Notas iniciais
Oii gente...
Uma nova fic aí pra vcs.... espero que gostem...

Enjoy ^^

Era dia 20 de Janeiro, quando minha mãe conseguiu organizar toda a papelada para eu ir para os Estados Unidos. Foi um sacrifício para conseguir meu passaporte, mesmo tendo uma baita descendência americana.

Eu viajaria dali trinta dias, e sentiria saudades de casa, até mesmo da minha mãe pentelhando o dia inteiro atrás de mim. É assim mesmo, a gente reclama, mas no fundo, no fundo, amamos nossos pais.

Aquele foi meu último mês no Brasil. Fora um mês de despedidas. Eu havia conseguido visto para três meses, mas a cônsul me garantiu que se eu fizesse tudo corretamente, poderia renovar meu visto sempre que quisesse.

Eu ia partir para o desconhecido, a princípio ia ficar na casa de uma família que teve a bondade de me acolher, afinal, minha mãe tivera a bondade de acolher a filha deles na minha casa.

No dia em que eu ia viajar, foi uma choradeira lá em casa, até meus irmãos que eram frios comigo me abraçaram e choraram horrores.

- Gente, eu vou embora pra outro país, não estou indo me jogar de uma ponte. – tentei fazer o pessoal rir. Mas na verdade nem eu conseguia sorrir muito aquele dia. Eu tinha um irmão de vinte anos e uma irmã de vinte e dois. Eu era a caçula da família, tinha dezoito anos, tinha concluído o ensino médio havia um ano, e planejava cursar design gráfico na Califórnia. Minha mãe se orgulhava um pouco de mim, era a filha mais nova, e única que estava me dando relativamente bem na vida, apesar de ter sido a única a não me esforçar para isto.

- Fer qual é mesmo a cidade que você vai morar lá? – Perguntou meu irmão. – Little Huntigton? Não é isso?

- Qual é o seu problema? – perguntei arrumando a alça da minha bagagem de mão enquanto esperava para entrar no salão de embarque. – Você acha que todas as cidades nos Estados Unidos começam com Little? – Eu não entendia, mas ele nunca conseguia se lembrar que era Huntington Beach.

- Lá vem você com sua grosseria. Fernanda será que nem quando está indo embora não consegue ser um pouco mais delicada? – ralhou minha mãe. É verdade, eu sempre fora um pouco grosseira, mas não era intencional que eu falava daquele jeito, era minha maneira espontânea de falar, e isso ficava um pouco mais evidente quando estava ansiosa, ou nervosa.

- Ah foi mal mãe. Sabe como é, eu estou nervosa com tudo isso... e ah! Vocês sabem que eu amo vocês. – Sorri e dei um abraço coletivo na minha pequena família. Eu era órfã de pai havia onze anos. Ele tivera Mielo Displasia, um passo antes da Leucemia, mas quando ele fez transplante de medula óssea, deu rejeição no fígado, e ele faleceu. A partir daí, minha mãe ficou com a responsabilidade de criar três adolescentes, sozinha, e devia ser por isso que era meio crica com relação à nossa educação.

Quando houve a primeira chamada para o embarque, eu não perdi tempo, queria ficar livre de uma vez por todas, eu detestava despedidas. Mal sentei na poltrona, bateu o nervosismo, me xinguei de idiota, por que provavelmente eu iria morrer naquele país, ia me foder sem saber nada dos costumes, leis e tudo o mais, mesmo tendo um inglês impecável.

Seis horas embarcada naquele maldito avião, me deram tempo suficiente para acalmar meu espírito e me preparar psicologicamente. “Deve ser por isso que não inventaram o tele porte ainda” pensei comigo. A viagem não foi ruim, mas era dia então não consegui dormir, me irritei por que o avião estava meio vazio, e ninguém sentou ao meu lado. O que eu poderia fazer pra tirar o tédio de ficar sentada durante 6 horas? Ouvir música, e imaginar como seria minha vida dali em diante.

Mesmo sabendo que iria viver com uma família, eu sabia que teria que me virar sozinha. Sabia que iria ter que sofrer muitas coisas sem falar nada pra ninguém, e aquilo foi me causando uma aflição. “Fernanda respire fundo, fique calma, está realizando seu sonho, já tem uma vaga reservada na University of Southern ,vai ficar na casa de uma família, não tem por que ficar nervosa” Tentei acalmar a mim mesma. No fim da viagem, faltando talvez umas duas horas, consegui cochilar, mas eu sentia meus músculos tensos.

Quando pisei a primeira vez em solo estrangeiro, nem deu tempo de ficar nervosa novamente. Uma senhora de talvez uns trinta e cinco anos já me esperava com um sorriso amigável no rosto, sem contar que tinha tanta coisa nova para olhar, que nem me dei conta que ninguém entendia as exclamações admiradas que eu fazia a cada coisa diferente que via.

