1


Eu gosto de você.

O bilhete havia sido dobrado em quatro partes e escrito no computador. Dessa forma, ele não fazia a menor idéia de quem poderia ter escrito. Tinha que eliminar os suspeitos.

Com a mão no queixo, ele tentou se recordar quando foi a última vez que ele tinha passado em seu armário, no vestiário da Johnnys, e não tinha nada além dos seus próprios pertences. Havia sido antes do almoço, quando ele precisou buscar seu celular para pegar o número de um amigo para passar a Jin. Sim, depois disso, ele seguiu com Bakanishi e Takki para almoçarem em uma casa de lámen próxima a agência e, quando retornou, o bilhete já estava lá.

Sabia que nenhuma pessoa diferente havia entrado no local, pois tinha perguntado a Kobayashi-san que estava sempre ali porque era o responsável pela limpeza do vestiário. Dessa forma, como o local era dividido apenas pelo KAT-TUN, News e Kanjani 8, o autor do bilhete só podia ser alguém de uma dessas units.

Coçou sua cabeça. Era realmente irritante esses tipos de jogos. Por que a pessoa não se declarou diretamente? Ele era do tipo que achava que as coisas deveriam ser ditas de forma clara, sem engano ou duplas interpretações.

Contudo, não se iludia. Sabia que a maioria dos japoneses jamais seria tão objetiva com as palavras, porque seria de péssima educação, mas ele achava que dessa forma seria possível evitar alguns problemas... Como este! Alguém se dizia apaixonado por ele, mas ele não fazia a menor idéia de quem pudesse ser.

– Bem... O Jin e o Takki não podem ser, eles estavam comigo... Já sei, eu posso pedir ajuda deles!

Decidindo isso, Nishikido Ryo deixou o seu apartamento, enquanto discava para alguém.

– Takki? Sei que é repentino e que nos vimos há pouco, mas... Podemos nos encontrar no apartamento do Jin? Não é urgente, eu só queria que vocês me ajudassem a pensar em algo e... Está me chamando de burro, cretino? Ora, não me importa que você seja meu senpai! Vai pro inferno! – ele riu – Nos vemos daqui a pouco então? Até mais. Ok, eu levo cerveja.

2

Às vezes, temos momentos em que desejamos matar alguém. Seria realmente perigoso se nessas horas tivéssemos alguma arma a nosso alcance. A contragosto, Akanishi Jin levantou da cama, xingando a pessoa que estava tocando a sua campainha com tanta insistência e imaginando formas de como a mataria se pudesse.

A porta foi aberta e Ryo foi recebido por um mal-humorado, descabelado e usando apenas uma bermuda, Jin.

– Cretino! – Ryo exclamou com sua pouca discrição de sempre – Não atenda a porta para mim pelado desse jeito, quer me traumatizar?
– Acredite, você teria traumas se realmente viesse a minha berinjela! – Jin afirmou – O que você quer? Sabia que hoje é meu dia de folga? Eu estava dormindo!
– Com licença, estou entrando.
– Nani? Você veio pra ficar? – ele piscou os olhos repetidas vezes, enquanto Ryo tirava seus tênis e avançava para o interior da casa.
– Preciso falar com você... – Ryo estendeu a sacola com as cervejas que ele tinha comprado. Jin a pegou sem muita confiança.
– Não podia ser por telefone? – perguntou, ainda olhando a porta aberta e indicando a saída com os braços – Né??
– Se pudesse, eu teria te ligado... Além disso, você mesmo me disse no almoço que teria a tarde de folga e não faria nada hoje.
– Sim e qual é a parte do “não farei nada hoje” ficou difícil de você entender?
– Desculpa, Jin. – então ele ficou sério, o que deixou o mais velho preocupado – Eu realmente preciso falar com você... Estou com um problema.

Apesar de irritado e frustrado, Jin nunca era capaz de ignorar um amigo que viesse procurá-lo com um pedido de ajuda. Fez um bico contrariado, sabia que o que diria lhe traria confusões mais tarde, mas não teve como negar. Fechou a porta e recomendou a Ryo se acomodar.

– Senta... Vou vestir uma blusa e pegar algo para bebermos.
– Ok.

