Eu Preciso De Você.
1 Don\'t leave me.
Notas iniciais
- Vamos pra festa, por favor Louise. — Anne estava animada pra festa, e eu pouco me importava.
- Ah, eu estou cansada. Só quero ficar em casa assistindo algum filme ou lendo livro. — Me joguei na cama enquanto fitava o teto.
- Nada disso! Levante dessa cama, vá se arrumar. — Ela me puxou pelo braço e me empurrou pra dentro do closet. Acabei cedendo em ir pra festa, afinal: eu precisava mesmo me divertir.
Peguei uma calça de couro preta, uma blusa regata larga branca e uma jaqueta de couro preta. Coloquei meu salto Louboutin dourado, e arrumei uma maquiagem fraca. Sai do closet, e ela me olhou satisfeita. Eu não era muito de ir em festas, eu era mais caseira, do meu jeito. Gostava de ficar horas lendo livros, assistindo filmes e até mesmo gastando tempo na internet. Minha amiga Anne sempre foi baladeira, desde a época da escola, que ela fugia de casa pela janela e ficava em festas. Ela foi pra casa dela, e eu fiquei esperando a mesma. Ela logo apareceu em casa, e entrei no carro. Ela dirigiu até uma casa noturna, estacionou o carro e descemos do mesmo. Entramos lá, a música estava muito alto e muitas pessoas se divertindo. Ela foi na direção de um menino alto, sarado e moreno, eles se beijaram e logo vieram em minha direção.
- Esse é o Robert. — Ela gritou em meu ouvido por causa da música. — Estou ficando com ele.
- Olá Robert. — Gritei e o cumprimentei com um aperto de mão. Logo senti Anne me puxando pro centro da pista e começamos dançar. Estava tocando Sexy And I Know It. Me deixei levar pela música alta, e um homem veio pra trás de mim tentando me agarrar. Peguei a vodka da mão de Robert e taquei no olho dele e sai correndo com medo. Eu fazia as minhas burradas e depois ficava com medo. — Vamos Anne. — A puxei pelo braço até a saída, onde lá fiquei com ela até o menino aparecer. Tirei meu salto e ela também, corremos que nem loucas pela rua, rindo.
- Você é louca, Louise. — Ela disse assim que parou de correr, e se apoiou no muro que havia ali.
- Fiquei com medo dele. — Me encostei do muro também, e retomei o meu fôlego.
- Não faça mais isso comigo. — Ela voltou a rir e fomos até o carro. Entramos no mesmo e ela dirigiu até algum lugar que eu não conhecia. Entramos em um bar, e ficamos sentadas em uma das mesas que ali havia, ouvindo o bom e clássico rock de The Beatles. Isso era música boa.
Um homem logo nos serviu uma dose de vodka, e bebemos conforme conversávamos. O menino que tentou me agarrar não saia de minha cabeça, e eu estava curiosa pra saber quem era. Eu realmente estava curiosa. Terminamos de beber, pagamos a conta e voltamos pro carro. Anne havia perdido o reflexo por conta da vodka, porém ainda estava boa. Ela teimava querendo dirigir, eu simplesmente cedi e ela dirigiu normalmente até casa. Desci do carro e fui diretamente pro meu quarto sem falar com ninguém. Minha mãe saia e não me dava explicações, pra que daria explicações pra ela?! Aliás, sou maior de idade e posso fazer o que eu bem entender.
Tomei um banho pra relaxar, me vesti apenas com peças intimas e dormi. Quando acordei, senti algo gelado em meu pé. Era meu pé de encontro com a parede. Me levantei, coloquei minha pantufa e fui correndo pro banheiro pois estava apertada. Fiz minha necessidade, e minha higiene matinal. Fui tomar café, e como da ultima vez: minha mãe não estava lá. Tomei meu café normalmente, e mais uma vez o rosto do menino veio em minha cabeça. Retornei pro meu quarto, e me vesti com uma blusa normal e um short jeans bem curto. Clima de Miami era quente. Tocaram a campainha, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fui até a porta. Abri a mesma, vendo um homem fardado. Ele com certeza era policial.
- Bom dia. — Disse calma.
- Bom dia. Senhorita Louise? — Ele perguntou e eu assenti com a cabeça. — Sinto lhe informar, mas sua mãe foi encontrada morta. Ela se suicidou. — Ele disse e eu senti minhas pernas amolecerem, como se eu fosse cair ali. Minha mãe? Como assim?!
- Deve haver um engano. — Forcei um sorriso, que pareceu uma careta.
- Encontramos seu número da agenda do celular de sua mãe. Não tem engano. Se a senhorita puder, peço que nos acompanhe até o Instituto Médico Legal. — Ele disse e eu assenti com a cabeça, com poucos movimentos. Coloquei uma sapatilha no pé, e peguei meu BlackBerry. Me sentei no banco duro da viatura, e o policial dirigiu até o tal lugar. Senti uma fraqueza em descer da viatura. Nunca imaginei que veria minha mãe assim, morta. Eu não acompanhava minha mãe, mas eu sei que tudo que eu sentia por ela era de verdade, era sentimento puro chamado amor. Entramos em uma sala, que tinham várias gavetas, um homem todo vestido de branco puxou uma que tinha um corpo forrado com um pano branco. Senti vontade de chorar quando ele deixou o rosto de minha mãe à mostra. Eu queria sair dali chorando, berrando. Eu queria perguntar à Deus o porquê daquilo, mas nada saia de minha garganta.
- Uma bala estava alojada no coração dela, que a levou à morte na hora. E no bolso da calça dela havia um bilhete, para Louise. — O "médico" disse e me entregou um papel. O abri e comecei ler.
"Querida filha. Sei que pra você deve estar sendo angustiante saber que sua mãe se suicidou. Saiba que eu te amo muito, e que não pude saber que sua tia morreu à 2 semanas e eu não soube disso. Eu quero ficar junto de sua tia, junto de minha irmã. Saiba que a mãe te ama muito, que a cada dia meu coração continuava batendo por você. Somente por você. Me perdoe por estar fazendo você passar por isso, me perdoe por essa atitude fraca que eu tive. Eu te amo muito!"
- Por que você me deixou? — Eu disse livrando os soluços de minha garganta e meu choro. Segurei o bilhete em meu peito e chorei mais ainda.
Notas finais
Acompanhem no próximo capítulo.
Fale com o autor