Eu, Eu Mesma E O Tempo
4 Capítulo 4: Encarando as cinzas.
Notas iniciais
Eu não me sinto viva. Não estou sendo dramática ou qualquer outra coisa, só não consigo. A morte não espera por você.
A cada dia sinto minha pele menos corada, meus olhos com menos brilho e menos calor ao tocar em minha pele.
Talvez a morte da Claire teria me afetado. Desde aquele dia, eu faço um calendário, com tudo o que faço. Por que diabos eu estaria tão psicologicamente instável por causa de uma colega de canto? Nunca sequer falei meus segredos a ela, e não temos coincidências genéticas.
Eu me sinto Claire.
E se a bola que Johnny jogou fossem as decepções? Todas jogadas sobre ela, ou sobre mim, me fazendo cair na realidade.
E se as comidas da Regina fossem as verdades amargas? Todas esfregadas na sua cara. Provando sua impotência.
Ou talvez meu hambúrguer qualquer no McDonalds. E se ele fosse as mentiras? São aquelas em que muitas vezes queremos acreditar.
Eu sou a Claire, diário. Talvez eu seja apenas mais uma usurpadora barata, uma mentirosa iludida ou simplesmente uma psicopata que precisa de alguém que entenda suas loucuras.
A vida de Savannah talvez fosse perfeita pra mim. Quero dizer... Todos tem pais separados, e as garotas populares da escola... são parte da vida de todos. Por que não poderia ser parte da minha?
A bola em minhas costas, o sangue em meus pulsos, seria um suicídio previsível, não seria? Mas afinal, do que adiantam as consequências, se eu já estaria morta? Eu só não imaginei que ficaria presa nisso. Olhando meu rosto no espelho, sem nenhuma expressão ou cor.
Minha mãe e as minhas amigas são uma parte da sociedade que eu posso julgar dentro de mim mas que, bem lá no fundo, sei que se importam comigo.
Eu sou uma bomba relógio que explodiu e levou todos que estavam perto consigo, menos eu mesma, e tenho de aguentar os pesares e olhares tristes que foram atingidos. Todos os olhos sobre mim.
Me deito novamente e fecho os olhos. São as consequências pelas minhas ações, e estou disposta a pagar por elas no lugar que eu for, onde quer que seja. Pela inveja de uma vida perfeita, pela ira de mim mesma, e por todos os pecados que cometi. Eu tenho dó de mim.
É quando você percebe que a luz no fim do seu túnel se apaga, e foi você quem deu o tiro que quebrou a lâmpada.
Verso 342: "Recolha suas imoralidades e abaixe a cabeça, mas não se esqueça de que já foi assim. Tenha orgulho dessa sua parte como de todas as outras. Você não pode mudar o que foi feito, mas pode decidir o que será."
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