Eu Odeio Esse Fantasma!
24 Feliz aniversário Evans!
Notas iniciais
__WEEEEEEEEEEEEEEE ARE THE CHAMPIONS! MY FRIEND! END WE KEEP FIGHTING TILL THE AND!
Abri um olho, irritada. Quem ousa me incomodar a essa hora da manhã?!
__WEEEEEEEEEE ARE THE CHAMPIONS! WEEEE ARE THE CHAMPIONS! NO TIME FOR LOSERS! ‘CAUSE WE ARE THE CHAMPIONS… OF THE WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORLD!
__Ai Evans, acorda – Senti Rayn puxando minha coberta para chamar a atenção – Tem alguém cantando lá fora. Faz isso parar!
__Cantando? – Falei com a voz grogue, tentando abrir o outro olho – Tem certeza? Achei que era um animal urrando com medo de alguma coisa.
Tentei me levantar e me embolei nas cobertas. Fui em direção a janela, já que era de onde o som vinha e a abri violentamente, dando de cara com Adrian segurando rosas vermelhas e se preparando para cantar de novo.
__Eu não errei por completo afinal, tem mesmo um animal urrando – Falei para Rayn, que deu uma risadinha. Eu sou muito meiga, não é mesmo? Me voltei para Adrian – ADRIAN SEU BOCÓ! VOCÊ NEM SABE EM QUE CASA FAZER UMA SERENATA! A CASA DA MILE É PRA LÁ! E QUE MÚSICA DE MERDA É ESSA?!
Ele me olhou com cara de pamonha.
__Julie sua idiota. Eu estava tentando te homenagear! – Ele ergueu o buque de rosas e sorriu – Feliz Aniversário sua grossa!
O olhei calada. Ele olhou para mim ainda com o sorriso no rosto.
__...
__...
__POR QUE ME LEMBROU DISSO CRIATURA?!– Ele se assustou tanto com o meu berro que deixou as rosas caírem no chão — E PRECISAVA ESTOURAR MEUS TIMPANOS POR CAUSA DISSO DESGRAÇA?!
Ele rolou os olhos.
__Fala sério Julie. Uma vez na vida, pode parar com essa neura de velhice e curtir o seu aniversário? Stacy já está chateada por que você não deixou ela fazer a sua festa.
__Adrian, quantas vezes eu tenho que dizer? Não gosto de fazer aniversário! E ela sabe muito bem disso!
__Meu pai amado! Você é muito tosca! – Ele rolou os olhos novamente
__Olha aqui, eu não vou ficar aqui ouvindo suas grosserias. Tenho mais o que fazer. – Fechei a janela e pude ouvir ele dizendo, “minhas grosserias?!”.
Sorri com aquilo.
Me virei e vi que Rayn me olhava curioso e um pouco ofendido.
__Por que não me disse que hoje era seu aniversário?
__Porque não é importante!
__Mas é claro que é importante! Eu teria te importunado mais se soubesse disso!
Estreitei os olhos e ele riu.
__Ha-há. – Falei sarcástica – Muito engraçado.
Desci as escadas enquanto ele ainda ria.
__Feliz aniversário filha! – Arregalei os olhos quando vi minha mãe, parada sorrindo feliz para mim – Eu sei que não gosta do seu aniversário, mas compre...
__O que você está fazendo aqui? Não tinha uma reunião na Escócia ou coisa assim? – Falei meio chocada, meio sarcástica.
__... Mas comprei o seu presente, – Ela continuou como se não tivesse me ouvido – bem, não comprei exatamente.
Ela me indicou a cozinha com as mãos e eu, nada curiosa, fui ver o que era.
Naquele momento, perdoei minha mãe instantaneamente.
__Gosta do seu aniversário agora? – Rayn disse rindo enquanto eu ainda estava de boca aberta.
__Está bem perto disso...
Minha mãe chegou perto de mim.
__Demorou um tempo para fazer, mas... Essa cara é impagável. – Ela falou rindo com Rayn, olhando para a minha cara de surpresa. Meus olhos brilhavam, juro.
Ali, na minha frente, se encontrava A MAIOR TORRE DE BOLINHOS QUE EU JÁ TINHA VISTO.
ERA O PARAÍSO!
__Oh lord, isso é de longe o melhor presente que eu já ganhei.
__Julie! Abre essa porta! – Ouvi a voz de Adrian, enquanto ele esmurrava a porta – Não pode me deixar falando sozinho e sair impune! Não importa que seja o seu aniversário! Eu vou quebrar todos os seus ossos!
