Eu Não Preciso Disso, Sou de Humanas
3 O Grande Sonho
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
Todos estávamos na sala.
Olhei em volta e não acreditava que estava ali, cursando o meu grande sonho. Parecia ontem que eu pegava escondida a câmera do meu pai para gravar filmes caseiros com meu irmão, quando eu me formasse e fosse fazer meu primeiro filme, seria de um que eu fiz com meu irmão: "A Pequena Torta".
Parece coisa de criança, eu sei, mas era uma comédia muito bem elaborada. Tudo bem que tinha só 15 minutos de duração, mas era elaborada!
— Bom dia, universitários! — a professora Megan apareceu na sala — Hoje nós estamos iniciando seus estudos aqui, mas como hoje é o primeiro dia de aula, vamos conversar um pouco.
Todos se apresentaram rapidamente.
— Como de costume, todos os anos a Faculdade Chermont sedia o Torneio Universitário de Chicago. Alunos de todas os anos podem se inscrever para participar. Nesse torneio, as 3 das grandes faculdades disputam entre os melhores alunos. Por exemplo, cinema, vocês deverão produzir um filme e o melhor vencerá. — a professora Megan puxou assunto.
— E quando esse torneio vai acontecer? — uma menina do meu lado perguntou.
— No segundo semestre, mas as inscrições se abrem no mês que vem. A faculdade disponibiliza uma verba para cada um dos grupos das disciplinas. — a professora explicou — Se houver, por exemplo, 2 alunos de cinema que se inscreveram, eles deverão trabalhar entre eles e encontrar o necessário para concluir seu dever.
O sinal bateu, e a professora saiu, dando lugar a um cara carrancudo que entrou na sala.
— Sou o professor Eric. — ele disse com a voz grossa — Sou o professor de processo de realização de um filme, e devo dizer que não tolero conversinhas nem bagunças, vocês agora estão numa faculdade, o universo é outro.
Todos assentiram com a cabeça.
— Vamos começar. — ele se virou para o quadro, escrevendo algumas coisas e depois se virou para nós — As diversas etapas da produção cinematográfica, funções da equipe, terminologia técnica/materiais e equipamentos usados, estúdios e laboratórios.
O resto das aulas foram interessantes, eu já sabia várias coisas que eles falavam, algumas não.
Enfim, hora do almoço.
Passei na cantina e peguei uma salada de frutas, não vi nada ali que me interessasse.
— Ei, Tris! — Chris gritou de uma mesa. — Vem sentar com a gente.
Me sentei com Chris, Marlene, Lynn e mais um garoto.
— Will, essa é Tris, nossa outra colega de quarto. — Chris nos apresentou e apertamos as mãos.
— Quer dizer que estou na frente de uma das futuras cineastas premiadas internacionalmente? — Will falou fingindo admiração.
— Nossa, em que bola de cristal você viu isso? Me fala que eu quero ver também. — eu disse e todos deram risada.
— Will cursa engenharia. — Lynn falou.
— Que maneiro, de onde você é? — perguntei.
— Daqui de Chicago mesmo.
Continuamos conversando antes de irmos para as 3 últimas aulas.
***
— Lynn, pode escutar música mais baixo, por favor? — Chris gritou do quarto de estudos. Marlene estava tomando banho, eu estava lendo e Lynn escutava música no celular.
— Você não sabe fazer mais nada além de ler. — Lynn bufou e desligou a música.
— É pra isso que estamos aqui. — Marlene riu saindo do banheiro só de toalha.
— Que isso, hein. — Lynn assoviou.
— Olhem pra lá. — ela atirou uma almofada em Lynn.
Dei risada, essas 3 eram muito divertidas.
Já faziam 4 meses que eu estava estudando ali, nesse tempo todo fui visitar meus pais umas 3 vezes, mas não podia perder tempo, tinha que estudar.
Faltavam poucas semanas para o torneio começar, eu fui a única que me inscrevi na minha sala, soube que haviam mais 4 de cinema que haviam entrado também.
Quero que chegue logo, estou borbulhando de ideias.
