Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Era para ter postado segunda, mas tive dois imprevistos e acabei não conseguindo terminar o capítulo. Enfim, não vou enrolar muito por aqui. Quero agradecer demais a Bruninha, Marluci, Juliana Lorena, Aninha, Patty, Jujah, maya, Nanda, Mockingjay e isabelsilva pelos comentários adoráveis e por não terem desistido de mim. Espero que gostem e se divirtam com esse capítulo. Boa leitura...

Capítulo XVII – Hormônios

“Por isso eu me levantei da cama decidida a eliminar qualquer tipo de dúvida. Por isso resolvi fazer algo para permitir que minha vida saísse, pelo menos um pouco, da teoria. Por isso nem me preocupei em tirar o pijama e a vestir algo decente. E ainda por isso saí do meu quarto pisando firme – está certo que mancando também – e fui bater na porta de Bernardo, com uma determinação que eu desconhecia”.

Azul da Cor do Mar – Marina Carvalho

O lugar era escuro e um pouco intimidante. As paredes cinzas e a fraca luz solar que entrava pelas frestas da pequena janela de grade da sala deixava o ambiente pesado e claustrofóbico. Felicity respirava fundo e parecia inquieta, demonstrando o seu desconforto em estar naquela sala de visita da prisão. Dois guardas estavam encostados nos dois extremos da sala, com armas em suas cinturas e semblantes duros.

— Está tudo bem? – Pergunta Felicity, encarando-me com preocupação.

— Sim. Só não me sinto confortável com esse lugar. – Afirmo e ela balança a cabeça, concordando.

— Eu entendo. Mas não se pressione demais. – Pede, dando um beijo em minha bochecha em seguida. – Se não estiver se sentindo bem, eu posso terminar a entrevista.

— Acho que eu que deveria dizer isso. – Respondo, humorado, enquanto acariciava a barriga de quase seis meses de gestação.

— Nós mulheres somos muito mais fortes do que vocês imaginam. E é por isso que sempre temos o controle da situação. Não sei o que seria dos homens, se não fossem as mulheres. – Retruca, sorrindo provocadora, entrando na minha brincadeira.

— Se você me dissesse isso alguns meses atrás, eu riria de você. Mas depois de tudo, eu realmente entendo o que seu tio disse sobre um dia eu entender o quanto as mulheres são fortes. Eu realmente admiro você. – Admito e vejo algumas lágrimas se formarem nos olhos da loira. – Você está chorando?

— Não. – Responde, limpando as lágrimas. Rio de sua evidente mentira. – Não diga nada. Essa gravidez está começando a mexer com a minha cabeça. Além de cada dia mais gorda, eu também estou cada dia mais estranha.

— Você quis dizer que a cada dia que passa, mais bonita, deslumbrante e apaixonante você se torna. – Corrijo, fazendo a loira ri e corar levemente. Dou um beijo em sua testa e outro em seus lábios. – Eu te amo.

— Eu te amo. – Sussurra Felicity, beijando-me mais uma vez. Ela estão se afasta e encosta sua cabeça em meu ombro.

De repente, a porta pesada de metal é aberta e por ela entram Rene e mais dois guardas. Assim que estão dentro da sala, eles fecham a porta e o empurram em nossa direção. Felicity e eu nos levantamos e encaramos o homem, que sorri fraco. Ao mesmo tempo em que parecia feliz em nos ver, havia um brilho de tristeza em seus olhos. Olho para suas mãos e vejo seus pulsos machucados pelas algemas de metal que usava.

— Não podem tirar as algemas dele? – Pergunto e os guardas me encaram como se eu fosse um idiota.

— É o procedimento. – Responde um deles, dando de ombros.

— Mas...

— Está tudo bem, Oliver. – Afirma Rene, interrompendo-me. Felicity coloca a mão em meu ombro, em uma espécie de consolo. – Não se preocupe.

Suspiro e balanço a cabeça, concordando. Ele então se aproxima da mesa onde estavam alguns papéis que Felicity e eu havíamos preparados para a entrevista com Rene. Uma semana havia se passado desde o ocorrido e finalmente ocorreria o julgamento do rapaz. No entanto, apesar de tudo, ele parecia calmo e conformado com a sua situação, diferente do que eu imaginei que estaria.

Nós nos sentamos, enquanto os guardas as acomodam em suas lugares na sala. Os dois que o acompanharam carregavam cassetetes em mãos e nos encaravam com seriedade. Rene suspira e nos observa com um sorriso singelo nos lábios. A situação não era exatamente confortável, mas eu estava feliz em ver que ele parecia estar bem.

— Obrigada por concordar em nos conceder uma entrevista, Rene. – Agradece Felicity e ele sorri, balançando a cabeça negando.