- Hello Fernanda – disse-me a senhora alta, loura de olhos azuis. – É um prazer conhecê-la. Eu sou Margareth. – Eu já imaginava que fosse ela. Quando você faz intercambio, sempre recebe algumas informações sobre as pessoas que serão sua família.

- Hello Magareth, muito prazer – sorri – Sou a Fernanda, sua nova “filha”. Bem, você provavelmente já sabia disso. – tentei ser simpática, assim como ela parecia ser. A senhora sorriu e concordou com a cabeça.

- Seja bem vinda a Califórnia. – disse-me ela, já me conduzindo pelo aeroporto gigantesco, para buscar minhas malas. Quando peguei minha mala, já abri e procurei um casaco. No Brasil era verão, e eu tinha esquecido que era inverno no Norte. Por sorte não estava tão frio assim. – que pena que você chegou no inverno – disse Margareth enquanto caminhávamos pelo estacionamento.

- Eu adoro frio – contei sorrindo. – No Brasil são raros os lugares onde faz frio o suficiente para aproveitar o bom do inverno, tipo, neve, e lareira... Essas coisas que são normais pra vocês aqui. Ela apertou o botão do alarme, e as luzes de um Camaro preto se acenderam e apagaram três vezes. Adorava aquele carro. Minha nova mãe me ajudou a colocar minha enorme mala no porta-malas, e indicou o banco da frente para eu sentar. Me senti um pouco constrangida , mas tudo bem.

Margareth deu partida, e logo conversávamos alegremente, contando sobre nossas vidas. Notei que a família tinha uma condição de vida bastante confortável. Senti-me um pouco sem graça, deveria ser um contraste muito grande pra Betty, a filha de Margareth que ia ficar na minha casa.

Huntington Beach era maravilhosa, como eu havia imaginado, adorava cidades bem iluminadas à noite, com letreiros coloridos, e placas de cassinos, parecia que eu estava dentro de um filme. Sorri comigo mesma ao me dar conta de que estava feliz em estar ali. Não seria tão ruim. Só esperava que a filha de Margareth fosse gente boa, ela tinha minha idade, e pela foto que eu vira um mês e meio atrás, tinha uma expressão alegre e simpática como a mãe.

- Jhessy vai gostar de você. – disse-me ela, levei um susto, parecia que aquela mulher lera meus pensamentos. – vocês têm aparentemente, o mesmo estilo pra roupas e, tem bastante da personalidade da minha filha no seu jeito. – sorriu.

- percebi isto na foto que você me mandou. – comentei. – ela parece ser simpática.

O rádio estava ligado, sorri e comecei a cantarolar a musica que passava.

- Tenho certeza que vão se dar bem. – disse ela ao me ouvir cantar. – Jhessy adora Metallica.

- Haha já gostei dela. – sorri.

Notei que estávamos um pouco retiradas do centro da cidade, passávamos por um bairro aparentemente nobre de Huntington Beach. Me espantei ao perceber que ela morava por ali, do contrário, ela não teria se afastado da rodovia e entrado no bairro.

A minha nova casa ficava em uma rua larga com enormes casas sem muros e muitas árvores... Típico, meu sonho.

Apesar de ser quase noite quando cheguei, pude notar que casa era branca, com as aberturas negras, e o acabamento dava a impressão de ser de madeira. Ficava no meio da quadra, e era uma das maiores casas da rua, só perdia para a mansão de três andares que ficava na frente.

Quando entrei “em casa” era como eu imaginava, papel de parede em tons de bege e marrom aconchegante, tudo ricamente decorado à moda antiga. – Vamos direto para seu quarto levar essas bagagens, e assim você já se sente mais em casa. – Disse-me a senhora. Subimos as escadas. De um corredor comprido saía outro menor, que só tinha uma porta no final dele. Ela me indicou que aquele era meu quarto.

A princípio fiquei chateada que recebera o quarto mais afastado da casa, mas pensei melhor, por um lado seria bom por que eu costumava ir dormir bem tarde. Quando girei a chave que estava na porta e olhei para dentro, tive uma surpresa ainda maior: eu era capaz de acreditar que ganhara o melhor quarto da casa. Ele tinha pelo menos cinco metros de vidraças, aquelas que eu imaginei que fossem de uma sala de estar, quando vira a casa por fora,e tinha uma sacada grande só para mim, que maravilha! Já sabia até onde que eu iria passar meus momentos de raiva (que não eram raros).

- Muito obrigada! – consegui dizer somente.

- Imagine, fique à vontade, este quarto é todo seu. — Ela sorriu – Bem, eu vou estar lá em baixo com Jhessy e Edward meu marido, se quiser pode me chamar. — ela disse isso e foi andando em direção à porta do quarto.

