Eu Consigo Te Enxergar
9 Capítulo 9
Notas iniciais
E agora?
O que seria o mais ideal a se fazer? Gilbert ou Matthew? Meu deus! Isso estava realmente batendo na cabeça de Francis. Ele tinha total consciência que Gilbert era muito frágil quando se tratava de Rodderich ou Vash, e ele tinha medo que ele pudesse fazer alguma coisa. Ele e Antonio evitavam ao máximo tocar nesse assunto.
Porém, Matthew estava logo à sua frente. Francis admirava com graça aqueles belos olhos e o cabelo bagunçado do menor. E depois de tudo aquilo que ele tinha dito... Ele não poderia simplesmente abandoná-lo!
“Que situação ruim... O que eu faço?”
Francis não tirava as mão do rosto ao tentar pensar melhor no que faria. Ele largou o celular em cima da cama e começou a murmurar palavras quase inaudíveis. Matthew conseguia ouvir coisas como “Droga!” ou “O que eu faço?”. Então o menor voltou sua atenção para o aparelho de celular que estava jogado sobre à cama.
Então sem demorar muito, Matthew pegou o pequeno aparelho e deu uma olhada na mensagem que Antonio havia enviado para Francis. E sem entender muito bem sobre o que estava acontecendo, Matthew só conseguiu pousar uma das mãos no ombro do maior, fazendo com que o mesmo parasse o que estava fazendo para encara-lo.
–- Não seria melhor você ir falar com Gilbert...?
–- Mas...
–- Ele é seu amigo, então eu acho que é importante.
–- Matthew...
–- Seria melhor você ir logo... – Matthew tentou transparecer um pequeno sorriso.
Francis não queria responder. Ele só ainda não tinha se decidido o que faria primeiro. Mas ele sabia que se fosse escolher um dos dois, o outro iria ficar arrasado. Ele só não queria machucar ninguém.
“Como isso foi acontecer...?”
Matthew ainda encarava Francis por algum tempo. Acho que ele conseguiu compreender melhor a situação que o maior estava. Ele com certeza estava querendo decidir entre a situação “menos pior”.
Então Matthew acabou tendo uma ideia. Aquilo poderia nem ser tão bom assim, mas era a única maneira de resolver logo os dois problemas.
“Talvez seja melhor desse jeito.”
–- Francis... Eu quero te pedir uma coisa.
–- O que?
–-- X---
Antonio estava desesperado tentando fazer Gilbert abrir a porta. Mas tudo que tentava era em vão!
Ele se ofereceu para jogar uns jogos com ele. Tentou dar comida para Gilbird. Disse até que ajudaria ele com as lições do colégio.
Nada.
Além de trancado, Gilbert também não pronunciava uma única vírgula. Ele não se deixava ajudar por nada e nem ninguém. E se aquilo chegasse aos ouvidos de seu avô e irmão, se tornaria um grande problema. Ele rezava para que Francis chegasse logo e soubesse lidar com tudo aquilo.
–- Gilbert! Abra essa porta, por favor! Vamos conversar! – Gilbert ainda continuava em silêncio – Ao menos me diga alguma coisa para eu saber que ainda está vivo! Não me deixe tão preocupado assim! – Antonio parecia que estava falando só com a porta – Eu mandei uma mensagem para o Francis. Ele com certeza está vindo para cá totalmente preocupado com você.
Gilbert não queria falar com ninguém. Ele só queria ficar sozinho, nada mais. Não queria que ninguém o visse naquele estado tão deplorável. Não queria que mais ninguém além de Gilbird visse as suas lágrimas.
Será que ele não poderia ter um minuto de paz pelo menos uma vez na vida?
~TOC TOC~ ~TOC TOC~ ~TOC TOC~
Ele não aguentava mais ouvir aquelas inúmeras batidas em sua porta. Mas ele não iria gritar para que Antonio parasse de baté-las. Ele não iria falar com ninguém além dele mesmo!
–- Gilbert! Pare de agir feito criança e abra essa porta! – a voz de Francis foi uma surpresa para Gilbert.