Aham. Claro.
__Oh! É o Adrian? – Murmurrei um “Uhum” para minha mãe, pelo fato de que eu já estava com a boca entupida de bolinhos. É claro que o fato de ele ameaçar quebrar os meus ossos nem a abalou. Amor de mãe. – Sempre gostei desse garoto. E sempre achei que vocês deveriam ficar juntos.
Engasguei. Rayn soltou uma gargalhada.
__Credo mãe! Ele gosta de uma garota agora! – Falei engolindo outro bolinho.
__Meu deus Julie! Para com isso! É nojento e você vai ficar gorda – Rayn disse.
Mandei o dedo para ele já que minha mãe havia saído da cozinha e estava abrindo a porta para Adrian.
__JULIE EV... Ah. Olá Sra. Evans – Ele ficou vermelho – Não sabia que estava em casa.
__Cheguei a pouco tempo. Entre! – Ela sorriu para ele- Então, me conte sobre a garota que você está gostando.
Ele começou a tossir e me mandou um olhar assassino.
__Ah... Bem... E-eu não... Quer saber? Eu tenho que ir agora, me desculpem. Volto outra hora. Foi um prazer revê-la Sra. Evans!
__Mas... Bom, tudo bem. Até mais tarde querido! – Ela acenou enquanto ele saia rapidamente dali.
Fiquei até com pena dele. Minha mãe podia ser bem constrangedora.
Meu namorado sofreria nas mãos dela. E eu sofreria se ela começasse a mostrar as fotos de bebê. Rayn riria muito da minha cara caso isso...
Espera. O que?
Eu disse Rayn?
Muitos bolinhos... Afetando o meu cérebro...
Larguei o bolinho que estava comendo e Rayn franziu a testa.
Ele parecia pensativo, confuso e um pouco... Ansioso?
__Escuta Julie, eu tenho que ir.
__Ir? Como assim? Quando eu quero que você suma você não faz isso e agora você quer ir!
__Então você não quer que eu vá? – Ele deu um sorriso sacana.
__O-o que?! Claro que quero! O que você ta esperando? Vaza daqui! – Sinceramente, eu já estava ficando irritada por corar de tudo o que aquele manezão falava.
Ele sorriu e sumiu.
[...]
Passei a maior parte do dia ignorando as ligações de parabéns que me mandavam, na verdade. Um tempo depois, aquilo começou a ficar tão irritante a ponto de eu me levantar e tentar tirar o aparelho da tomada.
__Julie o que você ta fazendo? – Minha mãe veio na minha direção e tentou me tirar de perto da tomada.
__Não aguento mais esses telefonemas! – Tentei puxar novamente. Aquela coisa estava grudada! Não é possível!
__Sai daí Julie! – Ela tentou me puxar de novo, com mais força.
Só sei meu povo, que eu grudei na tomada e ela foi arrancada comigo junto.
__Droga de telefonemas – Esfreguei minha delicada –sim, delicada- bunda.
__Por que você não gosta do seu aniversário Julie? Não faz sentido! – Minha mãe me perguntou, enquanto nos levantávamos do chão.
__Você sabe o porquê. Não gosto de ficar mais velha.
__Você parece uma, falando assim.
__Que seja – Dei de ombros
__Huh... Eu vou ter que sair para comprar algumas coisas. Você fica bem sem mim? – Ela parecia um pouco nervosa.
__Claro né mãe! Você fica dias fora e eu aqui sozinha.
Ela me olhou um pouco magoada. Mas sabia que era verdade, por isso, não disse nada.
Olha, rimou.
Ela saiu um pouco apressada e fiquei olhando o carro ir até o fim da rua e sumir de vista.
De qualquer forma, fiquei comendo balinhas fini e bolinhos a tarde inteira. Sim, era meu aniversário e eu estava vegetando na frente da tv.
Me processe.
Então, quando meu celular tocou, já passava da meia noite.
__Alô?
__Oi Julie! É a Luana!
__Ahn... Oi?
Ela riu.
__Você não sabe quem eu sou, não é?
__Claro que... não. Quem é você? – Perguntei meio constrangida já que ela parecia me conhecer a um tempo
__Eu estudo na sua sala, mas sou meio tímida, acho que é por isso que você nunca tinha me notado.
__Ah! Agora eu lembro quem você é! – Na verdade, eu só lembrava vagamente de uma garota sentada no fundo da classe.
__Então – Agora foi a vez dela ficar constrangida – fiquei sabendo que hoje é o seu aniversário, mas que você não gosta de comemorar.