— Eu que deveria estar grato por quererem ouvir a minha versão. A essa altura, eu tenho certeza de que sou considerado o psicopata que matou três pessoas e tentou matar mais três sem nenhum motivo. – Responde, dando de ombros. – Falando nisso, como está o desgraçado do seu pai?

— Hospitalizado, ainda. Ele perdeu muito sangue e o tiro na perna parece ter deixado sequelas. Mas, ele está fora de perigo. Não o visitei ainda, mas os médicos afirmaram que ele vai ficar bem, ainda que tenha que passar por mais algumas cirurgias para conseguir andar sem mancar. – Respondo, sabendo o quanto aquilo o deixava frustrado. – Mas não se preocupe. Eu dei meu depoimento à polícia e ele não irá sair impune dos atos dele. A investigação sobre as mortes relacionadas ao meu pai que foram fechados por falta de provas, foram reabertos. Tenho certeza que não irá demorar até descobrir que meu pai está envolvido em todos os assassinatos.

— Quem garante que ele não vai comprar os investigadores mais uma vez? – Questiona Rene, sem esperança.

— Eu garanto. – Afirma Felicity de maneira confiante. Rene a encara surpreso. – Rene, o jornalismo existe para expor a verdade. E os responsáveis pela reabertura dessas investigações são meus amigos de confiança. São pessoas honestas que acreditam na justiça. Oliver e eu também queremos que Robert e você recebam uma sentença justa. E estamos aqui para isso. Eu sei que é difícil acreditar depois de ter sido ignorado por tanto tempo, mas eu prometo que faremos de tudo para provar o envolvimento de Robert nos crimes que ele cometeu contra a sua família e a de seus amigos. Ele não sairá impune.

— Ela está certa. Por isso, estamos aqui para ouvir sua versão, entender o que aconteceu. O que você fez não foi certo. Tirou a vida de pessoas. Mas nem meu pai, nem Charles, Quentin ou Slade tinham o direito de condenar vidas inocentes apenas para conseguir poder. Então, ainda que seja difícil, confie em nós quando dizemos que meu pai vai pagar pelos crimes que cometeu. A justiça finalmente será feita. – Afirmo e Rene suspira, dando-se por vencido. Ele parecia ter decidido confiar em nós. Encaro Felicity que sorri e entrelaça nossas mãos por debaixo da mesa.

— Tudo bem. Eu vou contar tudo o que sei. – Concorda o rapaz, dando mais um suspiro em seguida. Ligo meu gravador e Felicity pega seu bloco de notas, pronta para anotar tudo que acredita ser relevante para a matéria. – Tudo começou no dia anterior ao incêndio que matou a minha família. Meu pai descobriu que o nome dele estava envolvido em crimes de lavagem de dinheiro. Eu sempre fui muito curioso quando criança, por isso, eu me escondi e ouvi a conversa do meu pai com Robert. Quando meu pai ameaçou denunciar o Queen para a polícia, Robert e seus sócios ficaram violentos. Assim que meu pai saiu da sala, os três começaram a conversar sobre o que fariam. Eu ouvir eles combinarem de chamar Charles Brandon para dar um sumiço em meu pai.

“Quando Oliver e eu acordamos de madrugada por causa do incêndio e corremos para tentar salvar a minha família, eu me lembro claramente no rosto de Charles saindo da casa em chamas, com uma arma em mãos e os olhos assustados. Dentro da casa, eu encontrei meus pais e duas das minhas seis irmãs, mortos com tiros. Minha irmã mais velha tentou tirar Oliver, Rute, Rosa, Rebeca e eu da casa, mas não conseguimos chegar a nossa rota de fuga a tempo.

Se não fosse por Oliver, eu também teria morrido naquele incêndio. No momento em que uma viga de madeira caiu em nossa direção, ele me empurrou para longe e acabou sendo atingindo em meu lugar. Como a viga estava em chamas, minhas irmãs mais velhas acabaram sendo...sendo...” – Nesse instante, Rene parece ter dificuldades para continuar. Eu respiro fundo, tentando controlar minhas emoções. Não estava sendo fácil para mim também. Relembrar a morte das pessoas que vi como minha família era doloroso. – Elas foram queimadas vivas. A única coisa que consegui foi observar elas morrendo, em estado de choque. Os bombeiros entraram na casa logo em seguida e resgataram a Oliver e eu. Nós dois fomos os únicos sobreviventes.

“Oliver foi inconsciente para o hospital, enquanto isso eu permaneci ao lado da casa, esperando alguma notícia de minha família, eu confrontei Robert. E apesar de ter somente dez anos daquela época, eu lembro exatamente do sorriso irônico dele ao afirma que tinha mesmo matado a minha família e quando eu tentei ir para cima dele, ele me chutou para longe e garantiu que eu jamais conseguiria atingir ele”. – Rene aperta os punhos e vejo a raiva se espalhar pelo seu corpo.

