Eu Escolhi Você
35 I hate...
Notas iniciais
A aula pós intervalo de Draco e Luna seria de inglês, com a professora Sprout. Suas aulas podiam tanto ser chatas quanto legais ao mesmo tempo. Confuso né. Assim como a professora. Mas no fundo ela era boa e divertida. Luna gostava muito de inglês, era definitivamente uma de suas matérias preferidas, mas seu ânimo não estava a lá aquele dia. Pra falar a verdade, ter que conviver com Draco na mesma sala, recebendo aqueles olhares impregnados de mágoa, era a pior tortura que ela era obrigada a aguentar.
– Turma! — Chamava a professora tentando acalmar o alvoroço dos alunos. — Turma, o intervalo já acabou! — Ela os lembrou em alto tom, mas foi ignorada. Draco tinha que admitir era divertido ver a professora nesse desespero todo. Mas nada estava sendo divertido pra ele naquele dia. — Silêncio! — Gritou Sprout, conseguindo finalmente chamar a atenção dos alunos. Alguns que ainda estavam em pé se dirigiram para seus devidos lugares. — Até que enfim. — A mulher disse soltando um suspiro aliviado e arrancando risadas de alguns alunos. — Agora posso falar?
– Pode professora, fala vai! — Falou Cho entre risadas.
– Como eu sei que vocês são alunos muito antenados .. — Começou a mulher, dando alguns passos pela sala. — Procurei um poema bem famoso de um filme para alguns de vocês recitarem pra mim. Em inglês, claro.
– Que poema Sprout? — McLaggen indagou curioso.
– Se chama Ten things I hate about you. Conhecem? — Perguntou a professora sorridente.
– Dez coisas que eu odeio em você? — Cho questionou animada. — Eu amo esse filme.
– Eu imaginei. — Sprout rebateu divertida e os alunos riram, com exceção dos dois loiros que vocês sabem bem quem são.Ambos pareciam longe dalí. Estavam cansados emocionalmente e mentalmente. — Eu vou separar uma menina e um menino para recitarem aqui na frente para mim. Mas relaxem, porque eu trouxe as folhas com todo o poema escrito na língua inglesa.
– Mas por que você é quem vai escolher professora? — Questionou Zacarias.
– É, deixa a gente escolher. — Susana pediu com um pouco de indignação.
– Ué, estão animados é? — A mulher ergueu as sobrancelhas, surpresa.
– Vai professora, escolhe logo. — Córmaco a apressou, divertido. Logo Sprout ficou pensativa.
– Vocês, vocês dois. — A mulher falou, por fim, depois de muito analisar os alunos. Os dois alunos à qual ela apontou pareceram não perceber. — Ei, Draco, Luna! — Sprout chamou-os em mais alto tom e ambos despertaram de tal mundo em que estavam. — Não me ouviram?
– Ãn? — O loiro perguntou aturdido.
– Eu chamei você e Luna para recitarem o poema de 10 coisas que eu odeio em você aqui na frente. — Explicou a mulher calmamente e sorridente.
– A gente? — Luna indagou com um nó na garganta. — Por que eu e ele?
– Porque vocês são fofinhos juntos. — Respondeu a professora com sinceridade e os alunos da sala começaram a assoviar. Draco e Luna coraram e se viram a par de não conseguir contrapôr. — Eu falei em sentido de amizade, alunos!
– Aham, amizade. — Cho debochou entre uma risada e os assovios cessaram depois de algum tempo.
– Já chega! — Sprout falou com calma vendo a turma parar o alvoroço. — Vamos, andem logo. — Chamou apontando para Draco e Luna. O loiro olhou a garota de esguelha. Se levantaram ao mesmo tempo e se dirigiram mais devagar do que o normal para a frente da sala. Pareciam sem saber muito o que fazer. — Tomem,peguem. — A mulher um tanto cheinha entregou as duas folhas xerocadas para ambos os dois.
– Como a gente vai ler? — Draco perguntou com a voz fraca.
– Ora, com a mente. — Sprout respondeu divertida e Luna se viu obrigada a rir enquanto a sala a imitava. Draco sentiu o coração palpitar só de ouvir o som daquela risada. Risada que há tempos não ouvia.
– Ele quis saber professora.. se vamos ter que recitar cada um uma frase, ou parágrafos .. — Explicou a loira com calma.
