Eu Preciso Ouvir Tua Voz
13 Kimi no sei desu.
Notas iniciais
-Bom dia. – Matheus disse abraçando seu pai como sempre fazia pela manhã.
-Bom dia Matheus. –Berg disse sorrindo.
Ele andou levando Matheus junto aonde ia, como sempre fazia. Tinha uma pessoa naquela mesa do café que sempre esteve lá.
-Quer o de sempre Rodrigo? – Berg falou colocando um copo cheio de leite perto do mesmo.
-Por favor. –Rodrigo sorriu simples.
-BEEERG – Ricardo entrou na cozinha gritando como sempre fazia. –Onde estão meus sapatos? – Ele falava como se fossem as coisas mais preciosas que ele possuísse.
-Embaixo da cama. –Berg falou rindo. – E pare com essa gritaria logo de manhã, os meninos jaja vão ir pra escola.
Estava tudo normal demais, até mesmo com a presença de Rodrigo, não tinha ficado um clima ruim. Todos naquela casa, até mesmo Ricardo, estavam planejando deixar tudo voltar ao normal, como se nada tivesse acontecido, como se fosse apenas uma recaída de Rodrigo que deveria ser perdoada e esquecida o mais rápido possível. Rodrigo tinha percebido isso e não estava gostando, mas sabia que quando todos saíssem pra escola e só ficassem alguns eles iriam conversar sobre tudo detalhadamente.
Rodrigo ficou ali esperando e aos poucos seus irmãos foram para a escola ou faculdade os que restavam estavam dormindo com certeza. Ele repirou fundo e tomou meio forçadamente o quinto copo de leite daquela manhã.
-Pai? –Berg sabia que o moreno estava falando com ele, já que o mesmo não chamava o irmão de Pai.
-Sim?
-Posso sentar?
-Claro.
Os dois estavam sentados no sofá. O moreno de cabeça baixa e imóvel e o ruivo jogando vídeo game.
-Podemos conversar?
-Eu não vou conversar com você, não tenho o direito de conversar sozinho com você. Ou seu irmão está no meio da conversa ou não existirá conversa. –Berg falou pacientemente.
-Se é de mim que estão falando aqui estou eu. –Ricardo falou assustando os dois.
-Ricardo... – O ruivinho acenou pra ele sentar ao seu lado e o mesmo obedeceu.
-Então Rodrigo pode começar. Somos todo ouvido. –Ricardo falou friamente ao que discretamente apertou a mão do ruivinho.
-E-Eu queria dizer... Assim... Desculpem andar com as pessoas que vocês não gostam eu apenas... Ouvi o lado deles e...
-E o que? Você acha que eles tem a razão Rodrigo? –O maior falou olhando diretamente para Rodrigo.
-Não... Bem... Sim. Mas antes de gritar comigo e me bater até a morte você deveria me ouvir Ricardo... Eles me contaram tudo o que ouve aquele dia. A Tia Martha estava naquele dia e ela disse o que ouve. Não peço pra você odiar nossos pais, mas apenas que ouça o que eles têm a dizer.
Ricardo gargalhou.
-E o que a Martha te disse? Qual a versão dela?
-Bem... Ela disse que nosso pai tentou mata-la e seu marido a defendeu pegando a mamãe como vítima, ai o pai atirou mesmo assim e... Matou a mãe e o tio.
-E você acreditou nisso Rodrigo?
-Mas faz sentido Ricardo. Eles são nossa família...
-NOSSA FAMILIA SOMOS EU O BERG VOCÊ E OS OUTROS! NENHUMA DAQUELAS PESSOAS MESQUINHAS SÃO NOSSA FAMILIA.
-Calma amor... –Berg disse para Ricardo, depois que o mesmo parou de gritar.
-Pra que você ta gritando comigo? Em? EU NÃO POSSO TER A PORRA DA MINHA OPNIÃO?
