Notas iniciais
Primeira fic Jily :3
A fanfic foi inspirada no seguinte plot do fanctions:
"fanfic onde James é um pintor anônimo e a Lily se apaixona pelas artes dele, mas descobre que ele é a sua verdadeira obra de arte"
Desafio aceito.

Lily Evans era nada mais nada menos do que uma das melhores críticas de arte que Londres já vira. As pessoas costumam dizer que os críticos apenas acham defeitos e criticam a obra dos outros, mas é exatamente o que os críticos devem fazer. Afinal, o que faria com que um artista se inspirasse mais, senão conseguir provar que ela estava enganada? Lily conseguia despertar esse sentimento nas pessoas, o de se provar. Provar que poderia se reerguer depois de uma temporada ruim.

O dia amanheceu nublado em Londres, mas isso não abalou Lily. Os dias cinzentos e frios são seus preferidos e isso é uma das inúmeras razões dela amar morar em Londres. Ela há muito tempo, desistira completa e irrevogavelmente da cozinha. A cafeteira que ela tinha comprado tinha estragado e Lily estava adiando todo o trabalho que teria de ligar na central e esperar um técnico vir.

Lily tinha achado uma cafeteria que estava alimentando muito bem o seu mais novo vício em cafeína. Vestiu o casaco verde e calçou as botas antes de sair do apartamento. A cafeteria é relativamente nova, tem um ar aconchegante e velas nas mesas. Lily escolhia pela cor e, naquela manhã, decidiu sentar-se na mesa que tinha uma vela verde.

A garçonete sorriu ao reconhecer os cabelos ruivos.

— Bom dia, Lily. O que vai querer hoje? – Lily gostava de variar os pedidos, sendo assim, a probabilidade dela pedir a mesma coisa duas vezes era quase nula. Bem, enquanto houvesse possibilidades no cardápio, ela iria mudar. Nesse dia, porém, ela só queria tomar algo quente.

— Um cappuccino somente, por enquanto. – a garota se retirou e Lily despiu o casaco. O ar dentro da cafeteria estava quente e ela tinha pegado uma mesa longe da porta, dessa maneira, quando um cliente entrasse ou saísse o vento frio não iria atingi-la.

Seu celular vibrou e ela imediatamente tirou-o do bolso do casaco.

Marlene
Você vai fazer algo hoje a noite ou vai sair
em busca de algum artista desconhecido?

Marlene simplesmente não sabia o significado de limites. Não importava se era final ou meio de semana, qualquer dia parecia propício para uma saída que geralmente terminava em uma das duas bêbada – nem mesmo a segunda-feira, impedia-a de formar planos.

É uma verdade universal que Lily é viciada em descobrir artistas. A maioria não conseguiam bons patrocinadores e, geralmente, abandonavam a arte. Ela descobriu essa realidade quando Dorcas Meadowes, uma das melhores artistas que Lily tivera o prazer de conhecer, lhe contou que passara anos tentando fazer com que qualquer uma de suas obras fosse exposta. Teve que enfrentar muita coisa e queria ajudar o maior número possível de artistas para que eles tivessem maiores oportunidades de serem reconhecidos.

Então quase todo dia Lily saia à busca de artistas desconhecidos, geralmente achava muitos em galerias pequenas e afastadas do centro.

Não sei ainda
Eu te aviso qualquer coisa

Ok

Nesse momento, alguém entra na cafeteria e Lily, instintivamente, ergue a cabeça. É um rapaz. Cabelos escuros e arrepiados, óculos escuros e inúmeros panfletos na mão esquerda.

Ele vai até o balcão e troca algumas palavras com a mesma garçonete que atendeu Lily, depois disso ele começa a distribuir os panfletos a cada cliente no café com um sorriso bonito no rosto. Com Lily não foi diferente, o sorriso era muito charmoso até pra ela que tinha apreciado milhares de obras durante toda a sua vida.