– Ah sim. Cada um uma frase. Quero boa pronúncia em? — A mulher pediu exigente e sorridente. — Comece Luna. Ah, se puderem entrar no personagem eu agradeço. — Luna tornou a rir e encarou a folha que segurava. Respirou fundo. Sentiu as pernas bambas só de interpretar a primeira frase. Finalmente começou, agora dirigindo seu olhar para Draco.
* – I hate the way you talk to me. (Odeio o modo como fala comigo)– Falou a loira com seu tom meigo e ao mesmo tempo cheio de tristeza.
– And.. and the way you cut your hair. (E como corta o cabelo)– Draco completou tentando fazer as palavras soarem com um bom pronunciado e sentindo a sua mágoa desaparecer de súbito ao encarar os olhos de Luna.
– I hate the way you drive my car. (Odeio como dirigi o meu carro) – Continuou a garota com sua quase perfeita pronuncia enquanto Sprout os observava sorridente.
– And I hate it when you stare. (E odeio seu desmazelo)– Disse Draco se permitindo sorrir.
– I hate your big dumb combat boots. (Odeio suas enormes botas de combate)– Luna falou agora sorrindo junto e revirando os olhos, por não imaginar Draco com botas, mas sim em combate eterno com os sentimentos.
– And the way you read my mind. (E como consegue ler minha mente) – Falou o garoto com sinceridade quase se perdendo nos azuis olhos da loira á sua frente. Onde estaria toda aquela mágoa e tristeza agora? Ele não sabia dizer.
– I hate you so much it makes me sick. (Eu odeio tanto isso em você que até me sinto doente) – Luna falou entre um suspiro e Draco riu levemente. A sala parecia vidrada nos dois.
– I hate the way you’re always right. (Odeio como está sempre certa) – Malfoy continuou passando o olhar por vezes da folha presa em sua mão para Luna.
– I hate it when you lie. (Eu odeio quando você mente)– Falou Luna o encarando. Impressionante, pensou ela, era o fato de como todas aquelas palavras ditas até ali eram verdade.
– I hate it when you make me laugh. (Odeio quando me faz rir muito) – O loiro continuou, sua pronuncia não tão boa quanto a de Luna mas com seu esforço sincero em dizer aquelas palavras enquanto olhava a garota que ele tanto venerava nos olhos.
– Even worse when you make me cry. (Mais quando me faz chorar)– Frase feita para mim, pensou a loira enquanto pronunciava.
– I hate it when you’re not around. (Odeio quando não está por perto) – O loiro deixou as palavras saírem naturalmente de sua boca. Isso era uma verdade absoluta.
– And the fact that you didn’t call. (E o fato de não me ligar) – Luna completou, o sorriso simplesmente murchou. Só de lembrar que logo aquele poema terminaria por ali,e ela não voltaria tão cedo a ouvir a voz do loiro tão doce quanto, sentiu o peito doer.
– But mostly.. I hate the way.. I don’t hate you. (Mas eu odeio principalmente não conseguir te odiar) – A voz do loiro também demonstrava tristeza nas frases finais. Os olhos tornaram a se encontrar.
– Not even close.. not even a little bit.. not even at all. (Nem um pouco, nem mesmo por um segundo, nem mesmo só por te odiar)– Concluiu Luna o poema com os olhos vidrados aos de Draco.
Ela se lembrava bem das frases pois havia visto o filme tantas vezes que perdera as contas, tais vezes dublado, tais vezes com áudio original. Sentiu que podia perder o chão de repente só por ter os olhares tão conectados aos de Malfoy. Droga, Sprout realmente não tinha o que inventar. Por que esse poema agora? Por que todas essas verdades à tona? Por que esse olhar?... Logo as palmas explodiram dentro da sala.
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– Passar a tarde toda com você é tão bom que nem parece ser de graça. — Comentava Rony enquanto caminhava ao lado de Hermione, os braços passados pelos ombros da garota.
– A gente vai estudar, lembra? Estudar! — A morena relembrou-o divertida enquanto ganhava um cheiro.
– Cheirosa. — Rony falou num sussurro tendo sobre os lábios um sorriso enquanto viu Hermione estremecer. Ela sempre ficava assim quando ele a elogiava.
– Bobo. — Respondeu sem jeito. — Ainda estou brava com você.