NARRAÇÃO TOBIAS
— Tobias! — Nita sentou do meu lado.
Eu estava na biblioteca estudando, não gostava de estudar no meu quarto, principalmente porque eu odiava meus colegas de quarto, bando de estúpidos.
— Oi, Nita. — tomei um gole do café que eu estava tomando.
— Sabe, eu estava te procurando. Você sabe que estou cursando matemática por causa dos meus pais, que eles só vão me deixar cursar jornalismo assim que eu acabar essa faculdade — seus olhos estavam marejados — Mas eu não consigo entender nada, não sei como não me pegaram ainda colando, só consegui chegar até o terceiro ano assim. Acho que estão desconfiando!
Olhei com pena para ela, ela estava visivelmente desesperada.
Apenas eu sabia do passado de Nita, porque eu também passei pelo que ela passou. Seus pais eram dois grandes professores de matemática, e queriam que Nita seguisse o mesmo ramo, ela até hoje é humilhada pelos pais.
— Tenho medo do que meus pais podem fazer. — ela deixou uma lágrima escapar, e tocou onde podia nas costas.
Eu entendi o que ela quis dizer.
— Não se preocupe, Nita. Sou seu amigo e vou te ajudar! — sorri para ela.
Ela se tranquilizou.
— O torneio está chegando e as inscrições se encerram semana que vem, meus pais querem que eu participe mas eu tenho medo de errar. — Nita disse.
— Vamos estudar, Nita. Essa é a única solução. — sorri para ela, mostrando minhas anotações no caderno.
Meu sonho sempre foi matemática, desde criança amava as complexidades que ela causava, então sempre foi fácil para mim.
Duas horas se passaram, e Nita parecia ter esclarecido um pouco suas dúvidas, e prometi que amanhã nos encontraríamos de novo.
Já era noite e a biblioteca já estava sem ninguém, não quis voltar para meu dormitório, então resolvi andar pelo campus.
A matemática era mais acirrada competição do torneio, porque junto dela entravam as matérias de astronomia e física. Então ou o aluno entendia as 3, ou perdia.
Nas duas vezes que participei fiquei em segundo lugar, o que me rendeu as duas cicatrizes no meu braço direito.
Eu entendia o que Nita estava passando, por isso nos tornamos tão amigos.
Mas Nita sofria mais ainda.
Bom, o motivo deixa pra lá.
O torneio estava chegando, então eu precisava ficar com o primeiro lugar, Nita se conseguisse ficar entre os 3 primeiros já deixaria seus pais um pouquinho orgulhosos.
Bom, o jeito era estudar.
NARRAÇÃO TRIS
— Universitários das 3 melhores faculdades de Chicago! Bem vindos. — A diretora da faculdade cumprimentou todos.
O dia torneio finalmente tinha chegado, e todos estávamos juntos.
— O Torneio Universitário de Chicago começou!
Todos gritaram a aplaudiram.
Haviam muitos rostos ali que eu não conhecia, a multidão começou a se dissipar e resolvi caminhar até meu dormitório, tinha marcado uma reunião com os outros 4 estudantes de cinema para pensarmos no que fazer. Cinema era a última competição, que seria dali a 3 meses e meio, quando acabasse o ano, uma forma de confraternização.
Pensando nisso, viajei nos pensamentos e sem querer, esbarrei em alguém.
— Ai, me desculpa. — eu disse assim que vi que havia feito o rapaz derrubar o copo de café, pelo visto.
— Tudo bem, acidentes acontecem. — ele disse, pegando o copo vazio do chão. — Mas é estranho mesmo tomar café num lugar e numa hora dessas.
Ele olhou para mim pela primeira vez, e eu vi o quão belos eram seus olhos, eram azuis e seu rosto parecia de um anjo.
Não consegui dizer nada, apenas dei risada.
— Bom, mas mais uma vez, desculpa. — eu consegui dizer só isso.
— Tudo bem. — ele sorriu, o seu sorriso era lindo.
Sorri de volta, e sai de lá.
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