Ela até corou e ela achou uma reação muito exagerada da sua parte. Onde já se viu uma mulher adulta e vacinada corar só por causa de um sorriso de um cara bonito? Ela já tinha deixado o ensino médio pra trás.

Baixou os olhos para o panfleto. Era simples e preto e branco.

Galeria Lumière apresenta:

Cores.

Idealizada pelo artista Sirius Black, Cores, é o retrato de uma cidade. De uma população. De uma cultura.

Luzes amarelas.

Uma sessão de fotos da cidade expõe mais sobre a população do que pensamos. Por Lynn Parker.

Mais seis descrições de exposições aparecia no panfleto. Lily conhecia a Galeria Lumière, era pequena e ficava relativamente distante da sua casa.

O garoto que tinha lhe entregado o panfleto agora estava sentado no balcão bebendo café. Ela decidiu ir até ele.

— Alguma dessas exposições é sua? – o garoto se assustou um pouco e Lily gostaria de não ter sido direta demais. – Desculpe. – ele abriu outro sorriso e ela percebeu que ele é muito sorridente.

— Sem problemas e não, nenhuma dessas exposições é minha. Na verdade, eu estou distribuindo esses panfletos porque as obras do meu amigo que vão ser expostas.

— Ah sim. Quem é?

— Sirius Black. – Lily voltou a olhar para o panfleto.

— Cores.

— Isso mesmo. Você deveria ir lá hoje.

— Claro. Eu estarei lá. – ela deu um sorriso, que ela considerou bonito também, pagou seu café e saiu da cafeteria. Mandou uma mensagem para Marlene.

Eu vou para uma galeria hoje ver uma exposição
Quer vir comigo?

Não, exposições são chatas
Eu e Alice vamos sair hoje
Você que deveria vir com a gente

Lily sentia falta de sair com suas amigas, ela tem estado muito ocupada com o trabalho, ultimamente. Porém, ela só poderia ir à exposição hoje já que nos outros dias ela iria trabalhar até tarde.

Eu vou outro dia
Prometo

Marlene não disse mais nada e, torcendo para que a amiga não ficasse chateada, Lily foi para o trabalho.

***
Lily passou o dia distraída pensando na exposição, mais especificamente, no rapaz que entregou os panfletos de manhã e ela estava irritada com isso.

Assim, passou o dia trancada na sua sala e resmungava a cada batida na porta. Lily é a editora chefe de uma revista de Arte que combinava Moda, Música e Gastronomia. É uma revista bastante conhecida e Lily se orgulhava toda vez que via alguém lendo. Quando Lily assumiu, não era uma revista conhecida e ela decidiu inovar para trazer mais leitores. Agora a revista já tinha sua própria plataforma digital e aplicativo, além de ser constantemente elogiada por jornalistas especializados e personalidades.

Quando o expediente finalmente acabou, Lily se apressou em pegar um táxi até o bairro da Galeria Lumière, a exposição já tinha sido aberta há uma hora.

Quando chegou lá, 20 minutos depois, a galeria estava relativamente cheia – o que foi uma surpresa para Lily. A galeria não era frequentemente lembrada pelos apreciadores de arte. Ela, porém, reconheceu alguns rostos de hoje mais cedo no café. O sorriso bonito do rapaz deve ter influenciado nisso.

— Você veio! – ela reconheceu a voz e se virou. O moço bonito (é como ela vai chamá-lo agora e não estava aberto a comentários) vinha na sua direção, um sorriso estampado. Ela sorriu sem pensar duas vezes de volta.

— Sim. Não é a primeira vez que eu venho a esta Galeria, nunca a vi tão cheia. – ela completou quando ele chegou mais perto.

— Meu amigo Sirius é realmente um bom pintor. Aliás, já viu alguma obra dele?

— Ainda não.

— Vem, tenho certeza que ele vai adorar te conhecer. – ele guiou Lily através da multidão com uma mão no seu pulso. Quando ela baixou os olhos viu que a mão dele tinha calos e parecia suja de tinta debaixo das unhas. Talvez, ele ajudasse seu amigo com algumas obras.

