E eu ri. Na verdade fiquei louca por dentro, eu tinha esquecido daquilo por um pouco de tempo, ela precisava me lembrar? Eu suspirei e fui olhar os vestidos curtos.
A senhora conduziu Valary para os fundos da loja e eu fiquei ali perdida naquela imensidão de vestidos maravilhosos.
- Posso ajudá-la? – outra atendente me perguntou.
- Obrigada, só estou esperando a minha amiga. – disse eu. Amiga... Ta eu não era falsa, gostava da Valary, mas por que ela tinha que ser casada com ele? Não podia ser com o Syn, sei lá, qualquer pessoa que não fosse o Matt. Ele não tinha nada a ver com ela.
- Fer! – ouvi a voz da Val me chamando lá do fundo da loja. Fui até lá.
- Olha que lindo! – ela falou, me mostrando um vestido branco com o corpete enrugadinho, com uma flor pequena de tecido no peito esquerdo, a saia rodada até o pé, com uns detalhes de cordões de cetim. Era realmente bonito. – Como você imagina a Gena aqui dentro? – perguntou sorrindo.
- Caralho, eles vão casar? – perguntei espontaneamente. A senhora me lançou uma cara de morte com o palavrão que eu dissera. – Que lindo! Eu nem sabia que eles iam se casar. Ela vai ficar linda aí dentro. – falei analisando o traje. – Só que tem uma coisa...
Val fez uma cara indagadora, com as sobrancelhas arqueadas.
- Seria melhor um vestido com um corte menos rodado. – ta eu era neta de costureira e estilista, manjava um pouco dessas coisas. – Ela é baixinha, seria melhor um vestido que a deixe mais alta. – Valary coçou o queixo e analisou o vestido.
- Tem razão. – disse por fim. – Tem aquele que a senhora me mostrou, que tem um corte mais afunilado, que abre no final. – Val falou pra atendente.
Logo ela voltou com um vestido tipo tubinho que abria em uma calda na barra. Ele tinha uns detalhes de costura que ia do busto até o começo da saia, e estas se transformavam e um detalhe de florzinha.
- Olhe... Essas costuras vão dar a ela a sensação de ser mais alta – falei passando o indicador pelas costuras.
Demoramos ainda um pouco de tempo na loja. Val ia trazer a Gena para aprovar o modelo dali uma semana.
- Quando vai ser o casamento? – perguntei quando entramos numa lanchonete chique que estava lotada. Como esse povo comia.
- Acho que mês que vem, vai ser bem simples. Só para os mais chegados, por isso não se preocuparam muito em fazer o maior alarido. – A modelo contou.
Quando finalmente nossos pedidos chegaram, e nós íamos começar a comer o telefone de Val tocou. Eu revirei os olhos, Simplesmente odiava, por que sempre que as pessoas tinham que ligar, escolhiam a hora que a gente estava comendo?
- Oi Sam. – ela atendeu com um sorriso. Arqueei uma sobrancelha, ela nunca atendia aos telefonemas do Matt com aquele sorriso, mas afastei a idéia da cabeça quando meu celular começou a tocar também. “Ah desgraça, não vou atender, eu estou comendo porra!” Só olhei o número que ligara pra poder retornar depois. Era o Andrey, com certeza querendo perguntar por que eu não ia pra faculdade, ou sei lá. Mas que porra eu tinha avisado ele.
- Não eu te ligo depois, agora eu estou comendo. – agora que eu tinha voltado a me concentrar na Val e sua ligação. Ela deu uma risadinha. – Não Sam, agora não, eu to com uma amiga, você está me atrapalhando. – que porra de melação era aquela? “Valary, não seja nem louca de...”
- Beijo. Até. – ela revirou os olhos pra mim como quem diz “ai como esse fofo é chato”. – Ai ta bom eu também. Beijo. Tchau. – Ela desligou o telefone.
- Arrasando corações? – perguntei com uma caretinha maldosa.
- Ai, meu supervisor me trata como se eu fosse uma criança. – ela falou meio mal humorada demais pra quem estava sorrindo até segundos atrás.
- Sei... – falei tomando um gole de Coca. – Acho que ele está afim de você. – provoquei, e ela ficou vermelha.
- Ai para Fer, nem diz uma coisa dessas perto do Matt, ele não vai nem me deixar vir trabalhar mais. – ela falou se remexendo no banco, incomodada.
Eu ri. – Fala sério Val, a Leana sempre diz que ele é um gostosão... Não rola nem um selinho? – falei piscando só um olho, fingindo desconfiança. Ele estava levando na brincadeira, mas qualquer coisa estranha seria ponto pra mim.
- Feeer paara. – ela fez beicinho. – Eu sou casada menina. – levantou a mão e mostrou aquela maldita aliança. Eu ri. Tinha mania de disfarçar meu ódio rindo, quando qualquer coisa me lembrava que ela era casada com ele.
- Por isso mesmo que eu gosto de brincar... É legal ver você apavorada de medo que o Matt desconfie de você. – falei limpando minhas mãos na calça jeans.
O celular dela, que estava em cima da mesa vibrou e ela mais do que depressa foi olhar a mensagem. Consegui ler só o que dizia: “só espero que não seja...”. Mas então o garçom que estava em pé na outra mesa saiu, e o brilho do sol entrou pela janela, e fez reflexo, daí não consegui ler o resto. Tentei disfarçar minha vontade de bufar de curiosidade. E isso saiu numa mal sucedida fungada de nariz.
Val terminou de lanchar, e nós fomos para uma loja de decoração. Eu queria comprar um papel de parede preto e branco, pra colocar no meu quarto, e acabei comprando mais um monte de bugigangas como almofadas, um tapete e um puff de couro vermelhos etc.
Feitas as compras, voltamos para o carro. Val pediu para eu dirigir de volta. Quando já estava sentando no banco e ligando o carro, levantei a cabeça e vi uma loja. – Guentaí Val, eu já volto. – falei saindo do veículo e atravessando a rua.
Entrei na loja de CDS, e pedi o álbum Death Magnetic do Metallica.
Notas finais
Mereço os costumeiros reviews maravilhosos de vcs???
Beiijos
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