Eu Consigo Te Enxergar
17 Capítulo 17
Notas iniciais
O sol brilhava forte naquela manhã, e na estação do metrô, era possível ver um ser de óculos subindo as escadas para escapar daquele aglomerado de gente. Ele ostentava uma mochila nas costas e uma mala em uma das mãos. E virando a cabeça de um lado para o outro, ele parecia procurar alguém. Quando ouviu uma voz escandalosa aclamando seu nome, ele esboçou um pequeno sorriso e virou o rosto para a direção daquele som.
–- ALFRED!!! ESTOU AQUI! – Gilbert fez com que várias pessoas o encarassem – Vamos logo para casa!!
–- Já estou indo! – Alfred corria em direção a Gilbert – Se acalme um pouco!
Gilbert só soltava as suas gargalhadas convencionais. Ele realmente estava feliz por receber seu amigo após algum tempo sem se verem. Ele queria leva-lo a todos os lugares que ele achava legal. Queria que ele o acompanhasse até o colégio, mesmo que Francis reprovasse aquilo. Ele também queria fazer ele se encontrar logo com Matthew. Gilbert sabia que os dois eram irmãos, e que provavelmente, um estava com saudades do outro.
Mas ao contrário do amigo, Alfred não estava doido para encontrar Matthew. Ele só queria encontrar outra pessoa. A pessoa que fora o motivo dele ter saído de casa sem dar muitas explicações para os pais e ter abandonado o colégio durante esse período. Ele só queria esclarecer as coisas. E mesmo que Arthur não o amasse do jeito que ele sempre sonhara, ele não gostaria de ter uma relação estranha com ele.
“Arthur... Vou encontra-lo logo.”
Gilbert andava ao lado do amigo sem nem ao menos suspeitar sobre o por que dele está em sua cidade. Ele só queria chegar em casa e falar sobre as coisas que aconteceram com ele atualmente.
E depois de algum tempo andando, pegando ônibus e andando mais uma vez, eles chegaram na casa onde Alfred moraria um tempo com Gilbert e com seus companheiros.
–-- X ---
Matthew estava desde cedo na beira do fogão. Ele queria fazer de tudo para que Arthur se sentisse melhor. Desde a noite passada, ele não comia nada e nem falava com ninguém. O que será que estava acontecendo com seu irmão? Ele não gostava de vê-lo assim. Arthur sempre fora o mais responsável. Confiante. Que ditava as ordens. Ele era impecável. Era muito estranho vê-lo abatido desse jeito.
“Você vai superar tudo Arthur... eu acredito nisso...”
E mais uma vez ele se pós a olhar as coisas que preparava para agradar o irmão. Ele só queria que ele se sentisse um pouco melhor. Os problemas estavam voltando mais uma vez...
–- Matthew... – Arthur surgiu no corredor com a cabeça meio abaixada e umas grandes olheiras.
–- Você quer alguma coisa? – Matthew estava muito preocupado com o irmão.
–- Não... Na verdade... será que você saberia me dizer onde esse seu amigo Francis mora?
–- Ah??
–- Você sabe onde ele mora?
–- Sim...
–- Obrigado... – Arthur começou a andar em direção ao sofá, onde se sentou e logo em seguida, deitou-se, apoiando a sua cabeça no braço do móvel.
–- Você quer falar com Francis? – Arthur ficou em silêncio – Você quer falar com... Alfred?
–- Não...
O jovem Matthew achou aquilo tão confuso... Por que Arthur estava perguntando esse tipo de coisa? Droga! Ele queria poder ajudar mais o seu irmão. Mas o mesmo não colaborava. Ele não dizia o que estava sentindo ou o que queria fazer. Pelo visto, ele tinha que descobrir sozinho o que deveria fazer para ajudar.
“Você só complica as coisas...”
Então Arthur se levantou e foi em direção à cozinha. Ele não aguentava mais ficar calado. Aquilo estava o sufocando! Mas pelo visto, só Matthew entenderia. E quando chegou na cozinha, ele encostou a mão no ombro de Matthew querendo chamar a sua atenção.
–- O que foi, Arthur?
–- Me ajude a evitar o Alfred! – Matthew encarava aquela expressão sonolenta de Arthur. Ele não queria ter ouvido aquilo. – Não estou pronto para encará-lo agora!
–- Mas por que?
Arthur queria chorar, mas as olheiras iriam ficar piores do que já estavam se ele fizesse isso. E ele não queria chorar na frente do irmão. Mas depois de tanto refletir na noite anterior, ele acabou percebendo que não saberia o que fazer se o visse agora. E isso foi por causa de um fator.