Eu sabia exatamente do que ele estava falando. Já havia recebido o mesmo sorriso e a mesma resposta de meu pai quando eu o confrontei sobre o futuro da mansão da família de minha mãe quando eu atingi a maioridade. Suspiro e coloco minha mão sobre o ombro do homem que já considerei como um irmão. Ele então solta o ar e me encara por breves instantes antes de voltar a encarar os próprios punhos.

— Órfão e sem nenhum parente que pudesse me adotar, eu cresci em um orfanato e esperei pacientemente para o dia que poderia criar um plano para fazer Robert pagar pelo crime que cometeu. Assim que atingi a maioridade, passei a procurar por pessoas que também foram vítimas de Robert. Foi então que eu conheci Félix, Roy e Ned. Eles também o odiavam e desejavam vingança tanto quanto eu. – Continua o mexicano, voltando a me encarar em seguida.

— E foi por eu ser filho do seu maior inimigo, você me procurou? – Sugiro e ele balança a cabeça, negando.

— Eu não menti quando disse que estava próximo de você. – Responde, dando de ombros. – Descobrir seu paradeiro não foi tão difícil assim. Você sempre foi destaque na escola e a na faculdade pelo seu dom para descobrir a verdade e obter um bom furo jornalístico. Assim que começou a trabalhar na Arrow News, eu entrei na cafeteria em frente ao prédio do jornal. Passei os últimos cinco anos observando seu comportamento, acompanhando seus encontros com seu melhor amigo e suas histórias sobre os casos que trouxeram ainda mais reconhecimento a sua carreira e te tornaram um dos melhores jornalistas do país. E foi assim que eu soubesse que ainda que tenham se passado vinte anos, você permaneceu o mesmo garoto honesto, leal e curioso. E se fosse para alguém descobrir sobre os meus crimes, eu esperava que fosse você. Por isso, você sempre foi o primeiro a saber do que iria acontecer.

— Você teve muitas chances de me matar. Por que não fez isso? Ainda que eu soubesse que eu poderia atrapalhar seus planos. – Questiono e ele sorri discreto.

— Porque você salvou minha vida várias vezes. Você foi o meu melhor amigo quando criança e mesmo sendo tão novo, você não temia enfrentar seu pai ou sua mãe em nome da justiça. Você nunca mentiu sobre seus sentimentos e sempre foi muito verdadeiro com as pessoas. – Responde Rene, dando um sorriso gentil.

— Obrigada. – Sussurra Felicity e o sorriso do mexicano se alarga ainda mais.

— Você se tornou um homem honrado e está construindo uma linda família, Revilo. – Afirma Rene, encarando a barriga de Felicity. – Eu estou orgulhoso de você.

Sem esconder ou se negar a esconder qualquer pergunta, a entrevista seguiu e quando menos esperamos o nosso tempo acabou. Rene foi levado de volta a cela provisório onde está sendo mantido até o dia do julgamento. Felicity e eu permanecemos mais alguns minutos dentro da sala, absorvendo todas as informações dadas por Rene, antes dos guardas nos avisarem que precisávamos sair.

— Você está bem? – Pergunta Felicity, assim que entramos em meu carro.

— Estou. – Respondo, respirando fundo em seguida. – Eu apenas não sei bem como reagir a todas essas informações.

— Por que não passamos na cafeteria para tomar um café? Depois de entregar o material para a equipe, teremos o dia de folga mesmo. – Sugere Felicity, dando um sorriso encorajador.

— É uma excelente ideia. – Concordo, sentindo-me mais animado.

E como Felicity havia sugerido, seguimos até o jornal, onde deixamos o material que seria usado para realizar uma reportagem especial sobre o caso mais comentado no país. Devido ao estresse que tanto eu quanto Felicity estávamos passando, Alex decidiu que precisávamos de um descanso, afinal, passamos noites e mais noites em claro em busca de mais informações sobre os assassinatos em que meu pai poderia estar envolvido e entrando em contato com os amigos detetives de Felicity para saber sobre as últimas informações dos casos reabertos.

Assim que entramos no estabelecimento, sinto meu peito se apertar. Durante anos, Rene me observou e acompanhou minha vida de longe nesse mesmo lugar, então foi inevitável não me sentir um pouco aflito ao observar cada detalhe daquela cafeteria. Ao perceber meu desconforto, Felicity pega em minha mão e sorri compreensiva. Não era preciso expor nossos sentimentos em palavras. Apenas nossos olhares eram o suficiente para eu ver que ela se sentia da mesma forma do que eu.

— Olá! Sejam bem-vindos. – Cumprimenta uma garçonete nova, dando um sorriso simpático. Ela entrega os cardápios e nos lança mais um sorriso. – Quando estiverem prontos para fazerem seus pedidos, é só me chamar. Meu nome é Amy.