__Ah, é. Pois é, aquela coisa sobre ficar mais velha e coisa e tal.
__Sim, eu até concordo. – Ela riu sem graça – Então, eu pensei que, bem, eu e meus amigos vamos, ou íamos, para uma baladinha hoje. Mas nosso motorista deu o cano e não temos ninguém que nos leve.
Só eu estava achando essa conversa estranha?
__E como eu sei que você já pode dirigir e que talvez queira comemorar o seu aniversário dançando e bebendo, eu pensei se... Você poderia nos dar uma carona – Ela falou tímida.
__Eu só falei com você umas três vezes...
__É, eu sei, mas todos os nossos amigos que dirigem estão fora, porque, você sabe que sábado todo mundo vai para uma festa; menos você, o que é estranho já que é seu aniversário. Mas isso não vem ao caso. E então? Pode ou não?
O que eu tinha a perder? Não estava fazendo nada e eu não ia, tecnicamente, comemorar o meu aniversário.
__Tudo bem. Qual o endereço?
Depois de Luana ter me passado o endereço, me troquei e peguei a chave do carro da minha mãe. Sim, da minha mãe, já que, nas palavras dela “você não tem a mentalidade para ter o seu próprio carro. Você vai aprender a dirigir, mas só poderá usá-lo se eu estiver junto ou for uma situação de extrema emergência”.
Bem, eu ia sair da minha vegetação! Eu precisava do carro, isso era uma emergência!
Dirigi pelas ruas de L.A e percebi que Luana estava certa sobre a questão de todas as pessoas da cidade estarem nas ruas nessa noite de sábado.
Quando cheguei no endereço onde ela tinha me passado, estranhei o lugar. Possuía apenas uma casa grande, de dois andares com cores em tons claros e mais a frente se encontrava o mar, a luz da lua refletindo nas aguas calmas. Era uma visão realmente linda.
__Julie? Onde você tá?
__Exatamente – Falei quando Luana atendeu a minha ligação – Onde eu estou? Eu to olhando para uma casa, com uma praia mais à frente. Só.
__Ah – Ela riu – Então o Diego, um dos meus amigos, deve ter passado o endereço errado. Mas pela descrição que você fez sobre o lugar, é a casa dele.
__Ele tem uma casa com vista pro mar? Sério isso? Me apresenta esses amigos?
Ela gargalhou e uma foz vagamente familiar murmurou alguma coisa pelo telefone.
__Tudo bem, meu amigo está dizendo para você entrar na casa, que nós vamos tentar pegar um táxi e ir ai te buscar. A chave fica debaixo da samambaia.
__Mas eu estou de carro, é só vocês me dizerem onde vocês estão que eu vou.
__Ah, olha! O Diego conseguiu um taxi! Tchau Julie, até daqui a pouco!
__Mas...
Sim. Ela desligou na minha cara.
Suspirei irritada e andei até o casarão. De frente para a porta, procurei pela droga da samambaia e peguei a chave prateada.
Abri a porta e quando estava procurando o interruptor, uma luz se acendeu me cegando momentaneamente e um coro de vozes desafinadas encheu os meus ouvidos.
__SURPRESA!
Olhei para as pessoas sorridentes e avistei uma garota loira no meio da multidão. Stacy me olhava com um sorriso gigante no rosto.
__SUA DESGRAÇADA! EU VOU ACABAR COM A TUA CARA SUA INFELIZ! – Voei até Stacy e senti alguém segurando minha cintura. Stacy ria, feliz da vida enquanto todos olhavam assustados para a minha reação. Menos uma garota de cabelos ruivos, ela tinha uma expressão divertida e segurava um celular na mão.
Luana.
__AH SUA TRAIRA! DUAS CARAS! – Tentei avançar na mesma e novamente o aperto em minha cintura se tornou mais forte – E VOCÊ SEU ASSANHADO? PODE IR TIRANDO ESSA MÃO DAÍ!
__Julie, relaxa! Assim você morre antes dos 30! – Stacy disse gargalhando
__E VOCÊ MORRE QUANDO ESSE ASSANHADO TIRAR A MÃO DA MINHA CINTURA!
__Desculpe – Ele disse com uma voz grossa que arrepiou até o ultimo fio do meu cabelo – Stacy mandou eu te segurar. Só não achei que ia gostar disso.
Ele apertou mais minha cintura. Cade o Rayn pra deixar o cabelo desse burucutu em chamas?