–- Eu... Eu não sei o que eu sinto...
–-- X ---
Antonio ficava encarando o celular por algum tempo. E logo que conferiu o horário, ele soltou um sorriso. As coisas iriam caminhar naturalmente agora. Então ele levantou do banco onde estava sentado. Ele andou pela casa procurando alguma coisa para se entreter. Ele não queria mais se preocupar com coisas que não eram problemas dele.
Ele atravessou o corredor esperando que a qualquer momento, Gilbert e Alfred entrassem, que não demorou muito, afinal, era possível escutar Gilbert há quilômetros de distância. Ele realmente não sabia ser discreto.
–- Se sinta em casa, Alfred! KESESESE~~ — Gilbert abriu aporta e ela bateu com tudo na parede.
–- Obrigado. Eu não preciso de muita coisa. Só um canto para eu jogar as minhas coisas.
–- Use o quarto extra. – Antonio se meteu no meio da conversa – Ele é pequeno, mas dá para o gasto.
–- Ok. – Alfred sorriu – Nossa! Vocês mudaram muito!
–- Eu sei! Eu me tornei mais incrível!! KESESESE~~
–- Retiro o que eu disse. Você não mudou nada. – Alfred e Antonio começaram a rir daquilo.
–- Tsc! Não teve graça. – Gilbert fez bico.
–- Bem, eu te levo até o quarto. – Antonio pegou as malas de Alfred – Aí você já se organiza logo e espera o Francis chegar. Ele foi comprar comida e refrigerante.
–- Sim. Vou ajeitar essas tralhas logo.
Então Antonio foi guiando Alfred até a porta que dava acesso ao pequeno quarto que ele moraria por algum tempo. Ele só queria arrumar logo aquilo e pensar um pouco como abordaria Arthur sobre a situação.
“Espero que tudo dê certo...”
–- Ei, Alfred!
–- O que?
–- Boa sorte com isso.
–- Certo... Obrigado. – ele ficou um tanto pensativo – Antonio...
–- Sim?
–- Obrigado pela ajuda... Meus pais ficaram mais tranquilos.
–- Bem, amigos são para isso.
Antonio então se retirou do quarto e fechou a porta. Ele realmente não deveria se meter muito na situação... Na verdade, ele não deveria ter se metido em nenhuma das situações recentes. Mas ele já estava saturado daquilo tudo.
“Pelo menos uma acabou bem... Tomara que essa outra também acabe assim.”
–-- X ---
Francis estava voltando da mercearia e encarava a vizinhança enquanto caminhava. Ele começou a pensar como seria lindo ter um dia normal ao lado de Matthew. Ele não aguentava que mais problemas surgisse para impedirem ele de ficar ao lado de seu amado.
Ele só queria passar mais tempo com seu doce pequeno de olhos violetas sem a interferência de terceiros. Mas com o irmão de Matthew estando grudado a ele daquele jeito seria bem complicado. Talvez ele precisasse explicar diretamente qual era a relação dele com Matthew? Será que assim, Arthur entenderia?
“Isso é tão complicado...”
Ele estava pensando em maneiras de como conversar com Arthur quando reparou em um grupo de amigos, que pareciam ser do fundamental, saírem de uma loja de quadrinhos. Ele via como eles pareciam felizes ao estarem juntos. Via como eles riam uns dos outros. Percebia que todos falavam sobre como a loja era incrível e que queriam voltar nela logo.
“E se eu... chamasse ele para sair? Tipo... um encontro.”
Francis sorriu bobamente. Era óbvio demais como ele arranjaria tempo para ficar com Matthew sem a presença de outros. Ele só precisava chama-lo para um encontro! Como não tinha pensado em uma coisa tão simples?? Mas ele se viu em outro problema.
–- Nós estamos... namorando?
Então Francis parou de caminhar e ficou perdido em pensamentos. Ele nunca tinha pedido isso, formalmente, para Matthew. Será que era realmente preciso? Droga! Todas essas coisas estavam invadindo sua cabeça. Ele só queria organizar as ideias logo.
Será que pedir alguém em namoro era muito antiquado? Matthew riria dele? Mas parecia ser a coisa mais certa a se fazer... Ele não poderia chama-lo para um encontro sem falar sobre isso com Matthew antes.
–- Vou mandar uma mensagem para ele mais tarde...
Francis olhou o relógio de pulso. Ele precisava chegar logo em casa. Alfred já poderia estar por lá.
“Gilbert fará um sermão se eu demora demais...”
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