A garota parecia não ter mais do que vinte anos. Seus cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, davam um ar ainda mais jovial a garçonete. Ela parecia ser aquele tipo de pessoa animada e prestativa. Ela me lembrava muito Sara quando mais nova. Sorrio em cumprimento, agradecido pela hospitalidade da funcionária.

— Certo. Muito obrigado. – Agradeço e a garota sorri mais uma vez antes de voltar a atender os outros clientes. E enquanto eu encarava o cardápio, sinto um olhar gélido em minha direção. Levanto minha cabeça e noto que a áurea furiosa e ameaçadora vinha de Felicity. – O que foi?

— O que foi? – Ela repete, descrente, como se eu tivesse cometido o pior crime do mundo. – Inacreditável!

— O quê? – Insisto, confuso com a mudança de comportamento de Felicity.

— Aquela garota estava dando em cima de você bem na minha frente! – Exclama e eu me torno ainda mais confuso.

— E como exatamente ela deu em cima de mim? – Pergunto cauteloso. Ainda que as acusações de Felicity não fizessem sentido algum, eu sentia que precisava ser cuidadoso, caso quisesse sair vivo dessa situação.

— Ela sorriu para você! – Responde, cruzando os braços. – E te olhou com aqueles...aqueles...

— Aqueles... – Insisto para que ela continuasse sua explicação.

— Aqueles olhos famintos que diziam que ela queria transar loucamente com você. – Responde de maneira furiosa.

— Ah, então em apenas um olhar, ela disse que queria transar comigo?

— Transar loucamente! – Corrige e, logo em seguida, ela me dá diversos tapas no braço. – E você ainda correspondeu ao olhar dela!

— Ai! Do que você está falando? – Questiono, sem conseguir segurar o riso. Aquilo não fazia sentido algum e o pior de tudo é que ela estava extremamente séria com aquela conversa.

— Ah, agora você vai se fazer de desentendido? – Ironiza a loira, voltando a cruzar os braços e eu preciso fazer um grande esforço para não ri ainda mais de seu comportamento atípico. – Se você ri, eu juro que vou chutar seu amiguinho tão forte que você vai pensar duas vezes antes de ficar dando sorrisinhos para qualquer garotinha peituda. Ah, parando para pensar, não era para os olhos dela que você estava olhando. Era para o decote!

— Felicity! Não diga besteiras. – Eu estava começando a ficar assustado com a forma como o humor da loira estava um pouco fora de controle. A doutora Beatriz havia me avisado que os hormônios de Felicity iriam mexer bastante com o humor durante a gravidez, mas eu não imaginava que seria tão drasticamente.

Nesse mesmo instante, Amy retorna a nossa mesa, com seu sorriso simpático no rosto e um bloco de notas em suas mãos. No mesmo instante, Felicity sorri falsamente e coloca a mão dela sobre a minha. E como era de se esperar, Amy não se importa com nenhuma de nossas ações e isso parece irritar ainda mais Felicity que fecha o sorriso e aperta minha mão com mais força.

— Vocês já decidiram o que vão querer? – Questiona a atendente, encarando-nos com atenção.

— Eu vou querer uma xícara de café grande e um pedaço de torta de chocolate. – Respondo e a garçonete anota meu pedido em seu bloco de notas.

— Certo. E a senhora? O que deseja? – Pergunta Amy, virando-se para Felicity com seu sorriso gentil.

— Que você desapareça. – Sussurra e eu arregalo os olhos, torcendo para que a jovem garçonete não tivesse ouvido o comentário maldoso de minha namorada.

— O que disse, senhora? – Indaga a garçonete de maneira confusa.

— Eu disse que eu...

— Que ela quer o maior pedaço de torta de limão que você tiver e o maior copo de limonada da casa. – Respondo, evitando que a fúria ilógica de Felicity.

— Ah, tudo bem. – Concorda Amy, desconfiada de minha respostas, mas ela não parecia disposta a questionar o meu comportamento claramente alterado. – Trago o pedido de vocês em instantes.

— Obrigado! – Agradeço, observando a garçonete sair. Assim que acredito que ela está longe o suficiente, viro-me para minha acompanhante. — Felicity! – Repreendo a loira e ela me encara chateada. – O que você está fazendo?

— O quê? É ela que está me provocando! – Rebate e eu reviro os olhos.

— E como ela está fazendo isso? Ela só está sendo simpática. É o trabalho dela atender a todos os clientes bem. – Respondo e ela suspira frustrada, como uma criança emburrada. Amy aparece com os nossos pedidos e os coloca em nossa frente.

— Tenham um bom apetite. Se precisarem de alguma coisa, é só me chamar. – Afirma Amy, dando um sorriso amável, antes de se virar e sair.

