Eu Preciso Ouvir Tua Voz
4 Obieta to ikatteiru.
Notas iniciais
-Felipe? Felipe? Acorda Felipe! –Lucas gritava sem nenhuma paciência.
-Não precisa ser tão violento ele vai ficar assustado! –Aika disse preocupada. Lucas e Aika tinham se levantado e se arrumado para a escola e Felipe continuava dormindo.
-Aika você não pode dar moleza pra esse “faz nada”! –Lucas disse puxando o cobertor de Felipe, que mesmo assim nem se mexeu.
-Mas ele foi dormir tarde ontem porque estava com medo dos trovões! –Aika disse sem pensar.
-O que? Como você sabe disso Aika? Você veio aqui noite passada? –Lucas falou olhando com uma imensa preocupação para Aika e por medo Aika não conseguia dizer nada.
-E-Eu... Vim sim... –Aika disse quase chorando de vergonha.
-Como é? – Lucas gritou, então engoliu sua raiva para não magoar a pequena garota e sem pensar duas vezes deu um empurrão em Felipe e o fez cair da cama.
-Droga Lucas porque você me empurrou? –Felipe acordou irritado.
-Você sabe que horas são? Você sabe o que é responsabilidade? –Lucas gritou rígido.
-Pera lá! Você é mais velho mais não é meu pai! –Felipe disse realmente irritado. Lucas engoliu seco de raiva, como Felipe podia tocar nesse assunto assim?
-Sim, eu não sou seu pai! – Lucas disse e saiu serio puxando Aika pela mão. Seus passos eram tão fortes e sua cara tão seria que mesmo Lucas machucando um pouco a mão de Aika a menina não deu nem um piu.
Felipe sentou na cama dolorido e esfregou os olhos estressado.
-Pra que eu fui falar isso? –Felipe resmungou pra si mesmo.
Lucas e Aika rapidamente pegaram o carro e sem esperar ou algo do tipo foram pra escola. Aika não se atreveu a falar nada, ela estava armando estratégias e imaginando conversas que poderiam ajudar Lucas a não brigar com Felipe, mas não conseguiu formar nada.
Quando chegaram ao colégio Lucas deixou pela primeira vez Aika sozinha, ela sentia um pouco a falta de Felipe, ele nunca a deixaria sozinha, não importa o que. Ela desejou ter o número do celular de Felipe nesse momento.
-Bom dia? – Aika ouviu uma voz masculina grossa falar e foi tão repentino que se assustou e como em um filme começou a chover quando ela viu o dono da voz.
-Bo-bom dia... – Aika respondeu dando dois passos pra traz. Ela não tinha gostado do som da voz desse menino e a chuva ia aumentando cada vez mais.
-Você é a japinha que está com os Vaz não é? – O garoto continuou se aproximando perigosamente de Aika.
-Vaz? Eu não sei quem são esses... – Aika respondeu, não tinha nada demais, mas ela não estava gostando de falar com aquele menino.
-Sim o Felipe Vaz e o Lucas Vaz! – O garoto disse sem paciência.
-Sim... Eu moro com eles... Sou prima deles. –Aika disse querendo terminar tal conversa o mais rápido possível.
-Eu sou o Ricardo! – O garoto disse com um sorriso enorme, mas que não era bonito era assustador.
-Aika! –Aika disse rapidamente dando um sorriso falso.
-Então Aika... Você não quer vir até a biblioteca comigo? Eu vou pegar um livro e depois nós podemos voltar juntos até a sala. Eu te deixo na porta da sua sala. — o garoto disse.
-Não... Eu... Já vai tocar, acho melhor eu ir pra sala de aula. – Aika disse pronta para sair.
-Você não faria uma desfeita dessas... Faria? –Ricardo falou ficando serio e encarando Aika com um olhar ameaçador, então colocou o braço no ombro de Aika e fez um pouco de força ali.
-Você está me assustando Ricardo! – Aika disse.
