Eu Escolhi Você
33 Tentativas
Notas iniciais
Juntando todas as forças e tentando atrair o máximo de pensamentos positivos que conseguia, Luna viu-se decidida a ir falar com Gina. Sabia que seria complicado. Veria Draco. Veria Harry. Mas precisava mais do que tudo esclarecer as coisas com a amiga. A ruiva sempre foi sua melhor amiga, assim como Hermione, e não deixaria essa amizade de anos acabar por causa de um beijo ridículo que ela já estava arrependida até entalar a garganta de ter correspondido.
Entretanto, levando em conta de que tinha uma guarda costas e teria pro resto da vida sempre que se metesse em uma confusão, se viu obrigada a aceitar que Hermione fosse junto dela até a casa dos Weasley. Frisando o detalhe de que recebeu sermão o caminho inteiro.
Avistando aquele enorme jardim que pertencia à família dos ruivos, as duas adentraram o portão e fizeram trilha até logo se encontrarem de frente à porta. Hermione levou a mão até a mesma para bater, mas foi impedida por um gesto súbito de Luna, que a segurou pelo braço.
– Eu faço isso. — A loira explicou perante ao olhar desentendido de Hermione, que assentiu segundos depois. Luna respirou fundo, cerrou os olhos por alguns instantes e logo se pode ouvir lá de dentro a batida na porta.
Molly caminhou, sempre receptiva, até a porta e a atendeu. Recebeu as duas garotas com um sorriso tanto carinhoso quando receoso. Tal imitados por Luna e Hermione.
– Senhora Weasley. — A loira a cumprimentou, sorrindo amarelo. Foi impossível Draco e Gina não ouvirem aquela voz. Preferiram ignorar. Ou fingir ignorar.
– Luna, Hermione, que bom vê-las. — A mulher abraçou-as. — Vamos, entrem. — Luna cogitou por um momento a ideia de dar meia volta e voltar para casa, já perdendo a coragem ao ver Gina e Draco sentados lado a lado no sofá e o braço do loiro passado sobre o ombro da ruiva.
– Gina querida.. — A mulher começou, já percebendo Gina ignorar por completo a presença de Luna enquanto Rony se levantava do sofá e brindava Hermione com um abraço apertado. — Acho que tem alguém aqui que quer falar com você.
– Diz que eu morri. — A ruiva respondeu secamente, enquanto mexia em algo totalmente sem importância no celular e Draco fingia a observar. Molly engoliu em seco,assim como todos os presentes na sala, e pôde-se notar a tristeza aparente nos olhos de Luna.
– Gina.. por favor. — Luna pediu, sentiu as palavras simplesmente saírem e gelou ao receber olhares tanto de Gina quanto de Draco. A ruiva pareceu pensar por alguns segundos.
– Eu não tenho nada pra falar com você. — Gina respondeu, por fim, encarando Luna com frieza. Rony e Hermione se entreolharam.
– Mas eu tenho. — A loira demonstrou firmeza. — E eu não saio daqui enquanto você não me ouvir. — Gina lançou um olhar de esguelha a Draco, depois à mãe e viu que essa desejava mais que tudo que as duas se acertassem.
– Você tem dois minutos. — Gina falou displicentemente enquanto se levantava do sofá e seguia escada a cima. Luna não perdeu tempo e foi atrás.
– A Gina não precisava tratar ela assim. — Falou Hermione desanimadamente enquanto se via puxada para se sentar no sofá ao lado de Rony. Por um segundo se passou por sua mente que o ruivo a traria para seu colo. Fez questão de desviar os pensamentos no mesmo instante.
– Eu concordo. — Molly falou tristemente.
– Sabe o que é Mione? — Draco começou, lançando à amiga um olhar com desprezo. — Traidores não merecem serem bem tratados. — O loiro deixou as palavras escaparem enquanto podia se notar a presença de Harry que acabara de descer as escadas e adentrar a sala.
Draco se levantou do sofá de imediato, e passou pelo moreno, os ombros se esbarrando de uma maneira proposital e os passos fortes do loiro rumo ao segundo andar sendo ouvidos com clareza.
– Harry, ele não falou por mal.. — Molly começou, ao perceber os olhos do garoto serem dominados pela tristeza.
– Ele tá certo Molly. — O moreno falou se culpando. — Eu nunca devia ter feito o que fiz.
– Mas fez. — Rony falou sério e Hermione lhe lançou um olhar reprovador, tal olhar esse que ele preferiu ignorar. — E agora você tem que dar um jeito de consertar as coisas..