Sem dizer nada, Felicity começa a comer e mantem sua concentração na comida. Observo sua mudança de humor mais uma vez e suspiro, imaginando que aquele era somente o começo do que ainda estava por vir. Lidar com os hormônios de Felicity pelo restante da gravidez era mais um ponto que eu deveria colocar na minha lista de coisas que preciso aprender a lidar antes da chegada de Thea.

O restante da refeição foi em completo silêncio. Felicity permanecia com seus olhos focados em sua torta de limão, que ela fazia questão de comer em pequenas quantidades para que sobrasse mais. E pela primeira vez desde que vir comer na cafeteria depois de uma longa semana complicada de trabalho, Felicity não pediu um segundo pedaço de torta de limão e nem a sua amada limonada.

Ao fim, ela cruza os braços e espera eu pagar a conta para ir em direção ao carro com passos duros. De certa forma, ela ficava adorável com raiva, mas ao mesmo tempo, eu preferia não arriscar provocar ainda mais e acabar ficando sem a cabeça, então apenas a sigo em silêncio.

Suspiro ao entrar no carro e perceber que havia esquecido meu notebook em meu apartamento. Eu planejava passar a tarde na casa de Felicity, investigando sobre os casos nos quais meu pai está envolvido. Viro-me para a loira, que me encarava curiosa, ainda que a irritação continuasse presente em seus olhos. Sorrio, cauteloso.

— Você se importa de passarmos em minha casa antes de irmos para a sua? Eu esqueci meu notebook. – Explico à loira, que me olha indescritível por um tempo e sorri, concordando.

— Eu não me importo. – Afirma e eu não consigo não estranhar mais uma vez a mudança de comportamento da loira.

E partir disso, seguimos para minha casa com Felicity conversando animadamente, nem mesmo lembrando da garota irritada de mais cedo. Ela contava sobre os planos de montar o quarto de Thea e o que tinha visto pela internet nos últimos dias. Estávamos planejando fazer as compras e arrumar o quarto da garotinha no final de semana seguinte, então era inevitável para a loira não pensar nos detalhes e todos os móveis e decoração necessária para fazer o quarto de bebê dos sonhos.

Assim que chegamos ao meu prédio, estaciono o carro e seguimos para o elevador. Felicity encarava tudo fascinada, como uma criança que estava entrando em um brinquedo. Cumprimento o porteiro do prédio com um rápido aceno e ele me encara surpreso.

— Boa tarde, Oliver. – Cumprimenta o homem de meia idade com um sorriso gentil em seus lábios. – Trouxe uma nova visita?

— Boa tarde, Sr. Nathan. – Respondo, aproximando-me do senhor que cuidava de meu prédio desde sua construção. Passo meu braço pela cintura de Felicity, que sorri simpática para o porteiro. – Essa é Felicity Smoak, minha namorada. E essa é a Thea. – Acaricio a barriga de Felicity, alargando ainda mais o sorriso do simpático porteiro.

— É um prazer conhecer essas duas damas. – Responde o Sr. Nathan, estendendo a mão para cumprimentar Felicity, que corresponde ao aperto no mesmo instante. De repente, o barulho anunciando que o elevador havia chegado ao andar nos desperta. – Parece que vocês precisam ir.

— Até logo, Sr. Nathan. – Despede-se Felicity, sorrindo animada.

Aceno para o porteiro e conduzo Felicity ao elevador. Aperto o botão do meu andar e passo a observar Felicity. De algum modo, eu estava começando a notar algumas mudanças na loira. Aos poucos, ela parecia ganhar confiança em mudar as roupas que usava. Com a barriga crescendo em uma velocidade impressionante, as roupas usuais já não estavam mais cabendo, o que trouxe a oportunidade dela começar a inovar.

As blusas e calças que cobriam boa parte do corpo começaram a dar lugar a vestidos mais soltos e acima do joelho, saias e roupas que mostravam, ainda que discretamente, as curvas bonitas e a pele sedosa da loira. Não havia sido algo que ocorreu da noite do dia. Essas mudanças começaram a se fazer presente pouco a pouco. Talvez fosse a convivência com a mãe, talvez fosse a gravidez, mas ela parecia mais segura e confiante. Aos poucos, ela começava a mostrar através de sua aparência a mulher de personalidade forte e inteligência acima da média. Uma mulher na qual aprendi a amar e admirar.

Ao notar o meu olhar sobre si, Felicity me encara confusa. Sorrio e beijo o topo de sua cabeça. E mesmo sem entender, ela passar os braços em volta de minha cintura e encosta o rosto e meu peito. Observo o elevador e é impossível não me lembrar da loucura que foi o dia em que descobrimos a gravidez de Felicity. E de alguma forma, ainda que eu me sinta um pouco inseguro, a partir daquele dia, elevadores me traziam boas recordações.

— Chegamos. – Aviso, assim que o elevador para no décimo segundo andar.