-Não diga? –Ricardo disse e depois gargalhou. –Venha comigo! –
Ricardo pegou o pulso de Aika e foi puxando a garota pelos corredores do colégio. Eles chegaram até um grande salão com varias estantes e vários livros com quase ninguém. Ricardo fez Aika sentar em uma das mesas e finalmente soltou seu pulso e então sentou em uma cadeira de frente para Aika. Três rapazes grandes e assustadores se aproximaram e sentaram dois um de cada lado de Aika e o outro ao lado de Ricardo.
-Aika Nakazume é um enorme prazer te conhecer finalmente! Meu nome é Berg. – O garoto que sentou ao lado de Ricardo falou.
Aika estava tremendo de medo e de frio. Mesmo com a chuva a biblioteca tinha ar condicionado.
-O que vocês querem? – Aika foi direta, mesmo não colocando muita força na voz.
-O que nós queremos? Aika querida nós queremos apenas ser seus amigos. –Berg falou com um sorriso sínico e tentou tocar o rosto de Aika, mas ela virou antes.
-Então se vocês querem ser meus amigos vocês vão me deixar voltar pra sala não é? –Aika disse com um sorriso falso.
-Não! Nós queremos você perto da gente Aika! – Berg disse.
-Chega de brincadeira! Aika Nakazume você tem que fazer um trabalhinho pra nós, se quiser voltar pra casa hoje. – Ricardo falou para Aika.
O coração de Aika quase parou. O que fazer? O que eles iriam pedir? Medo.
-O que vocês querem? – Aika repetiu medrosa.
-Aika... Você deve saber que Felipe Vaz gosta de você não é? – Rodrigo disse com um sorriso assustador.
-De mim? Não... –Onde ele queria chegar?
-É claro que gosta! Ele anda para todos os lados com você! Te protege! Gosta sim! –Rodrigo disse.
-Somos primos! – Aika disse.
-Primos? De 6º grau? Isso ainda é considerado ser primo? –Rodrigo disse.
-Como você sabe tanto? –Aika disse. O que ele queria? O que ele tinha com a relação dela com Felipe?
-Vamos parar de embolação né? Você vai fingir que namora comigo. Hoje. E vai fingir muito bem! E quando você chegar em casa eu vou ir te visitar e você vai deixar ele entrar com um sorriso no rosto, entendeu? – Rodrigo falou ameaçadoramente. Mesmo com esse jeito, Aika sentia uma grande gentileza na voz de Rodrigo. Ela sentia medo pelos seus atos, mas se sentia segura, como se ela confiasse nele sem medo.
Aika estava branca de nervosismo. O que ele queria com isso? Como ela faria para proteger sua nova família?
-Você não acha que eles iriam estranhar se eu começasse a namorar assim derrepente? – Aika disse tentando salvar a situação.
-Você vai atuar tão bem hoje! Mas tão bem! Que eles não vão ter duvidas de nada! – Rodrigo falou sorrindo.
-Aika? Aika? Aika Aqui está você! –Felipe entrou na biblioteca e Aika quase chorou de alegria.
-Felipe! –Ela falou num fio de voz. Medo.
-Quem são essas pessoas? Eles estão te incomodando?- Felipe disse perturbado por ela estar rodeada por garotos.
Quando Aika ia responder Rodrigo olhou para ela com uma cara ameaçadora.
-Eles são meus amigos. – Aika disse e percebendo que ela não iria mais além Rodrigo contornou a mesa e encarou Felipe colocando seus braços nos ombros dela.
-O que você está fazendo rapaz? –Felipe disse alto. Estava realmente irritado. Ele encontrou Aika sozinha com essas pessoas e agora esse louco toma tais liberdades com sua Aika?
-Calma Felipe Vaz! Eu sou o namorado de sua prima! –Rodrigo falou se deliciando com as palavras proferidas por ele mesmo.
O sangue subiu a cabeça de Felipe e ele olhou para Rodrigo pronto para bater nele.
-É mentira! Isso é uma brincadeira dele Felipe. –Aika disse.
