Eu Não Vou Desistir de Você

1 Capítulo 1: Eu Não Vou Desistir de Você


O céu estava alaranjado, o entardecer proporcionava uma bela vista na floresta que separava Noxus de Demacia, e ali entre as ruínas podiam-se ouvir os ardentes sons de espadas dançando.

Um alto e forte Demaciano trajado de azul com armaduras balançava sua enorme espada que tilintava voraz com as laminas das adagas de sua inimiga Noxiana, uma assassina a sangue frio com vestes negras que destacavam seus longos cabelos vermelhos tão ardentes quanto o fogo. Garen girou a espada atingindo Katarina contra uma pilastra, por sua vez, ela colocou as adagas em frente ao corpo para se defender quando viu novamente a enorme arma vir em sua direção e cortar as suas ao meio.

– Ah não acredito! – disse olhando perplexa ante de franzir o cenho enfurecida.

Katarina saltou girando o corpo em cima do soldado lançando pequenas adagas certeiras em seus ombros, penetrando na armadura. De volta ao chão, retirou outra replica de sua arma favorita das costas com um sorriso triunfante e animador.

– Fuh... – soprou o fio de cabelo que caiu em seu rosto.

– Tsc! – retirou uma das adagas do ombro, irritado. – Posso lutar com você por horas!

– Que comece o banho de sangue!

A Lamina Sinistra correu empolgada de encontro a seu inimigo, mas antes que chegasse perto e a espada a pegasse usou o shunpo para aparecer em sua retaguarda e passar as laminas em seu estomago rapidamente fazendo o homem se encurvar, sem perder tempo, levantou a perna acertando em cheio o chute em seu rosto. Desequilibrado, Garen deu um passo atrás quando Katarina teleportou-se para cima de suas costas direcionando as laminas afiadas para sua garganta, porém foi mais ágil e segurou firme o pulso da mulher a jogando contra o chão. Ela novamente o olhou irritada ao vê-lo levantar a espada para si, sabia o quão era insistente e isso a deixava furiosa, então, girou o corpo para o lado desviando da arma que cravou na terra, mas estranhou que ao ficar de pé em defensiva Garen manteve seus olhos baixo na espada que começou a brilhar.

– Mas o que... – pensou consigo mesma. – Ah! – desviou os olhos para o céu surpresa.

Sem escapatória, em segundos uma enorme espada brilhante atingiu o chão abrindo um enorme buraco no qual a levou junto com as pedras. Uma densa fumaça negra tomou conta do local. Quando a poeira abaixou, Garen se aproximou do buraco vendo Katarina inconsciente em meio aos escombros, mas uma queda daquelas não a mataria tão facilmente pois era mais forte do que aparentava, e gostava disso. Ele pulou para onde estava sua rival, levantou a espada, respirou fundo e com todas as suas forças a direcionou para Katarina, mas parou o golpe a alguns centímetros de sua garganta quando por um descuido observou uma barra de ferro atravessada na cintura da mulher.

– Você esta ferida! – disse preocupado.

– Tsc! Hora essa! – debochou Katarina voltando a consciência, abrindo os olhos pesados. – Como se isso fizesse alguma diferença. – falou com a voz baixa e embargada. – Me mate logo! Antes morta do que inútil!

– Não diga besteiras! – jogou a espada no canto. – Eu nunca lutaria com alguém indefeso. – agachou ouvindo a assassina respirar com dificuldade.

Katarina sorriu de canto.

– Só os tolos hesitam... – provocou.

Estava decidida a morrer por seu fracasso, mas Garen sentia uma luta se formar em seu coração por querer salvá-la e ter que matá-la por ser quem era.

– Não desista tão fácil, sua idiota! – a repreendeu irritado. – Ainda não acabamos nossa luta. – sorriu para a assassina. – Acho que estou te devendo uma adaga. – brincou ouvindo pela primeira vez Katarina rir, baixo, mas o som foi o suficiente para se encantar ainda mais pela moça.

Estranhamente, o soldado se sentia extremamente atraído por ela tanto quanto a odiava. Havia uma conexão entre os dois inexplicavelmente forte, era como se não existisse mais ninguém páreo para eles no mundo além deles mesmo que os levavam ao limite em cada batalha.

– Isso é tão patético! – disse a Noxiana com desgosto tentando se levantar em um impulso, mas voltou a deitar arquejando de dor, e por um instante, tudo ficou distorcido.