Felicity se afasta de mim e me segue para o corredor observando tudo com atenção. Ainda que tentasse desfaçar, eu conseguia ver uma certa alegria vindo de seus olhos, como se estivesse visitando um lugar mágico. Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas eu me sentia encantado pela forma como as coisas simples conseguiam fazer seus olhos brilharem tão intensamente.

— Qual é o seu apartamento? – Pergunta, curiosa.

— 1203. – Respondo e ela sorri, indo em direção a porta com essa numeração. – Fique à vontade.

Pego a chave que estava em meu bolso e abro a porta, dando espaço para que ela entrasse. Cautelosa, Felicity entra e passa a observar a sala de estar. Fecho a porta e sigo para o meu quarto atrás de meu notebook. Quando eu finalmente o encontro, viro-me para voltar para a sala, mas me assusto ao me deparar com Felicity próxima de mim com um grande sorriso no rosto e o DVD de Dumbo.

Aquele filme havia marcado a minha infância e por esse motivo, jamais fui capaz de me desfazer dele. Ele era o filme preferido da minha mãe, então sempre assistíamos juntos quando ela estava bem. Não era o filme mais popular entre as crianças, mas todas as vezes que eu via o sorriso infantil de minha mãe, tão parecido ao exibido por Felicity naquele momento, eu me sentia feliz. Então, no fim, assim como inúmeras coisas que remetiam a minha mãe, aquele filme que me trazia tanta dor, também me trazia felicidade e paz.

— Podemos assistir? – Pergunta a loira, semelhante a uma criança. Os olhos brilhavam em expectativa e o sorriso inocente em seus lábios me faziam ceder a qualquer um de seus pedidos. – Eu amo esse filme!

— Claro. Mas você não queria ir para casa para arrumar alguns detalhes do quarto da Thea? – Pergunto e ela suspira, um pouco decepcionada.

— Você tem razão. – Fala a loira, em um murmuro triste. – Então é melhor nós irmos.

Aproximo-me de Felicity e a puxo para mais perto pela cintura. Ela passa os braços dela pelo meu pescoço e me encara desanimada. Beijo a ponta de seu nariz e suspiro, como se estivesse me dando por vencido. Felicity parece notar a minha sutil reação e me observa com curiosidade.

— Acho que podemos arrumar a parede de Thea amanhã a noite. Por que não damos uma pausa hoje e descansamos? Esse últimos meses tem sido bastante exaustivos para nós. Acho que merecemos um pouco de descanso do mundo. – Sugiro e os olhos de Felicity brilham ainda mais diante da possibilidade. – O que você me diz?

— É a melhor ideia do mundo! – Concorda, afastando-se de mim, animada. E então olha para minha cama e a grande televisão com DVD que havia em meu quarto. – Podemos assistir aqui?

— Claro. – Respondo, sorrindo diante de sua reação. Ela me estende o DVD e lança um sorriso sapeca.

— Enquanto você coloca o filme, eu vou fazer a pipoca. – Avisa, indo em direção a porta, mas ela para no meio do trajeto. Com uma expressão séria, como se tivesse prestes a falar de um assunto de extrema importância, ela se vira para mim. – Você tem pipoca, certo?

— Sim. – Respondo, rindo levemente. – Está no armário ao lado da geladeira.

Com um sorriso animado, ela segue em direção a cozinha, enquanto eu arrumo o DVD. Assim que a pipoca está pronta, ela volta para sala com um balde grande e dois copos de suco de limão, como era de se esperar, em uma bandeja. Ela coloca os corpos e o balde sobre o criado mudo e se joga sobre a cama. Sento-me ao lado e pego o controle que estava na beirada da cama.

— Pronto? – Pergunto, enquanto ela me estende o copo de limonada e colocava o balde de pipoca entre nós.

— Pronto. – Afirma a loira, ajeitando-se melhor na cama.

Assim que o filme começou, Felicity se aconchegou em meu braço e passou a prestar atenção na animação que era reproduzida na televisão. E ainda que eu soubesse que ela tivesse assistido ao filme diversas vezes, a loira ainda era capaz de ri e se emocionar com as cenas do atrapalhado bebê elefante.

Aos poucos, o cansaço do dia parece começar a tomar conta de seu corpo e como uma criança, ela passa a lutar contra o sono. Quando ela finalmente fecha seus olhos, não consigo evitar não sorrir diante da cena. Com cuidado, tiro os óculos de seu rosto e o coloco no criado mudo ao meu lado. Pego o controle e no momento em que vou desligar, sou impedido pela voz sonolenta da loira.

— Não desliga. Eu estou assistindo. – Afirma, apertando ainda mais o meu braço.

— Por que não dorme um pouco? Podemos assistir de novo. – Respondo, mas ela apenas abre os olhos minimamente e balança a cabeça, concordando.