Antes, porém, de chegarem a qualquer lugar. Ele se virou.

— Sou James Potter, a propósito.

— Leila Evans. – ela não queria ser descoberta. O nome de Lily é conhecido por toda a comunidade artística e ela queria manter o anonimato. E depois de ter falado seu mais novo nome falso ela viu o quão fácil seria ligar os pontos se fosse reconhecida.

— Prazer. – ele abriu um sorriso que Lily achou particularmente malicioso demais, mas antes que ele pudesse vê-la corando, ele se virou e voltou a andar. Dessa vez sua mão segurou a mão de Lily e ela podia sentir como a sua mão era quente, mesmo estando frio em Londres.

Na verdade, ela se sentiu aliviada ao perceber que agora que sabia seu nome não precisava mais chama-lo de “Moço bonito”.

Um homem de cabelos pretos e longos, até a altura dos ombros, conversava com um casal. Ele é falante e expansivo e carregava um sorriso leve e fácil o tempo todo.

— Com licença. Sirius. – Sirius se virou ao ver quem o tinha chamado e depois se despediu do casal.

— James. Ruiva. – Lily estava acostumada às pessoas a chamarem de “Ruiva” ela não entendia de onde vinha isso, mas não se incomodava mais. Então, os olhos de Sirius, de repente, se arregalaram. – Ei! Essa é a garota de quem você estava fala... – Sirius para a frase. – Quer dizer, não sei de ruiva alguma. Nunca vi nem ouvi falar de ruiva alguma. – Ele coçou a cabeça e olhou para o chão. Lily reprimiu um sorriso e olhou para James que pigarreou.

— Enfim, Sirius, por que você não fala pra Leila um pouco da sua obra? – o tom estava carregado demais, porém Sirius acenou com a cabeça e sorriu para Lily.

— Claro. Enfim, Cores, uma coleção feita por mim mesmo, fala sobre Londres. Eu sei, eu sei, parece um pouco previsível. Afinal, quantas vezes Londres já foi retratada antes? – Lily permaneceu em silêncio enquanto Sirius explicava seu conceito. Lily não deixou de reparar em suas mãos e em como não havia nenhum resquício de tinta por debaixo das unhas e em como elas não eram calejadas.

A mão de um artista é calejada de tanto segurar um pincel e, não importa, quantas vezes você lave sempre sobra um pouco de tinta debaixo da unha. Lily achou estranho, mas não comentou nada. Além disso, a explicação de Sirius parecia muito superficial, como se ele estivesse apenas repetindo palavras já ditas anteriormente. Um artista sempre mudava seu discurso ao falar sobre sua obra, isso acontece porque o artista retrata o que ele sente.

Dessa forma, uma obra nunca é feia – já que a beleza é subjetiva – nem triste, nem esquisita. Tudo que está ali veio da cabeça do artista e só ele, no final das contas, pode julgar a obra por completo. Mesmo assim, Lily guardou para si mesma suas observações.

As obras de Sirius são incríveis e ela achava muito injusto um artista como ele não ter mais patrocinadores. A arte dele devia ser muito mais reconhecida.

Quando eles terminaram, Lily estava decidida a escrever uma boa crítica sobre a exposição. Ela já via as palavras se formando, por isso precisava ir logo pra casa senão iria perder a inspiração e ela achava que Sirius merecia uma ótima crítica. Sendo assim, após se despedir ela caminhou de volta à saída.

— Já está indo? – James surgiu à frente dela. Lily sorriu.

— A coleção do seu amigo é incrível! Eu mal posso esperar para começar a escrever... – Lily se calou ao perceber que tinha falado o que não devia. – Quer dizer, eu mal posso esperar pra ver o que vão escrever sobre. – o sorriso de James era travesso quando ele se aproximou dela.