– Oh meu Deus,como minha namorada é ciumenta gente. — O ruivo brincou enquanto abraçava Hermione de lado e roubava-lhe dela um selinho. Nada que ela não tivesse gostado, claro.
– Olha, Gina está indo embora. — Hermione apontou para a garota que logo já saindo portão da escola afora.
– Estranho, sem eu, Harry e Draco? — Indagou o ruivo acompanhando Hermione nos passos mais apressados.
– Ei Gina! — A morena a chamou quando já estavam próximos, e Gina se virou para eles. Parecia acabada.
– Já estava indo embora maninha? — Rony perguntou.
– Aham. — Respondeu a ruiva monossilábica.
– É o Harry né? — Hermione questionou com a voz doce. Gina assentiu. — Sei que não quer ficar perto dele.
– E não quero mesmo. — A ruiva tentou ser firme.
– Acho que você deveria dar uma chance pro Harry. — Ron comentou com sinceridade.
– É, e pra Luna também! — Hermione completou. — Gina, eles não fizeram por mal.
– Mais fizeram. E se não perceberam, isso me magoou muito. — Respondeu Gina com a voz fraca.
– A gente sabe. Eles também sabem. E os dois também estão bem magoados. — Continuou a morena.
– Harry só perdeu a cabeça, e Luna já estava sem.. pensa nisso maninha. — O ruivo falou com simplicidade encarando a irmã.
– Você não vem? — Gina tratou de mudar de assunto.
– Vou pra casa da Mione. — Respondeu ele sorridente abraçando mais a morena de lado. Hermione lançou-lhe um olhar que nem ele mesmo conseguiu descrever e tratou logo de explicar. — Estudar.
– Estudar? — A ruiva ergueu as sobrancelhas. — Mas você nunca estuda.
– Ér.. bom.. dessa vez, é.. — Rony gaguejou ao se lembrar de que nunca contara a irmã do seu problema e de que sua própria namorada era sua professora.
– Estou obrigando ele. — Hermione respondeu o apertando de lado e Rony sorriu torto.
– Ah, então tá. — Gina deu de ombros. — A gente se vê. — A ruiva se despediu enquanto já dava as costas para os dois e atravessava a rua.
– Nossa, falei demais né. — Rony comentou voltando a se ver sozinho com Hermione, com exceção dos alunos que deixavam as escola e passavam por eles.
– Não, ela tá tão mal que não deve nem ter percebido. — Hermione o tranquilizou.
– Então vamos? — Convidou-a o ruivo, um tanto galanteador e tirando o braço do ombro de Hermione, lhe ofereceu para ser envolvido pelo próprio da garota. Hermione riu.
– Vamos cavalheiro. — Ela respondeu entrando na diversão e entrelaçou o braço dentro do de Rony.
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Luna ficara bem atordoada depois de tudo que acontecera na sala de aula. A confusão tomou conta de sua mente de tal tamanho que ela pensou que poderia enlouquecer. Já estava acostumada, há dois dias, receber olhares magoados e raivosos de Draco, mas naquela manhã foi tão diferente. O brilho foi tão intenso e verdade. O sorriso dele foi tão Draco de ser. E a voz.. aquela voz a tirava de si. Conseguiu, enquanto via o loira recitar aquelas frases verdadeiramente absurdas para si, se esquecer de que daqui há algumas tristes horas chegaria terça-feira e representaria mais um ano da morte do pai. Se esquecera de que não encontrou Neville na escola aquele dia e que não encontraria mais. Se esquecera da vida,do mundo.
Evitou olhar Draco de todas as maneiras possíveis depois do passado poema que tiveram que recitar, e por sorte, conseguiu. Ou talvez não. Na hora de embora, não encontrou nem Hermione, nem Rony, nem Harry. Nem Gina.. só ele. Seguiram seus diferentes caminhos, é claro. Mas com os pensamentos fervilhando.
Por que ela tinha que ser assim? Era o que Draco se perguntava a todo momento. Ele sabia que poderia estar à beira da insanidade. Ao mesmo tempo que conseguia sentir mágoa e raiva, lembrando daquele beijo maldito, ele conseguia sentir ternura, desejo, uma vontade absurda de ter Luna. Era tudo tão estranho e diferente. Era tudo tão Draco e Luna de ser, de se amarem, que nem eles mesmo se davam conta. Eram dois tolos.
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