Eu Preciso Ouvir Tua Voz
8 Kimi ga hitori janai.
Notas iniciais
-Então Aika qual a sua resposta? – Rodrigo falou, ele parecia cada vez mais nervoso e mesmo assim o sorriso no seu rosto demonstrava confiança.
Aika não conseguia pensar em nada, como ela responderia algo assim?
-E-Eu... – Mas interrompendo a fala nervosa de Aika o sinal tocou.
Rodrigo ficou visivelmente chateado. Ele queria uma resposta e agora mesmo.
-Responde rápido Aika! – Rodrigo apressou a menina.
-Não... Eu... Vamos para a aula Rodrigo. – Aika disse olhando nos olhos dele. Mesmo parecendo difícil e não agradando nem um pouco a ele Rodrigo simplesmente entendeu e deixou Aika pensar um pouco mais.
Por causa de sua pergunta repentina Aika passou quase o dia todo pensando em Rodrigo e a vergonha fez ela meio que ignorar ele um pouco. Saiu antes e não falava com ele. Respostas simples. Na saída do colégio Aika fez questão de correr até Felipe e ir de carro com ele e Lucas. Ela realmente queria pensar.
Felipe estava meio que estressado, Aika falou aquelas coisas pra ele e derrepente vinha e ficava o dia todo grudada nele e mesmo depois daquilo que ele ouviu no recreio. As palavras de Rodrigo ainda causavam ânsia em Felipe e o faziam franzir a sobrancelha: “Seja minha”. Isso é coisa que aquele delinquente diga pra sua Aika? Felipe estava realmente irritado ele não queria nem olhar pra Aika, principalmente porque não tinha conseguido ouvir a resposta e desconfiava que tivesse sido “sim”. Quando ele falou com as melhores intenções: “Eu gosto de você” Ela rejeitou sem nem pensar duas vezes e um delinquente desses diz “seja minha” como um favelado e ela simplesmente aceita... Ou talvez aceita. Quem saberia? Felipe não sabia mais o que pensar de Aika depois que a viu saindo a meia noite de casa.
Aika estava sentada na sua cama e as palavras de Rodrigo repetiam inúmeras vezes em sua mente: “Seja minha”... “Seja minha”... “Seja minha”... Tão sem romance e sinceridade, mas sua voz parecia verdadeira e isso mexeu com Aika. Aika deixou seu corpo tombar pra traz e caiu deitada na cama.
-O que eu faço? – Aika gritou com as mãos no rosto.
Ai ai gasa no naka de komotta kanjou mo sunao ni tsutaenai mama ♪
-Alô? – Aika disse sem olhar quem era nem levantar da cama.
-Neguinha? – Era Rodrigo.
-Oi nego! – Aika queria desligar o telefone. Porque ele estava ligando ele nunca tinha ligado antes.
-Vem me ver?
-Você sabe que horas são nego?
-Eu precisava mesmo te ver...
-Rodrigo... Hoje não.
-Você não gostou do que eu falei na escola?
-Hoje não.
-Aika.
-Boa noite.
Aika desligou o telefone sem aviso prévio e deixou Rodrigo sem entender nada. Ela estava realmente irritada, der repente todos queriam respostas, porque não podiam ser pacientes se continuasse naquilo ela ia acabar respondendo errado e se arrependendo. Ela se levantou e jogou seu celular na cama e depois de um bom banho Aika e seu casaco de frio passeavam pelo escuro corredor da casa dos Vaz. Foi então que aquela melodia encontrou os ouvidos de Aika. Algo como uma bateria. Aika pensou que estava meio louca, afinal era quase 11 da noite.
You're so hypnotizing
Could you be the devil,
Could you be an angel
Your touch magnetizing
Feels like I'm floating,
Leaves my body glowing ♪
Espera essa voz… Lucas? Aika estava certa? Claro fazia sentido agora. Miguel estava tocando e Lucas cantando, como a mãe deles dorme no outro lado da casa ela não ia acordar.
Então com um pequeno sorriso Aika foi em direção a sala de música, mas quando quase chegava percebeu que alguém espiava escondido os dois meninos cantando.
-Felipe? – Aika disse baixinho e Felipe deu um pulo assustado colocando a mão na boca pra não gritar e acabar alertando os dois da sua presença.
-Porque você ta acordada Aika? – Felipe disse ainda com a mão na boca.
-Eu ouvi uma música e fiquei curiosa e você porque está se escondendo dos teus irmãos? – Aika disse.
Felipe sorriu e pensou em uma resposta, mas não conseguiu dizer nada. Ele apenas sorriu para Aika e foi correspondido com um sorriso grande e lindo que fez ele se surpreender.
-Aika... – Felipe disse baixinho tocando na bochecha dela.
Sem pensar Aika virou o rosto e deu um passo pra trás. Ela se arrependeu quase no mesmo segundo, Felipe estava com uma expressão de “ela me odeia” e ela não sabia como dizer que foi apenas... Apenas.