— Por mais que eu queira ver o sucesso do meu amigo acho difícil algum crítico importante vir aqui. Eles geralmente ficam focados em artistas mais conhecidos como se eles precisassem de mais reconhecimento.

— Eu não acho que isso seja verdade. Já vi muitos críticos falarem sobre obras de artistas desconhecidos.

— Ah é? Quem? – Lily não estava acreditando que ela ia fazer merchan dela mesma.

— Lily Evans por exemplo. Muitos artistas já ascenderam por causa das críticas dela. – o sorriso de James continuava lá e ela ficava cada vez mais nervosa a cada passo dele dado na direção dela.

— Eu quero te mostrar uma coisa antes de você ir.

— Já é tarde. – ela disse, apesar dela ter planejado que a sua voz saísse confiante, ela saiu hesitante.

— Vai ser rápido, Leila. Prometo. – Lily fingiu que pensava e cedeu.

— Tudo bem. – James voltou a segurar sua mão e a levou para uma tela exposta. Somente uma pessoa estava lá e ela saiu segundos depois deles terem chegado.

— Eu não vi essa. – Lily comentou ao ver que Sirius não havia mostrado essa pintura para ela.

— Essa é uma obra especial, vista somente por visitantes especiais. – Lily olhou para o lado.

— Qualquer um pode entrar aqui.

— Mas não vão entender o sentido.

— Sei.

— É sério.

— Tudo bem. Qual é o sentido então? – Lily voltou a encarar a tela. A obra parecia ter vindo diretamente do Impressionismo, como se o próprio Claude Monet tivesse a pintado. Porém, a obra não tinha nada a ver com a temática dos impressionistas. Apesar das pinceladas serem soltas e sem contornos nítidos, não havia o estudo da luz do sol na pintura.

A pintura é escura e traz uma figura de costas, usa uma roupa branca e seus cabelos estão soltos atrás. Ela olha para uma janela que reflete Londres, Lily conseguiu ver a forma da London Eye e mais ao longe o Big Ben, mas estavam todos escuros; como se a energia elétrica em Londres tivesse acabado.

— A falta de iluminação? Como somos dependentes da energia elétrica? – Lily perguntou se virando para James.

— Falta de iluminação? – ele apontou para cima na tela. Lily pôde ver que a única luz vinha da Lua e das estrelas. A Lua clareava alguns cantos do quarto onde a menina estava e iluminava alguns pontos da paisagem além da janela. – Fique a vontade para interpretar o sentido. – a respiração de James batia em sua orelha e Lily não sabia como ele tinha se aproximado tanto sem ela perceber, mas ela não estava reclamando.

Lily se virou, o encarando agora – meio imaginando o que viria a seguir – e ela não se decepcionou quando os lábios de James encontraram os dela e eles se beijaram na galeria.

***

No outro dia, Lily se dirigiu à cafeteria pensando se veria James de novo. Ela tinha passado a noite toda se perguntando se isso seria o começo de algo mais ou se era somente algo da sua cabeça. Depois de horas pensando ela tinha decidido que não iria esperar algo, mas também não ia reclamar se acontecesse algo.

Ela estava tranquila, mas não podia ter certeza de muita coisa antes de ter tomado sua dose matinal de café.

Depois de se sentar com seu pedido – na mesma mesa de antes – ela ficou monitorando a entrada por um bom tempo até se convencer de que James não iria aparecer e que daqui a pouco ela teria que trabalhar. Terminou de beber o café e ergueu os olhos quando a porta foi aberta e James apareceu. Ela baixou os olhos rapidamente e fingiu estar concentrada no café.

— Lily Evans. – ela ergueu os olhos rapidamente. James estava sorrindo e com um exemplar da revista que Lily dirigia na mão. – Leila Evans não foi seu melhor nome falso. – ele se sentou no assento a frente dela e colocou a revista na mesa.

Estava aberta no editorial onde tinha uma foto de Lily. Ela suspirou, Lily é mais astuta do que isso.