- Ah desculpe Dona Margareth, eu não vi os outros lá em baixo. –fiz uma cara confusa. Margareth sorriu.

- Ah sim eles já devem estar chegando, foram ao mercado. – ela saiu e encostou a porta, me deixando sozinha naquele mundo que era meu novo quarto. Aí que reparei que ele era todo branco, inclusive a cama, os criados mudos e o guarda roupa. Achei aquilo tão estranho, a casa era toda decorada, e não parecia que tinha sido reformado a pouco. Então notei que em cima da escrivaninha, também branca, havia um bilhete:

Fernanda,

Deixamos seu quarto sem pinturas nem decorações para que pudesse decorar conforme goste!

Desculpe o mau jeito!

Seja bem vinda!!

- É muita bondade! – falei para o nada.

Na ânsia de não ficar naquele vazio, procurei freneticamente meus pôsteres e colei-os na parede maior que dava de frente para as vidraças. O maior de todos do Avenged Sevenfold no meio dos do Guns n’ Roses, Metallica, Burn Halo, Pantera, Nirvana... entre outros muitos que eu tinha. Quando terminei olhei de longe e gostei. Então notei que estava nojenta da viagem, foi quando reparei que até banheiro com hidromassagem tinha.

Quando saí do banho, Jhessy e Edward já tinham chegado. Vesti a primeira roupa que encontrei: uma calça jeans, uma blusa de lã vermelha, e uma jaqueta que imitava couro. Calcei meu All*Star também vermelho e desci para conhecê-los.

Os três estavam na cozinha, e provavelmente preparavam o jantar.

- Com licença- falei sem jeito.

- Ahá Olá Fernanda seja bem vinda – Jhessy era magra e tinha a pele bronzeada do sol da Califórnia,olhos castanhos e um comprido cabelo preto. Era bonita.– Prazer eu sou a Jhessyka!

- Prazer. – Falei sorrindo. Ela secou a mão, veio e me abraçou.

Edward se aproximou, e estendeu a mão. – Muito prazer. Espero que seja feliz no meio dessa gente louca aqui. – sorriu. Ele era parecido com Jhessy. Olhos castanhos e cabelos bem pretos apesar de já estarem um pouco grisalhos. Tinha um sorriso simpático também. Pressenti que eu seria a pessoa mais mal humorada da casa.

- Então, Welcome to the Family. – Jhessy cantou.Eu sorri,era bom saber que ela gostava de Avenged também. Já era minha amiga. – Bom, agora que já estamos apresentados vamos lá fora conversar um pouco. — Disse ela.

- Só vou pegar meu celular lá em cima para ligar para minha mãe. – falei. – se não ela já vai pensar que meu avião caiu. Venha comigo.- convidei Jhessy.

Fomos até meu quarto.

- OUUU. – ela arregalou os olhos quando viu os pôsteres na parede da cabeceira da cama. – Gosta de rock. – disse ela sorridente.

- É, adoro. – falei enquanto vasculhava minha bolsa a procura do meu celular.

- Eu não deixaria o do Avenged nessa parede se fosse você. – ela disse isso um pouco mais baixo do que o normal.

Parei o que estava fazendo e olhei séria para ela.

- Por que não? – fiz uma cara confusa.

- Hahaha, nada, você vai descobrir logo. – Jhessyka fez uma careta maligna. Eu era orgulhosa demais para suplicar que ela me contasse, então dei de ombros e deixei o pôster ali. – Eu adoro o Gates. – ela disse quando já descíamos as escadas.

- Prefiro o Shadows. – Sorri. Jhessy deu uma gargalhada.

O único lugar que pegava sinal era na frente de casa. Jhessy não perdeu a oportunidade de tirar sarro da falta de tecnologia do Brasil. Eu ri. Então eu liguei pra minha mãe. Estava contando para ela como tinha sido a viagem e tal, quando notei um movimento na sacada da mansão da frente, alguém tinha saído para ver quem estava lá fora. Fiquei um pouco envergonhada, estava falando meio alto por que a ligação estava ruim.

Quando olhei direito para a sacada reparei que era um homem, musculoso. Mas como a luz estava atrás dele, seu rosto ficava na sombra, não dava pra ver detalhes.

- Hey Jhessy, o que está havendo aí? – perguntou o homem com uma voz grossa.

- Ah! Oi Matt. – respondeu Jhessy. – Nada não, só minha amiga que está fazendo uma ligação, mas está meio ruim. – ela sorriu.

De repente pensei que não havia um coração dentro de mim. Parecia que o chão havia sumido.

Tinha entendido porque de tirar o pôster daquela parede.

Notas finais
Hmmm e aii gostaram?... Reviews??