Ryo sentou em uma poltrona e ligou a televisão, esperando pelo amigo. Franziu a testa quando ouviu uma porta sendo fechada com força e depois Jin voltar para a sala com um bico ainda maior. Agora ele estava com uma calça jeans e uma camiseta branca.

– Sério... Você tem que ser rápido, Ryo! – ele disse.
– Ehhh?? Porque?
– Já te disse que eu não quero fazer nada hoje e não quero fazer nada rápido!

Ryo lhe olhou com estranheza. Sabia que muitas vezes era impossível entender os pensamentos de Bakanishi, mas, desta vez ele estava por demais esquisito. Parecia que estava escondendo alguma coisa. Ryo, porém, não conseguiu perguntar nada, porque a campainha tocou de novo.

– Mas será o Benedito???????? – Jin esbravejou.
– Não, não, é o Takki.
– O Takki? Que diabos...
– Eu pedi pra ele vir nos encontrar aqui!
– Ora... – Jin deu alguns pulinhos impaciente, olhando para o relógio no alto do seu armário. – Ora! – repetiu e foi abrir a porta, enquanto resmungava: – Não marque encontros na casa dos outros, Ryo!
– Bakanishi!! O Ryo já está aí? – Takki foi entrando sem muita cerimônia. – Ahhh, eu preciso de uma cerveja!

O senpai foi rapidamente para a cozinha e voltou com as bebidas. Jin fazia uma pequena observação a si mesmo de que não devia deixar seus amigos se sentirem tão à vontade assim em sua casa ou, ao menos, garantir que eles avisem com antecedência quando lhe farão uma visita.

– Sentaí, Takki... Fiquem à vontade! – ele disse, em um pequeno rosnado – Eu vou me vestir!

Dando às costas aos amigos, Jin os deixou na sala. Takki olhou para o amigo, até ele sumir pelo corredor, e depois se virou para Ryo.

– Ele já não está vestido?
– Bem mais do que quando eu cheguei! – respondeu Ryo, balançando os ombros, querendo dizer que tão pouco entendia aquela atitude de Jin.

Novamente, a porta bateu com mais força do que deveria, fazendo Takki e Ryo trocarem olhares confusos. E Jin voltou. Com a mesma roupa.

– Você não ia se trocar? – Takki logo o questionou.
– Ah! Não, eu ia pegar uma blusa, estou com frio!
– E cadê ela? – quis saber Ryo, com uma sobrancelha erguida.
–... Esqueci no quarto, droga! – Jin deu meia volta.
– Ele tá pior do que o de costume... – Takki comentou.
– É o que tá parecendo.
– Kanpai! – disse Takki, tranqüilo, batendo a sua lata de cerveja com a de Ryo.

3

Finalmente Jin se ajeitou com seus amigos na sala e Ryo explicou o seu problema.

– Hum... Isso é surpreendente... – comentou Jin, com a mão no queixo, segurando o papel com apenas dois dedos.
– Acho que essa era a intenção da pessoa ao colocar um bilhete anônimo! – comentou Takki, rindo.
– Não, não! – Jin sacudiu a mão – Eu estou dizendo que é surpreendente que alguém possa estar apaixonado pelo Ryo! – ele explicou, apontando Ryo com o dedo indicador! – Itteeee... – gemeu após receber um tapa do moreno e riu.
– Hum... E o que podemos fazer por você, Ryo-chan? – Takki se inclinou para a frente, apoiando-se com os cotovelos nos joelhos e olhando para o moreno com mais interesse.
– O que mais poderia ser? Eu quero ajuda para descobrir quem é essa pessoa!
– Demo... Isso é o seu problema urgente? – zombou Jin, com uma ligeira irritação – Não podia ter ficado para amanhã?
– Podia.
– Owe, Ryo!! – Jin protestou – Não diga que estragou a minha folga de forma tão fácil...
– Não seja rabugento, Jin! O Takki disse que não estava ocupado, eu já tinha terminado meu trabalho e você disse que não faria nada! Quantas vezes eu preciso te lembrar disso?
– Sim, eu sei, só que eu queria fazer nada sozinho! – ele resmungou. – Mas vai demorar muito até a gente descobrir isso...