Desligo a televisão e afasto o balde de pipoca vazio para que ela se deitasse mais confortável. Ajeito o travesseiro dela e nos cubro, puxando-a para perto de mim. Como se feito sobre medida, o corpo de Felicity se encaixa perfeitamente no meu. Abraço-a para trazê-la para mais perto e inspiro o aroma natural que vinha dos cabelos loiros. Sinto um leve chute de Thea, quase como uma saudação e é inevitável não sorri.

— Ollie... – Felicity sussurra, em um tom quase inaudível.

— Sim? – Sussurro em resposta, atento ao rosto sereno de Felicity.

— Obrigada por me trazer aqui. – Agradece, abrindo os olhos para encarar os meus. Naquele momentos, as palavras pareciam ter sumido de minha mente e somente quando Thea chuta mais uma vez e Felicity se encolhe de dor é que me desperto da surpresa. – Calma, filha! Isso dói. – Resmunga, acariciando a barriga.

— Você é a primeira mulher que trago ao meu apartamento. Então sou eu que deveria ser grato por você vir. – Confesso e ela me encara descrente.

— Isso é sério? – Questiona Felicity, depois de um tempo, quando percebe que eu estava sendo sincero. – Por quê?

— Eu não sei. Eu só...só nunca gostei e confiei o suficiente em uma mulher para permitir que invadisse minha vida desse jeito. Antes de você chegar, até então, as únicas mulheres que amei foram minha mãe e Thea. Também teve o fato das mortes das irmãs de Rene, que mesmo sem eu me lembrar, foram muito próximas a mim. Eu perdi todas essas mulheres e de maneira trágica. Até mesmo minha melhor amiga de infância, Sara Lance, se machucou tentando me proteger de um ataque de fúria do meu pai e por muito pouco ela não morreu. Depois disso, eu comecei a ver as mulheres como seres frágeis, que morreriam caso se envolvessem comigo. Então passei a ter medo de me relacionar. De ter algo mais sério. Ao mesmo tempo em que me sentia vazio e solitário, como se nada fosse o suficiente para me preencher. O único momento em que me sentia realmente satisfeito era trabalhando no jornal. Foi assim que me viciei em café e em festas. – Conto, encarando os cerúleos olhos de Felicity, que brilhavam fascinados. – Mas então você apareceu de repente. Mandona, ousada, estranha e muito, muito, muito atrapalhada.

Felicity ri com os meus adjetivos e balança a cabeça, concordando. Naturalmente, as palavras saiam de minha boca, como se eu apenas estivesse respirando. Diferente de qualquer outra mulher com quem tive contato, com Felicity, eu me sentia à vontade para conversar e contar sobre qualquer coisa. Era como se seus olhos me transmitisse a segurança que sempre procurei em alguém para compartilhar tudo que mantive preso por tantos anos.

— E quando eu menos percebi, você era a pessoa em quem eu mais pensava. Eu estava sempre preocupado com você. E quanto mais eu tentava me afastar, mais próximos nos tornávamos. Era como se você tivesse um ímã que me atraia para as suas confusões. Mas o mais assustador era o fato de que eu gostava disso. Gostava quando você confiava em mim, quando se abria comigo e me deixava te ajudar. – Continuo e acaricio seu rosto. – E então eu me apaixonei por você. Algo que ia muito além de atração física. Pela primeira vez na vida depois de vinte anos, eu aprendi a amar uma mulher. Duas, para ser sincero. – Rio, acariciando a barriga de Felicity. Thea chuta forte mais uma vez e a loira se encolhe de dor, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— Nós também amamos você. – Sussurra Felicity, colocando a mão sobre a minha que ainda acariciava a sua barriga.

— E sabe, eu sempre achei que me apaixonar fosse algo doloroso e que mexia de maneira inexplicável com a cabeça das pessoas. Quase como uma doença que deixa as pessoas idiotas e sem qualquer senso do comum. – Respondo e ela me encara divertida. – E eu estava certo.

— Ei! Está dizendo que nós dois nos tornamos pessoas idiotas e sem qualquer senso do comum? – Brinca Felicity, dando um tapa em meu peito.

— Não. Isso a gente já era. Só piorou um pouco mais. – Digo e ela ri, concordando. Sou contagiado pelo sorriso da loira e acabo acompanhando-a. Uso meu braço para puxá-la para mais perto e seu corpo acaba ficando sobre o meu. Ela me olha com amor e doçura, como se eu fosse alguém precioso. E eu amava isso. – Mas sabe, apesar de toda a dor, física e mental, e a preocupação que você me causa, eu não mudaria e não queria que nada fosse diferente. Obrigado por ser tão apaixonável, por me deixar te amar e por me amar.