– Ei! Fique comigo! – tocou seu rosto a trazendo de volta a atenção. – Vamos, eu vou te tirar daqui. – garantiu segurando suas mãos. – Céus, isso vai doer... – pensou segurando ainda mais forte a mão da mulher.

Naquele exato momento estava se arrependendo de sua vitoria. Suas batalhas contra A Lamina Sinistra sempre terminavam em empate ou com a ida de um, nada mais grave que um arranhão acontecia, e o que estava prestes a fazer o preocupava.

– Esta pronta? – perguntou um tanto temeroso.

Ela concordou com a cabeça, e rapidamente Garen a puxou forte a fazendo cair em cima dele. Katarina gemeu de dor ao sentir a barra de ferro lhe atravessar e o sangue transbordar por sua pele, sentou-se rapidamente encostando as costas em uma pedra.

– Droga! – praguejou o homem retirando o cachecol azul do pescoço e pressionando contra o ferimento. – Eu vou buscar um medico!

– Eu não preciso de um medico. – disse com dificuldade colocando a mão tremula em cima da do homem para pressionar ainda mais o ferimento que latejava. – Estou bem...

Era claro em seus olhos verdes a dor que sentia, mas sabia que ela agüentaria tudo calada, era orgulhosa demais para admitir que precisava de ajuda, ainda mais vinda de um inimigo Demaciano.

– Então ficarei aqui com você.

A Du Couteau arregalou os olhos surpresa pela atitude do guerreiro, mas tentou disfarçar.

– Faça como quiser. – respondeu indiferente virando o rosto para o céu.

O céu escurecia rapidamente, e logo a lua estava a iluminar a noite escura. O silencio entre os adversários apenas mostrava o quão incomodados estavam um ao lado do outro. Acolhedor e ao mesmo tempo irritante.

– Você sabe que os soldados do meu pai virão atrás de mim, não é? – disse Katarina quebrando o silencio.

– Pois que venham. Não sairei daqui até saber que está segura.

– Humpf! – bufou sem paciência. – Pare de me tratar como uma invalida! Se eu pudesse já tinha rasgado a sua garganta!

– Mas como esse não é o caso... – a lembrou.

Katarina trincou os dentes ainda mais irritada e abraçou as pernas escondendo o rosto nos joelhos sem acreditar pelo que passava. Como tudo foi terminar daquele jeito? Mas o pior passou por seus pensamentos quando imaginou o que aconteceria se descobrissem que passou a noite ao lado de um inimigo. Suspirou pesado sentindo a ferida em sua barriga latejar e queimar, apesar da dor ter passado não iria muito longe se conseguisse ficar em pé. Por um instante, olhou para o tecido azul manchado de vermelho envolta de sua cintura, o cheiro do sangue misturado com o forte perfume do guerreiro.

– Ah droga... – pensou consigo mesma, sentindo-se envergonhada por gostar do cheiro forte do homem. – Eu tenho que sair daqui, e rápido.

– Esta sentindo dor? – a voz de Garen a despertou dos pensamentos. – Eu posso ver se encontro algum medicamento por perto.

– Já disse que estou bem– respondeu sem olhá-lo.

Um leve vento frio passou fazendo a assassina esfregar os braços, e logo se sobressaltou quando sentiu os braços de Garen passar por seus ombros arrepiando sua pele com o toque.

– O que pensa que esta fazendo, demaciano?!

– Você vai pegar um resfriado e ficando pior se não se esquentar nessa friagem. – disse serio, porém preocupado.

– Eu não preciso da sua compaixão! – o empurrou. – Apenas me deixe em paz e vá logo embora! Porque ainda está aqui!?

– Não é sábio de um cavaleiro deixar uma dama ferida no meio do nada. – respondeu. – Eu não pensei que poderia acontecer um acidente daquele com você, de certa forma foi minha a culpa. Não se preocupe, eu cuidarei de você até alguém vir buscá-la. – sorriu gentil para a ruiva ao lado que ficou sem reação.

– Você realmente é irritante... – murmurou após alguns instantes dando-se por vencida e encostando a cabeça no ombro do homem fechando os olhos.

Um arrepiou percorreu a espinha de Garen quando a mulher se encostou. Ele observou os cabelos vermelhos caído pelos ombros de Katarina, reparando na cor intensa a qual nunca tinha visto igual antes. Sua pulsação subiu com os pensamentos de a quão bela era a assassina. A Du Couteau não apresentava perigo, ainda mais no estado em que estava, mas sabia que tinha que ficar alerta para que ninguém os notasse.