Ele não deveria está tomando conta do ser que ele mais amava? Mas independente disso, ele ainda não queria responder. Nada nem ninguém iria fazê-lo responder e nem o ajudaria. Ele só precisava dele e de Gilbird.
–- Gilbert, eu sei que você não quer falar, mas tem uma pessoa aqui que quer vê-lo!
“Pessoa...?”
Que criatura iria querer ver Gilbert naquele estado deplorável sem ser Roderich ou Vash? E Francis não seria tão cruel a ponto de levá-los até ele, não é? Então quem seria essa pessoa?
A curiosidade foi mais forte que seu orgulho.
–- Quem...? – foi a única coisa que ele conseguiu falar.
–- Abra essa porta e venha falar com ele você mesmo! – Francis abaixou o tom de voz.
Gilbert demorou um certo tempo para ganhar coragem e se levantar. Ele realmente odiava ser vencido por algo tão bobo quanto a curiosidade. Mas quem queria vê-lo? O que essa pessoa queria dele?
Gilbert então, lutando muito, destrancou e abriu a porta, e a primeira coisa que sentiu foi algo envolvendo a sua cintura.
“Isso é um... abraço?”
Então ele abaixou a cabeça para tentar visualizar quem estava fazendo isso. A pessoa tinha cabelos loiros e um fio que saía do meio da cabeça, e percebendo que conhecia aquela criatura, Gilbert o abraçou de volta.
–- Matthew... o que você faz aqui...? – Gilbert falava num tom tão baixo e choroso que era estranho.
–- Eu queria ver como você estava... Francis me contou algumas coisas...
–- Mas por que você está se preocupando com isso...? Não é problema seu...
–- Porque você é amigo do Francis... e ele ficou realmente preocupado, e para você está chorando... bem... com certeza era algo ruim...
–- Você não deveria se preocupar com gente como eu.
–- Mas eu me preocupo...
–- Por que??
–- Porque eu sei o que é ser uma pessoa que não é amada...
Gilbert abriu um pouco mais os seus olhos, fazendo com que escapasse algumas lágrimas. Matthew sabia o que ele sentia. Não ser lembrado. Ser trocado. Ser esquecido. Tudo isso ele sabia!
Matthew então virou o rosto para cima para encarar o albino, ele ainda aparentava estar um pouco doente por causa das bochechas vermelhas e os olhos cansados. E Gilbert voltou a olhar para os olhos do menor.
–- Seus olhos... Eu sempre vou me lembrar dele quando eu olho para os seus olhos... – admitiu Gilbert.
–- Você ainda o ama, não é?
–- Não fale besteiras. – Gilbert virou o rosto e ficou vermelho – Não posso continuar gostando de alguém que me trocou sem grandes motivos.
–- Mas você o ama não é? – Matthew insistia – Você carrega esse lenço e vive grudado naquela flauta.
Gilbert encarou o lenço que Matthew tinha em mãos. Era o mesmo lenço que ele dara para Francis colocar na testa do menor no momento de febre. E logo em seguida, ele olhou as letras bordadas.
–- Foi ele que colocou as suas iniciais aqui, não foi? – Matthew estava sério encarando o albino.
–- Por que você contou pra ele? – Gilbert virou o rosto para Francis.
–- Eu precisava. Vim contando a história toda pra ele durante o caminho quando ele me pediu para vir falar com você. – Francis retrucou.
–- Tsc! – Gilbert virou o rosto mais uma vez.
–- Gilbert...
–- O que...?
–- Você ainda ama ele, não é? – Matthew queria a resposta do albino de qualquer jeito.
Gilbert o encarou por mais alguns segundos, e logo em seguida, olhou para Francis e Antonio. Ele realmente não queria responder aquilo. Seria constrangedor demais. Por que ele tinha que passar por tudo isso?
Então o pequeno pássaro amarelo saiu de dentro do quarto e voou em direção aos ombros de Gilbert e lá permaneceu. Matthew encarou a pequena ave, e logo em seguida, levantou o indicador para dar um pouco de carinho ao pequeno animal.
“Acho que Matthew tem razão...”
–- Sim... – Gilbert ainda olhava para a cena de Matthew fazendo carinho em Gilbird enquanto respondia.
