Eu, Eu Mesma E O Tempo
1 Capítulo 1: Minha Alma Queima
Me sinto perdida. De novo.
_Apostila, página 9: O Paradoxo do Nosso Tempo. _ Dizia a professora Gisele, e Filosofia. _ Grabriela, quer ler em voz alta para a turma?
_O Paradoxo do Nosso Tempo _ iniciou Gabriela _ Hoje temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos... Temos auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos... Gastamos mais, mas temos menos... Compramos mais, mas desfrutamos menos... Temos casas maiores e famílias menores... Temos mais conhecimento e menos poder de julgamento... Temos mais medicina e menos saúde... Hoje bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma excessiva, rimos de menos, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, nos irritamos facilmente...Ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais.... Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores... Falamos demais, amamos raramente e odiamos com freqüência... Aprendemos a ganhar a vida, mas não vivemos essa vida... Fazemos coisas maiores, mas não coisas melhores... Limpamos o ar, mas poluímos a alma... Escrevemos mais, mas aprendemos menos... Planejamos mais, mas realizamos menos...Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência... Temos maiores rendimentos, mas menos padrão moral... Temos avanços na quantidade, mas não na qualidade... Esses são tempos de refeições rápidas e digestão lenta.. De homens altos e caráter baixo.. De lucros expressivos mas by Text-Enhance\">relacionamentos rasos... Mais lazer, mas menos diversão.. Maior variedade de tipos de comida, mas menos by Text-Enhance\">nutrição... São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável e pílulas que fazem tudo: alegrar, aquietar, matar... _Ela terminou _ Autor desconhecido.
Eu analisei o texto o compreendendo como se tivesse sido feito para mim.
Mais dois períodos.
_Lianna? Pode estabelecer a base entre o amor e a razão?
Eu não precisei pensar na resposta.
_Um necessita do outro. O amor te faz fazer loucuras. A razão te estabelece firme, e com o pé no chão. Romeu e Julieta tiveram o amor, mas não a razão. A razão diria: "Passou, não precisa se matar para isso, existem mais pessoas no mundo", enquanto o amor incentivava Romeu ao pior. No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos.
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM
Fim de aula. Demorou mais do que eu achei que fosse demorar. Arrumei meus materiais, pus minha mochila e fui até meu armário, trocando os cadernos.
Peguei meu diário e sai andando, até um garoto me parar.
Alto, bombado, cabelo castanho claro, olhos azuis. Idiota. Não, eu não o conheço, mas é o típico popular da escola, que vai tirar onda da garota que faz tal aula com ele, e é mais burro que uma porta.
_Lina? _ Ele pediu.
_Lianna _ O corrigi.
_Ah, tá, isso aí... _ Um garoto o chamou, ele me fez sinal para esperar e saiu, e eu saí andando, a pé, até em casa.
Entrei em casa e deixei minha mochila numa cadeira.
_O cheiro tá ótimo, Regina _ Eu sorri, mas era mentira, Regina cozinhava muito mal. Ainda assim, ela é a empregada de casa, e é muito querida. Ela só cozinha quando mamãe está fora.
_Acho que estou aproveitando bem meus dotes culinários _ Ela piscou e eu dei uma risadinha, subindo para meu quarto.
Abri meu diário:
"Trecho 36=
A cólera prejudica a saúde do corpo, ofusca o entendimento e cega a razão.
Querido diário, é uma hora da tarde agora. Regina está cozinhando e... credo. Mas eu supero. Agora te faço uma humilde pergunta: O cérebro humano está acima do entendimento de qualquer um? O sentimento de superioridade alheio é capaz de rebaixar as almas boas? Pra mim é. Sou depressiva, ou só sou estranha? Essa é a pior pergunta. Qualquer dia eu descubro isso, e conto pra você. XOXO Lianna"
Peguei meu celular, li as mensagens, me revirei na cama e peguei o livro que estava embaixo dela. Ele tinha uma capa. Sem nome, sem imagem, sem autor, ou qualquer identificação. Era uma capa dura e branca. Eu a costumizei com canetões coloridos, para não parecer tão monótono quanto realmente era. Era uma obra anônima que eu encontrei em uma excursão com a escola, embaixo do banco do ônibus. Eu nem sabia se existiam mais livros como esse.
Ele dizia frases de grandes pensadores, porém pouco reconhecidos. Tinham mais de 600 trechos.
Pus os meus fones de ouvido e comecei a ouvir música, analisando o livro. Trecho 37: A cor é a música dos olhos.
Eu já fiz muitas coisas idiotas, falando o que eu pensava de pessoas que não gostava anonimamente na internet e tudo o mais. Na realidade, eu não falei mal, mas falei o que eu acho sinceramente delas.
Trecho 39: A critica fundamentada, dependendo da sua recepção, poderá ser construtiva ou destrutiva.
Uma e meia, e os flashes voltavam. Olhei para os cortes no meu braço. Aqueles marcantes, dolorosos e que ninguém nem pensava que existisse. Ninguém percebe. Nem os que me causaram essa dor física, que se iniciou moral.
Trecho 44:
A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.
Eu não gosto disso. É como uma heroína pesada. Eu não gostaria de me drogar, mas se eu começasse, não saberia parar.
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Não era algo que me dava prazer fazer, ou até mesmo pesquisar sobre. Eu apenas lembrei. Fechei a aba, excluí os históricos, desliguei a música e fui almoçar.
Eu ainda não defini o que é aquilo que Regina faz. É nojento. Eu disse que tinha marcado com uns amigos de almoçar fora, peguei um dinheiro e fui para o McDonalds.
Todos lá estavam acompanhados. Com família, namorados, namoradas, melhores amigas, melhores amigas. Menos eu. Eu não me arrependia.
Se eu não tenho uma melhor amiga? Ah, eu tenho sim. O nome dela é Savannah. Olho escuro, cabelo loiro, estatura média, corpo bem definido. Ela sempre começa as aulas uns dois meses depois, porque passa as férias viajando. Enquando minha irmã passa meio ano todo ano nas motanhas, com a excursão da Reabilitação.
Me olhei no vidro do McDonals. Cabelo picotado, com franja para a esquerda, castanho bem escuro, quase preto, com californiana. Olhos verdes, que ficavam azuis no sol. Unhas postiças vermelhas. Blusa manga curta com detalhes larga, short cintura alta apertado e curto e botas altas pretas. Brincos, colares, pulseira e maquiagem. Patricinha? Não. Só... bem arrumada? É, eu acho que pode se dizer isso.
Eu terminei de comer e sai do McDonals, com aquela pequena voz na minha cabeça dizendo como era tão legal ser eu. Na forma mais irônica possível.
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