__Hm, ok. Agora me solta.
__Tem certeza?
__Absoluta, obrigada.
Ele me soltou e eu sai correndo para perto de Adrian que ria da minha cara.
Qual é! O cara tinha quase uns dois metros só de músculos! Eu não ia bater nele!
__Para de rir otário! Você sabia disso tudo? – Perguntei para o bocó que enxugava as lagrimas
__É claro Julie! As flores foram ideia da Stacy, até parece que eu iria te dar flores. Era mais fácil te dar uma voadora.
__É, bem que eu estranhei.
__Oi Julie! – Mile apareceu e Adrian ficou educado de repente. O que o amor não faz com as pessoas?
__Então você também estava envolvida Hastings? – Estreitei os olhos e ela corou, tentando se desculpar.
__Não tem problema. Eu sei que é o Adrian que te arrasta para essas merdas.
__Basicamente...
__Ei! Eu estou aqui sabia?
Nós rimos e mais algumas pessoas vieram falar comigo. Eu só pensava em “matar Stacy, esquartejar Stacy, jogar os restos dela em uma vala...”
Outra coisa que, eu nunca admitiria em voz alta e não queria admitir nem para mim mesma, era onde Rayn estava.
Digo, ele não é meu acompanhante 24 horas, mas, mesmo eu não gostando disso, era meu aniversário. Eu não queria ligar para onde ele estaria, mas a verdade irritante, era que eu estava ligando.
Passei uma enorme parte do tempo tentando esquecer isso e até mesmo aproveitar meu aniversário. Stacy realmente fez um luau, com marshmallows e canções totalmente toscas ao redor da fogueira. Nunca conseguiria gostar do meu aniversário, mas admito que estava me divertindo como nunca.
Quando todos já estavam relativamente bêbados e alguns até caídos na areia, resolvi que era hora de me retirar. Desejei a todos que ainda estavam acordados e meio sóbrios, um boa noite e fui em direção a casa de Diego – sim, ele existia, mas era Matt quem estava controlando o que Luana falava. Sim, Stacy ficou com ciúmes – e procurei um dos enormes quartos para hibernar... Digo, dormir.
Tirei meu sapatos e me joguei na cama, ainda com os laços no cabelo e a saia rodada. Sim, Stacy me fez vestir isso.
Eu estava quase entrando no mundo dos sonhos quando ouvi um barulho. Levantei minha cabeça e por algum motivo obscuro, meu coração começou a palpitar.
Rayn estava alguns metros de mim, mais lindo do que nunca, devo admitir.
O que eu estava pensando?
Ele, de algum modo, parecia diferente. Parecia cansado, mas feliz ao mesmo tempo; diferente de alguma maneira.
__Ah, você apareceu afinal – Me sentei na cama, tentando não parecer chateada e falhando miseravelmente com isso. Ele sorriu de canto.
__Estive ocupado.
__É meu aniversário sabia? Você deveria ter pelo menos aparecido! – Me levantei e cruzei os braços.
__Pensei que não ligasse pro seu aniversário e achei que você me achava um... como é mesmo? Ah, um bocó.
Ele começou a andar na minha direção com um sorriso maravilhoso no rosto.
__Você é mesmo um bocó – Fiz um bico. Maturidade? O que é isso?
__Aham. É claro. – Ele estava bem perto de mim agora.
Rayn esticou sua mão e a aproximou da minha, estranhei aquilo. O que ele estava fazendo?
Até que senti um toque tão suave de seus dedos gelados que pensei não ser real.
Soltei um arquejo de espanto e olhei para ele de olhos arregalados.
__Como...?
__Você sabe que, se eu me concentrar bastante, posso materializar objetos não sabe?
Concordei com um aceno e senti seus dedos tocando os meus com mais precisão. Aquilo era surreal. Quente e frio, como se fosse quase perigoso junta-los.
__É o mesmo processo, a diferença foi que eu levei um dia inteiro e muito esforço para me concentrar. Eu só tenho alguns minutos.
A expressão dele era angustiante e ele falava olhando para nossos dedos quase entrelaçados.
Seus dedos gelados se desprenderam do meu e passaram pelo meu braço, que se arrepiaram pelo contato. Ele olhou nos meus olhos, azuis misteriosos, desvendadores de almas...
__E o que você vai fazer com esses minutos? – Perguntei em um fio de voz.
Ele sorriu.
__Como se você não soubesse... Vou dar o seu presente, é claro.
O olhei um pouco confusa.
__Feliz aniversário Julie Evans.
E me beijou.

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