Takki se levantou, ignorando as reclamações de Jin e buscou por papel e caneta.
– Vamos fazer as anotações dos suspeitos. Você disse que Kobayashi-san afirmou que só entraram as pessoas de costume, certo, Ryo?

O moreno sacudiu a cabeça, enquanto o mais velho começava a rabiscar algo no papel.

– Neste caso, do KAT-TUN, os suspeitos são: Kamenashi...
– Eh???????? Kamenashi não é um suspeito! – Jin afirmou, sacudindo a mão e rindo.
– Eh? Por que não? – Takki quis saber.
– Por que... Ora... Bem... Porque não é!
– Grande argumento... – retrucou Ryo.
– Isso... Isso significa que você quer que ele seja um suspeito? – Jin se alarmou. – Por um acaso você está a fim dele??
– Não estou dizendo isso! É você que não quer se explicar porque ele não pode ser um suspeito!

Jin coçou o nariz e olhou para o lado.

– Bem, é que ele estava saindo com uma pessoa, ele me disse, mas me pediu segredo e agora vocês me fizeram contar!! – olhou com irritação para eles e cruzou os braços.
– Besteira, isso não prova nada! – disse Takki – Ele pode estar saindo com uma pessoa para se divertir porque ainda não teve coragem para se declarar ao Ryo antes!
– NÃO DIGA IDIOTICES! – Jin se alterou – Kame não é esse tipo de pessoa!
– Owe, owe! Não precisa se exaltar, Jin! – Takki disse, olhando-o preocupado – Bem, nós temos o Kamenashi...
– Risca o Kame. – ele mandou.
– Né, Jin? Como você tem certeza de que ele está saindo com uma pessoa que ele ama? E se ele descobriu recentemente que gosta do Ryo?
– Impossível! Essa pessoa o faz muito feliz! – Ele afirmou com tanta determinação que atraiu olhares intrigados – Ele me disse. – afirmou, depois de olhar para Ryo e Takki. – E é uma pessoa muito boa no sexo também! O Kame me garantiu! Ele não trocaria essa pessoa por nenhuma outra deste mundo! – Jin movimentou seus braços com grande agitação para enfatizar o que dizia.
– Vocês voltaram a ser melhores amiguinhos de novo? – inquiriu Ryo. – Achei que Kamenashi não quisesse te ver nem pintado de ouro depois do seu intercâmbio, quanto mais te ter como confidente!
– Isso foi há muito tempo... Nós estamos bem... Como amigos. – Jin coçou o nariz de novo e olhou para ambos de forma agitada.
– Em todo caso, do KAT-TUN nós temos...

Antes que Takki terminasse de escrever, Jin lhe roubou a caneta e riscou o nome de Kamenashi. Encarou o senpai.

– Ok, ok!!! – Takki se enfezou e retomou a caneta. – Do KAT-TUN nós temos o KOKI... – e ele olhou com irritação para Jin, que lhe sorriu satisfeito –... O Junnosuke, o Ueda, e o Maru. Do News, nós temos o Koyama, o Pi, o Masuda, o Tegoshi, e o Shigue... E agora vem a cambada do Kanjani8... Yoko, Subaru, Shingo, Maru, Yasu e o Okura. O que nos dá um total de 15 suspeitos.
– É uma lista imensa!! – Jin gemeu – Conseguiremos descobrir quem é em quinze minutos? – ele olhou aflito para o relógio, mas sua pergunta foi ignorada.
– Sim, tem muitas pessoas... Por isso, precisamos encurtá-la! – afirmou Takki.
– Como faremos isso? – Ryo quis saber.
– Bem, não pode ser você, Ryo, se não, vai levantar a atenção do culpado. – explicou Takki – Então, Jin e eu vamos conversar com essas pessoas e descobrir quais delas estavam ocupadas no momento do crime... Sabemos que foi um pouco antes do almoço, o que nos dá um tempo entre às 11h25, horário em que você foi pegar seu celular, e 14h00. Algo em torno de três horas, aproximadamente. Nesse intervalo, o que essas pessoas estavam fazendo, é o que pretendemos descobrir.