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– Ainda acho que a gente não tem nada o que falar. — Gina falava com desdém ao adentrar o quarto e Luna vinha atrás, fechando a porta com um baque forte.
– É, mas a gente tem. — A loira começou, firme. — Gina, somos amigas há cinco anos.
– E daí? -A ruiva questionou secamente.
– Você sabe muito bem que eu nunca seria capaz de trair você. — Luna falou com sensatez.
– Eu achava que sabia. — Gina respondeu com frieza.
– Gina, aquilo ontem não significou nada.. — A loira começou, sendo interrompida por Gina.
– Não significou nada? — Ela indagou com sarcasmo. — Eu vi muito bem como vocês se beijaram, porque eu não sou cega.
– Foi ele que me beijou! — Luna replicou, indignada.
– E você correspondeu. — A ruiva esbravejou.
– Eu não achei que você fosse tão burra Gina. — Luna debochou e Gina a lançou um olhar incrédulo. — Cê ainda não percebeu que o Harry só fez isso pra te fazer ciúmes?
– Me fazer ciúmes pra quê? — Gina questionou com o mesmo tom de deboche. — Ah, faça-me o favor garota.
– VOCÊ E O DRACO NÃO SE DESGRUDAVAM! — Luna gritou, por fim, ao ver Gina lhe dar as costas. A ruiva voltou a olhá-la, de imediato. — Ele tava morrendo de ciúmes de você e queria te fazer sentir o mesmo.. pelo amor de Deus, Gina!
– Se fosse isso mesmo Luna.. — Gina começou, se aproximando, e um tanto descrente. — Ele teria vindo falado comigo.
– Como se você deixasse. — Luna voltou a debochar. — Toda vez que Harry tentava chegar perto de você, você tava ocupada, ou estudando com o Draco, ou conversando com o Draco, ou rindo com o Draco, ou sei lá fazendo o quê com o Draco.
– E porque o Harry simplesmente me segurou e disse isso olhando nos meus olhos? — Gina perguntou, com as sobrancelhas erguidas.
– MEU DEUS, ELE É O POTTER! — Luna vociferou, já irritada. — Você sabe como ele é!
– Isso não justifica o que você fez ontem.. na minha frente. — Gina falou magoada.
– Olha, eu sei que eu errei. — Luna começou, agora já recuperando o tom de sensatez. — Se eu pudesse, esse beijo infeliz nunca tinha acontecido. — A loira falou sincera. — Mas você é minha melhor amiga. Você precisa acreditar em mim. — A loira, terminou, por fim de falar e notou uma Gina extremamente pensativa à sua frente. A ruiva parecia sentir o coração amolecer, mas não conseguia, não com a cena daquele maldito beijo lhe vindo à cabeça todo segundo.
– Seus dois minutos acabaram. — Gina voltou a falar, quebrando o silêncio de segundos torturantes, e olhou Luna com rancor.
A loira encarou os olhos azuis da amiga por alguns segundos, e como se entendesse que suas tentativas de recuperar a amizade da ruiva, pelo menos aquele dia, tinham acabado, simplesmente fez um aceno dominado pela tristeza com a cabeça, e saiu do quarto. Gina tentou impedir que as lágrimas que pareciam lhe sufocar saíssem de dentro de si. Não conseguiu.
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Como se já não bastasse ter que suportar aqueles olhares rancorosos de Gina em pelo menos aqueles dois míseros minutos dentro daquele cômodo, Luna se viu a ficar frente a frente com Draco quando deixou o quarto. Aquilo era pedir pra chorar. Nunca conseguiu encontrar tanta fúria sobre aqueles olhares que ela tanto se perdia quando se pegava á encarar. Nunca desejou tanto sumir na vida. Nunca.
O loiro passou por ela sem fazer cerimônias e demonstrando desprezo só de passar por milímetros perto dela. A loira uniu, mais uma vez, todas as forças que conseguiu e tentou engolir o orgulho ferido que lhe impedia de trocar uma se quer palavra com o garoto.
– Draco... — Ela chamou, depois de já estar ao pé da escada, e se virou, vendo o loiro a ignorar. — Draco, por favor.. — As últimas duas palavras soaram como uma súplica cheia de dor. Súplica essa que Draco se viu obrigado a não conseguir ignorar. Ele a olhou, e os olhares voltaram a se encontrar.