– Isso causaria uma guerra... – pensou em um suspiro vendo Katarina dormir cansada.

Em um impulso, passou suavemente a ponta dos dedos no rosto frio de Katarina antes de colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. De repente, quando menos esperava, um barulho os despertou.

– Alguém esta vindo para cá! – avisou alerta tocando na espada ao lado ao mesmo tempo em que Katarina tocou em suas adagas.

– Garen?! – ouviram uma voz familiar chamar o guerreiro ao longe. – Esta ai!? Apareça garoto! – berrava Jarvan IV, o Exemplo de Demacia.

– Droga... – disse a ruiva entre os dentes ao reconhecer a voz do líder das tropas demacianas. Ela se levantou com dificuldade. – Eu tenho que sair daqui. – jogou o pano azul para Garen que a impediu de prosseguir segurando seu braço.

– Eu vou com você. – a encarou serio.

– Eu sei o caminho de casa, não preciso de um demaciano no meu p--

– Garen!?

– Rápido! Por aqui! – a interrompeu puxando seu braço ao correr quando ouviu os passos de seus companheiros se aproximarem.

Despercebidos, saíram pelo meio dos escombros das pedras e correram por entre as imensas árvores que tinha logo à frente. Garen ia na frente enquanto Katarina quase sem ar o seguida atrás. Eles pararam de encontro a um precipício, recuperando o fôlego.

– Acho que conseguimos despistá-los... – disse Garen tentando ver algo por entre as folhagens.

De repente, um baixo estalido veio debaixo das botas de Katarina que viu a terra rochosa se partir antes de perder o chão e cair. Rapidamente o soldado segurou firme o pulso da assassina. Ela o olhou fundo em seus olhos, se perguntando se ele a deixaria cair.

– Eu não vou desistir tão fácil de você, Katarina. – sorriu confiante fazendo o coração da ruiva pulsar mais forte.

Garen forçou seu braço balançando de um lado para o outro antes de jogar Katarina de volta para a terra firme quando sua mão escorregou por entre as pedras. Sabia que seria ele ou ela, e ainda mais que ... Mas para a sua surpresa, sentiu um par de mãos segurar-lhe firme o pulso.

– Você... – murmurou sem acreditar.

– Eu também não dou desistir tão fácil, seu idiota! – Katarina disse ofegante enquanto se levantava o puxando.

A mulher arfou com as mãos no joelho quando Garen voltou a segurança.

– Obrigado. – disse ele ao se levantar da terra.

– Você não--

– Garen!? – ouviram a voz de Jarvan berrar ao se aproximando pelas folhagens.

E antes que percebesse, Katarina havia sumido de seus olhos.

– Mas que diabos você esta fazendo por aqui a essa hora? – reclamou Jarvan.

– A-ah... – passou a mão por entre os cabelos castanhos, meio sem jeito. – Eu precisava esfriar um pouco a cabeça. – explicou.

– Entendo. – compreendeu o homem. – Vamos voltar logo, Lux esta doida te procurando! – voltou a caminhar na frente por onde veio.

– Certo, certo.

Garen deu um passo a frente seguindo Jarvan quando sentiu uma leve brisa em suas costas e virou-se bruscamente arregalando os olhos quando viu a lamina de Katarina pairar em seu pescoço ao mesmo tempo em que a assassina aproximou seus lábios rosados dos seus, os pressionou forte em um beijo rápido.

– Pense nisso apenas como um agradecimento. – sussurrou ainda perto de seus lábios.

Ela se afastou com um sorriso de canto antes de sumir novamente por entre o shunpo deixando o guerreiro imóvel com o coração quase saltando da boca. Ele colocou as mãos nos lábios sentindo o rosto queimar.

– Garen? Esta tudo bem? – Jarvan voltou a perguntar.

– S-s-sim! – gaguejou. – Já estou indo!

Agitado, um turbilhão de pensamentos passou em sua mente. Tudo foi tão rápido, mas tão... intenso! Certamente não esqueceria daquilo. Nunca poderia esquecer-se da única mulher que o fazia incendiar os campos de batalha.

Notas finais
Desculpe se ficou meio confuso a parte da luta, ainda estou tentando pegar o jeito. Mas espero que tenham tido uma boa leitura =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!