Eu Nunca Poderia Imaginar
1 A chegada
Notas iniciais
Meu nome é Murakami Sakura, tenho 15 anos e estudo no Colégio Watanabe. Digamos que eu seja de bem com a vida, apesar do falecimento do meu pai, dois anos atrás. Moro com a minha mãe, Murakami Hana e minha irmã mais nova, Murakami Ai.
Sou muito sociável. Gosto de falar, conversar, me expressar e de conhecer muita gente nova. Gosto de saber seus nomes, seus gostos, me apegar ou não a eles. Sempre fui assim, desde mais nova. Digamos que eu seja popular. Na escola, ando com várias pessoas ao meu redor. Minha beleza exuberante, composta por cabelos longos, lisos e pretos. Minha simpatia, minha inteligência, meu bom humor... Vários fatores que atraem não só amigos, mas também muitos pretendentes. Eu podia escolher o garoto que eu quisesse e ele viria até mim. Todas as festas que aconteciam, eu era convidada. As coisas começaram a mudar com a chegada dele... Nakamura Taro, esse era o seu nome. Ele entrou no colégio em que eu estudava no segundo semestre. Veio de Tókio para Toyama devido a causas misteriosas. Ele tinha um olhar intenso e cheio de segredos. Parte de seus cabelos caíam sobre o seu rosto. Um conjunto de coisas o deixava extremamente atraente e ele fingia nem perceber. As meninas da minha turma logo se interessaram por ele, mais eu só queria conhecê-lo melhor e ganhar mais um amigo.
O professor o colocou numa carteira no fundo da sala. Tive que esperar até o intervalo para socializar com ele... Depois que comi o meu lanche, me desvencilhei de quem estava comigo e fui procurá-lo. Queria me apresentar sozinha. Ele estava à sombra de uma árvore, lendo um livro. Usava óculos de leitura e o vento soprava sobre seus cabelos castanhos. Ele passava um ar de concentrado e culto. Nunca vi ninguém ser tão sexy lendo um livro, mas isso não vem ao caso...
– Olá, posso interromper sua leitura?- Sorri amigavelmente.
–Oi, você já interrrompeu, né?.
– E você é bem gentil, né? Quer saber, vai se ferrar, não quero mais conhecer você- fiquei muito irritada e saí andando.
Quando eu estava indo embora, ele se levantou e me puxou pelo braço.
–Foi você quem mandou eu ir me ferrar e quer falar de gentileza?
–Me solta agora ou eu faço um escândalo!- Respondi aos berros.
–Olha só, eu vou te soltar, mas você vai ter que continuar aqui. Eu disse que você já tinha interrompido a minha leitura, não disse que você estava me atrapalhando- respondeu ele com um belo sorriso.
Assim que ele me soltou, me recompus e disse.
–Meu nome é Murakami Sakura, prazer em conhecê-lo.
Assim que eu disse meu nome, ele desabou. Caiu no chão, como se alguém ou alguma força maior o tivesse derrubado.
–Você está bem?- eu disse apreensiva.
Ele levantou rapidamente e disse:
–N- não, pode deixar, estou bem. Acho que me desequilibrei sozinho.
Como assim ele se desequilibrou sozinho? Assim do nada? Muito estranho...
–Quantos anos você tem?- eu disse, mudando de assunto.
–Tenho 15 e você?- Respondeu ele.
–Eu tenho 15 também- Respondi rapidamente.
Não conseguimos conversar mais do que isso, logo depois o sinal que indicava o fim do intervalou bateu e eu disse:
– Vamos subir Taro?
– Não, eu não vou subir agora, eu estou esperando uma pessoa.
– Como assim, você não pode ficar aqui embaixo, não é permitido.
– Então é assim que as coisas funcionam pra você Sakura, você só faz o que é permitido?
– Sim, algum problema seu "fora da lei"?
– "Fora da lei"? Você nem imagina o que é ser fora da lei... — Taro disse isso com um sorriso meio cabisbaixo, mas eu nem dei tanta importância.
– Então eu vou subir, depois a gente se fala. Tchau!- Acenei amigavelmente.
– Tchau Sakura- Taro acenou e saiu andando em direção aos fundos da escola.
Subi as escadas da escola intrigada. Não sei por que, mas fiquei curiosa, eu queria saber quem Taro estava esperando. Do nada senti um braço. Era Mariko Fujii, minha melhor amiga.
– E aí Sakura, como foi a sua conversão com o bonitão do Taro?
Mariko era indiscreta e falava bem alto, mas mesmo assim eu a amava muito.
– Mariko fala baixo, o Taro não é bonitão...
– Sakura querida, você é cega. O Taro é um gato, perfeito, lindo, maravilh...
– Chega Mariko, já entendi! Mas eu não quero vê- lo dessa maneira, quero amizade, entendeu?
– Tá, tá, sim senhora certinha!
Chegando à sala de aula, sentei na minha mesa, Mariko sentava logo atrás de mim. Mariko começou a conversar com outras pessoas e eu comecei a pensar novamente naquele assunto... A quem Taro ficou lá embaixo esperando? O professor de matemática entrou na classe. Eu não tinha a mínima cabeça para números. Não naquela hora, com toda aquela curiosidade. Sou muito curiosa, odeio isso. Mas fazer o que, né?
Passados 25 minutos da aula e nada do Taro subir. Será que ele foi pego e está na sala da diretoria? Será que ele ainda está lá embaixo com a tal pessoa? Ai que curiosidade... Quer saber, eu vou lá conferir.
– Professor, posso ir ao banheiro?
– Pode sim Sakura.
Sai da sala o mais rápido que pude, afinal eu só estava indo ao banheiro, não podia demorar. Desci as escadas com cautela para não ser pega pro nenhum inspetor. Andando bem rápido pelo jardim eu ouvi alguém dizendo: Taro! A pessoa deu um grito de repreensão. Meu Deus, eu conheço essa voz! E a minha curiosidade aumentava cada vez mais a cada passo. Quando eu cheguei nos fundos da escola, vi com quem Taro estava e o que ele estava fazendo. Fiquei pasma, era inacreditável!
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