E em resposta Felicity me beija. Em um toque lento e sedutor, seus lábios me instigavam. Era diferente de todas as vezes em que nos beijamos. A loira conduzia tudo com intensidade e, ao mesmo tempo, provocação. De repente, o beijo se torna ainda mais desesperado. Minhas mãos vão de encontro a sua cintura, enquanto as dela acariciavam meu tórax e nuca, em uma sensualidade que não fazia bem a minha sanidade.

— Felicity... – Sussurro, tentando me afastar. Ela então passa a morder minha orelha e pescoço. Arfo, surpreso com aquela investida. Aquilo realmente estava saindo fora do controle. – Felicity...

— O quê? – Sussurra de volta, encarando-me com luxuria. Seus olhos estavam mais escuros, a respiração estava pesada, a boca vermelha e levemente inchada, os cabelos bagunçados e o rosto corado. Aquela visão era quase como o caminho certo para o pecado e era bastante injusto comigo.

— Nós não podemos...

— Mas eu quero. – Afirma, voltando a me beijar.

Eu jamais imaginei que isso pudesse acontecer. Se o meu “eu” do passado me visse agora, provavelmente me daria um soco. Eu realmente queria muito ir além, mas eu temia prejudicar a saúde de Felicity ou de Thea. Então, ainda que meu corpo quisesse muito – muito mesmo! – e meu coração desejasse ainda mais, o meu lado racional me alertava que naquela intensidade, as coisas poderiam sair do controle.

— Felicity. – Interrompo, empurrando-a, levemente. Ela me encara assustada e decepcionada. – Nós não podemos.

— Por quê? Você não me quer? Não me ver como uma mulher? Não me deseja? – Pergunta, preocupada e triste ao mesmo tempo.

— Não! Não é nada disso! – Exclamo, surpreso. Ela me encara confusa.

— Então por que não podemos? – Felicity insiste, mas ao menos parecia um pouco menos chateada.

— Eu te desejo e muito. Olha o meu estado, Felicity! – Peço e ela abaixo o rosto, encarando o mesmo lugar que eu. Um leve sorriso se cresce em seus lábios. – É sério. Não é qualquer mulher que consegue me deixar assim. Você é linda e tem um corpo incrível. Mesmo grávida, você ainda consegue ser muito do que todas as mulheres com quem já me envolvi. Não tenho muito orgulho de dizer isso, mas já foram muitas. Mas você continua sendo a mulher mais sensual e, desculpa o termo pejorativo, gostosa com quem já estive. Só Deus sabe o quanto eu preciso me controlar para não ter pensamentos nada puros com você.

— Verdade? – Pergunta Felicity, sorrindo satisfeita. Balanço a cabeça, concordando.

— É a mais pura verdade. – Afirmo, levantando o suficiente para sentar na cama, mas sem tirar Felicity de cima de mim. – Mas eu também amo e me preocupo com você. Não quero te machucar e muito menos a Thea. Você está grávida e...

— Oliver, mesmo estando grávida, não tem problema nenhum ter relações sexuais. – Felicity me interrompe, sorrindo divertida.

— Não? – Pergunto, surpreso.

— Não! – Responde, rindo. Ela leva a mão a testa e balança cabeça, negando. – E eu achando que você nunca tinha tentado nada comigo porque eu não era tão bonita e gostosa quanto as suas outras ex-namoradas.

— Elas não eram minhas ex-namoradas. – Corrijo e ela dá de ombros, como se isso não fizesse diferença, ainda que eu conseguisse ver que ela havia ficado feliz com a minha afirmação. – Mas realmente não tem problema.

— Não, Oliver. Não tem problema. – Responde Felicity, revirando os olhos. – E se você ainda não acredita em mim, podemos ligar para a doutora Beatriz para tirarmos a dúvida. Se bem que seria bastante complicado explicar o motivo da...

Interrompo Felicity, pegando em sua cintura e a jogando na cama. Ela me encara surpresa, mas logo sorri maliciosa. A loira envolve meu pescoço com seus braços e me encara intensamente. Observo o rosto delicado da mulher que tanto amava e tudo que eu mais desejava era experimentar o que todos me diziam sobre a diferença entre transar e fazer amor. E se havia alguém com quem eu queria entender essa diferença, essa pessoa com certeza era a mulher que me encarava com o mesmo amor e desejo que eu a encarava. Felicity Smoak, a mulher que me fez voltar a acreditar no amor.

Notas finais
Oii Cupcakes ♥! O que acharam? No próximo capítulo teremos cenas mais picantes do casal. Mas eu gostaria de deixar claro que eu não gosto de baixaria e ainda que Oliver tenha concordado, ele ainda tem receio de machucar Felicity, então não esperem um hot tipo porno. Será algo delicado e amoroso. Um momento de amor entre eles. Eu realmente espero que gostem! Beijocas ♥ Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/E6wkn6DU0rR0IoR0d3EOLi