— Parece que você me pegou. – James sorriu e se recostou no assento. Os dois não falaram nada por um tempo.

— Você vai escrever uma crítica boa sobre Sirius?

— Sim. A coleção estava muito boa e Sirius merece isso. – James hesitou por um tempo, ele parecia surpreso por Lily ter confirmado o que ele disse. – O que? Você achou que só porque você descobriu tudo eu iria ficar com raiva e não escrever nada sobre Sirius?

— Mais ou menos. – ele pigarreou.

— Eu tenho que ir trabalhar agora. – ela pegou sua bolsa.

— Espera. – ele puxou um guardanapo e uma caneta do bolso e anotou algo no guardanapo. – Eu quero conversar com você. – entregou o guardanapo à Lily. Ela viu que era seu número de telefone. – Eu te ligo mais tarde.

— Ok. – ela disse em um fio de voz e ele saiu do estabelecimento.

Lily praguejou ao ver que essa tarde também seria improdutiva já que ela não conseguiria pensar em mais nada a não ser a última frase proferida por James Potter.

***

Lily sabia que deveria ter trabalhado até mais tarde, mas ela saiu como todos os outros funcionários às 18 horas da tarde. Francamente, Lily não deveria permitir que um garoto tivesse tanto poder sobre a vida dela. Pensando nisso, ela retornou ao seu escritório. Ela ainda tinha que escrever a crítica de Sirius.

Às 18:30 seu celular tocou.

— Alô?

— Lily?

— Sim.

— É o Sirius.

— Ok. – ela disse em um tom duvidoso.

— Eu peguei seu número do James.

— Ok. – o tom amenizou, mas ela ainda achava a situação um tanto peculiar.

— Olha, eu preciso falar com você. Nós podemos nos ver em 10 minutos naquela cafeteria que você e o James sempre vão?— Lily nem sabia como Sirius sabia de tudo isso.

— Tudo bem.

— Certo, nos vemos lá.— e assim, sem mais nem menos, desligou. Lily desligou o computador e saiu do prédio.

Sirius também já havia descoberto que ela era Lily e não Leila, o que fez ela ter pensado que nem precisava ter inventado um nome falso e tudo aquilo.

Chegou mais rápido porque a cafeteria era perto do prédio onde ela trabalhava.

Pediu um cappuccino e esperou Sirius chegar.

— Lily? – ela estava tentando informar Marlene de tudo que tinha acontecido desde ontem e não percebeu quando Sirius se aproximou da mesa.

— Oi. – ele sorriu.

— Você não tem cara de Leila mesmo. – Lily revirou os olhos, mas sorriu.- Lily, eu quero falar sobre algo muito sério com você. É sobre o James. – Lily se endireitou na cadeira. O clima fácil já passado.

— O que é?

— Não sou eu que pinto tudo aquilo. A coleção Cores não é minha e sim de James. – Lily arregalou os olhos.

Ela, como a boa crítica que era, havia percebido os sinais. Ela não disse nada porque não iria julgar o modo como cada um falava sobre Cores e nem ia julgar as mãos de ninguém, por isso ficou quieta.

— Acho que você já desconfiava disso.

— Não. – ela suspirou. – Quer dizer, eu via como você e ele falavam da exposição e as mãos também, mas...

— O problema é que James tem esse medo irracional de falhar ou sei lá o que é isso e me pediu para ser o rosto de tudo isso. Eu concordei porque, sei lá, a galeria que estava exposta é uma merda, mas aí você apareceu. Essa é uma oportunidade de ouro para o James, eu não vou pegar toda a glória, quando, na verdade, o mérito é todo dele. – o celular de Lily tocou.

— É ele.

— Não fale sobre mim. – ela assentiu antes de aceitar a chamada.

— Lily?

— Oi James.

— Oi, eu queria falar com você sobre algo sério.— ele pigarreou. – Onde fica melhor para você?

— Na cafeteria? – Sirius franziu a testa pra ela.