Jin se ajeitou no sofá, jogando suas costas no encosto, e colocando os braços atrás da cabeça. Disse:

– O culpado vai mentir.
– Claro que vai. Nós não vamos provar quem é o culpado com isso, Jin.

Até mesmo Ryo olhou para Takki com mais interesse.

– Não?
– Não. Nós vamos provar quem são os inocentes.
– E não é a mesma coisa? – Jin insistiu.
– Definitivamente, não. Não teremos como provar que uma pessoa está mentindo, mas temos como comprovar uma verdade. Por exemplo... Se o Kamenashi disser que estava gravando um comercial, nós teremos como comprovar isso com o assessor do KAT-TUN, entendeu?
– Entendi. Eu só não entendo essa sua cisma com o Kamenashi!! – Jin respondeu, emburrado.

Takizawa se limitou a girar os olhos. Não ia entrar em outra discussão com Jin.

– Em todo caso, agora temos que trabalhar individualmente, certo? Eu posso falar com o pessoal do KAT-TUN e com o Pi tranqüilamente. Takki, você vai falando com o pessoal do Kanjani. Vamos deixar o restante do News por último. Até mesmo porque, o Ryo pode observá-los durante este tempo e ver se alguém age de forma estranha.
– Combinado. Quando tivermos mais informações, voltamos a nos reunir, ok? – Takki olhou para ambos e recebeu a confirmação.
– Ótimo, tudo certo, agora... Vocês querem ir embora para eu fazer nada sozinho??
– Mas você está muito chato hoje, Jin! – Takki reclamou – Tudo bem, eu tenho que ir de qualquer jeito. Posso usar o banheiro antes de ir?
– Sim, à vontade. – Jin respondeu tranquilamente, quando algo lhe ocorreu e ele se levantou agitado, correndo atrás de Takki – Ah, mas use o banheiro lá da área!! O banheiro do meu quarto entupiu e o encanador ainda não veio ver!! Venha, use o de lá fora!!

Sem que Takki pudesse ao menos piscar, ele o empurrou para longe do seu quarto e o guiou até a área de serviço.

– Definitivamente, você está estranho, Bakanishi. – Takki o repreendeu.
– Hai, hai, hai... Eu sou estranho!

Jin o empurrou para dentro do banheiro e depois retornou para a sala, apenas para descobrir, mortificado, que Ryo não estava ali.

– Essa não... – murmurou.

Ele se virou para ir até o seu quarto. Ficou pálido ao ver o moreno vindo dessa direção. Ryo estava com uma expressão séria.

– Eu não acredito nisso, Jin. – ele começou a dizer, bravo.
– Eu... Eu... – Jin, nervosamente, começou a colocar sua mão dentro dos bolsos do jeans, pensando em uma desculpa.
– Eu não acredito que você quer nos expulsar por causa disso! – ele apontou para o quarto – Desde quando você...
– Eu posso explicar, Ryo, eu...
– Desde quando você é fã do SMAP????????????
– Eu e o... EHHHHH? SMAP?
– Você tem até o novo single autografado deles!!! – Ryo jogou contra o seu peito um cd com a capa autografada por Kimura Takuya.

Jin olhou para aquele objeto em um misto de alívio e confusão, mas, em seguida, o alívio foi substituído por ciúme. O que diabos um single autografado por este homem estava fazendo na sua casa? Não podia pensar nisto, não nesse momento.

– Não era você que vivia dizendo que não escutava as músicas da Johnnys? – Ryo exibiu um sorriso zombeteiro – Quem te viu, quem te vê...
– Isso não é da sua conta! – respondeu, irritado, embora não estivesse realmente zangado com Ryo. – Além disso, o que você foi fazer lá no meu quarto hein?
– Fui pegar um casaco... Parece que está virando o tempo... Você não se importa, se importa?
– Ehh?? Não, não... Tudo bem... Desde que vá embora agora!!

Assim que Tackey voltou, Jin os empurrou em direção à porta.

– Muito obrigado pela visita, voltem sempre, mas não voltem hoje, está bem? Aliás, AVISEM quando vierem! Ryo, fique calmo, nós vamos descobrir o seu príncipe encantado!
– Ora, vá a merda Bakanishi! – Ryo ainda conseguiu dizer antes de Jin fechar a porta atrás deles.