– O que você quer? — O loiro perguntou, depois de um silêncio incômodo pairar ali.Sua voz demonstrava frieza. Uma frieza que ele forçou a produzir quando tinha os olhos vidrados sobre os de Luna. Por segundos, segundos mínimos, a cena do seu primeiro beijo com a loira lhe veio à cabeça. Péssimo momento, péssimo.
– Não.. nada.. deixa pra lá. — Luna respondeu, por fim, depois de receber uma fria e dolorosa resposta, tal como "o que você quer?". Ela voltou a ficar de costas, sentiu os olhos arderem momentaneamente e marejarem, logo após. Desceu as escadas a passos largos e, não sabendo se era ou não imaginação, cogitou a possibilidade de ter ouvido um leve e magoado "porque você teve que fazer isso loira?" vindo lá de cima.
Atordoada, magoada e com a repentina vontade de desaparecer, Luna desceu, e para o estrago ser completo, se viu sozinha com Harry na sala. Ela cogitou internamente, por um momento, se não podia simplesmente dar as costas àquela casa e ir embora, mas percebeu que o moreno presente ali parecia tão infeliz quanto a própria, e que ele não merecia todo esse tratamento que estava recebendo. Errar é humano.
– Oi Harry. — Cumprimentou Luna, depois de afastar os pensamentos da cabeça. Ele apenas lhe olhou e lhe lançou um sorriso torto.
– A senhora Weasley, cadê? — Ela indagou, tentando puxar assunto enquanto se sentava no sofá.
– Na cozinha. — Ele disse cabisbaixo.
– Hmm, e o senhor Weasley?
– Saiu com Fred e Jorge. — Respondeu com a voz fraca.
– Hermione? — Ela questionou notando a ausência da amiga.
– Tá lá fora com o Rony.. — O moreno finalmente a olhou.
– Pelo menos alguns de nós estão felizes. — A loira comentou e viu Harry assentir. — Olha.. — Ela começou, agora o olhando nos olhos. — Eu sei que você não fez por mal.
– Do que adianta? — Ele questionou, um tanto magoado com si mesmo. — A burrada já ta feita.
– Mas você pode consertar. — Luna o incentivou.
– Você conseguiu consertar? — Harry perguntou erguendo uma das sobrancelhas e Luna engoliu em seco.
– Você sabe como Gina é. — A loira respondeu, por fim, depois de muito buscar a resposta.
– Não tô falando da Gina. — Ele frisou, sério. — Logo vocês duas se acertam.. são amigas há anos.
– Eu não sei não... — Ela disse, agora sim, cabisbaixa.
– Eu tava falando do Draco. — Harry continuou sério e recebeu um olhar tristonho de Luna em resposta. — Ele te tratou mal, não foi?
– Não.. quero dizer,eu não sei.. eu entendo ele, sabe. Quero dizer, se é verdade o que vocês dizem, que ele gosta de mim.. — A loira se viu embaraçosa e conseguiu, pela primeira vez, arrancar um sorriso sincero de Harry.
– Ele gosta. — O moreno confirmou.
– Eu também ficaria mal.. — Luna confessou. — Você só fez aquilo porque tava com ciúmes, não é? — Ela indagou e Harry fingiu não ter escutado. — Não é Harry?
– Eles não se desgrudavam mais .. — Harry começou, na defensiva. — Você mesmo viu todas as vezes que eu tentava falar com ela.. ela sempre tinha alguma coisa pra fazer com Draco.
– É, eu sei.. eu também não tava mais suportando aquilo. — Luna voltou a confessar. — Por que é tão difícil ter as pessoas que amamos do nosso lado? — A loira questionou e viu Harry dar de ombros,entre um leve sorriso."Amamos, né", pensou o moreno.
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– Ronald! — Hermione o repreendia, enquanto mal tinha tempo para respirar e já se via em mais um beijo intenso e caloroso.
– Hmm.. que..foi.. Mione? — O ruivo perguntou, entre os beijos. Ouviu uma gargalhada da morena enquanto sentia ser empurrado e terem os lábios desconectados dos da garota.
– Não respeita nossos amigos? — Ela indagou, com as mãos na cintura. Rony a imitou, rindo junto.
– Mas são eles que estão brigados Mione, e não nós. — Falou Rony, e ganhou um tom de superioridade ao ver a namorada sem resposta. Riu, e a puxou pela cintura para si.
– Mas.. — Hermione começou, tentando argumentar, e sentiu o dedo do ruivo sobre seus lábios, a calando.
– Mas nada tá? Tô cansado de confusão, quero aproveitar minha namorada poxa! — Ele replicou, e só viu a garota balançar a cabeça negativamente entre uma risada, antes de sentir novamente seus lábios colados.