— Pode ser. Te vejo em 10 minutos.

— Certo. – ela desligou.

— Por que você chamou ele pra vir aqui? E porque essa cafeteria parece ser o lugar onde todo mundo se encontra?

— Como você disse, essa é uma oportunidade de ouro pra ele. O que você acha que ele quer falar de tão sério comigo? – Sirius suspirou.

— Ele vai pedir pra você não escrever a crítica. – Lily assentiu.

— De onde veio esse medo de ser reconhecido? – ela pergunta.

— Não sei. Acho que é medo de falhar, na verdade. Acho que ele não quer desapontar ninguém e quando ele ficar conhecido, milhares de pessoas vão esperar algo dele. – eles ficaram em silêncio.

— Ele deve estar chegando, eu te falo no que deu mais tarde. – Sirius concorda com a cabeça e se levanta.

— Mesmo assim, espero estar errado.

James chegou 10 minutos depois de Sirius ter saído.

Lily continuava no mesmo lugar e já estava no seu segundo copo de cappuccino.

James sorriu para Lily quando se sentou em frente a ela, mas seu sorriso não estava mais tão confiante como ela estava acostumada. Era um sorriso mais nervoso.

— Tenho que te contar uma coisa. – ele disse depois que a garçonete anotou seu pedido.

— Tudo bem. – James respirou fundo.

— Eu sou o artista de Cores e não Sirius. – Lily não fingiu surpresa. – E acho que você já sabia disso? – ele disse em um tom de pergunta quando Lily não disse nada.

— Sirius me contou e eu tinha percebido alguns sinais.

— Como o que?

— As mãos. O jeito que vocês dois falam sobre a coleção. – Lily deu de ombros. – É o meu trabalho. Eu ainda vou escrever a crítica, a pergunta é: a quem devo dar os créditos? James Potter ou Sirius Black?

***

Eles estavam na Itália, dessa vez. James queria se aventurar nas esculturas e Lily aproveitou a oportunidade para começar a ampliar a revista para a Itália também.

A crítica de Lily alcançou milhares de pessoas e James foi rapidamente lançado ao sucesso. Todas as obras da exposição Cores foram compradas. James tinha lhe contado que tinha medo de ficar famoso por causa do seu trabalho porque ele seria uma imagem pública e isso daria muito poder a qualquer pessoa que o conhecesse. As pessoas iam procurar por ele no Google, iam querer adivinhar sobre a sua vida pessoal e ele não teria mais privacidade. Além disso, ele poderia ascender ou descender rápido e muitas pessoas poderiam se decepcionar com ele.

Lily o lembrou de que isso seria difícil, mas ele devia se perguntar se a sua arte valia a pena. E a reposta foi sim.

Lily ergueu o olhar e viu uma das obras de Cores – ela mesma comprou. É a mesma pintura que James mostrou a ela no primeiro dia de exposição.

— Não se mexa. – ela bufou, mas continuou imóvel. James estava pintando-a e isso era muito século 19.

— Você já parou pra pensar em como vai ser estranho, eu chegar em casa e dar de cara com o meu rosto na parede?

— Não é o seu rosto. É só uma garota ruiva e ela está de perfil. Agora, não se mexa. – Lily resmungou, mas ficou quieta.

Pelo canto do olho, ela espiou James. Sua cabeça inclinada, os óculos tortos, a testa franzida em concentração.

De repente, os olhos dele a flagraram e ela rapidamente desviou o olhar. Ele riu.

— Você está me encarando, isso é estranho.

— Termina logo essa pintura. – ele suspirou e quando ela olhou em sua direção viu que ele se aproximava dela.

— Em um quarto cheio de arte, eu ainda olharia para você. – ele disse se aproximando para beijá-la.

Para Lily, James é a sua obra de arte e para James, bem para ele, Lily é a sua obra de arte.

Notas finais
Espero que tenham gostado, agradeço ao @fanctions pelo plot ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!