Eu, Eu Mesma E A Voz

6 Capítulo 6 - E eu não conseguia parar de chorar


Notas iniciais
Porque tudo isso está acontecendo comigo? Minha vida vai de mal a pior e eu não consigo fazer nada. Tudo que eu consigo fazer é chorar.

Tudo estava indo muito mal. Eu finalmente tinha um "namorado" que gostava de mim, mas não podia gostar dele. Lucas era um garoto fofo, lindo e todos achavam que formávamos um belo casal, mas algo estava impedindo que ficássemos juntos: a voz. Eu não conseguia ficar ao seu lado ouvindo gritos em meu ouvido, não podia.

Entrei na sala e sentei na cadeira que costumava sentar todos os dias, ao lado da Ju. Abaixei a cabeça e desejei que ninguém mais me visse ali. Claro que meus desejos nunca se tornam realidade.

- O que aconteceu, Marta? — perguntou Ju, preocupada. — Parece que sua vida anda ruim.

- Ruim? Ruim é pouco!

- Nossa, que exagerada! O que houve?

- Não sou nada exagerada, Ju. O negócio é que, quando eu finalmente gosto de um garoto e sou correspondida, não posso ficar com ele.

- Ah então é sobre o Lucas? Sabia. Mas porque não pode ficar com ele? Seu pai descobriu?

- É, mais ou menos isso. — respondi sem saber o que dizer, pois ela nunca acreditaria na verdade. — Meu pai é ridículo.

- E o livro?

- Que livro? — perguntei sem nem lembrar do que ela estava falando. Lucas tinha roubado todos os meus pensamentos nos últimos tempos.

- O livro que "você" escreveu. Que falava sobre "você".

Droga! Eu tinha esquecido completamente do tal livro. Verifiquei minha bolsa, e ele continuava lá. Abri em uma página aleatória e me surpreendi ao ver a palavra "namorado". Parei e li todo o parágrafo:

"Depois que o conheci a voz não me deixou mais em paz. Meu namorado parecia perfeito para mim, mas aquilo parecia odiá-lo! Mas porque? Porque eu não posso ser feliz nem por um dia?"

Não consegui conter as lágrimas. Tentei correr para o banheiro, mas a professora entrou na minha frente.

- Aonde vai, mocinha? — me perguntou.

- Posso ir ao banheiro? — perguntei de cabeça baixa, pois não queria que ninguém me visse daquele jeito.

Ju levantou de repente e começou a argumentar, olhando para mim e depois para a professora, alternadamente.

- Professora, a Marta anda com alguns problemas em casa, e isso a está deixando péssima e doente. Será que posso acompanhá-la até a enfermaria?

A professora ficou meio desconfiada, mas acho que liberou quando percebeu que eu tinha perdido a mãe fazia alguns meses. Saí correndo e me escondi em uma das cabines do banheiro feminino. Ouvi quando a Ju entrou e me procurou silenciosamente por todo o lugar.

- Marta, eu sei que você está aí. — falou em tom baixo, batendo na porta. — Me diz, o que está acontecendo?

Ninguém podia saber daquilo, ninguém. Nada me fazia parar de chorar.

Notas finais
Então, eu passei muito tempo sem escrever, mas está aí, decidi voltar. Graças a Nathy que disse que estava amando a história. Espero que goste do novo capítulo e em breve postarei o próximo.
Quem gostou/não gostou/tem sugestões comenta ou favorita. Quanto mais eu vejo vocês gostando, eu escrevo melhor. Obrigada!