Se beijaram, dessa vez, com calma e com compasso, deixando as línguas dançarem lentamente uma com a outra. Finalizaram, depois de algum tempo, com um selinho demorado e se encararam .O ruivo levou a mão até a cabeleira de Hermione, e tirou uma mecha cacheada que tentava incomodar os olhos da morena.
– Você é linda.. eu já te disse isso? — Rony indagou e viu Hermione corar levemente. Sorriu.
– Para com isso. — Ela pediu, meio sem jeito.
– Parar de dizer a verdade? Parar de dizer que você é a garota mais linda que eu conheço e que eu tenho a incrível honra de namorar? — Ele a viu corar ainda mais.
– Você faz isso de propósito, não faz? — Ela questionou, tentando fazer uma expressão zangada.
– Hmmmm, vejamos.. — Rony fingiu pensar. — É, acho que faço sim.. amo te ver coradinha desse jeito. — O ruivo viu as bochechas da morena ficarem subitamente vermelhas e soltou o maior sorriso que conseguiu. Ele amava ter esse poder sobre ela.
– Rony! — Ela o repreendeu, agora demonstrando nitidamente estar com vergonha.
– Deixa de ser boba gatinha.. — Ele falou alisando, com o polegar, a bochecha direita da namorada. — Você é minha e eu sou seu, não precisa ter vergonha de mim.
– Ah Rony, você não tá ajudando. — Ela se viu ainda mais corada. — Quer saber? Para de falar tá? — Hermione pediu enquanto via o ruivo assentir, com um sorriso maroto sobre os lábios, e a tomar novamente em um beijo.
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– Ruiva? — Draco deu uma leve batida no quarto de Gina, e sem resposta, consentindo que a porta estava destrancada, entrou. Viu a garota deitada sobre a cama, virada visivelmente para eles. Os olhos azuis ganhavam um tom avermelhado. — Ô ruiva, não fica assim não.
– Não tem como Draco. — Ela falou com a voz embargada e Draco se aproximou, sentando-se ao pé da cama da amiga.
– Eu sei como você se sente. Eu me sinto assim também. — O loiro confessou.
– Luna me disse que Harry só fez aquilo porque tava com ciúmes de nós dois. — A ruiva falou, se sentando na cama e secando o rosto. Draco riu pelo nariz, de um jeito magoado e sem vida.
– O Potter é um infeliz mesmo. — Replicou o loiro, fazendo a ruiva rir levemente. Ficou feliz internamente por ter conseguido tal efeito. — Ciúmes, da gente..
– Ele é um idiota. Ele podia simplesmente ter chegado em mim e falado.
– E você ia se atirar no pescoço dele e lhe lascar um beijo.. — Draco comentou, brincalhão, e sentiu um tapa forte no braço. — Ou, doeu!
– Eu não sou atirada não tá! — Ela contrapôs.
– Eu não disse isso. — Draco se defendeu. — Só disse a verdade. Vocês se gostam e pronto.
– Tá defendendo ele? — Gina perguntou, um tanto incrédula.
– Sou amigo do Potter há anos, Ginevra. — O loiro explicou. — Conheço ele.
– Então por que tá tão zangado com ele assim? — A ruiva ergueu as sobrancelhas.
– Porque ele podia muito bem ter feito ciúmes em você com outra garota qualquer. — Argumentou Draco.
– Ah qual é Draco, ele simplesmente não precisava ter feito ciúmes em mim. — Gina disse, contradizendo.
– Acho que a gente exagerou um pouco mesmo.. — O loiro falou pensativo.
– Ãn?
– Não devíamos ter ficado o tão juntos assim esse tempo todo..
– A gente só estava sendo amigos. — Gina replicou.
– Eu sei, mas eu só tô dizendo que, por partes, eu entendo eles.. — Draco explicou. — Não a parte do beijo, é lógico.
– Aquele maldito beijo. — Gina falou entredentes.
– Só de lembrar da vontade de quebrar a cara do Harry. — O loiro admitiu sentindo as veias pulsarem de raiva.
– Você vai perdoar eles? — A ruiva perguntou, depois de tempos, o que ela realmente queria saber.
– Eu não sei. — Confessou Draco. — E você?
– Eu tô pensando na Luna sabe.. semana que vem.. não sei se vou aguentar ver ela tão mal..
– É, eu também não. — Draco voltou a confessar.
– Droga Draco, tá tudo uma confusão. — Gina suspirou, enquanto tomava impulso e se jogava na cama.
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