-Gomen! –Aika disse sem pensar. Ela acabou falando Japonês. Foi o tempo que passava com a mãe dela e a vó que acabou a fazendo aprender a língua. Esse era um segredo que ela guardava muito bem. Não queria ninguém pensando: “Olha ela fala Japonês, vamos ser amigos dela.”, afinal já tinha gente demais querendo ser amigo dela por causa do seu nome. Aika Nakazume, não era um nome ruim, apesar de ser diferente da cultura de onde ela sempre viveu Aika sempre amou seu nome, afinal sua vó que tinha o escolhido.
-O que? –Felipe disse com os olhinhos brilhando. Era um sonho dele ver Aika falando japonês.
-De-Desculpa... Quando eu fico nervosa eu falo japonês... – Ela queria ir embora, estava profundamente envergonhada, não queria que Felipe pensasse besteira.
-Foi tão lindo você poderia falar de novo. Aquela palavra é... – Felipe gritou animado segurando as duas mãos de Aika com força e olhando nos olhos dela, mas foi interrompido por um grito.
-Quem está ai? – Lucas gritou.
Felipe engoliu seco e Aika falou um palavrão mudo.
-Sou eu... – Aika disse baixinho entrando no quarto.
-Porque estava escondida? – Lucas disse.
-Felipe estava escondido eu não.
-Felipe esta aqui também? Onde?
-Eu estou aqui! –Felipe disse.
-Vocês estavam fazendo o que, há essa hora sozinhos no corredor? – O mais velho de todos falou.
-Nada de mais Miguel, só concretizando nosso amor. – Felipe disse sorridente e Miguel fingiu ânsia de vomito.
-Amor? NADA DE AMOR! NÃO ACHEI ENGRAÇADO. –Aika gritou fazendo os três irmãos rirem.
-Deixa ele Aika, você conhece o Felipe, quando se está sozinho com ele é lindo e maravilhoso, mas quando ele está perto de outras pessoas... ENLOUQUECE. –Lucas disse fazendo questão de gritar a última palavra.
-Já que você está aqui Aika que tal você cantar aquela música? –Miguel disse.
-Que música.
-Aquela em japonês que você estava cantando enquanto lavava a louça no seu primeiro dia aqui. Lembra?
-Você andou cantando pra ele? –Felipe disse com “ciúme” escrito na testa.
-Não! Senhor ciúme ela estava cantando sozinha e eu acabei ouvindo.
-Sei. Você nunca vai roubar ela de mim Miguel.
-Então canta ela pra gente eu toco. –Miguel disse.
Ninguém percebeu, mas Aika tinha entrado em choque quando Miguel a fez lembrar dessa música. Era a música que sua mãe cantava pra ela. Aika não queria ser ruim com eles, por que esses irmãos estavam sendo infinitamente bons com ela, mas ela não pode segurar a cara fechada e o olhar de fúria.
-Eu não vou cantar essa música.
-Aika o que ouve? Porque não? – Felipe disse preocupado.
-Quem cantava essa música era a minha mãe. Sabe? Aquela que morreu. Pois é. Eu não quero cantar essa música. –Aika disse e quando percebeu a fúria de suas palavras ela ficou com dor de cabeça instantaneamente e saiu pelo corredor em passos firmes.
Então para surpresa de Aika Felipe veio correndo e a abraçou por trás e com a força da batida os dois caíram e mesmo assim Felipe não a soltou. Pequenas lágrimas caíram dos olhinhos puxados, manchando a pele branca perfeita e fazendo os fios negros e lisos grudarem no rosto.
-Desculpe. –Felipe disse com a voz chorosa.
Aika não queria chorar, mas ela já estava chorando e ouvir Felipe chorar a fez chorar mais ainda. Miguel e Lucas saíram do corredor depois de um tempo sem saber o que fazer. Aika e Felipe continuaram abraçados ali no frio chorando. Quando o vento frio bateu no rosto de Aika e ela finalmente percebeu a situação, ela se arrependeu, tinha decidido nunca mais chorar por isso, mas foi impossível. Ela se recompôs e tentou se levantar, mas Felipe não a soltou.
-Felipe? – Aika disse com a voz fraca.
-Eu não vou te soltar. – Ele disse com fúria, como se isso fosse algo impossível de se impedir.
-Então vamos passar a noite aqui? No corredor? –Aika disse rindo um pouco.
Ela segurou firme uma das mãos de Felipe e levantou do chão junto com ele sem soltar a tal mão. Então ela limpou as lágrimas do rosto dele.
-Anata wa baka desuka? –Aika disse sorrindo.
Felipe sorriu tristemente de volta, ele gostava de ter algo de Aika só pra ele, como um código que só ele entenderia.
-O que eu respondo?
-Hai baka desu.
-Rai baka su.
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