–- O que?
–- Eu ainda gosto muito dele... eu realmente... o amo. – Gilbert ainda estava com uma cara chorosa – Eu ainda amo aquele idiota, mauricinho, que só sabe falar de etiqueta e tocar piano do Rodderich... Droga... Por que eu disse isso?
Matthew soltou um sorriso que conseguiu fazer Gilbert se acalmar um pouco e parar de chorar. Então o albino olhou para seu bichinho de estimação e logo em seguida para Francis. Pelo visto ele não estava TÃO irritado pelo fato dele ter ficado tão próximo assim de Matthew.
Talvez conversar algumas coisas com Matthew o ajudasse de vez em quando.
“Obrigado...”
Matthew então voltou a ficar mais perto de Francis e enquanto ele se afastava, Gilbird saiu do ombro de seu dono e pousou na cabeça do jovem loiro. Matthew mostrou um tímido sorriso de satisfação por ter um pequeno passarinho em cima da cabeça, e depois voltou a olhar para o albino.
“Fale com ele quando você tiver coragem de falar o que realmente sente...”
–-- X ---
Matthew estava se preparando para voltar para a sua cama mais uma vez. Talvez amanhã já estivesse bem o bastante para voltar para a aula. Ele não aguentava ficar um dia sem ir para o colégio. Afinal, a sua meta de se mostrar uma pessoa valorosa para os seus familiares ainda existia!
“Que bom que as coisas se ajeitaram por enquanto.”
Mas antes, ele precisava ver se Francis não queria nada antes dele ir dormir, então se dirigiu até a sala onde o maior estava ajeitado no sofá lendo um livro.
–- Err... Está tudo bem para você dormir aí...?
–- Claro! Não vejo problema algum. HAHA~
–- Você poderia ter dormido na sua casa... Sem contar que Gilbert pudesse precisar de mais alguma ajuda.
–- Ele vai ficar bem. Ficamos lá até ele pegar no sono. HAHA~ Ele só vai acordar de manhã. Então não teríamos mais problemas durante o resto da noite.
–- Mas você não precisava me acompanhar tão tarde até em casa... Eu voltava sozinho.
–- Do jeito que a cidade está perigosa e que você ainda está um pouco doente, era obrigação minha te levar para casa.
Matthew ficou vermelho e abaixou o rosto, ele se sentiu muito constrangido com aquelas palavras que Francis acabara de dizer. Às vezes ele ainda pensava que era um incômodo para o maior por ele fazer essas coisas por ele.
Então Matthew apenas desejou Francis uma boa noite e desligou as luzes da sala. Ele realmente estava cansado e precisava de um descanso para enfrentar a escola no dia seguinte.
–-- X ---
Naquela madrugada, havia começado a cair uma leve chuva. E por causa disso, o ar frio do ambiente se alastrava. Francis acabou sentindo isso e se levantou para pegar mais uma coberta.
“Onde ficam os armários com os cobertores?”
Ele saiu rondando a casa à procura disso, até que parou em frente ao quarto do pequeno Matthew. E não resistindo a curiosidade, ele abriu a porta com o maior cuidado do mundo.
Matthew realmente era fofo até dormindo. Ele estava todo encolhido e agasalhado. Abraçava o grande companheiro de pelúcia pelo pescoço. Parecia uma criança! Francis adorava ver aquilo. Tudo no menor o atraía.
Depois ele parou para observar o rosto do menor, e mesmo que não tivesse muita luz naquela hora, era possível enxergar os movimentos da boca soltando e puxando ar.
“Eu quase pude senti-los hoje...”
Quase?
Francis se abaixou, chegando na altura do rosto do Matthew adormecido, então ele apoiou uma das mãos na beira da cama e tendo muito cuidado, se aproximou do rosto do pequeno para que pudesse beijá-lo.
Mesmo que só tivesse conseguido encostar por alguns segundos nos lábios do menor, Francis estava se sentindo extremamente bem. Então ele se afastou, encarou aquele rosto adormecido, fez um sutil cafuné nele e sorriu.
“São tão macios quanto eu imaginava que fossem...”
Fale com o autor