-Claro que sim! Uma brincadeira! –Rodrigo disse sorrindo.
Mesmo com isso, Felipe ainda queria socalo, mas antes de qualquer coisa Aika levou Felipe pra longe. Felipe fez questão de ficar ao lado de Aika todo o dia sem deixar Rodrigo ou qualquer um se aproximar dela, nem mesmo Lucas. Ele estava irritado. Lucas não podia ter deixado Aika sozinha. Ela poderia ter sofrido qualquer tipo de coisa sozinha, mas não apenas por ter tido uma briga de irmãos Lucas deixou a menina completamente indefesa, na visão de Felipe, sozinha.
O sinal tocou e todos tomaram seu caminho até mesmo Felipe e Aika. Aika já estava ficando assustada de tanto que Felipe estava perseguindo-a, ele já era perseguidor e depois disso, ela não teria mais nenhum segundo de paz. Felipe entrou no carro, ele parecia estar melhor, mas ainda estava querendo estar o mais perto possível de Aika. Os dois foram de carro pra casa e mesmo Aika tendo pedido para Felipe esperar Lucas ele não esperou, como vingança por Lucas ter deixado ele vir na chuva de bicicleta.
~
Finalmente Aika estava no seu quarto. O dia tinha sido longo e ela estava preocupada. Rodrigo deixaria por isso mesmo? Ela não sabia. Nunca tinha passado por algo igual, era indefesa e ingênua, sempre viveu apenas com a mãe em casa. Sem muitos amigos sem amores. Não sabia muito sobre a vida, mas esse era seu maior encanto. Jogada na cama ainda com sapatos os olhos de Aika foram fechando e quando estava quase dormindo...
Ai ai gasa no naka de komotta kanjou mo sunao ni tsutaenai mama ♪
-Alô?
-Aika meu amor!
-Rodrigo?
-Sim, meu amor. Que lindo você reconhece minha voz.
-O-O que você quer? Como tem meu telefone?
-É tão fácil saber sobre você. O que eu quero? Você sabe o que fez hoje Aika?
-S-Sim!
-E você está preparada para as conseqüências?
-O que você quer?
-Venha até o parque perto da casa dos Vaz a meia noite.
-Pra que?
-Para de fazer pergunta mulher! Não ache que está tudo bem! Você vai sofrer hoje! Você vem à meia noite ao parque por que eu quero e se não vier... Eu vou até você.
TUMMMM...
Aika estava sentada na sua cama e seu celular ainda estava no seu ouvido. Suas mãos estavam tremendo, seus olhos arregalados pensando no que Rodrigo poderia querer. Talvez devesse falar para Felipe ou algum dos meninos. Mas e se Rodrigo fizesse algo para se vingar? Ela já era uma intrusa e agora iria causar problemas? Nunca. Aika decidiu corajosamente ir até a praça a meia noite. Ela tomou banho e olhou o relógio eram seis horas. O tempo estava passando rápido demais hoje. Ela vestiu sua roupa e foi até a sala de jantar.
-Amor! –Felipe disse sorrindo abertamente e abraçando Aika, quando ela chegou à cozinha. Os dois estavam sozinhos, já que Martha e Miguel estavam tendo uma conversa seria sobre trabalho e Lucas estava trancado no quarto.
O abraço que deveria ser timidamente evitado por Aika, foi recebido com alegria e intensidade. Felipe sentia que a menina já frágil podia chorar a qualquer momento. Ela estava demorando no abraço e apertando tão forte seu rosto contra o peito de Felipe.
-Meu bem? –Felipe disse separando o abraço e encarando Aika.
-Sim? – Aika forçou um sorriso.
-Nada... Vamos comer? – Felipe falou. Não queria deixar Aika triste.
E a noite passou assim. Depois de comer Aika e Felipe jogaram um pouco de videogame, mas ela saiu antes de nove horas e ficou em seu quarto encarando a lua pela sua grande janela de vidro. Quanto tempo para a meia noite? Era tudo que ela conseguia pensar. Medo.
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