-PODE SIM! TANTO QUE EU TE DISSE PRA IR MORAR COM AQUELAS PESSOAS!
-PRA TER MINHA OPNIÃO TENHO QUE ME AFASTAR DA MINHA FAMILIA? EU AMO VOCÊS DEMAIS, POR QUE EU TENHO QUE ME AFASTAR?
-Se você nos amasse você respeitaria nossos gostos.
-Eu respeito tanto que não estou jogando na sua cara que acho que estão todos errados e estou tentando explicar que não é como você pensa.
-EU SEI QUE NÃO É COMO EU PENSO! EU SEI QUE O PAI MATOU A MÃE E O TIO A SANGUE FRIO. EU SEI DISSO TUDO. NÃO SE ACHE O CERTINHO DA SITUAÇÃO, MAS NEM POR ISSO EU TENHO QUE ACEITAR ESSAS PESSOAS NA MINHA VIDA. TUDO BEM VOCÊ AMA ELES... Então eu deixo você morar com eles e por você eu prometo que nem eu, nem nenhum dos membros da minha família vai tentar machuca-los de alguma forma. Pode namorar casar ou sei lá o que com a japinha. Eu não me importo. Agora se nos da licença, eu tenho meus próprios problemas e quero ficar sozinho com meu marido. –Ricardo começou gritando, mas depois não conseguiu segurar as lágrimas.
-RICARDO PORRA. SE VOCÊ ENTENDE PRA QUE TODA ESSA CONFUSÃO? SIMPLESMENTE PESSA DESCULPAS E VAMOS FICAR TODOS JUTOS! –Rodrigo gritou levantando do sofá.
-Eu não fiz nada com nenhum deles pra pedir desculpas. Eu sei sim Rodrigo que eles estão certos e blá blá blá, mas assim como você tem direito de escolher seu lado eu tenho direito de escolher o meu. Não vou deixar morar junto com as pessoas que eu amo e são minha família, alguém que simplesmente não sabe o que se passa na minha cabeça ou não entende meus sentimentos. EU NÃO PRECISO DELES! EU TENHO NOJO DELES. PORQUE EU AMAVA MEUS PAIS E EU PRECISO DE ALGUÉM PRA POR A CULPA. Então por favor, ninguém está te julgando ou dizendo que você está errado. Desculpe-me pela surra que eu fiz Victor te dar, foi sem pensar. Agora vá pra sua casa e viva feliz, pode vir nos visitar só não espere que eu corra e te abrace. Simplesmente aceite o que eu escolhi porque eu não vou mudar de ideia. Sendo eu o culpado ou não, essa é uma escolha minha.
Ricardo secou suas lágrimas com as costas das mãos e puxou Berg para o quarto com ele, deixando o moreno sozinho com suas lágrimas e duvidas. Por que ele não poderia simplesmente aceitar isso? Por que ele teria que morar mesmo com os Vaz? Ele não queria morar com os Vaz! Ele estava feliz morando com a sua família e vendo Aika na escola. Ele não tinha nada contra os Vaz, mas queria como qualquer pessoa normal morar na sua própria casa com sua própria família. Como sempre fez. A duvida que mais enchia o coração de Rodrigo era porque seu irmão ainda tinha algo contra os Vaz, mesmo sabendo que eles não tinham culpa nenhuma. Que eles eram as vitimas... Porque ele insistia em se manter inabalável em sua decisão? Por quê?
Rodrigo saiu daquela casa e ignorando suas lágrimas ele foi correndo até a casa dos Vaz. Ele correu e às vezes até bateu em algumas pessoas pela rua sem querer. Ele estava suado, chorando, irritado e ferido. Ele só queria chegar naquela casa. Ele só queria chegar naquele quarto. Ele só queria ver aquela pessoa e abraça-la até nunca mais. Sua visão estava turva por causa das lágrimas e sua cabeça doía, ele não escutava ou via nada, nem sabia mais pra onde estava indo.
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