4

Com alívio, Jin suspirou. Mansamente, ele se aproximou do olho mágico. Viu os amigos confusos e irritados do lado de fora, mas eles não insistiram e foram embora assim que o elevador chegou.

– Ele vai me matar... – disse a si mesmo, com uma mão na testa.

Certificando-se de que a porta estava trancada, correu para o quarto. O encontrou vazio.

– Kame??? Kame?? KAME????

Ele abriu a porta do armário. Obviamente, não havia ninguém ali. Estava de costas para o banheiro e, por isso, ele se assustou quando, ao se virar, encontrou o pequeno, usando apenas uma cueca box preta, com cara de poucos amigos apoiado no batente da porta.

Ok. Jin disse a si mesmo. Fique calmo e analise a situação, Jin. Ponto um: ele está com a sobrancelha arqueada. Isso não é um bom sinal! Ponto dois: ele está começando a lamber os lábios... Isso só é bom quando estamos na cama! Oh-oh... Chegamos ao ponto três: agora ele está preenchendo a bochecha com a língua... Ele vai me matar! Oh, cara, tô ferrado!

– Uma hora e meia. – Kamenashi disse, rangendo os dentes – Você disse que iria se livrar deles rápido! E porque o Ryo tem essa liberdade de vir ao seu quarto como se fosse o quarto dele? Eu tive que correr rápido para o banheiro!
– Fiz o melhor que pude, Kazu... – ele usou seu tom de voz mais inocente – Mas o Ryo estava com problemas... E sabe como eu sou... Quando meus amigos estão com problemas...
– Eu também estava com um ‘problema’ bem aqui. – ele apontou para o seu sexo – Mas tive que me virar sozinho!
– Não seja por isso, eu te ajudo a criar um novo ‘problema’! – ele sorriu, sacudiu a cabeça, e se aproximou com os braços abertos e um largo sorriso.

Kamenashi simplesmente escapou do abraço passando por baixo dos braços de Jin e caminhou até o armário.

– A sorte é que temos roupas parecidas e o Ryo nem percebeu que estas eram as minhas. – disse, começando a se vestir.
– Owe, o que você está fazendo?
– Estou indo embora.
– Ehhh??? Por que?? Eu não fiz de propósito!
– Sim, como em todas as outras vezes que você me trocou pelo Pi ou pelo Ryo antes. Eu nunca sou a sua prioridade, mas seus amigos sempre são!
– Kazuya, você não está sendo justo! – ele afirmou sacudindo o cd do SMAP que ainda segurava – Aliás, o que é isso? Você continua saindo com o Kimura???
– Foi só um presente. A nova música deles é realmente boa. Se quiser escutá-lo, eu te empresto. E não use esse tom. O que eu tenho com o Kimura é apenas amizade e ele nunca foi mais importante pra mim do que você. E se não fosse por você, eu deixaria bem claro que é você quem eu amo, mas é você quem quer que namoremos escondidos! Eu estou ficando farto disso!

Jin quis sorrir, seu ego sempre inflamava quando ganhava qualquer tipo de competição, o que dirá quando se tratava do amor de Kamenashi e vencendo um rival de nível tão alto quanto Kimura? Não importava que fosse o único que interpretava aquilo como uma competição, nem que o próprio Kimura ignorasse a disputa, afinal, era ele, Jin, o vencedor, oras... Mas sabia que sorrir neste momento era o mesmo que assinar a sua sentença de morte. Além do mais, não podia permitir que Kamenashi partisse bravo daquele jeito estando tão sexy com aquela cueca que ele estava escondendo com aquela calça jeans. Escondendo com a calça jeans? Ah! Precisava impedi-lo!

– Ah-ah!! – Jin foi até ele e segurou suas mãos – Gomen, Kazuya... Eu realmente tentei fazê-los irem embora antes... Você acha que eu desperdiçaria nossos raros momentos juntos? – ele sussurrou próximo ao pescoço do caçula – Acha que eu te dei essa cueca à toa? Não sou sua mãe para me preocupar se você está vestindo uma cueca apresentável por baixo de uma calça... É óbvio que eu queria te ver nela... SEM a calça, desse jeito, só pra mim!
– Isso não vai me convencer... – Kamenashi afirmou, olhando para o chão, ainda emburrado.
– Tem certeza de que quer ir embora? Lá fora está esfriando, o Ryo disse... E você odeia o frio, certo? Sentir as pontas da sua orelha... – ele mordeu a pontinha de uma levemente -... Geladas... Você quer? Isso não é incômodo? A ponta do seu nariz congelando, é isso o que você quer sentir? – Jin deslizou seu dedo indicador pelo nariz do rapaz, que, ainda fez bico. – Você não prefere ficar comigo, aqui, quentinho? – beijou-lhe a bochecha – Podemos aproveitar o finalzinho do dia... Aliás, porque não dorme aqui hoje?
– Eh? E chegaremos juntos na empresa amanhã? Temos uma reunião cedo... E você não gosta que nos vejam chegando juntos. Isso pode alimentar a imprensa dizendo que “Akame voltou”. – o tom de Kame se tornou mais mansa.
– Sim, eu não importo... De vez em quando, podemos ser descuidados... Um pouco.
– E as roupas? Se chegar com as mesmas de hoje todo mundo vai...
– Você mesmo disse que temos roupas parecidas... Vista a minha camisa do Mickey Mouse, ninguém vai reparar que não é a sua. Vamos, Kame, desfaça essa cara de bravo, vou te mimar a noite toda... – ele terminou com um delicado beijo.

Kamenashi sorriu de leve.

– Vai fazer omelete para o jantar? – perguntou, com a voz manhosa.
– Sem tomate! – Jin sacudiu a cabeça, fazendo o mais novo o olhar contente.
– E posso tomar banho primeiro?*
– Eu esfregarei as suas costas! – Jin usou um tom confidencial.
– E antes de dormir...
– Vamos conversar, enquanto eu te faço cafuné e prometo não dormir antes de você!
– De verdade? – os olhos do caçula brilharam.
– É uma promessa.
– Bem... Nesse caso... – Kame mordeu os lábios e em seguida sorriu – Me ajude a tirar a calça de novo, o zíper parece que emperrou. – piscou um olho.

Jin riu como um menino e se prontificou a ajudá-lo. Antes, porém, ele disse.

– Kame... Posso te fazer uma pergunta?
– Pode... O que é?
– O que você fez hoje entre às 11h e às 15h da tarde? – E ele fez questão de olhar dentro daqueles olhos rasgados.
– Eh? O que eu fiz? – Kame vagueou seu olhar, forçando sua mente a trabalhar – Bem, eu tirei algumas fotos com o Koki e depois eu vim direto para cá... Você não me pediu para dar uma arrumada no seu quarto? Cheguei aqui por volta do meio dia, você sabe que eu só consigo entrar aqui sem seu porteiro me ver quando ele leva o lixo para fora não é? E ele faz nesse horário porque o caminhão neste bairro passa às 13h... Por isso eu tive que vir cedo... Aliás, o seu quarto estava realmente uma bagunça! Mas... Porque quer saber isso?

Aquele rosto tão inocente o olhava com tanta sinceridade, que Jin se julgou tolo e riu, abraçando-o com toda a força que tinha.

– Né, Jin?! Owe... Você tá me... Sufocandoooo... A gente não ia transar agora? Por que você quebrou o clima?? – ele emburrou.
– Não se preocupe, temos a noite toda!! – ele disse, radiante.
– EH???? A noite toda??? Né, Jin... Você lembra que a gente tem ensaio de dança amanhã né?? Eu vou precisar do meu quadril amanhã pra isso, ok?

O pedido do caçula apenas provocou uma onda de risos no mais velho, mas Kamenashi continuou olhando-o preocupado com a sua condição física para o dia seguinte.

Notas finais
* De acordo com o livro “Os japoneses”, de Célia Sakurai, os banhos no Japão costumam respeitar uma ordem hierárquica. No ofurô, primeiro banham-se os homens chefes de família, depois os mais velhos e, por último, as mulheres e as crianças. Na fic, isso deixa explícito que a posição de Kame no relacionamento é o de uke, mas, para mimar o caçula, Jin aceita ser a “mulher” e o deixa ser o primeiro no banho.